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29 de maio de 2013

Sobre tornar público

Se tem uma coisa que eu já me acostumei nesse troço de redes sociais feat. vlog e blog é que não há nada que eu diga ou escreva por aí que não possa ser repetido pra mim em algum momento, por uma pessoa aleatória nos momentos mais inesperados. 

Não é necessariamente legal e admito, às vezes é bem esquisito (ainda mais quando pessoas te "citando" são conhecidas de verdade). Eu sempre parto do pressuposto de que a pessoa com que eu estou conversando não sabe de nada do que eu faço e muito menos dos assuntos e detalhes pessoais que acabo discutindo em vídeos e posts. Se no meio do papo a pessoa fala que já conhece a história que eu tô contando porque viu no vídeo tal, sem problemas. Eu simplesmente paro de contar a história e poupo tempo de todos os envolvidos. Mas esse é um exemplo benigno, claro. Se o resultado de contar sua vida e opiniões na internet fosse só ter menos assunto pra conversar ao vivo, tava bom. Sei bem que esse não é caso, mas isso é assunto pra outra hora. O que eu tô querendo dizer é que quando resolvi dar minha cara (e textos) pra bater, eu aceitei rapidinho que o que eu torno público, é público. Penso no que quero falar ou escrever antes e se decidir publicar é porque estou disposta a arcar com as consequências. Simples.

Agora, o que me irrita (e consequentemente me fez querer vir até aqui escrever - por que são os sentimentos ruins que dão mais inspiração, hein?), é, como sempre, os outros. Nem todo mundo tem vida "ativa" na internet além de Facebook e email. Muita gente (e vale ressaltar que isso independe de idade) não entende Youtube, não enxerga função no Twitter, não sabe da existência do Tumblr e também não se interessa por nada disso. Tão no direito delas, e sinceramente, sobra mais espaço pra mim. 

O problema é que essas pessoas, na maioria, não têm noção do alcance real da internet e de toda aquela história que eu tava falando sobre o significado e impacto de tornar coisas públicas. Elas não tem uma experiência mais abrangente com o negócio, não lidam diariamente com interações com pessoas estranhas a elas. Não sabem como é e não querem saber. As mais jovens até têm certa noção do conceito, do perigo da hackearem a conta online no banco, do "seus futuros empregadores olharão seu Facebook". 

Mas será que pensam que TODOS os oitocentos "amigos" do Facebook têm perfeito acesso aos desabafos, trechos calculados de letra de música e indiretas postadas? E que quando postam quinze updates diários sobre um ou dois assuntos subliminares esses um ou dois assuntos subliminares deixam de ser subliminares e passam a ser óbvios? Eu sinceramente acho que não. Postam "as indiretas" com uma ou duas pessoas da lista em mente e esquecem das centenas outras. E se não esquecem, porque se surpreendem quando você chama a atenção delas pros um ou dois assuntos? Parece que essas pessoas só entendem o quanto tão expondo suas vidas quando alguém como eu por exemplo, que não deveria saber de certos detalhes, sabe. 

É minha obrigação te bloquear pra não ficar sabendo da sua vida e das pessoas que você tem interesse ou é obrigação sua postar só o que você não vai achar invasão da sua privacidade se eu souber? Falta louça pra eu lavar na minha pia ou será que você tá me bombardeando com seus desabafos sem nem se dar conta? Ou será que você se dá conta? Ou será que você é ainda mais esperto e não só se dá conta, mas também faz isso tudo justamente por saber que tá todo mundo assistindo silenciosamente? De qualquer maneira, não aceito  ser culpada por comer o que tá sendo me enfiado goela abaixo.

Burrice? Hipocrisia? Os dois? 

16 de maio de 2012

Questão de maturidade

Tá. Eu sempre passei bastante tempo com adultos, fui um ano adiantada na escola, vou terminar a segunda faculdade antes de completar 23 anos e blá blá. Sou considerada uma pessoa "madura" pela sociedade. No meu ponto de vista, porém, eu sou simplesmente uma pessoa que reconhece que a existência de um cérebro no corpo humano não é coincidência. Minha suposta "maturidade", pra mim, é o normal - é o jeito que estou acostumada a ver e me comportar no mundo. O problema é quando me deparo com gente que parece não ter sequer remoto conhecimento do conceito "cérebro e suas funções". Costuma ser uma mistura de tristeza e irritação aguda, mas de vez em quando é apenas entretenimento.

Fazia tempo que eu não convivia de verdade com gente da minha faixa etária, e vou dizer pra vocês que olha, não é fácil. A mistura de futilidade e metidismo é tanta nesse mundo que cada vez mais eu tenho vontade de achar uma caverna pra viver sozinha. Minha rotina atualmente envolve ouvir coisas do tipo "nunca tive problema com dinheiro" de um ser de vinte e cinco anos que vive com os pais e não tem emprego. "Mas como você compra as suas coisas?". Pede dinheiro pros pais. "E as bolsas de marca?" - cada uma ganhada de um namorado diferente. Ai amg, vem conversar comigo sobre problemas financeiros quando você tiver uma vida, vai. É rir pra não chorar.

Acho bacana que, apesar dos pesares, o mundo tenha se tornando mais compreensivo com a questão "tempo". É relativamente normal, hoje em dia, que uma pessoa em torno de vinte anos de idade não saiba com certeza que rumo profissional tomar, por exemplo. Ou que mulheres só lá pros trinta anos comecem a pensar em ter filhos. Essas coisas. Isso no tempo dos meus pais não era normal. Dezoito anos era mais do que hora de arrumar emprego e sair de casa. Dava merda? Dava. Os pais acabavam ajudando? Sim. Mas a experiência era real, acontecia mesmo. Não sei dizer qual das abordagens é melhor, acho que ambas tem vantagens e desvantagens. Mas a nossa realidade de ter "mais tempo" não é desculpa pra ser idiota, sabe. Essa despreocupação que a minha geração parece ter com tomar decisões sérias e começar a vida de uma vez por todas  parece que só tá atrasando o nosso desenvolvimento. Prova disso são as "super-crianças" que a gente vê por aí, fazendo coisas incríveis que adulto nenhum pensou ou teve coragem de fazer antes. Que bosta pra gente que tá só de telespectador, né? O famoso "eu também poderia ter feito isso" - só que não fez.

Eu acho que a gente tem muito potencial, recurso e capacidade de ser relevante no mundo. O que tá faltando é uma dose de realidade de quando em vez. Precisamos crescer um pouco. Esses dias ouvi, da mesma pessoa, "às vezes me dizem que eu vivo numa bolha. Não ligo pra essas pessoas porque eu sou feliz do jeito que eu sou". E se tirar pai, mãe e namorado, será que continua feliz?

Pense.  

8 de outubro de 2011

Steve Jobs e a superficialidade humana

Aviso: Esse post é pra ser lido cuidadosamente. Se não existe tamanha disposição dentro de você agora, nem leia o que escrevi e evite a minha fadiga de ter que ficar explicando cada vírgula porque eu simplesmente não estou com paciência pra burrice e interpretação de texto porca. 

Não é novidade nenhuma que noticia hoje em dia viaja mais rápido do jamais viajou. Tento acompanhar a velocidade das mudanças da melhor forma possível. Junto com a evolução da internet também veio um espaço cada vez maior para a dita "liberdade de expressão". Todo mundo tem acesso à informação instantânea e todo mundo expressa opiniões tão rápido quanto a informação chega. Até aqui tudo bem.

O que tem gritado na minha cara e me enlouquecido ultimamente sobre essa história toda é que a superficialidade das pessoas parece ter sido elevada a milésima potência. Graças à todas as fontes de informação disponíveis hoje em dia, temos oportunidade de saber de muito mais coisas e isso é ótimo na teoria. Na prática, muita gente vive de manchete e simplesmente não se dá ao trabalho de saber mais do que está acontecendo - o que não seria tão ruim se essas mesmas pessoas se resumissem ao que sabem na hora de dar opinião.

Steve Jobs morreu essa semana e de repente todo mundo, de celebridades internacionais aos inúmeros zé ninguéns do Twitter, resolveram expressar os profundíssimos sentimentos sobre o cara. De todas as incontáveis declarações que vi por aí, acho que só umas três vinham de pessoas que já tinham expressado qualquer pensamento sobre as contribuições de Steve Jobs para a tecnologia antes. Enquanto só se falava disso na internet, passou uma reportagem na televisão sobre o julgamento de Conrad Murray, médico pessoal de Michael Jackson. No jornal, divulgaram a gravação do Michael Jackson sob efeito de um monte de remédios, conversando com o médico por telefone sobre os planos pra turnê que estava prestes a começar, sobre o quanto ele sentia pelas crianças que assim como ele não tiveram infância e sobre querer abrir um hospital para crianças. Foi triste de ouvir.

Eu sempre gostei muito do Michael Jackson pelo talento absolutamente inegável que ele tinha. Quando soube da morte dele, fiquei mal. Foi a primeira vez que me senti triste de verdade com a morte de alguém famoso. Hoje, pouco mais de dois anos depois, o sentimento não mudou. Quando penso nisso sinto a mesma coisa que senti quando soube da morte.

Foi pensando nesse sentimento que caiu minha ficha sobre a superficialidade das pessoas. Eu lembro que na época da morte do Michael Jackson todo mundo fez questão de mostrar o quanto gostava do dele, o quanto valorizava suas contribuições ao mundo da música, o quanto respeitava a vida dele, o quanto nunca tinha acreditado nas acusações de pedofilia e assim por diante. Hoje em dia, mesmo tão pouco tempo após sua morte, o povo trata da notícia como se fosse velha. Agora quem morreu foi Steve Jobs, então dá-lhe a internet inteira prestando homenagens e falando do cara como se ele fosse a única pessoa responsável pela tecnologia que temos hoje.

Independentemente de quão importante o Steve Jobs realmente foi para a tecnologia e para o mundo de modo geral, a impressão que dá é que as pessoas só estão falando tanto sobre ele agora porque ele morreu há três dias e portanto esse é o assunto da vez. É óbvio que tem gente se sentindo assim como eu me senti quando soube da morte do Michael Jackson, mas não toda essa gente. E outra: por que todas essas pessoas não prestaram homenagens e expressaram o quanto acham que o Steve Jobs foi um gênio enquanto ele estava vivo? Porra. A gente vive no século vinte e um, estuda artistas, cientistas e filósofos que só ganharam reconhecimento depois que morreram e acha absurdo. Por que não simplesmente mudar isso e passar a valorizar os gênios enquanto eles vivem?

Mas esse não é o assunto que eu vim aqui pra tratar. A verdade é que muitas dessas pessoas que estão por aí dizendo que choraram quando souberam que o Steve Jobs morreu só querem mesmo é fazer parte do ~grupo~ e, pra isso, sabem têm que comentar sobre o assunto certo, o mais rápido possível e de preferência com as opiniões certas (porque afinal, discordar das coisas ultimamente é pedir pra ser crucificado).

Essa que é a merda. Até onde vai essa coisa das pessoas quererem provar ser algo que não são? Saber de coisas que não sabem, ter interesse por coisas que não têm? Que saco. Vejo esse tipo de coisa tão frequentemente e em tantas ocasiões diferentes que às vezes me pergunto se é mesmo possível que só eu perceba a babaquice que é ficar tentando o tempo inteiro ser algo que você não é. Qual é a dificuldade em gostar do que você gosta e não do que os outros acham que você tem gostar? Qual é o problema em simplesmente não se interessar por determinado assunto e não ter uma opinião formada sobre ele? Qual é o problema em falar do que você quer falar e não do que "é o que todo mundo tá falando então melhor eu falar também"? 

Pensem um pouco. 

13 de abril de 2011

Tristeza não tem fim, paciência sim

A questão é que resolveram que é legal ser triste e isso me incomoda porque, por falta de palavra melhor, acho idiota.

Vou começar afirmando o óbvio só pra constar: Já tive dias bem mais miseráveis do que consta como justo na constituição mundial de miserabilidade terrestre e portanto sei como é estar triste, passar por uma fase ruim, achar que tá tudo errado e nada vai dar certo nunca.

Porém, apesar de toda tristeza e frustação que já passou direta e indiretamente pela minha vida, pouquíssimas foram as vezes em que importunei o MUNDO com os meus problemas. O que acontece é que minha eventual tristeza não bloqueia o meu cérebro e portanto, mesmo estando triste, eu continuo sendo capaz de pensar: sei que os problemas são meus e que é minha a responsabilidade de resolvê-los. Ponto.

Aí eu ligo o computador. Uma avalanche de "deprimidos" e "infelizes" invade a tela - uns escrevem misteriosamente sobre as causas de sua infelicidade suprema enquanto outros caçam fotos melancólicas para republicar com alguma frase de efeito qualquer e, assim, expressar toda sua tristeza incompreendida. Em ambos os casos, o diagnóstico que dou costuma sempre ser igual: só mais um querendo chamar atenção.

Nada contra desabafos, aliás, quanto mais o tempo passa, mais eu acho que a gente deve mesmo falar sobre as coisas. Mas as pessoas passam do limite - e passam do limite num nível que a coisa vira competição para saber quem tem a vida pior. É absurdo.

Piora quando você observa as reações dos outros. No geral, as classifico em três tipos: empatia, ridicularização e ok, minha vez.

Empatia - o pessoal sente pena da coitadinha da pessoa, se identifica com os motivos expostos para tamanho sofrimento, diz que a pessoa é ótima, linda e magra e que tudo vai dar certo porque é isso que ela merece por ser tão maravilhosa e inteligente. (Vômitos).

Ridicularização - a pessoa-foco da tristeza dá a largada encontrando alguma maneira de se expor (sendo idiota) e outros idiotas se aproveitam da situação para fazer piada e descarregar um monte de desaforos - pertinentes ou não. Total perda de tempo para todos os envolvidos.

Ok, minha vez - Motivada pelo conhecimento absoluto sobre o quanto a sua vida é pior do que qualquer outra, a pessoa se vê na necessidade de PROVAR isso ao público de alguma forma, dando sequência ao infindável ciclo e, consequentemente, entrando na disputa mundial pelo prêmio da existência mais infeliz da História.

Todas as alternativas anteriores são ridículas e se encaixam perfeitamente no que eu categorizo como "idiota". A primeira é possivelmente a que mais me irrita uma vez que se passa por amizade quando na verdade nada mais é do que uma pessoa fortalecendo o ego da outra - irrita mais quando a gente lembra que eu estou me referindo à internet porque daí a gente também lembra que grande parte das pessoas que se relacionam apenas pela internet não se conhecem de fato.

Aí vocês me perguntam - o que tem errado nisso? Tudo, meus queridos. Sério. Essa mentalidade de que pedir um afago no ego de vez em quando é normal e que falar o que as pessoas querem ouvir significa ser legal é errada. É tipo dar dinheiro pra mendigo. Elogiar gente que fica pela internet se fazendo de coitada pra ganhar comentário em blog, visualização em vídeo e seguidor ativo no twitter é incentivo para que continuem fazendo isso - porque vão continuar.

Cada um dos tipos de reações que eu citei acima trás uma consequência diferente e eu nem vou me estender muito sobre elas porque não precisa. A única coisa que eu acho que ainda vale citar é que, mais cedo ou mais tarde, todas saem do controle.

Não vou generalizar porque não tenho embasamento suficiente pra isso, mas eu realmente acho que uma generosa porcentagem desses suicídios que tem acontecido com tanta frequência entre adolescentes ultimamente tem a ver com essa modinha babaca de odiar tudo, reclamar de tudo, achar que tudo está contra você porque coisas ruins só acontecem com você. Absurdo afirmar isso? Exemplifico: Ninguém valoriza o menino que sofre "bullying" na escola por ser gordo então ele resolve por bem que pegar uma faca na cozinha e se cortar ao vivo na câmera para os amigos é uma boa - mais de vinte mil pessoas assistindo (eu era uma delas). Chorou, disse que a vida dele não valia nada e parou a exibição online. Virou assunto durante alguns minutos no twitter, ganhou uma série de seguidores novos e pronto, conseguiu a atenção que tava querendo. Ninguém garante, porém, que um moleque assim não acabe se matando de verdade eventualmente. Queria atenção né, coitado. Argh.

Mas olha - independentemente de causar mortes ou não, o negócio é pessoal. Essa coisa de ser "infeliz na internet" tá tomando uma proporção muito maior do que minha paciência foi programada para suportar. É CHATO e me irrita.

Então, para finalizar, vou pedir duas coisas:

Primeira - Se você é um desses que nunca está satisfeito com nada, pare de reclamar por um minuto e reflita: será que é sequer possível que você esteja certo e que realmente sempre dá tudo errado pra você ou será que é a sua percepção egocêntrica sobre as coisas que te faz enxergar o universo inteiro como uma grande conspiração contra a sua pessoa (porque afinal você é tão importante que o universo inteiro revolve ao seu redor)?

E segunda - Se você é um desses que falam o que os outros querem ouvir só para agradá-los e se livrar da responsabilidade de uma conversa mais profunda, não se dê ao trabalho nem de fazer isso porque além de não ajudar de verdade, você atrapalha. Se uma pessoa tem problemas de auto-estima a última coisa que ela precisa é de elogio superficial, mesmo que seja isso que ela esteja pedindo. 

Aprendam com os erros, amigos. Funciona.

22 de janeiro de 2011

Acetona

Estávamos entre alguns amigos ontem, quando eu avistei a caixinha de esmaltes da anfitriã. Recém-re-viciada no assunto que sou, logo abri a caixinha e comecei a examinar as cores que ela tinha lá. Achei um roxo escuro fosco e queria muito testar a cor, mas não podia usar as minhas próprias unhas para fazer isso porque elas estavam pintadas de vermelho. 

Peguei a mão do meu amigo e já com o esmalte aberto, o comuniquei de que ia testar a cor na unha do dedinho dele.

Meu amigo: Ah, mano, mas vai sair fácil esse negócio, né?! - olhando pra própria unha, hesitante.
Eu: Claro.
Minha amiga, observando o processo de longe: Aliás essa é uma coisa ruim desse esmalte, apesar de bonito ele sai muito fácil.
Meu amigo: Tem certeza que vai sair, né Cíntia? 
Eu: Relaxa, vai. É só esmalte. 
Meu amigo: Mano, se esse negócio não sair...

Olhei o resultado, comentei um pouco sobre o efeito fosco com as amigas e logo mudamos de assunto.

Hoje toca o telefone. Era ele.

- Ô Cíntia, esse negócio NÃO TÁ SAINDO da minha unha. 
- Ai, não vai me dizer que você tá tentando tirar o esmalte com água.
- Porra! Tô lavando minha unha com água e sabão há não sei quanto tempo e esse troço não SAI!!

(risos descontrolados de quem imagina a cena)

- Sério mano. Como eu tiro isso?! Você disse que era fácil.
- Pede acetona pra sua mãe.
- Acetona?!
- Pega um algodãozinho, coloca um pouco de acetona nele e passa na unha que sai facinho.
- Tá...
- Qualquer coisa me liga de volta.

Homens.

3 de novembro de 2010

Interpretação de Texto

Esse negócio de internet não é fácil. Lidar com pessoas na internet, então - benzadeus.

Essa semana o bafão do twitter foi o tópico "preconceito". Uma fulana resolveu escrever uma frase xingando nordestino e o negócio ficou feio. No tweet ela dizia que nordestino não servia para nada porque elegeram a Dilma como presidente e por isso mereciam morrer. Particularidades políticas a parte (não votei na Dilma mas, diferente de muita gente entendo e aceito que ela venceu porque a maioria decidiu assim), a reação que essa história causou foi no mínimo impressionante. Saiu em jornal, as pessoas se mobilizaram, a menina sofreu ameaças e no fim pediu desculpas. 

Pessoas reagem - e isso é uma faca de dois gumes porque às vezes elas têm motivo, mas às vezes não. Quando o caso é o como esse que citei acima, acho que não há nada mais aceitável do que protestar e buscar um certo nível de justiça. Agora, quando o problema é interpretação de texto, me irrito profundamente. 

A palavra preconceito, por exemplo. Por definição, segundo o dicionário Michaelis, significa:

pre.con.cei.to sm (preconceito)


1. Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados. 2. Opinião ou sentimento desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão. 3. Superstição que obriga a certos atos ou impede que eles se pratiquem. 4. Sociol Atitude emocionalmente condicionada, baseada em crença, opinião ou generalização, determinando simpatia ou antipatia para com indivíduos ou grupos. P. de classe: atitudes discriminatórias incondicionadas contra pessoas de outra classe social. P. racial: manifestação hostil ou desprezo contra indivíduos ou povos de outras raças. P. religioso: intolerância manifesta contra indivíduos ou grupos que seguem outras religiões.

Só que definição de dicionário e nada, né. Aquela coisa. Na vida real o negócio costuma funcionar da seguinte maneira: falou mal é preconceituoso. Ponto.

Mas calma lá, gentem. Não é bem assim.

Eu me considero uma pessoa que sabe lidar bem com palavras - não pelo fato de ter estudado sobre isso, aliás, NÃO pelo fato de ter estudado sobre isso, mas simplesmente por gostar. Quando escrevo um texto, seja ele sobre o que for, escolho as palavras cuidadosamente para ter certeza de que estou me expressando da melhor maneira possível - e gosto de fazer isso.

Quando escrevo, sei que por decreto estou sujeita à interpretações e que por mais que passe horas tentando me expressar corretamente por meio das palavras mais apropriadas que consiga escolher, alguém me interpretará erroneamente. Isso acontece com todo mundo que se predispõe a passar algum tipo de mensagem e, infelizmente, é inevitável.

Particularmente, observo os erros de interpretação das coisas que escrevo com cada vez mais frequência - e não porque estou desaprendendo a escrever, mas porque mais gente têm lido meus textos. E não dá para escapar, quanto mais gente, maior a probabilidade de dar merda. 

Só que é muito fácil ofender as pessoas. Mesmo sem conhecer o alvo de ataque pessoalmente, existem algumas palavras que são infalíveis e funcionam tipo um gatilho. 

No último texto, falei de uma gorda fedida. A história realmente aconteceu e a mulher realmente era gorda. Não passou nem uma hora da postagem do texto, já tinha gente dizendo que eu sou preconceituosa. 

Na hora que li aquilo, pensei "ih, pronto". 

Sinto informar-lhes mas dizer que uma gorda estava fedendo insuportavelmente no ônibus não é preconceito. Preconceito seria se eu tivesse dito que todos os gordos fedem e basta reler o texto para confirmar que esse não foi o caso.

Mas se isso ainda não é explicação suficiente, detalhar-me-ei (futuro mais que perfeito é só para quem pode, sou chique).  Ainda lembram da definição da palavra "preconceito", lá do começo do texto? Não, né. Vamos de novo então, com os devidos comentários.

1. Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados. 
Nem o tamanho da mulher nem o cheiro foram conceitos formados antes de eu ter conhecimento adequado.

2. Opinião ou sentimento desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão.
O sentimento com certeza foi desfavorável, mas definitivamente não foi concebido independente de experiência.

3. Superstição que obriga a certos atos ou impede que eles se pratiquem.
O único ato que eu fui obrigada a realizar foi parar de respirar, isso, porém, não a impediu de continuar  fedendo.

4. Sociol Atitude emocionalmente condicionada, baseada em crença, opinião ou generalização, determinando simpatia ou antipatia para com indivíduos ou grupos. 
Minha atitude foi narizalmente condicionada, sem maiores embasamentos. A antipatia pela indivídua foi gerada pelo o único e exclusivo fato dela ter agredido minha paz respiratória. 

P. de classe: atitudes discriminatórias incondicionadas contra pessoas de outra classe social. 
Não sei se a mulher era rica ou pobre e nem mencionei isso no texto. 

P. racial: manifestação hostil ou desprezo contra indivíduos ou povos de outras raças. 
Não lembro de que cor a mulher era já que a única cor que eu enxergava era verde musgo, que foi a cor que o ambiente inteiro ficou depois que ela chegou.

P. religioso: intolerância manifesta contra indivíduos ou grupos que seguem outras religiões.
Nem o diabo deve ter tamanha capacidade fendetística, sinceramente.

Bom.

Não nego que as palavras usadas no texto tenham sido meio agressivas, mas olha - palavras tão ruins ou piores teriam sido usadas da mesma maneira se a pessoa detentora do fedor no ônibus fosse magra, podem ter certeza.

O que quero que entendam de uma vez por todas é que as interpretações de vocês podem não estar completamente corretas sobre tudo, o tempo todo. E que antes de sair por aí pregando cartazes pela rua sobre como eu sou uma pessoa terrível que deveria morrer queimada em praça pública por ser tremendamente preconceituosa contra gordos injustiçados, vocês precisam se certificar de que estão corretos no que afirmam.

Mesmo porque, pessoal, na semana seguinte à do ocorrido da gorda fedida, eu tive o imenso prazer de estar no mesmo ambiente que o dono dos pés mais fedorentos do universo estava. E adivinhem só, ele era mais magro que pau de vira tripa.

Moral da história - Estudem Interpretação de Texto e tomem banho diariamente.


27 de agosto de 2010

Comunicação

Não lembro exatamente quando foi que cheguei a essa conclusão, mas para mim, mais da metade das coisas que a gente fala não são entendidas pelas pessoas que nos ouvem falar. 

Como se essa idéia já não fosse suficientemente perturbadora, direciono a atenção de vocês para uma outra questão: se as pessoas não entendem o certo, o que elas entendem? Pois é, o errado.

E fica pior ainda, porque as pessoas que nos entendem errado acham que estão nos entendendo certo e portanto, não fazem quaisquer questionamentos. Ou seja, nós nunca saberemos que nos entenderam errado a não ser que o assunto reapareça no futuro. 

Exemplo: 

Anos depois, numa festa qualquer, você encontra aquela pessoa com quem você teve uma boa porém breve conversa num passado longíquo. "Estranho", você pensa, "nunca mais conversei com aquela pessoa e nem lembro por quê". Horas mais tarde, cada vez mais nervoso pelo desperdício do espaço cerebral ocupado pela sua inútil memória, você resolve ir falar com a pessoa. Qual não é a sua surpresa quando:

- Nossa, mas quanto tempo! Por que a gente não se falou mais?!
- Ah, achei que você não gostava de mim.

A casa cai, né? Como assim, "eu não gostava de você"?! 

Então, foi um mal entendido*. De vez em quando nós temos oportunidade de resolvê-los, mas, e todos os outros que acontecem e a gente nem percebe? Todas as idéias erradas que as pessoas têm da gente pura e simplesmente por falta de comunicação?

O que pega é que isso acontece com muita frequência e só de observar diálogos alheios já dá para perceber. Inúmeras foram as vezes em que eu estava de coadjuvante numa conversa e, depois do básico silêncio-que-fica-quando-um-assunto-termina, eu disse algo como "é, mas o que o Fulano quis dizer não foi isso, foi isso, isso e isso", e enquanto o Fulano concordava comigo, todo mundo mudava de expressão "- Ahhh! Agora entendi!".

Às vezes o mal entendido é só uma interpretação errada de uma história, mas às vezes pode ser como no exemplo que eu dei em que a pessoa acha que você não gosta dela, ou a má impressão é especificamente sobre você como pessoa, sobre a sua personalidade. 

E ó, quem diz que "não se importa com a opinião dos outros", mente. Ninguém quer ser tachado de metido ou arrogante a troco de nada. Ninguém quer perder um futuro amigo porque se expressou mal numa primeira conversa. Eu duvidiodó que alguém goste de ser rotulado negativamente de graça. 

Aí inventaram a Internet, e olha, se tem uma coisa que piora a comunicação (pelo menos nesse sentido) em 937%, é a Internet. Quanto maior a sua rede social, mais gente vai te entender errado. 

Esse assunto realmente me intriga. Gostaria de conseguir evitar esse tipo de coisa, mas não acho que seja possível. Como faz?


*Não gosto das novas regras da Língua Portuguesa. Ponto final.

19 de agosto de 2010

Hábitos de sono

Muita gente que alega não gostar de acordar cedo diz que embora não lhes agrade, a rotina os acaba fazendo se acostumar e, por isso, acordam cedo até nos finais de semana. 

No meu caso, o horário de acordar para ir para a escola sempre foi em torno das sete da (madrugada) manhã. Ia dormir às onze da noite e ótimo, oito saudáveis e suficientes horas de sono. Aí eu entrei na faculdade, né. Para resumir a história, no último ano da graduação, se eu dormisse três horas por noite era muito. 

Pergunta: Com base nas afirmações do parágrafo acima, em qual dos dois períodos era simplesmente impossível acordar antes das duas da tarde nos finais de semana? Escolar ou universitário?

Em ambos, sem dúvida. Sempre achei inútil acordar cedo em dias que se pode dormir, além de ficar muito brava quando crianças chorantes ou o tiozinho do biju com aquela matraca proveniente dusinferno passavam na frente da minha casa, com o único e exclusivo objetivo de me acordar.

E assim, quando as pessoas descobrem sobre meus hábitos de sono, meldels - revolta, fúria e indignação transbordam suas veias. 

"- Nossa, credo! Assim você não aproveita o dia!", todas as vezes. 
"- Ah é? E o que você faz de domingo de manhã? Globo Rural?" - sim, eu defendo meus direitos soníferos.

Ao responder, os matutinos gaguejam e nunca me convencem. Não há motivo para acordar cedo num domingo. É chato, demasiadamente silencioso (afinal o barulho todo só acontece enquanto você tenta dormir) e ninguém mais no universo está acordado. 

Esses últimos tempos, não tenho tido necessidade alguma de acordar cedo. É bom, mas me faz perder a noção. Acordo às sete da noite e vou dormir às onze da manhã. De vez em quando saio na rua lá pelas oito da manhã sem nenhuma perspectiva de sono, só para me sentir um pouco mais normal, fingindo que acabei de acordar.

Independente disso, sábados, domingos e feriados foram feitos para serem dormidos. Apóio as saídas com os amigos e o conceito "aproveitar o dia", mas nove da manhã no final de semana simplesmente não faz parte da categoria dia

11 de agosto de 2010

Situações constrangedoras

Atravessar a rua na frente de um carro que parou exclusivamente para você passar.

O constrangimento começa na dúvida se o motorista vai parar ou não. Você já fica com aquela cara de idiota, meio que querendo andar logo, meio que querendo ser legal e esperar. Aí o motorista pára e faz aquele sinal desprezível de "vai, anda" com a mão. Só que nesse momento, por motivos adversos, acontece de você não estar olhando para o carro e portanto, não saber que já pode passar. 

Quando você volta a olhar para o carro, percebe que o motorista já está sinalizando que você pode ir há algum tempo e tenta andar rapidinho para compensar. Tropeça e, durante o movimento, lembra que seria gentil agradecer a paciência alheia. Não sabe se sorri, se manda um jóinha, se bate palma, se realiza um duplo twist carpado (...). Na dúvida, você faz um pouco de cada e finaliza sua performance de modo memorável: batendo de frente com outra pessoa.

Terminar uma conversa com outro dono de cachorro.

Você sai para passear com o cão e vê alguém fazendo a mesma coisa, caminhando em sua direção. O momento do encontro já é meio tenso, porque tanto você quanto a outra pessoa tentam evitar que um cachorro veja o outro, puxando-os discretamente. Não adianta. Enquanto a cheiração canina acontece, o diálogo começa e termina num período de trinta segundos - tempo suficiente para as coleiras virarem um nó digno do reconhecimento escoteiro mundial. Desfaz-se o nó e eternos minutos de silêncio decorrem, você e a outra pessoa de cabeça baixa, fingindo observar a interação canina com interesse. 

A situação fica insuportável e você começa a falar com o cachorro. "- Então tá, né Rex? Vamos para a casa, comer um biscoitinho?". Ele te ignora e, mentalmente, você tenta listar as vantagens de ter um cachorro, falhando miseravelmente. Mais uma vez, tenta chamar a atenção do bicho. "- Então vamos, Rex? Comer um biscoito?". A outra pessoa faz a mesma coisa. Desistindo lá pela quarta vez, ambos puxam os respectivos cachorros e momentos antes de sair correndo em busca da liberdade, você lembra que é boa pessoa, educada. Desviando o olhar entre o cão e dono, diz"- Hm, tchau, então. A gente se vê (daqui a cinco anos, quando eu sair para passear com o Rex de novo, em Júpiter)".

Não ser entendido por um atendente do McDonald's

A fila é grande. Você muda todos os ingredientes do Big Mac desde que se conhece por gente. Dois atendentes estão disponíveis: a gerente e um moleque proveniente direto dos confins do universo, na última fase do treinamento. Você faz os cálculos para descobrir com qual vai cair, e ufa, gerente. Sua vez chega e tanto um quanto outro estão ocupados. Ironias do destino, o cliente do moleque pega o troco mais rápido e você será atendido por ele. Ou seja, né - adeus conceito fast food. Você pede o básico e vai eliminando item por item indesejado, substituíndo-os por outras coisas. Menciona mais de uma vez que não quer queijo. Termina o monólogo gloriosamente com "e para beber, uma Sprite, por favor". Isso tudo contemplando os brinquedinhos do Mc Lanche Feliz. Percebendo um silêncio que não deveria estar acontecendo, você vira para o atendente. Vai ter que repetir o pedido. 

Enquanto isso, a fila aumenta e a pessoa que está sendo atendida pela gerente te olha com impaciência achando, assim como todo o resto da fila, que é você o causador da demora. Depois de repetir tudo que já tinha falado, inclusive que não quer queijo, você ainda não sente a segurança necessária por parte do atendente. Pede para ele confirmar o que você disse. Corrige todos os erros, paga e espera a comida chegar. O próximo da fila, bufando, começa a fazer o pedido dele. O seu finalmente chega e, antes de retirá-lo, você confere. 

Veio com queijo.

3 de agosto de 2010

O trem

Lá estava estava eu, depois de considerável tempo sem contato com transportes públicos em geral, sentada solitária e silenciosamente indo de um lugar da cidade para o outro via trem.

O trem pára, as portas se abrem e a louca entra. A primeira impressão foi magnífica já que aparentemente a mulher estava berrando consigo mesma. Logo vejo, porém, que estava usando fones e que segurava o celular na mão. Pelo menos estava gritando com alguém

Um minuto de insanidade telefonística depois, ela finalmente finalizou a ligação - mas não sem antes pronunciar cada letra de todos os xingamentos que eu já conhecia e de mais alguns que passei a conhecer depois do episódio. Com o trem em movimento, ela levantou e andou em direção às portas. Socou as portas com ambas as mãos. Manteve a cabeça baixa por dois segundos e se virou para mim. "- Pronto, morri", pensei. Acho que na verdade ela não tinha nem sequer notado a minha presença até aquele momento:

"- Desculpa, acabei de terminar com o meu namorado" - ela disse, sentando-se novamente.

Sem comentários. 

As portas se abriram de novo. Duas meninas entraram e sentaram-se logo atrás da louca, um pouco mais para frente de onde eu estava. Mal sabiam o que estava por vir. 

Eis que um cara apareceu. Do fundo do vagão, direto para as duas meninas que tinham acabado de chegar.

"- E aí? O que vocês vão fazer hoje, mais tarde?" - falou ele, com aquele ar de azaração.

Antes delas terem a chance de responder, a louca disse:

"- Sai fora, cara. Elas não querem conversar com você"
"- Como você sabe se elas nem responderam ainda?" - ele retrucou.

Momento de tensão.

"- Ah é?! Meninas, vocês estão interessadas nesse idiota?" - indagou a louca.
"- Ah, ele parece gente boa" - disseram as meninas, contrariando os ensinamentos maternos de não falar com estranhos mentalmente instáveis.
"- Desculpa então, casem-se, tenham filhos e sejam felizes. Argh" - disse a louca, contrariada.
"- Bem feito. Cuida da sua vida" - respondeu o cara, perdendo uma ótima oportunidade de ficar calado.

Nessa hora a louca simplesmente levantou, e indo em direção a ele, gritava:

"- O quê?! Não, vem aqui. Eu vou quebrar a sua cara. Quem você pensa que é?! Eu vou QUEBRAR A SUA CARA!"

Empurrou, chutou e estapeou o infeliz - que justamente quando estava começando a reagir para dar uns tapas na mulher, foi parado por uns cinco outro homens que surgiram do além.

Mas homi que é homi não deixa barato. Um dos cinco, depois de ter separado a louca do primeiro idiota, virou para ela e, obviamente depois de muita reflexão disse:

"- Vai sentar, sua vadia doida. Você é louca!"

E foi aí, caros leitores, que choveu canivete. Fogo por todos os lados, infestação de insetos, tsunamis e furacões:

"- O QUÊ? EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FALOU ISSO! EU SOU UMA VADIA LOUCA?! EU VOU MOSTRAR PRA VOCÊ QUEM É A LOUCA!"

A mulher foi para cima do cara furiosamente, estapeando e socando a cabeça dele, enquanto os outros amigos assistiam, hesitantes - meio que entre se proteger de eventuais golpes e tentar ajudar o amigo. 

Contei que ela era meio gorda e tava com a metade da bunda aparecendo? Lindas imagens, viu pessoal. Definição de classe e elegância, sem dúvida.

A história termina com os caras descendo do trem, ainda xingando e sendo xingados. Depois que todas as portas estavam fechadas, o que tinha apanhado mais não conseguiu evitar de fazer uma última memorável aparição, batendo no vidro da janela e falando o que eu imagino terem sido lindas palavras.

O silêncio estabelecido assim que o trem entrou em movimento foi provavelmente a parte mais constrangedora da coisa toda. A louca sentou, respirou fundo e virou-se para as meninas, que mal se mexeram durante o barraco:

"- Eu tenho dois filhos, sabe. Não costumo ser assim violenta".

Assim violenta, não. Só uns chutes esporádicos na cara de pessoas aleatórias.



Moral da história: Evite dizer que pessoas loucas são loucas.

16 de julho de 2010

Frescuras de Quem Viaja para Fora

Desde antes de vir para o Canadá eu percebia que existem dois tipos de pessoas que viajam para fora. As que têm Frescura e as que não. Estar aqui só me ajudou a identificar melhor o que é frescura e o que não é.

Ficar colocando palavras do idioma estrangeiro no meio de conversas em português.
Totalmente desnecessário. É verdade que depois de muita exposição ao idioma às vezes o cérebro dá umas falhadas para lembrar uma palavra ou outra - mas daí a esse tipo de coisa:

Anyway, eu estava andando por lá e you know, aquele lugar é simplesmente amazing.

Poupe-me. 

Tudo do país estrangeiro é melhor.
Não é verdade. E as praias invejáveis que só o Brasil tem? O clima ótimo e variedade inacreditável de comidas boas? A pessoa que sofre de Frescuras de Quem Viaja para Fora não se importa com nada disso. Adquire um bronzeado verde-transparente-olha-só-dá-para-ver-as-minhas-veias, faz as três refeições do dia no McDonald's e fala para quem quiser ouvir que neve é a coisa mais maravilhosa que já presenciou. 

A verdade: É muito chato ficar sem sol, é decepcionante não achar comidas que deveriam existir no mundo inteiro como as que eu descrevi no outro post, neve dá trabalho e só é legal nas primeiras 24h, depois fica monótono. 

Brasileiro faz tudo errado, Canadense/Americano/Francês/Inglês/etc é que faz as coisas direito.
Todos fazem coisas certas e erradas. Deveria ser óbvio, mas não é. A pessoa que tem Frescuras de Quem Viaja para Fora passa por uma lavagem-cerebral espontânea e quando volta para o Brasil todo mundo é idiota porque é de "terceiro mundo" e não sabe de nada da vida. 

Brasil é "Terceiro Mundo". 
("Subdesenvolvido", "em desenvolvimento" ou qualquer que seja o termo policamente correto da semana). 

Depois de conhecer um país considerado de "primeiro mundo", não há como negar as diferenças gritantes que esse rótulo representa. Chegar de avião no Brasil observando tudo de cima é feio de ver. É sujo e bagunçado, dá vergonha. Canadá não. Tudo organizado e verde (branco se for inverno). Não se veêm muitos mendigos na rua, o dinheiro é bem tratado, as praças e centros de recreação públicos são impecáveis. Ambulâncias são rápidas e polícia também. 

A pergunta é: precisa ser de primeiro mundo para ter tudo isso? Porque assim, a pessoa que sofre de Frescuras de Quem Viaja para Fora não joga lixo nas ruas da Suíça mas joga nas de São Paulo. Respeita os sinais de trânsito na Alemanha, mas ignora totalmente os do Brasil e ainda buzina ensurdecedoramente todas as vezes que se sentir contrariada. Interessante, né?!

Estar em territórios estrangeiros é muito bom. Pessoas diferentes, lugares diferentes, clima, preços, animais, carros, árvores, cabelos, sapatos - tudo diferente. É uma experiência que eu recomendo para todo mundo. O problema, no meu ponto de vista, é ir para outro país, aprender esse monte de coisa nova e esquecer de trazê-las consigo de volta para o Brasil. 

Frescuras de Quem Viaja para Fora é doença contagiosa. Basta uma pessoa infectada recém-chegada de viagem começar a conversar com outras para o vírus se espalhar. "- Isso não é vida", "- Tem que sair daqui mesmo", "- Esse país é uma merda". 

Mas ó, tem cura. É um remedinho básico que geralmente pode ser encontrado lá no fundo do seu cérebro. Chama-se Consciência.  O genérico chama-se Humildade. Os médicos recomendam doses diárias. É simples: Lembre-se de que o Brasil é o seu país e consequentemente, sua responsabilidade também. Não importa o quão melhor você acha que determinado país é, Brasil continua sendo o lugar de onde você realmente é. Merece um pouco de respeito.


Obs.: E eu nem me considero patriota, hein. Não mesmo.

30 de junho de 2010

Sobre coisas que irritam

Sou só eu ou vocês concordam?

Funcionabilidade tecnológica indiretamente proporcional à sua paciência.
É só você estar com pressa para fazer qualquer coisa no computador que ele vai, necessária e inevitavelmente, decidir que hoje não é um dia bom para funcionar direito. Ponto final. Não importa o que você faça ou para quem você ligue, a decisão está tomada e você tem duas opções: desligar tudo e ir embora ou morrer engasgado na frente do computador com a espuma de raiva que sua boca produzirá.  

Pessoas que deveriam, mas não escrevem certo em português.
Entendo que tem gente que, devido ao duvidoso sistema público de educação brasileiro, não teve oportunidades decentes de estudo [som de violinos] mas também tem muita gente que teve e que comete erros iguais ou piores do que os de quem não estudou - e são esses os que mais irritam. "- Vou durmir","- O que você tá fasendo?", "- Nossa, não concigo fazer isso". Minha vontade é pegar um dicionário e fazer a pessoa engolir, desculpa. 

Barulhos com a boca.
Ao comer, por exemplo. É perfeitamente possível comer sem fazer barulho. Meu sentimento ao sentar perto de alguém que come fazendo barulho é que a boca da pessoa caia. Simples. Tem gente que faz barulho nas pausas entre a fala, também. Sabe? Engolindo saliva ou se preparando para continuar a falar? Pára.

Pessoas que me imitam.
Odeio. Quando vejo alguma coisa que é claramente minha sendo reproduzida outra pessoa, se pudesse, arrancaria fora o cérebro da pessoa, lavaria a peça com ácido detergente e colocaria de volta para ver se dá jeito de sair alguma coisa original dali.  Há quem diga que imitação é um dos tipos mais lisonjeiros de reconhecimento. Não.

Conversas que começam com "- Você não sabe o que aconteceu" e são seguidas de silêncio.
Ou seja, a pessoa quer que você pergunte o que aconteceu, como se só pelo fato de que sabe-se lá o quê aconteceu com ela fosse suficiente para deixar qualquer um curioso. Pergunto: Por que não me poupar do desconforto e contar logo o que aconteceu? Mesma coisa com gente que coloca frases tipo "estou tão triste" no MSN ou Twitter. Por favor, né, se você quer conversar com alguém, simplesmente vá ao alguém e converse - de preferência sem iniciar a conversa com a frase citada acima + silêncio. Não precisa ficar dando dica indireta pela internet.

Ser acordada antes da hora.
Quando estou dormindo gostaria de ser automaticamente considerada falecida por todos ao meu redor a não ser que eu tenha especificado o contrário antes. Ter me programado para acordar tarde (e por tarde leia-se  uma da tarde para mais) e ser acordada antes disso por qualquer ser cutucante é sentença de perda de braço por justa causa. 

A lista é muito maior que isso. Quanto mais escrevo mais lembro de coisa. Haja paciência.

                                                          

20 de dezembro de 2007

Ácido

Dezembro. Final de ano.

No que diz respeito ao trabalho, todos os problemas possíveis e imagináveis aparecem - sistemas de computador capengam, papéis se desintegram, galões de água acabam, telefones pifam e impressoras desejam a todos ótimas festas e um feliz ano novo.

Nas lojas do centrão da cidade, nem precisa falar. As compras. Está tudo em falta, e se está presente, não tem a cor, ou o tamanho, ou um que não esteja quebrado. E esse tipo de informação só se obtém se/quando você consegue encontrar algum atendente no meio do caminho - caminho este que não é você que trilha, mas a multidão que decide por você.

Resultado inevitável:

Vem o inocente: 'Muita saúde, amor e paz'
Resposta - Ahn?! PAZ?! Que paz?! Tenho um monte de coisa para terminar, estou pegando um resfriado terrível por causa desse tempo de bosta e nunca conversei com você na minha vida. Sai.

26 de outubro de 2007

Na rua

Vira e mexe eu volto a pé da faculdade, né?! Um saco, chego em casa morrendo. Agora não mais, afinal, não há nada nessa vida com que a gente não se acostume.

Pois então. Quando a bateria do aparelho super tecnológico de música acaba, não resta muito a não ser ouvir os doces sons da metrópole.

As figuras que se vê na rua são incríveis, já falei sobre isso antes. Mas a situação fica ainda mais bizarra quando você ouve o que elas estão falando. Eis que surgem, andando rapidamente no sentido contrário, dois senhores, tipo cinqüenta e tantos anos. De longe já dava para perceber que a conversa estava interessante. No momento em que passaram por mim, o mais velho estava concluindo o raciocínio:

"- Só que agora, né, me fodi na bosta..."

Pois eu parei no meio da rua, saquei o caderno e a caneta e anotei. Rindo. Muito. Que será que aconteceu de tão grave para que ele esteja nessa situação agora? Como é que se resolve esse problema, hein?

Pensando em quantas coisas eu já não deixei de ouvir devido à música sempre no talo, segui meu caminho. Foi então que, já perto de casa, me deparei com dois pedreiros, um com cara de mais importante que o outro. Um fechando o portão, o outro abrindo o carro.

"- Então, eu pego um marmitex, lá, pode ser?

- Não."

Andei mais um pouco. Saquei o caderno e a caneta novamente. O pedreiro menos importante certamente estava até aquele momento procurando as pernas que foram tão rapidamente quebradas pelo outro.

14 de julho de 2007

Vida noturna

Situação: Voltando para casa com a família, lá pelas tantas.
Ambiente: Minha irmã começando a dormir ao lado, meus pais tagarelando incansavelmente sobre qualquer coisa e eu na minha bolha - junto a minha mais nova aquisição tecnólogica que toca músicas, olhando para a rua. Pensando.

Só na madrugada você tem oportunidade de olhar para o lado e ver o chefe de alguém, provavelmente carrancudo e rabugento durante a semana toda, voltando de uma festa, com a camisa aberta até o quarto botão, com um colar capenga de mamona piscante pendurado no pescoço, rachando o bico de alguma piada muito sem graça que o cara no banco do passageiro estava contando. Quantas pessoas lá do trabalho dele não pagariam para ver essa cena. Se eu contasse eles não iam acreditar.

É durante a madrugada que você pode avaliar a vaidade que você não possui. Gente, sério, tava tarde e a menina estava impecável, chapinha intacta. Pena que ela não fazia idéia do que encontraria no banheiro de posto de gasolina que estava entrando. Adeus, rímel.

Nesse horário você vê que não entende certas coisas: Carros passam por você com uma velocidade inexplicavelmente alta. Meu, já são três da manhã, se não chegou até agora, não vai chegar mais, não adianta correr, animal.

Também desconheço o motivo real das aglomerações em postos de gasolina. As pessoas simplesmente param seus carrinhos, saem deles e ficam lá, conversando?

Existem ainda as questões políticas. Os sistemas de radar, por exemplo. Ô troço que funciona, né?! Tá chovendo canivete e o radar tá lá, com suas luzinhas vermelhas irritantes. Tudo bem que você não precisa ficar correndo na velocidade da luz constantemente como aquele ser citado acima, mas ter de descer uma rampa gigante como aquela a míseros 40km/h é praticamente uma censura ao espírito rebelde que a noite sugere. Se o governo gastasse essa energia com coisas que realmente fossem importantes, como a educação, as pessoas seriam ensinadas já na escola que só se pode aumentar um pouco a velocidade do carro nas rampas.

Mas não posso ser injusta. Deixo aqui o meu agradacimento ao prefeito Kassab, por ter tido a brilhante idéia de retirar os outdoors da cidade. Menos um momento constrangedor na minha lista. Sei lá onde, depois de um túnel aí, tinha um outdoor-mais-gigante-impossível que sempre me deixava envergonhada. Era a propaganda de uma boate (ou seja lá como for que os jovens chamam esse tipo de lugar hoje em dia) que continha a foto de um homo sapiens do sexo feminino, mas que para mim sempre se pareceu mais com um pedaço de carne de lingerie. Vergonha pelo bife, digo, mulher.

Ainda pensando sobre o tópico tecnologia e governo, e esses semáforos inteligentes, hein?! Conceito de inteligência nesse país é meio estranho mesmo, mas a função deles não é só mudar de cor ao mesmo tempo?

E também pensei em quem olhava de fora, que via uma menina fazendo movimentos estranhos ao som de algo que só ela ouvia, com um bloco de papel e uma caneta, escrevendo freneticamente alguma coisa que devia ser muito interessante, afinal, estava sendo escrita dentro de um carro com mais três pessoas, uma babando, outras duas falando sem parar, às três da madrugada.