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13 de dezembro de 2012

Um exemplo

Falta uma semana pra eu finalmente me formar do curso que estou fazendo e, pra dizer o mínimo porque tô com sono e preguiça de dar maiores explicações, tá foda. Dias sem dormir e/ou comer, sérios momentos de reflexão tentando me convencer de que apesar de tudo realmente não vale a pena matar pessoas, médico perguntando minha idade e me dizendo right in the fuça que estou ficando velha, um milhão de coisas pra terminar, assinaturas pra recolher, papéis pra preencher e bom, TUDO. O espaço pra árvore de Natal tá livre há uns vinte dias, mas a árvore de Natal em si tá tão guardada, mas tão guardada, que não sei como vai ser ter tempo pra sequer abrir a caixa daqui até o final da semana que vem. 

Nesse clima ótimo de alegria, espírito natalino e nem um pouco de tensão na minha vida, eu estava no metrô hoje voltando pra casa. 

Música alta nos fones e em pé porque o bicho tava cheio. Algumas paradas depois, um lugar no meio de duas pessoas vagou e eu sentei, parte feliz porque sentar é melhor que ficar em pé, parte meio receosa porque ultimamente eu encosto e durmo (e todos nós sabemos o quão adorável isso é no transporte público - não). Bom.

Obviamente não tô precisando muito pra ficar irritada (nunca preciso né Brasil), mas comecei a sentir o sangue ferver de ódio antes de detectar o motivo. Prestei meia atenção ao meu redor e descobri que o infeliz do meu lado estava deliberadamente espremendo e desespremendo uma garrafa vazia de água s-e-m-p-a-r-a-r. Do meu lado, sabe. Crec, crec, creeeeec, crec, creeecccc. Eu com fone de ouvido, música alta e aquele barulho ainda conseguia ser mais alto a ponto de eu não conseguir ignorá-lo e querer ver sangue a cada semi-crec.

Vale dizer que com essa coisa de dormir pouco, meu filtro social - que já não é uma constante - faz ainda menos aparições no dia a dia. O objetivo era virar minha cabeça quarenta e cinco graus e derreter o cérebro do cara com meu olhar de lasers, mas só precisei chegar na metade do caminho e encarar a garrafa pra mensagem ser entedida.

Não sei qual foi exatamente a cara que eu fiz, nem se ele chegou a ver minha expressão. Só sei que ele parou imediatamente de apertar a garrafa do inferno e eu voltei a olhar pra frente meio que rindo do resultado automático que consegui. 

Deu pra entender a situação? 

12 de outubro de 2012

Virei modelo (de novo)

Eu tava toda tranquila na biblioteca da faculdade, fazendo uma saudável quantidade de nada enquanto esperava pra conversar com um professor. Acontece que a semana de moda vai começar em breve e eu, como contribuinte do blog da faculdade (legal, né?), posso escolher um desfile dos chiques pra ir, patrocinada pela instituição. O problema é que são tantas opções que eu achei melhor pedir a opinião de um profissional antes de escolher. Resolvi esperar pra falar com um dos meus professores.

Ele finalmente chegou na biblioteca, conversou comigo rapidinho sobre as melhores opções de desfiles e já tinha passado a porta pra ir embora de volta pra sala de aula quando parou no meio do caminho, virou e voltou. 

- Você vai andar no desfile da escola esse final de semana? - ele perguntou enquanto me olhava de cima a baixo (coisa normal nesse mundo de moda, acho que posso dizer que acostumei).

- Não que eu saiba - respondi, já decodificando o que estava acontecendo ali - Eu vou no desfile pra fotografar e depois escrever um texto pro blog da faculdade, mas... - (nisso ele já tava segurando o meu braço e me levando pra experimentar as roupas). 

- Vai desfilar então - ele finalizou confiante e eu tive que rir.

Experimentei as roupas, recebi elogios e pensei "ah, dane-se, pelo menos vou ter uma segunda chance de andar numa passarela em vez de correr como fiz da última vez". Coloquei meu nome na lista e pronto, virei modelo de novo. 

Hoje foi o ensaio e sábado é o evento. 

Cheguei lá toda psicologicamente preparada pra ser a mais anã de todas e passar as próximas semanas questionando toda a minha existência vertical. Qual não foi a minha surpresa em constatar que as meninas tinham a mesma altura que eu? Choque, claro. Ano passado eu tava no nível do umbigo das modelos e esse ano tô conseguindo ver rostos. Ótimo! Até aí o saldo tava positivo.

Bastou um pouquinho de conversas introdutórias, porém, pra eu descobrir que as modelos ao meu redor eram todas (t-o-d-a-s) mais novas que eu. "Ai, então, sou da Europa e tô no primeiro ano do Ensino Médio aqui". Oi? "Que legal, eu tenho 14 anos",  "Eu tenho 17, mas todo mundo diz que eu pareço mais nova".

Gente, cada vez que uma menina falava a idade aparecia uma ruga nova na minha cara. Nada como uma boa dose de modelos iniciantes pra fazer com que uma pessoa de vinte e dois anos se sinta como material arqueológico. Esqueci totalmente da "vantagem" em ser da mesma altura que as modelos quando percebi que tinha uma corcunda de velhice crescendo nas minhas costas.


Nos dirigimos à passarela e treinamos o ~andar~ (não que eu precisasse treinar alguma coisa porque todos aqui sabemos que já sou expert no assunto). O que eu tenho que admitir é que com os meus problemas de idade e tudo, eu tava meio preocupada que a pressão fosse cair ou a diabete atacar, sabem? Previ até uma crise osteoporótica no meio do negócio mas nada aconteceu, ufa. 

Agora só esperar até o dia do desfile! Como ano passado eu deixei uma imagem meramente ilustrativa da fila de modelos, vou deixar vocês com a de hoje:


Vale dizer que apesar de idosa, minha pele estava bem mais bonita e sem espinhas que a delas. Algum benefício a idade avançada tinha que trazer.

16 de maio de 2012

Questão de maturidade

Tá. Eu sempre passei bastante tempo com adultos, fui um ano adiantada na escola, vou terminar a segunda faculdade antes de completar 23 anos e blá blá. Sou considerada uma pessoa "madura" pela sociedade. No meu ponto de vista, porém, eu sou simplesmente uma pessoa que reconhece que a existência de um cérebro no corpo humano não é coincidência. Minha suposta "maturidade", pra mim, é o normal - é o jeito que estou acostumada a ver e me comportar no mundo. O problema é quando me deparo com gente que parece não ter sequer remoto conhecimento do conceito "cérebro e suas funções". Costuma ser uma mistura de tristeza e irritação aguda, mas de vez em quando é apenas entretenimento.

Fazia tempo que eu não convivia de verdade com gente da minha faixa etária, e vou dizer pra vocês que olha, não é fácil. A mistura de futilidade e metidismo é tanta nesse mundo que cada vez mais eu tenho vontade de achar uma caverna pra viver sozinha. Minha rotina atualmente envolve ouvir coisas do tipo "nunca tive problema com dinheiro" de um ser de vinte e cinco anos que vive com os pais e não tem emprego. "Mas como você compra as suas coisas?". Pede dinheiro pros pais. "E as bolsas de marca?" - cada uma ganhada de um namorado diferente. Ai amg, vem conversar comigo sobre problemas financeiros quando você tiver uma vida, vai. É rir pra não chorar.

Acho bacana que, apesar dos pesares, o mundo tenha se tornando mais compreensivo com a questão "tempo". É relativamente normal, hoje em dia, que uma pessoa em torno de vinte anos de idade não saiba com certeza que rumo profissional tomar, por exemplo. Ou que mulheres só lá pros trinta anos comecem a pensar em ter filhos. Essas coisas. Isso no tempo dos meus pais não era normal. Dezoito anos era mais do que hora de arrumar emprego e sair de casa. Dava merda? Dava. Os pais acabavam ajudando? Sim. Mas a experiência era real, acontecia mesmo. Não sei dizer qual das abordagens é melhor, acho que ambas tem vantagens e desvantagens. Mas a nossa realidade de ter "mais tempo" não é desculpa pra ser idiota, sabe. Essa despreocupação que a minha geração parece ter com tomar decisões sérias e começar a vida de uma vez por todas  parece que só tá atrasando o nosso desenvolvimento. Prova disso são as "super-crianças" que a gente vê por aí, fazendo coisas incríveis que adulto nenhum pensou ou teve coragem de fazer antes. Que bosta pra gente que tá só de telespectador, né? O famoso "eu também poderia ter feito isso" - só que não fez.

Eu acho que a gente tem muito potencial, recurso e capacidade de ser relevante no mundo. O que tá faltando é uma dose de realidade de quando em vez. Precisamos crescer um pouco. Esses dias ouvi, da mesma pessoa, "às vezes me dizem que eu vivo numa bolha. Não ligo pra essas pessoas porque eu sou feliz do jeito que eu sou". E se tirar pai, mãe e namorado, será que continua feliz?

Pense.  

30 de julho de 2011

Dicas sobre os primeiros dias de aula na faculdade

Depois de ter mudado de escola quatro vezes na vida, me formado em uma faculdade e recentemente ter começado outra, percebi que existem algumas coisas que a gente pode fazer (ou evitar fazer) para que a sua experiência de aprendizado seja melhor.

Nos primeiros dias de aula:

Leve dinheiro
Primeiros dias de aula dão mais fome que quaisquer outros dias. Todas as outras pessoas vão aparecer com comidas deliciosas no intervalo e a sua lombriga vai te comer vivo se você não puder comprar nada porque esqueceu de levar dinheiro.

Tente não se juntar aos grupinhos que se formam prematuramente
Dê um tempo antes de se aproximar das pessoas. Não precisa ser "o" antipático, mas seja esperto. Se no primeiro dia você começar a conversar com uma pessoa, no segundo não vai poder simplesmente ignorá-la e no terceiro é capaz que ela já sente do seu lado e te conte sobre os problemas de família. Piora quando depois de duas semanas de aula você descobre que vai ter que fazer um trabalho em grupo e que aquela pessoa com quem você esteve conversando durante todos aqueles dias é do tipo não-faz-nada-em-trabalhos-em-grupo. 

Esperando um pouco antes de se aproximar de alguém, dá pra ter uma noção melhor do tipo de gente com quem você vai ter que dividir seus próximos anos de vida e escolher o grupo que tem mais a ver com você. 

Tem dois jeitos de fazer isso: conversar um pouco com cada um na sala ou não conversar com ninguém. No primeiro caso, a conversa é a mais básica possível - não entre em detalhes pessoais nem nada. No segundo,  dê sorrisinhos simpáticos, demonstre um pouco de interesse quando a pessoa estiver falando pra sala toda e só. Em ambos os casos, você não se compromete com ninguém mas também não fica com imagem de anti-social. 

Leve um agasalho mesmo que esteja calor
Pode ser que sua sala tenha ar-condicionado e não sei vocês, mas eu odeio sentir frio porque esqueci de levar uma blusa extra. Se tá frio porque tá frio, tudo bem, mas se tá frio porque eu esqueci a blusa, além de frio eu também sinto constrangimento. Fora que quando tá frio no lugar parece que TODO MUNDO tem um casaco e está confortavelmente quentinho e só você é o trouxão despreparado. 

Preste atenção nas datas que os professores vão explicar
Às vezes eles dão cópias do cronograma do curso, mas às vezes não. De qualquer modo, esse é um assunto  de primeiros dias. Conforme as aulas vão acontecendo e os trabalhos vão sendo passados, fica fácil esquecer pra quando é cada coisa. Se você tiver tudo anotado num lugar só, sua vida fica mais simples. Bônus: nesses dias eles também explicam quantas faltas você pode ter. Preste atenção e use suas faltas sabiamente.

Ah, e sobre o trote:

Não vá
Você não vai fazer falta uma vez que ninguém te conhece ainda. Além disso, não indo você também economizará roupas e dignidade. Sério. Apesar de nunca ter sido "bicho" de ninguém (os veteranos da minha faculdade simplesmente não se deram ao trabalho), ajudei a organizar o trote que os calouros do ano seguinte levaram e olha, eles tavam literalmente tentando matar formiga a grito no meio da rua. 

Caso você queira participar mesmo assim (não participe), vá de bom-humor e com roupas que possam ser manchadas.

Qualquer pergunta, os comentários tão aí pra isso! Espero ter ajudado!