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12 de outubro de 2012

Virei modelo (de novo)

Eu tava toda tranquila na biblioteca da faculdade, fazendo uma saudável quantidade de nada enquanto esperava pra conversar com um professor. Acontece que a semana de moda vai começar em breve e eu, como contribuinte do blog da faculdade (legal, né?), posso escolher um desfile dos chiques pra ir, patrocinada pela instituição. O problema é que são tantas opções que eu achei melhor pedir a opinião de um profissional antes de escolher. Resolvi esperar pra falar com um dos meus professores.

Ele finalmente chegou na biblioteca, conversou comigo rapidinho sobre as melhores opções de desfiles e já tinha passado a porta pra ir embora de volta pra sala de aula quando parou no meio do caminho, virou e voltou. 

- Você vai andar no desfile da escola esse final de semana? - ele perguntou enquanto me olhava de cima a baixo (coisa normal nesse mundo de moda, acho que posso dizer que acostumei).

- Não que eu saiba - respondi, já decodificando o que estava acontecendo ali - Eu vou no desfile pra fotografar e depois escrever um texto pro blog da faculdade, mas... - (nisso ele já tava segurando o meu braço e me levando pra experimentar as roupas). 

- Vai desfilar então - ele finalizou confiante e eu tive que rir.

Experimentei as roupas, recebi elogios e pensei "ah, dane-se, pelo menos vou ter uma segunda chance de andar numa passarela em vez de correr como fiz da última vez". Coloquei meu nome na lista e pronto, virei modelo de novo. 

Hoje foi o ensaio e sábado é o evento. 

Cheguei lá toda psicologicamente preparada pra ser a mais anã de todas e passar as próximas semanas questionando toda a minha existência vertical. Qual não foi a minha surpresa em constatar que as meninas tinham a mesma altura que eu? Choque, claro. Ano passado eu tava no nível do umbigo das modelos e esse ano tô conseguindo ver rostos. Ótimo! Até aí o saldo tava positivo.

Bastou um pouquinho de conversas introdutórias, porém, pra eu descobrir que as modelos ao meu redor eram todas (t-o-d-a-s) mais novas que eu. "Ai, então, sou da Europa e tô no primeiro ano do Ensino Médio aqui". Oi? "Que legal, eu tenho 14 anos",  "Eu tenho 17, mas todo mundo diz que eu pareço mais nova".

Gente, cada vez que uma menina falava a idade aparecia uma ruga nova na minha cara. Nada como uma boa dose de modelos iniciantes pra fazer com que uma pessoa de vinte e dois anos se sinta como material arqueológico. Esqueci totalmente da "vantagem" em ser da mesma altura que as modelos quando percebi que tinha uma corcunda de velhice crescendo nas minhas costas.


Nos dirigimos à passarela e treinamos o ~andar~ (não que eu precisasse treinar alguma coisa porque todos aqui sabemos que já sou expert no assunto). O que eu tenho que admitir é que com os meus problemas de idade e tudo, eu tava meio preocupada que a pressão fosse cair ou a diabete atacar, sabem? Previ até uma crise osteoporótica no meio do negócio mas nada aconteceu, ufa. 

Agora só esperar até o dia do desfile! Como ano passado eu deixei uma imagem meramente ilustrativa da fila de modelos, vou deixar vocês com a de hoje:


Vale dizer que apesar de idosa, minha pele estava bem mais bonita e sem espinhas que a delas. Algum benefício a idade avançada tinha que trazer.

17 de julho de 2012

#OraModa - Introdução e Tipos de Corpo

Quando se trata de roupa, muita coisa pode ser levada em consideração. Todo mundo que tem um pouco de interesse em moda sabe do universo de expressão, arte e bom, moda, envolvido no quesito "roupa" - e eu vou falar isso eventualmente, já que é uma das partes mais legais do assunto. Mas antes de qualquer coisa, é importante entender um pouco do próprio corpo antes de sair pra gastar nossos milhões em grifes por aí. Isso porque assim, se você acha que comprar tudo que disseram que é "tendência" significa automaticamente passar aquela imagem legalzona de "a/o" bem informada(o) do mundo fashion, sinto dizer que de fashion você só é uma coisa: vítima. 

Odeio essa idéia de que pra estar na moda a pessoa precisa sofrer, por exemplo. Usar roupa menor que o número, aperta aqui, preciso emagrecer ali. Aquele conceito de "nossa, nem sinto mais os meus pés", falando do sapato com o maior orgulho. Sai dessa vida, sabe? Sapato alto dói mesmo, mas daí a falar da dor com orgulho como se significasse alguma coisa (além de que você é idiota), pelamor. Mesma coisa vale pra roupa. A gente tem que aprender o que é bom e o que é ruim no nosso corpo, pra a partir daí começar a descobrir como aplicar as tais tendências de um jeito que nos favoreça. Aproveitar todas as opções que nos são dadas pra achar a que nos vai fazer sentir bem. Esse negócio de ter que se adaptar à roupa (ou ao sapato) é coisa que modelo de passarela tem que se preocupar e nem elas deveriam ter que se preocupar com isso, tá entendido? Tá. 

Resolvi começar essa série de posts #OraModa falando um pouco sobre os tipos de corpo. Na minha opinião, especialmente depois de estudar consultoria de imagem, acho que é daí que todo mundo que quer se vestir bem precisa começar. Eu preparei um guia, uma mistura do material que usei nas aulas com outros comentários mais pessoais, pra quem quiser entender melhor sobre a forma do próprio corpo e o que fazer com ela. 

Existem dois jeitos de determinar a forma do corpo: visualmente e através de medidas. No primeiro caso, você deve prestar atenção principalmente no tamanho da cintura, do quadril e dos ombros. A proporção dos dois primeiros em relação aos ombros é o que ajuda a determinar o formato do seu corpo. Seja sincero ao se avaliar e não tenha vergonha de pedir uma segunda opinião pra alguém, você pode se surpreender com a opinião alheia. Tenha em mente também que você pode ser uma mistura de mais de uma forma. 

Padrão


Para as mulheres: cintura e quadril proporcionais aos ombros (nem maiores nem muito menores).
Para os homens: cintura em proporção com os ombros (não tão fina como no desenho, mas ainda assim menor que os ombros) 

A 


Quadril maior que a região do peito (essa forma é mais comum em mulheres que em homens). Corpo "violão", loucura dos pedreiros do meu Brasil brasilero

H


Para ambos: cintura mais espessa que a padrão. (famosa "tábua", reparou como tem pouca curva na cintura?). Essa e a "padrão" são as minhas, de acordo com as medidas que eu vou colocar mais pra baixo.

O


Para as mulheres: Cintura mais espessa que o busto.
Para os homens: Cintura mais espessa que o peito. Gordin, mas não necessariamente uma vez que você pode ter essas proporções e não ser acima do peso.

X


Cintura mais fina que o padrão (mas geralmente com quadril e ombros proporcionais, tipo a Barbie só que versão vida real)

V


Para as mulheres: Quadril menor que o busto.
Para os homens: Cintura menor que o padrão. Esse é o corpo que quem pratica natação por muito tempo costuma ter. 

Então essas são as seis formas mais comuns. Achou a sua? No olho dá pra ter uma idéia, mas o segundo jeito de definir a forma do seu corpo é mais exato porque tem numerinho. Pega a fita métrica e a calculadora aí que moda começa com "m" de matemática, fia.

Primeiro, descubra a medida da sua cintura, busto (peitoral, no caso dos homens) e do quadril (essa medida  só as mulheres precisam).

Vou começar pelas medidas de las mujeres. A primeira comparação é entre o busto e a cintura. O considerado "normal" é que a cintura seja de 18 cm a 23 cm menor que o busto, o que representaria o "75% - 79%" da tabela aí embaixo. Pra achar a sua porcentagem, divida o número da cintura pelo número do busto. 


Só pra modos de exemplo: meu busto é 87 cm e minha cintura é 71cm. 


          sou tipo H de acordo com as medidas,
          entendeu?
Aí tem a medida do quadril, que funciona mais ou menos do mesmo jeito. O "normal" é que a medida seja de 0 cm a 5 cm maior que o busto. Nesse caso, você seria o tipo de corpo "padrão".


E por último mas não menos importante, os homens. O "normal" (tipo de corpo padrão) é que a medida da cintura seja de 15 cm a 18 cm menor que o peito. Divida o número da sua cintura pelo do seu peito e veja aqui embaixo qual a porcentagem que se aplica à vocêzinho, seu coisa linda da mamãe. 

Ufa! Descobriu seu tipo de corpo? Como eu disse antes, você pode ser uma mistura de dois tipos. É o meu caso: visualmente sou padrão, mas de acordo com as medidas, sou H. Saber disso é importante e faz muita diferença na hora de comprar roupa nova. É legal finalmente entender por que uma roupa fica ótima e me faz parecer mais alta, por exemplo, enquanto outra parecida fica horrível e me engorda mil quilos. Falaremos de como usar seu mais novo conhecimento de tipo de corpo a seu favor no próximo post da série #OraModa, tá?

Gostaram do post, Brasil? Espero que sim, foi divertido fazer. Comentem!

12 de maio de 2012

Resolvi sair do armário

Calma família, calma Obama, calma sociedade. É só figurinha de linguagem.

Tô meio que estudando moda há um ano. Digo "meio que" porque o curso é totalmente voltado pra parte de marketing e merchandising da coisa (leia-se: descobri por experiência própria que estudar moda não é necessariamente sinônimo de aprender corte & costura, risos - pra isso tem o curso de design). Na época em que pesquisei sobre a faculdade e estava tentando me convencer de que não era loucura cogitar a possibilidade de colocar as palavras "eu", "estudar" e "moda" na mesma frase, lembro de olhar a lista das matérias do curso e pensar "nossa, seria legal aprender sobre essas coisas". Claro que esse tipo de pensamento envolveu ignorar completamente a presença de matérias como matemática, gerenciamento financeiro e comércio na economia global na tal lista, mas quando eu começava a ficar assustada, voltava pros nomezinhos bonitos tipo fotografia, tendências, design digital e psicologia. Resumindo: eu estou estudando moda.

Além do detalhe acadêmico que por si só seria motivo suficiente pra justificar esse post e muitos outros que ainda virão (!!), existe também o fato de que eu sou uma pessoa chata, né. Acompanho blogs e sites de supostas "gurus" de moda há bastante tempo e dificilmente acontece de eu ler conteúdo que considere bom o bastante. Questiono a credibilidade, escrita, qualidade de imagens e bom, sou chata. Fico sempre com a impressão de que eu poderia fazer melhor se tivesse a oportunidade. Mas aí logo vinha na cabeça "eu?! Escrever sobre moda? Onde, quando e pra quem??". E a idéia morria ali.

Sempre acho difícil introduzir coisas diferentes aqui no blog porque sei dos assuntos que costumam ser populares e os que não ornam muito com o que penso ser "meu público". Mas pô, meu blog, meus interesses, né? Tem tanta coisa sobre mim que meus leitores não sabem! Eu estou e-s-t-u-d-a-n-d-o moda há meses e essa é a primeira vez que, de fato, falo sobre o curso aqui! E outra: estamos na internet! Sempre tem espaço pra novos leitores, novos assuntos e novas perspectivas, não? Preciso sair desse armário de pode / não pode aqui! Liberdade, Cíntia! Sai dessa vida!!




Mas CALMA BRASIL, isso não significa que mudanças drásticas acontecerão no blog. Aliás, gosto muito do jeito que ele é e não pretendo mudá-lo de maneira alguma. O que eu quero fazer é adicionar uma nova gama de assuntos, desenvolver um pouco do que eu tenho aprendido em aula e fazer com que mais gente veja que moda vai além de "looks do dia" e opiniões patrocinadas.

Bom, sem mais delongas, apresento o #OraModa: nova série aqui do blog Cintia disse sobre conceitos, tendências, comportamento e... ora, MODA! Espero mesmo que vocês gostem, vai ser legal!! Pretendo fazer os posts dessa nova série uma vez por semana - acho que de sextas, mas ainda não decidi. Talvez sábados. Vocês têm alguma sugestão de dia?

Obs.: seguidores homens, por favor não fiquem decepcionados e/ou falem que não vão seguir essa série!  Pelo menos não AINDA! Prometo que vai ser legal pra vocês também!

O que acharam da idéia? Me digam nos comentários porque eu tô curiosa!

4 de novembro de 2011

Virei modelo (parte 2: O desfile)

Primeira parte da história aqui!

Cheguei no lugar do evento surtando porque achei que tava atrasadíssima, que não ia dar tempo de fazer minha maquiagem, que meu cabelo ia ficar horrível, as roupas não iam servir e... só o professor tinha chegado. Pouco tempo depois, as outras meninas apareceram e então todas fomos sentar para começar a fazer o que faríamos pelas próximas horas: esperar.

Nos levaram para uma sala gigantesca e só naquele momento eu percebi o quanto eu estava faminta. Eram cinco da tarde e eu não tinha almoçado ainda. Para a minha sorte, a primeira coisa que eu avistei quando cheguei na sala foi uma mesa com três bandejas de sanduíches (do Subway! Com potinhos separados de azeitona, pimentas e molhos!) empilhados em forma de pirâmide. Meu instinto foi mergulhar na bandeja e morder todos os sanduíches simultaneamente, jogando condimentos pro alto e passando os pães na cara de tanta felicidade por existir gente nesse mundo que se preocupa com a minha fome. Mas aí lembrei que estava entre modelos. Ninguém nem tocava na comida e eu naquela agonia de querer comer pelo menos uns doze sanduíches de uma vez só. Discretamente, comi um (tava com tanta fome que nem me dei ao trabalho de tirar uma micro fatia de queijo que muito teria me perturbado caso o contexto fosse outro).

Logo que os cabeleireiros e maquiadoras chegaram, me chamaram para fazer o cabelo. Obviamente, eu tinha imaginado um penteado volumoso e esvoaçante, ondulado na medida certa para valorizar o formato do meu rosto e me agraciar com uma confiança digna da top model que vive dentro de mim. O penteado que me fizeram foi mais ou menos assim:








Bom. Foi chegando a hora do desfile e quando minha maquiagem ficou pronta (com o detalhe pertinente de que a maquiadora disse que minha pele é ótima e ficou convincentemente surpresa quando soube que eu não era modelo de verdade) fomos todas para o salão do desfile para nos trocarmos. 

Coloquei a primeira roupa e os sapatos. Menos de cinco minutos (ou pelo menos foi o que pareceu) depois, a música já estava tocando e uma mulher estava falando no microfone, explicando um pouco sobre o evento e introduzindo a parada toda. Me disseram que eu era a número dez e eu fiquei lá tranquilona achando que ainda fosse demorar um tempão antes que chegasse a minha vez. Antes de eu conseguir concluir esse calmo e confortável pensamento, me puxaram pra ir pra fila com urgência.

Gente. Até aquele mesmíssimo momento eu não estava nem um pouco nervosa. Na hora que eu subi o primeiro degrau da escadinha pra passarela, meu pobre coraçãozinho começou a hiperventilar instantaneamente. Quando vi já tava lá.

As luzes eram fortes. Mesmo tendo estado na passarela no dia do ensaio e sabendo qual era o formato, a comprimento e a altura, na hora eu não estava vendo nada. Andei no ritmo da música e olhei para frente. De algum modo, quando pisquei de novo, eu já estava de volta atrás do palco e minha primeira roupa estava sendo arrancada por desconhecidos enquanto outros me colocavam no segundo e último vestido. O vestido. 

Quando experimentei o vestido antes, ele me serviu direitinho - a não ser pelo comprimento que precisava ser um pouco diminuído. O professor disse que faria isso naquela noite mesmo e tudo ficaria ótimo. Não fez. Coloquei o vestido na hora do desfile e gelei num terror repentino. "- Vou cair nessa merda, tenho certeza",    eu pensava enquanto me espetavam com alfinetes e colocavam fitas dupla-face nos meus peitos para a parte de cima colar. Sentei num canto (a coleção dos vestidos era a penúltima) em ligeiro estado de calamidade interna. "- Pior vai ser se eu sair catando cavaco", pensava. Logo vieram me chamar, já estava na hora.

Mais uma vez, andei no ritmo da música e olhei pra frente. Não só NÃO caí, como andei até meio rápido demais. Lembro de que o tempo que eu fiquei parada para as fotos pareceu uma eternidade e, como num piscar de olhos de novo, eu estava de volta nos bastidores, dessa vez respirando aliviada que tinha dado tudo certo.


 

Que me dizem?!

22 de outubro de 2011

Virei modelo

A principio eu me voluntariei para trabalhar nos bastidores. Não sabia se tinha ouvido direito quando o professor disse que precisavam de voluntários tanto para os bastidores do desfile e como para desfilar de fato, mas como sou provida de uma ou outra célula de modéstia, pensei que mesmo que fosse o caso de precisarem de modelos, EU não serviria pra ser uma delas, afinal, né? É. Então. Como achei que seria legal estar no evento de qualquer maneira, mandei um email para o professor confirmando a minha presença.

Alguns poucos dias se passaram e eu comecei a surtar levemente com a falta de informação sobre o que eu teria que fazer, quais seriam as responsabilidades e do que realmente se tratava esse tal evento. O professor respondeu com a lista dois dias depois. O evento é gigantesco. É tipo uma convenção com tudo que se pode imaginar sobre fazeção de roupas. Um milhão de stands divulgando desde tecidos para sofá até cristais Swarovski. Ao longo dos três dias de evento, ocorre uma espécie de campeonato entre os grupos de melhores alunos das principais faculdade de Design (não sei se do país inteiro ou só da província). Eles têm que construir uma roupa específica baseada no tema que é dado pra eles logo no início. Sei lá, basicamente é isso. O que importa é que junto com a resposta sobre o que era o evento, o professor mandou também uma humilde lista de VINTE E QUATRO coisas que seriam responsabilidades totais e completas dos dressers, entre elas:

- ajudar a vestir as modelos,
- colocar roupas na ordem certa,
- conferir e arrumar todos os acessórios,
- conferir e arrumar todos os sapatos,
- manter as modelos calmas e relaxadas,
- levar linhas e agulhas (evidentemente partindo do pressuposto que os voluntários sabem o que fazer com elas)
- passar e vaporizar as roupas (evidentemente achando que os voluntários já fizeram isso alguma vez na vida) e resumindo: ser um dos peões do desfile.

Minha reação foi tipo:



Tentei me convencer de que seria legal, de que eu não estragaria roupa nenhuma, de que não haveria motivo pra eu ter que tranquilizar uma modelo e, bom, finalmente admiti que eu não tenho grandes poderes de persuasão quando a pessoa a ser persuadida sou eu mesminha. "Merda", pensei. "Agora já era... se pelo menos ainda precisassem de modelos...".

No dia seguinte, uma outra professora comentou que ainda estavam precisando modelos. Fiquei meio assim porque eu já tinha confirmado que trabalharia nos bastidores, mas a minha decisão era simples. Se me aceitassem como modelo para o desfile, eu desfilaria. Convenhamos, a escolha era uma lista de vinte e quatro responsabilidades, preocupações, agulhas e ferros de passar roupa versus sentar confortavelmente numa cadeira para que profissionais façam seu cabelo e maquiagem, vestir roupas diferentes e andar numa passarela ao som de música legal.

Eu e mais uma menina da minha sala fomos experimentar as roupas logo após a aula - na sala dos professores. Experiência peculiar essa de colocar roupas esquisitas na frente de gente que lidou com modelos de verdade a vida inteira, viu. Ainda mais sem espelho nenhum em volta. Bom, entrei lá Cintia, saí de lá oi-sou-modelo-e-quero-cinquenta-toalhas-brancas-música-instrumental-contemporânea-e-frutas-silvestres-no-meu-camarim-vocês-que-se-virem-seus-meros-mortais.

Ontem foi o ensaio. Todas as modelos (oi, sou modelo) se encontraram no lugar onde vai ser o desfile. Queriam que víssemos a passarela, testássemos a iluminação, posicionamentos e todas essas coisas de praxe que eu passei a minha vida inteira não imaginando. Mas foi interessante; é um ambiente bem distinto de qualquer coisa que eu já presenciei. A verdade é que fazer parte de um evento desses (com mordomias e tudo) é uma daquelas oportunidades que simplesmente não dá pra negar, né?

A parte dois dessa história eu conto aqui no blog depois do desfile. Por enquanto, deixo vocês com uma imagem meramente ilustrativa da fila de modelos no ensaio de ontem.


(sou a segunda da direita pra esquerda, caso não tenha ficado claro)

- Virei modelo (parte 2: O desfile)-