Mostrando postagens com marcador aniversários. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aniversários. Mostrar todas as postagens

26 de janeiro de 2012

Vinte e dois

É estranho porque quando a gente é criança, não vê a hora de ter quinze anos. Chegam os quinze anos, a gente quer logo ter dezoito. Chega no dezoito e a gente quer ter vinte e um. E aí vem o aniversário de vinte e dois. 

...

Até daria pra esticar a próxima idade ideal e dizer que é vinte e cinco, mas não acho que seja boa ideia: vinte e cinco é quase trinta e números redondos passam a ser assustadores depois do vinte. Sabe qual é a conclusão disso? Acabaram-se as idades supostamente legais de ter. Fodeu, mano. Estou realmente ficando velha agora.

Como eu sou uma pessoa extremamente preocupada com o bem geral da nação e sempre busco diferentes maneiras de fazer com que a minha longa existência nesse planeta seja de alguma utilidade pública, preparei um pequeno quiz para vocês medirem seus respectivos níveis de velhidão e já começarem os tratamentos psicológicos antes que seja tarde demais.

SIM OU NÃO

1 - Existem cremes de pele especializados para a sua faixa etária que não só te protegem contra os raios solares mas também evitam marcas de expressão? 

2 - Você já disse ou teve vontade de dizer alguma coisa que começasse com "No meu tempo as coisas eram diferentes"?

3 - No seu tempo, as coisas eram diferentes?!

Se a resposta foi "sim" para qualquer uma das perguntas acima, sinto informar mas vocês estão no bico do corvo tanto quanto eu. 

FELIZ ANIVERSÁRIO PRA MIM! 

29 de maio de 2011

Cinco anos de blog!

O primeiro post do Cintia disse foi em maio de 2007. Sempre gostei muito desse blog e sigo gostando dele cada vez mais. É muito legal ver como ele cresceu e saber que sempre que eu quiser algum lugar para escrever ele estará aqui prontinho para uma "nova postagem". 

Parabéns pra mim e pra vocês, meus leitores favoritos.

14 de fevereiro de 2011

O dia em que eu pulei de um avião

Aí foi o meu aniversário no final do janeiro (parabéns para mim, agora sou internacionalmente maior de idade) e o meu beloved sweetheart resolveu por bem me jogar de um avião para comemorar.

Pular de paraquedas é uma daquelas coisas que constam na lista de "Coisas a Fazer antes de Morrer" de muita gente. Constava na minha e ele sabia. Ok.

Cheguei lá, preenchi umas fichas, recebi recomendações de comer e de assoar bem o nariz (?) e sentei pra ver os outros pulantes. É o processo da fila dos parques de diversão. Você observa todo o procedimenro repetidas vezes, acha que "pff, nem é TÃO alto", conta no relógio quantos minutos dá e assim por diante. Estava no meio dos meus pensamentos sobre a gravidade quando de repente chamaram o meu nome. A mulher tinha falado que eu iria no avião treze e o aquele ainda era o onze. Minha preparação psicológica evaporou-se instantaneamente.

"- Tem uma vaga nesse de agora então a gente vai te colocar pra saltar agora!" - disse ela, animada.

Certo.

Todos já estavam sendo preparados por seus instrutores engraçadões ("se o paraquedas não abrir eu nunca mais quero te ver hein!", na mesma praça, no mesmo banco) e eu lá desnorteada, esperando pelo que viria a seguir - não tinha nem sinal de instrutor engraçadão para mim. Já tava cogitando pular sem paraquedas e sem instrutor quando chegou o ajudante do instrutor. Estagiário de instrutor de paraquedismo. "- Morri", pensei. "- Esse fulano vai me amarrar errado e MINHAS CORDINHA não vão funcionar". Todo mundo com seu respectivo experiente e preparado instrutor e só eu com um assistente.

Vesti a parafernalha toda e o menino ia tirando corda de tudo quanto era canto daquele macacão. Enquanto ele me amarrava, ia tentando "quebrar o gelo" (que não existia porque eu tava super calma) com as mesmas piadas ensaiadas dos instrutores de verdade, porém de alguma forma misteriosa elevadas à enésima potência do sem graça. Ele falava tão baixo que minha vontade era dar um soco na barriga dele pra ver se ele cospia a batata que tava entalada na garganta. Super calma.


Bom.

O instrutor e a fotógrafa finalmente chegaram, e tudo tava sendo meio rápido. "Vão esquecer de amarrar a única corda que precisa estar amarrada, tenho certeza", pensava. Começou a tiração de foto  e o meu instrutor era o único dentre todos que não fazia piada. Ou é O cara ou é O chato, né (até agora não cheguei a uma conclusão sobre isso). A alça que tava no meu ombro direito ficava caindo e eu já tava imaginando o meu braço desconectado do corpo quando mencionei despretenciosamente pra ele: "então sabe, é que tá meio frouxo aqui". Sem nem sequer desviar o olhar do que tava fazendo, ele disse "- Eu vou apertar tudo quando for a hora" [barulho de chicote]. É, tá bom, nem queria mesmo. Vamos pular logo desse avião pra ver o que acontece.

Todo mundo tinha ido numa espécie de prancha de treino para fazer papel de idiota praticando a posição da queda, menos eu. Óbvio que eu já tinha prestado atenção no que tinha que fazer, mas tipo, tavam contando bastante com a minha astúcia pra simplesmente pressuporem que eu já tava sabendo do esquema. A gente tava se dirigindo ao trator que nos levaria ao avião quando a FOTÓGRAFA lembrou que precisava fazer a foto d'eu pagando de louca na pranchinha de treino. Deitei duvidando muito que aquilo realmente fizesse qualquer diferença uma vez que eu ia morrer de qualquer jeito porque minhas cordinha tava tudo frouxa, o instrutor deu uma arrumada básica na minha posição, explicou que na hora da saída mesmo do avião eu devia manter meus braços próximos ao corpo e blá. PENA que você não teria me falado nada disso se a fotógrafa não tivesse fazendo o trabalho dela direito né, instrutor.

Apesar de tudo ele realmente me passava a imagem de saber o que estava fazendo. Depois da locomoção via trator (!) até o avião, quando eu tava descendo e me encaminhando para o destino que me aguardava, ouço a voz dele logo atrás me cortando as perna: "A partir de agora você não saia mais de perto de mim". Nem lembro o que ele tava fazendo que demorou tanto, mas sei que galera toda já tava se organizando dentro do avião quando a gente chegou. 


O avião em si era pequeno e o povo vai bem amontoado, dentro. Aquela ventania da hélice e eu só vendo que o lugar que tinha sobrado pra mim era o do lado da porta. Devo dizer que o conceito os-últimos-serão-os-primeiros nesse caso origina uma sensação ligeiramente intensa. Subi as escadinhas quase voando ALI mesmo (porque tava uma ventania furacônica vindo daquelas partes de avião que eu não sei o nome), e me sentei bem na frente do instrutor. A fotógrafa ainda entrou por último e competentemente conseguiu um lugar bem no fundo pra se sentar, não que pra ela fizesse qualquer diferença, né. Prossigamos.

Aqui entra aquela coisa do parque de diversão. Você na fila: "Nossa, maior rápido esse brinquedo, nem dá graça, todo esse tempo na fila pra três minutos de brinquedo" e "Mas né, se você reparar bem, nem é tão alto". Você no brinquedo: "Como demora pra chegar lá em cima, não?" e "Puxa, aqui de cima agora parece BEM mais alto, que coisa". Pois é. Na minha percepção, o avião subia e liberava o pessoal super rápido e nem ia tão alto. Eu fiquei dentro do avião tempo suficiente para chegar ao Rio de Janeiro (sem parar de subir em momento algum). Segundo os meus pais, o meu grupo REALMENTE demorou mais pra descer porque de fato pareceu que o avião foi mais alto do que os anteriores. Mas como eles também tavam botando ovos dinossáuricos com idéia de terem sua primogêntica adesivada no chão, a opinião deles só conta 70%.

Todo mundo conversando despojadamente dentro do avião, fazendo perguntas irrelevantes sobre sei lá,  a estratosfera, para fingirem que não estavam nervosos e eu em silêncio, só pensando se daria pra passar no meio de uma nuvem e, caso isso acontecesse, se eu acabaria provocando a formação de um raio e eventualmente morreria eletrocutada. Sou uma pessoa normal. Fui arrancada do mundo das divagações sobre mortes improváveis por uma câmera ridiculamente próxima ao meu rosto e o instrutor perguntando se tava tudo bem e se dava pra encarar a altura. Eu estava muito tranquila. Não achei que fosse ser tão fácil, pra falar a verdade.

Quando já sobrevoávamos o Acre, o povo começou a se mexer. Todos estavam se arrumando, recebendo instruções de seus respectivos instrutores, colocando os óculos e APERTANDO AS CORDINHA. A única coisa que o meu instrutor disse, porém, foi que quando faltasse três minutos para que a gente abrisse a porta, ele começaria a me arrumar. Só nessa hora que eu perguntei se nós seríamos os primeiros a pular. Resposta: Sim. 

Logo em seguida ele me perguntou quanto eu pesava. "- Quarenta e oito", respondi, seguida pela risada geral da nação. O instrutor do cara ao lado falou "- NOSSA, sério? Haha! A gente vai chegar no chão antes de vocês então, eu peso 110kg e ele 90kg HAHA". Me resumi à minha insignificância quilogrâmica e o meu instrutor disse pra eu relaxar que o nosso salto ia ser bem "suave". 

Passaram-se os três minutos, ele me cutucou no ombro e disse pra eu fazer o contrário do que eu todo mundo tinha feito. "- Tá vendo como ele tá ajoelhado aí do seu lado? Então, não é isso que é pra você fazer. Agacha e fica bem perto de mim". Finalmente ouvi uns cleck de cordinhas sendo arramadas e conectadas onde deviam e a porta do avião abriu. O cara que estava sozinho e até então DORMINDO virado de frente pra mim, levantou e ficou bem no limite do avião, se segurando no teto com uma mão só. Aí o meu instrutor disse: "- Ele e mais um cara vão pular antes porque estão sozinhos, mas de dupla somos nós primeiro". De repente o barulho do avião mudou. "Parou", pensei. "Bom, se essa merda cair pelo menos eu tô de paraquedas. EU ACHO". Nisso o cara que tava na porta já tinha sumido. O segundo que o instrutor disse que ia pular antes da gente também só lembro da presença porque o espaço era pequeno e tava todo mundo se esbarrando. E eu lá a menos de um palmo do CÉU.


O período entre a abertura da porta e a minha saída do avião pareceu muito grande, embora provavelmente não tenha sido. Tive bastante tempo de olhar a paisagem e me acostumei fácil com a altura que a gente tava. É muito diferente olhar pela janelinha e olhar com a porta aberta, mas é uma sensação boa. Eu realmente tava muito calma e depois, assistindo o vídeo, deu pra comprovar. O instrutor me dava uns cutuco no ombro pra fazer isso, fazer aquilo, colocar a mão na porta, não colocar a mão na porta - disso eu nem lembro direito. 

"É a nossa vez, vai virando em direção a porta pra gente ficar de frente mesmo e posiciona os pés bem no limite do avião", ele disse. A fotógrafa se materializou na parte externa do avião e eu dei um sorriso pra foto enquanto o instrutor me balançou pra frente, pra trás, e pra FORA. 

VENTO e barulho alto, muito alto. Pressão nos ouvidos e vento. Nos vídeos parece fácil deixar os braços alinhados ao corpo mas não é. Às vezes lembro da fotógrafa bem na minha frente, às vezes acho que não tinha é nada, só azul. Nossa, como o dia tava lindo, inclusive. 


Diferente dos brinquedos de parque de diversão, eu consegui dar uns gritos e não passou pela minha cabeça em momento algum o pensamento "pronto, morri". Vento, vento, vento. Ao contrário do que eu imaginava, pareceu bastante tempo caindo, e apesar de todo aquele tempo de queda, não parecia que a gente tava se aproximando do chão. De repente a gente deu giro e ele abriu o paraquedas. Só nessa hora que eu senti que tinha alguém atrás de mim. Senti um baque forte das cordinha me apertando (depois descobri que meus ombros ficaram doendo um pouco onde as amarrações estavam) e a gente subiu. Minhas pernas acho que bateram na cabeça do instrutor de tanto que subiram. Rysos. 

Dali em diante eu fiquei surda. O ouvido ficou doendo um pouco da pressão (e isso é uma coisa que ninguém fala - não sei se porque só aconteceu comigo ou porque o povo quer fingir que é forte e tem ouvidos super treinados contra variações drásticas de pressão). O instrutor me parabenizou e perguntou o que eu tinha achado. "Muito bom". Por mim eu ficava caindo mais uns cinco minutos. A parte do paraquedas em si foi meio ruim porque a impressão que deu foi de que ele tava girando aquele negócio muito rápido e eu não gosto de brinquedo giratório. Ele me deixou pilotar o coiso um pouco - nada mais é do que DUAS CORDA, uma numa ponta do paraquedas, outra do outro. Basicamente: se você puxa pra um lado gira praquele lado e se puxa do outro, gira pro outro. 

Na primeira vez que eu olhei pra baixo mal dava pra ver pontinhos humanos, na segunda vez que eu olhei a gente já tava do lado da árvore. Ele, chato, enquanto a gente ainda tava lá em cima, me fez ficar levantando as pernas a noventa graus pra "treinar" a aterrissagem - mal conseguia levantar ozóio, quem dirá as pernas e, tipo, a noventa graus. Não fiz direito o que ele pediu lá em cima porque não quis, mas quando chegou a hora, eu fiz direitinho. Aterrissei de bunda e do jeito que eu caí, eu fiquei.

O meu ouvido ficou doendo mais uns quinze minutos e assim que o instrutor me resgatou do chão e eu levantei, me deu tontura, segundo o boato que corre, porque eu não tinha me alimentado direito (vó, não briga comigo). Voltei o caminho inteiro dormindo o mais profundo sono bela-adormecídico e foi ISSO!

Faria (e farei) de novo mais vezes e as considerações finais são: é tranquilíssimo pular (ser pulado) do avião e dói o ouvido, apesar das pessoas nunca comentarem sobre isso. A sensação de adrenalina é diferente (e talvez até menor) de tudo de mais radical que eu já tinha feito. Naqueles pêndulos de puxar a cordinha ou até mesmo nos ditos elevadores de parques de diversão, a adrenalina me parece maior porque as quedas são inesperadas - você não sabe exatamente quando é que vai dar o click e você vai cair. O paraquedas não, você sabe o que espera e quando te espera. Mas é bom. Vale a pena e eu quero muito fazer de novo. E levar o bonito junto, que até o final do ano passado nunca tinha ido numa montanha russa grande e tava todo com medinho no parque, rysos.

Outra coisa que eu quero fazer é bungee jump. Vou pular lá entre aquelas duas montanhas da África e aí venho aqui contar pra vocês.


Agora me digam: pulariam de paraquedas? E se já pularam - doeu o ouvido?!

Atualização: Postei o vídeo no meu canal do Youtube!


26 de janeiro de 2009

Dezenove

Eu em casa ontem, vegetando no melhor estilo 'férias', chega o meu vô.

Timidamente começou a refletir sobre o meu aniversário, falando sobre assuntos aniversarísticos e tudo mais. Enquanto ele falava sobre a parte psicológica da coisa, eu pensava nos números.

Eu: - Nossa, o próximo aniversário vai ser de vinte anos! Vinte anos! É muito tempo.
Meu vô: - Vinte anos que você enche o nosso saco...
Eu, inabalada: - Ah, não, mas vinte anos é só no próximo ano! Agora são só dezenove.
Meu vô, com a mesma cara que estava antes: - Dezenove anos que você enche o saco...

Ele me ama. E parabéns pra mim!

24 de janeiro de 2008

Dezoito

E daí que vai ser meu aniversário esse sábado, né. Tipo dezoito anos no lombo.

Mas olha só, nem adianta vir com aquela coisa de 'aaahh, agora você já é adulta, gente grande, pode ser presa, pode isso, pode aquilo, e legalmente hein! Uhu, é nóis' - garanto, confirmo e faço até um gráfico para vocês sobre como nada vai mudar na minha nova vida de maioridade. Plastifico o gráfico, até.

Antes era aquela coisa de 'Não, Cíntia, você não vai' - aí depois de horas com tentativas desesperadas e inúteis de persuasão (batalha pais vs. filhos é sempre 90% perdida já antes de começar né; filhos são grandes perdedores desde o início, essa que é a verdade - isso até se tornarem pais, obviamente), a conclusão era: 'Cíntia, você não vai por diversos motivos (... - lista interminável de motivos) e além de tudo, você tem só quinze/dezesseis/dezessete anos!'.

De agora em diante vai ser assim: 'Não, Cíntia, você vai. Dezoito anos, né? É, não mesmo. Não vai' e fim.

Graaande vantagem, fala aí se não é para mudar a vida de qualquer garota pacata de interior?!

Agora me diz: Como que eu e meus dezoito anos conseguiremos ser presos desse jeito? Porque eu, particularmente, acho que se é para ir pra prisão comer 'McNuguéti' (assistam o filme 'Meu nome não é Johnny'), tem que ser por um crime nobre. E crime nobre, na minha concepção, envolve sair na calada da noite, com companhias estranhas, numa moto negra da cor das trevas etc. Vai lá falar isso pros meus pais. '- Noite, estranhas, moto. Dezoito anos, né? Ah tá, e aí, já lavou a louça?'.

Ter dezoito anos é bom para impressionar crianças. Se você juntar dezoito anos e segundo ano da faculdade então! Os olhinhos deles até brilham.

Nota mental: Meu projeto agora vai ser pensar em mais vantagens de se ter dezoito anos, não é possivel que seja só levar vantagem de criança. Não pode ser.