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24 de agosto de 2012

O mundo contemporâneo da paquera

Entrei no Tim Hortons sabendo que ficaria no restaurante durante bastante tempo uma vez que meu intervalo era de quase três horas. O que eu não sabia era que sairia de lá acompanhada. 

Pedi meu sanduíche favorito e o clássico chocolate quente que tanto me apetece. Sentei. Como o chocolate vem quente mesmo, sempre abro a tampa do copo pro negócio esfriar logo e eu não queimar meu bico (o que sempre acontece independentemente dos meus esforços). Eu tava na metade do sanduíche quando um cara apareceu na frente da minha mesa e pediu pra sentar-se comigo. Olhei  ao redor achando que o pedido era só desculpa pra começar conversa fiada, mas o restaurante tava realmente cheio. Disse que tudo bem e ele sentou. 

Olhei direito pra cara do cidadão e, apesar dele estar sorrindo e ter um cabelo extremamente limpo, me veio aquele sentimento meio desesperador de "esse cara tem jeitinho de louco, socorro". Ao lembrar de que estávamos num lugar público e que a coisa mais homicida que ele poderia fazer naquela situação seria me tacar um café na cara, concluí que não seria assassinada imediatamente e mantive a calma.

Ele olhou pro meu chocolate quente e perguntou: "- Não gosta de café?" 
"- Não, café não tem efeito nenhum em mim", respondi honestamente.

Ele fez cara de choque e eu de "pois é, e daí?". Foi então que ele disse com olhar de sedução "- Até o fim dessa conversa, você vai ter mudado sua opinião sobre café". Pior é que não posso nem dizer que ele tava errado, vai lendo. 

- Café me dá energia, teve um dia que eu tomei um tanto e saí correndo na rua de madrugada. Aquele dia corri mais de doze quilômetros - ele disse, orgulhoso. E quem não quer sentir vontade de correr 12km no meio da noite? 
- É, pra mim não faz efeito - e continuei comendo. 

"Que papo", pensei. "Mulheres solteiras em tudo quanto é canto devorando revistas e sites com 'dicas pra primeiros encontros' sendo que primeiros encontros são isso". Cheguei à conclusão de que não só seria completamente honesta sobre tudo que ele me perguntasse, como também perguntaria tudo que me viesse na cabeça. Sem filtro e sem seguir as top setecentas mil dicas de primeiro encontro. 

- De onde você é? - ele perguntou.
- Originalmente, do Brasil - respondi interessada na reação.
- Sério? Pensando bem faz sentido. Todas as mulheres brasileiras que eu já conheci me passam essa sensação de calma, de paz. Conversam normalmente, sem querer me ofender. Outro dia, a mulher mais bonita que eu já vi na minha vida passou perto de mim na rua. Ela tava com uma amiga mas mesmo assim eu fui atrás pra falar oi, sabe? Nossa, não sei o que aconteceu mas a amiga começou a me xingar e dizer que eu era ridículo. Eu xinguei também e virou aquela coisa. Horrível.

Sem querer necessariamente confirmar meu preconceito contra a população jovem do universo, perguntei a idade dele (25) e o que fazia da vida (nada). "- Seus pais te bancam, então?", perguntei. Ele disse que não, que tinha juntado dinheiro do trabalho anterior. A conversa foi indo desse jeito meio travado (não cooperei nem um pouco) e de repente meu celular tocou. Eu atendi e ele colocou um par de óculos de natação na cara. 

tipo isso
Quando eu desliguei, não precisei perguntar. "- É moda nos Estados Unidos. Os caras saem com os óculos assim meio de lado (colocou os óculos de lado) e uma touca de mano. Estilo, né?" (não) "- Bom, vou te comprar um café", ele disse já se levantando. Mesmo depois de, no começo da conversa, eu ter explicado que Brasil é o país do café, que cresci vendo meu vô tomar COPOS de café preto diariamente, que eu já até tentei me fazer gostar do troço. Acho que eu poderia ter dito pra ele que eu trabalhei na senzala colhendo e mastigando sementes de café e ele ainda estaria me oferecendo o do Tim Hortons, porque "o café do Tim Hortons é melhor".

Voltou com um copo de café com leite (sim, todo esse tempo ele tava falando de café com leite). Esqueci de agradecer e quando percebi ele tava com o olho cheio de lágrima me contando sobre a ex-namorada. Era peituda e sempre parecia querer liberdade. "- Quando eu estou num relacionamento, costumo ser meio... intenso", ele disse.

Pausa pra dica de semântica do dia: se um cara fala que é "intenso" referindo-se à um relacionamento, ele tá usando código pra dizer que é louco mas acha que tudo bem ser louco porque te ama tanto que melhor você ficar acorrentada no pé da cama enquanto ele sai pra comprar leite. Corre.

Eu perguntei como o namoro tinha terminado e ele contou que não lembrava direito (sei) mas achava que tinha dito umas coisas ofensivas pra menina por telefone "- ou talvez tenha sido num shopping", porque ela queria sair com as amigas e ele queria que ela ficasse com ele naquele dia. Normalzíssimo.

- Sabe, eu tenho poderes psíquicos. Sei exatamente como será o seu futuro - ele disse - Posso te dizer o que eu acho?
- Diz.

Ele disse que eu tenho potencial para uma vida com muito dinheiro se eu tiver coragem de "ousar", mas que se não, viverei confortavelmente. Começou a falar sobre minha criatividade e mais um monte de coisa que me deixou meio assim porque como ele sabe que eu gosto da área criativa da vida? Tive que perguntar.

- O jeito que você mexe as mãos é jeito de gente criativa, o que é interessante porque eu sou assim também.

Uma das maiores observações sobre essa conversa inteira foi que eu realmente não falei quase nada pra ele sobre mim. Sabe aquele mito de que mulher fala demais e homem só ouve "bla bla bla comida bla bla peitos"? A única vez que eu ameacei começar a falar alguma coisa sobre a minha vida/opinião foi nessa hora - e ele me interrompeu dizendo que precisava ir ao banheiro.

Fiquei sentada lá, observando a chuva forte que tinha começado a cair e pensando que ainda faltava um tempão pro meu intervalo acabar. "Como eu vou me livrar desse cara, agora?!".

Ele voltou meio (mais) esquisito e proclamou o seguinte enigma: "- Quase tive que fazer xixi com as mãos nas costas".

Não entendi o que ele quis dizer com aquilo e, inocente demais pra minha própria saúde mental, perguntei: "- Como assim?!"

- Sabe como é, faz muito tempo que eu não tenho uma mulher. Estou meio... sensível.

O meu estado de incredulidade ao finalmente entender que ele se referia ao próprio pênis é indescritível.  Tipo, OI? Estamos conversando há meia hora, você previu o meu futuro e agora está me falando sobre a sua dinâmica urinal prejudicada por motivos homo eretus? Por favor né.

BOM. O ocorrido tirou minha concentração no processo de inventar um motivo pra sair de lá e, quando  o momento de choque passou, eu ainda não tinha conseguido pensar em nenhuma desculpa pra ir embora. Aí lembrei que o meu salão de cabelereiro favorito era perto de onde eu estava, e se tem uma coisa que homem não tem interesse nenhum é passar horas em salão de beleza, certo? Errado. Na hora em que eu mencionei as palavras salão, ir, cabelo e fazer, a resposta dele foi nada mais, nada menos que "- Adoro salão de beleza". Pediu pelo meu celular, ligou pra um salão do amigo dele e pediu pra marcar um horário pra mim. Quase gritei que não, obrigada e disse que iria no meu mesmo.

- Posso te acompanhar?
- ... pode, respondi. Ia falar o quê?

Andamos um pouco (ainda estava chovendo e ele não só insistiu em segurar o guarda-chuva pra nós dois como também começou a cantar N'sync no meio caminho). No fim eu, sempre perdida, acabei levando a gente de volta pro lugar onde eu estava trabalhando e, como ele não poderia entrar lá, acabou que constrangedora hora de dar tchau chegou prematuramente.

Gente, sério: melhor parte da história. Tão preparados?

Ok. Todo mundo sabe que nesse mundo de tecnologia avançando, a comunicação entre seres humanos muda um pouco mais a cada dia. Mas quem diria que o milenar truque do número de telefone errado um dia seria derrotado?! Pois é, descobri que foi.

Ele pediu meu número. Cogitei dar o número errado, mas como eu tava encarando o evento inteiro mais como um experimento como qualquer outra coisa, pensei que não faria diferença e que na verdade seria interessante esperar pra ver se ele realmente me ligaria ou não. Dei o número certo. EIS a nova técnica distraída de verificação telefônica: ele colocou o número no celular dele, olhou pra mim e falou "- Te mandei uma mensagem, você recebeu?". Eu disse que sim e ele rebateu no mesmo segundo: "- O que diz a mensagem?"

NÃO É INACREDITÁVEL?!

E se eu tivesse dado o número errado mesmo? Quão constrangedor teria sido não saber responder uma pergunta tão simples?! Além de ser pega no flagra, ainda teria que me explicar na mentira!

err...
Boquiaberta com a inesperada esperteza do indivíduo, li a mensagem que ele tinha me mandado em voz alta. Ele sorriu, disse que me enviaria outra logo e eu entrei no prédio, ainda sem acreditar na nova técnica do mundo contemporâneo da paquera.

19 de maio de 2012

Manual de Acasalamento na Balada

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.


Preparação

Para as mulheres: Coloque o vestido mais curto do seu guarda-roupa. Se for uma blusa que tampe uns 80% da bunda vale também. Maquiagem tem que ser MUITA, afinal você está verdadeiramente pintando uma máscara nessa coisa que você chama de cara, né, amiga. Ninguém quer saber da sua aparência real. Para os pés, escolha o sapato mais desconfortável da sua coleção: você precisa ter pelo menos uma reclamação plausível e recorrente ao longo da noite (cólica hoje não funciona). Coloque coisas inúteis na bolsa que você vai se arrepender de ter levado e não faça xixi antes de sair. Você precisará ir ao banheiro logo depois de chegar na balada.

Para os homens: Tomem banho.


Chegada

Para as mulheres: Ande firmemente como se soubesse pra onde está indo. Lembre-se de que andar é o seu principal movimento essa noite, todos sabem que dançar você não vai. Vire o cabelo uma ou duas vezes, só pra mostrar que não é peruca (mas se for tudo bem também). O lugar em que você se estabelece agora é essencial pra que o início processo seja bem sucedido. Você precisa usar o espaço todo como sua vitrine pessoal. Não demonstre sentimentos reais em momento algum. A essa altura seus pés já estão doendo mas ninguém pode saber disso, por exemplo. Sorria muito com as suas amigas e tire as cinquenta fotos que irão pro Facebook imediatamente. Cada flash é uma chance para os machos terem melhor idéia do material disponível, portanto explore seus ângulos. Se estiver num clima mais agressivo (aka desespero), vá pro bar e compre uma dose de tequila assim que chegar. Grite bastante depois de ingerir o líquido para que todos saibam o quão selvagem você realmente é.

Para os homens: A chegada é muito importante pra você também. Ande irritantemente devagar e olhe para todos com um sorrisinho que só você e sua mãe acham sexy. Compre bebida logo e fique perto de alguma parede ou pilar que te permita visão periférica das opções. Jogue um olhar sensual para cada mulher que fizer contato visual com você. Tudo o que você precisa é uma garantia de que não vai sair zerado da balada, né.

Alguns minutos depois da chegada

Para as mulheres: Hora de andar de novo. Outras pessoas chegaram e, por incrível que pareça, nem todas desfrutaram do prazer da sua beleza e espontaneidade ainda. Chame uma ou duas amigas mais feias para te acompanharem (andar em grupos é mandatório em qualquer ocasião). Ande firmemente até o banheiro (a essa altura do campeonato, você já tem pelo menos um ou dois possíveis alvos, tenha certeza de passar por eles rindo alto no caminho), tire mais cinquenta fotos no espelho que serão postadas no Facebook imediatamente. Faça o xixi que você está guardando desde quando estava em casa, arrume o cabelo de novo e prepare-se porque o real campo de batalha está pra começar. Se tiver vontade de tirar os sapatos pra aliviar um pouco a dor, resista: tirá-los e colocá-los de novo dói mais do que simplesmente não mexer. Respire fundo.

Para os homens: Hora de sumir. Se você perceber que uma das mulheres que você está monitorando saiu do seu campo de vista e/ou passou por você se divertindo muito enquanto andava em direção ao banheiro, DESAPAREÇA. Na hora em que ela voltar e perceber que você não está mais no mesmo lugar, vai ficar louca e começar a te procurar em todos os cantos. Quando ela finalmente encontrar você, ignore-a. Converse bastante com o seu amigo, olhe para todos menos pra ela. As mina pira.

Próximas duas horas

Para as mulheres: Como assim ele não está olhando pra você? Grite cada vez que alguma música que você conhece começar a tocar. Mexa a parte superior do seu corpo o máximo que der antes de movimentar os pés que pouco a pouco começam a gangrenar. Chame atenção com o seu cabelo, mesmo. Se você não estiver bêbada, finja que está. Todos precisam ver o quão despreocupada, livre e divertida você é: nada melhor do que se fingir de bêbada pra provar isso. Se o alvo sair do seu campo de vista, vá atrás dele mas, pra não ficar assim tão óbvio que você é uma louca possessiva que não aceita que um homem não preste atenção em você, dance de costas para ele. Isso mostra a sua superiodade.


Para os homens: Continue com o sistema ignoramento até você decidir que realmente não vai ter coisa melhor. Cuidado com o tempo porque às vezes acontece do desespero feminino não ser tanto pra esperar 55 minutos por uma segunda troca de olhares. Se estiver mesmo muito difícil de decidir, suma mais algumas vezes. Se elas acharem que você foi embora, na hora que te virem de novo toda a frustração passa e isso te dá mais uma boa meia hora pra deliberar. 

Aproximação

Para as mulheres: Chegou a hora. Ele tá cada vez mais perto e agora é a sua vez de fingir que nem sabe que ele está ali. São os seus últimos momentos pra decidir se vai ou não querer colocar sua língua dentro daquela boca de procedência desconhecida que você sequer sabe onde passou o resto do dia. Claro que vai né? Ok. Continue dançando e dando gritinhos agudos agradáveis a cada troca de música, aponte bastante para o teto e olhe para o cara com uma frequência consistente. Esqueça da presença das suas amigas. A função delas já foi desempenhada, o que as torna inúteis e completamente descartáveis desse ponto em diante. 

Para os homens: Se seu amigo também estiver interessado em uma das mulheres do grupo, ótimo. Cheguem em dupla para que não haja espaço de fuga caso as mulheres mudem de idéia. Se você estiver sozinho na abordagem, finja ter educação e converse um pouco com todas as mulheres do grupo. Aprovação (inveja) das amigas é sempre ponto positivo. Use uma das dez mãos que você tem pra já começar a pegação logo de uma vez. Uma vez que ela tiver aceitado mão na cintura, mão no peito vai ser fácil. 

Conversa

Para as mulheres: As perguntas que ele fará serão toscas e completamente irrelevantes mas tudo bem, você tem conteúdo suficiente pelos dois. Fale bastante. Explique de onde você vem, o quanto você sente falta da sua família, se der até conte a última briga que você teve com a sua irmã. Conte também sobre o seu trabalho, explique exatamente o que faz e o quanto as pessoas em geral precisam te reconhecer mais no ambiente profissional. Esqueça o conselho sobre não expressar sentimentos reais: fale sobre seu último relacionamento e como foi bom finalmente se ver livre daquele encosto humano que seu namorado era. Solte um outro gritinho quando músicas conhecidas tocarem, você ainda quer mostrar o quanto é divertida e está bêbada.

Para os homens: faça todas as perguntas idiotas que você tem zero interesse de saber as respostas. Enquanto ela fala, passe suas mãos em toda pele que ela estiver expondo. Puxe-a pra mais perto eventualmente, enquanto finge que ouve a resposta de dez minutos que ela ainda está dando pra pergunta "o que você faz". Beije o pescoço se tiver chance enquanto ela chora te contando sobre o ex-namorado. Sussurre alguma coisa estúpida como "eu sou diferente" ou "nem todos os homens são iguais" e beije logo essa louca antes que você mesmo mude de idéia.

O que acontece depois desse ponto vai além dos meus conhecimentos e costuma ser convenientemente "esquecido" por todos os envolvidos e/ou resultar em chá de bebê alguns meses depois. Muita diversão!!

13 de abril de 2011

Tristeza não tem fim, paciência sim

A questão é que resolveram que é legal ser triste e isso me incomoda porque, por falta de palavra melhor, acho idiota.

Vou começar afirmando o óbvio só pra constar: Já tive dias bem mais miseráveis do que consta como justo na constituição mundial de miserabilidade terrestre e portanto sei como é estar triste, passar por uma fase ruim, achar que tá tudo errado e nada vai dar certo nunca.

Porém, apesar de toda tristeza e frustação que já passou direta e indiretamente pela minha vida, pouquíssimas foram as vezes em que importunei o MUNDO com os meus problemas. O que acontece é que minha eventual tristeza não bloqueia o meu cérebro e portanto, mesmo estando triste, eu continuo sendo capaz de pensar: sei que os problemas são meus e que é minha a responsabilidade de resolvê-los. Ponto.

Aí eu ligo o computador. Uma avalanche de "deprimidos" e "infelizes" invade a tela - uns escrevem misteriosamente sobre as causas de sua infelicidade suprema enquanto outros caçam fotos melancólicas para republicar com alguma frase de efeito qualquer e, assim, expressar toda sua tristeza incompreendida. Em ambos os casos, o diagnóstico que dou costuma sempre ser igual: só mais um querendo chamar atenção.

Nada contra desabafos, aliás, quanto mais o tempo passa, mais eu acho que a gente deve mesmo falar sobre as coisas. Mas as pessoas passam do limite - e passam do limite num nível que a coisa vira competição para saber quem tem a vida pior. É absurdo.

Piora quando você observa as reações dos outros. No geral, as classifico em três tipos: empatia, ridicularização e ok, minha vez.

Empatia - o pessoal sente pena da coitadinha da pessoa, se identifica com os motivos expostos para tamanho sofrimento, diz que a pessoa é ótima, linda e magra e que tudo vai dar certo porque é isso que ela merece por ser tão maravilhosa e inteligente. (Vômitos).

Ridicularização - a pessoa-foco da tristeza dá a largada encontrando alguma maneira de se expor (sendo idiota) e outros idiotas se aproveitam da situação para fazer piada e descarregar um monte de desaforos - pertinentes ou não. Total perda de tempo para todos os envolvidos.

Ok, minha vez - Motivada pelo conhecimento absoluto sobre o quanto a sua vida é pior do que qualquer outra, a pessoa se vê na necessidade de PROVAR isso ao público de alguma forma, dando sequência ao infindável ciclo e, consequentemente, entrando na disputa mundial pelo prêmio da existência mais infeliz da História.

Todas as alternativas anteriores são ridículas e se encaixam perfeitamente no que eu categorizo como "idiota". A primeira é possivelmente a que mais me irrita uma vez que se passa por amizade quando na verdade nada mais é do que uma pessoa fortalecendo o ego da outra - irrita mais quando a gente lembra que eu estou me referindo à internet porque daí a gente também lembra que grande parte das pessoas que se relacionam apenas pela internet não se conhecem de fato.

Aí vocês me perguntam - o que tem errado nisso? Tudo, meus queridos. Sério. Essa mentalidade de que pedir um afago no ego de vez em quando é normal e que falar o que as pessoas querem ouvir significa ser legal é errada. É tipo dar dinheiro pra mendigo. Elogiar gente que fica pela internet se fazendo de coitada pra ganhar comentário em blog, visualização em vídeo e seguidor ativo no twitter é incentivo para que continuem fazendo isso - porque vão continuar.

Cada um dos tipos de reações que eu citei acima trás uma consequência diferente e eu nem vou me estender muito sobre elas porque não precisa. A única coisa que eu acho que ainda vale citar é que, mais cedo ou mais tarde, todas saem do controle.

Não vou generalizar porque não tenho embasamento suficiente pra isso, mas eu realmente acho que uma generosa porcentagem desses suicídios que tem acontecido com tanta frequência entre adolescentes ultimamente tem a ver com essa modinha babaca de odiar tudo, reclamar de tudo, achar que tudo está contra você porque coisas ruins só acontecem com você. Absurdo afirmar isso? Exemplifico: Ninguém valoriza o menino que sofre "bullying" na escola por ser gordo então ele resolve por bem que pegar uma faca na cozinha e se cortar ao vivo na câmera para os amigos é uma boa - mais de vinte mil pessoas assistindo (eu era uma delas). Chorou, disse que a vida dele não valia nada e parou a exibição online. Virou assunto durante alguns minutos no twitter, ganhou uma série de seguidores novos e pronto, conseguiu a atenção que tava querendo. Ninguém garante, porém, que um moleque assim não acabe se matando de verdade eventualmente. Queria atenção né, coitado. Argh.

Mas olha - independentemente de causar mortes ou não, o negócio é pessoal. Essa coisa de ser "infeliz na internet" tá tomando uma proporção muito maior do que minha paciência foi programada para suportar. É CHATO e me irrita.

Então, para finalizar, vou pedir duas coisas:

Primeira - Se você é um desses que nunca está satisfeito com nada, pare de reclamar por um minuto e reflita: será que é sequer possível que você esteja certo e que realmente sempre dá tudo errado pra você ou será que é a sua percepção egocêntrica sobre as coisas que te faz enxergar o universo inteiro como uma grande conspiração contra a sua pessoa (porque afinal você é tão importante que o universo inteiro revolve ao seu redor)?

E segunda - Se você é um desses que falam o que os outros querem ouvir só para agradá-los e se livrar da responsabilidade de uma conversa mais profunda, não se dê ao trabalho nem de fazer isso porque além de não ajudar de verdade, você atrapalha. Se uma pessoa tem problemas de auto-estima a última coisa que ela precisa é de elogio superficial, mesmo que seja isso que ela esteja pedindo. 

Aprendam com os erros, amigos. Funciona.

13 de setembro de 2010

Casamentos, namoros e merda

Há um tempo atrás, anunciei que uma amiga minha se casaria, lembram? Pois é. Segunda-feira passada foi o grande dia. Como já era de se esperar, ela estava linda. O noivo também. Eles são ótimos um para o outro e eu desejo tudo de bom para os dois. Estar lá foi muito legal e me fez pensar.

Foi o primeiro casamento da minha vida como convidada oficial em vez de filha dos convidados e, embora eu já estivesse psicologicamente preparada para o evento, foi um sentimento esquisito. Não sei vocês, mas desde quando eu era um cotoco humano eu já falava sobre o meu marido. Pensava no vestido, na festa, nas flores, na viagem, tomara que o meu noivo não queira usar roupa branca. Nos casamentos que eu ia, passava o tempo inteiro admirando a noiva, achando lindo aquele vestidão e torcendo para conseguir ver o sapato. Também achava divertido observar o noivo. Todo bonitão mas transpirando nervosismo por todos os poros, preocupado com tudo, andando para todos os lados, olhando no relógio, arrumando a gravata a cada dois minutos.

Aí, passei por uma fase em que afirmava categoricamente que não me casaria. Queria ser médica e não ia ter tempo para nada. Além disso, sempre brigava com os meninos nojentos da minha sala e achava absurdo alguém querer passar o resto da vida com algo que pertencesse àquele gênero. No fundo, porém, sempre que pintava as unhas de esmalte branco clarinho pensava que aquela seria a cor do meu esmalte de noiva. 

O tempo passou, e, alguns relacionamentos com os "algos pertecentes ao gênero" depois, continuo achando que eles são meio nojentos. Penso em viajar o mundo inteiro e não ter tempo para ser casada. Acho que festa é desperdício de dinheiro e que se eu tivesse que fazer uma, enlouqueceria. Não aceitaria nada que não fosse impecavelmente perfeito e brigaria com o mundo inteiro se as flores da decoração estivessem velhas. Acima de tudo, hoje em dia entendo o que significa de fato, casar-se. Viver o resto da vida com o mesmo homem. Não é fácil achar a pessoa certa e na minha opinião, tem muita gente fazendo tudo errado. Soa meio clichê dizer que casar é um sonho, mas é. 

No planeta Terra versão 2010, encontrar alguém que já não mande logo o clássico "não estou preparado para um compromisso sério" é raro e surpreendente. Uma pessoa dessas que também seja sincera, que saiba se comunicar, que tenha um bom humor, que seja sua amiga, que te entenda e que além de todas essas qualidades (e quaisquer outras que estejam na sua lista de requerimentos para um marido/esposa - a minha inclui matar insetos e lavar louça, por exemplo), ainda goste de você pelo que você é, não é exatamente algo que podemos chamar de comum.

Não tenho vergonha nenhuma em dizer que quero me casar um dia. A questão é que também não baseio minha vida nisso. Relacionamento assim é coisa séria e pressa para lidar com essas coisas estraga tudo. O que me irrita é que esse assunto virou tabu entre casais - é sempre evitado em namoros por medo de que "afaste" a outra pessoa - whataRÉU - se falar sobre casamento com a pessoa com quem você namora a afasta, que tipo de namoro é esse? 

É óbvio que você, pessoa sem noção, não precisa chutar o pau da barraca e virar um daqueles neuróticos que necessita de definições concretas e de acordos de fidelidade eterna - o que eu quero dizer é que, pelo menos do jeito que eu vejo as coisas, namoro é um relacionamento que serve para conhecer a outra pessoa suficientemente bem para poder decidir se casaria com ela ou não. Se esse não é o seu objetivo, não namore e tenha isso bem definido na sua cabeça, assim você não atrasa a vida alheia com a famosa história de "indecisão sobre seus sentimentos". Homens e mulheres, viu.

Em compensação, se decidir que ter um relacionamento sério de verdade é o que você quer, quando conseguir, seja sensato. Fidelidade, respeito e sinceridade são sinônimos de relacionamento sério e não privilégios, que é como são considerados ultimamente. Tem que ter tudo isso e ponto final. E se não tiver está errado, nem adianta tentar justificar. 

Enfim, as minhas histórias são longas e servem de exemplo para muitos casos que ouço por aí. As inevitáveis frustrações que vieram com os meus relacionamentos (não só amorosos mas de amizade também), me fizeram aprender muito sobre o cerumano de modo geral. São coisas que me fizeram crescer e que eu vou levar para sempre. Acontece muita merda e isso é um fato indiscutível, vai de você saber usar a merda como adubo ou não.

No meio do caminho, não vou negar que questionei várias vezes os meus planos para o futuro e isso com certeza acontecerá mais muitas vezes. Enquanto isso, a listinha de músicas que eu quero que sejam tocadas no meu casamento está guardada em algum lugar não muito distante, por aí. Nunca se sabe, né.

E vocês, hein? Querem casar?