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20 de novembro de 2012

3 de junho de 2012

Minha semana em fotos #3

Essa foi a minha semana de férias (na verdade foi a semana "de estudo" que a faculdade dá pros alunos se prepararem pro inferno de projetos e provas que acontecem nas semanas seguintes) e eu aproveitei um pouco do sol nos primeiros dias e fiquei em casa dormindo no resto - mentira, até comecei um programa de exercícios pra ficar gostosona em dois meses (projeto da faculdade que é bom nada). Tudo isso pra dizer que não tirei muitas fotos porque não fiquei com o celular por perto o tempo todo.

Terça-feira "Tecnologia móvel define"
Fui ao McDonald's no começo da semana pela primeira vez em meses (nunca achei que esse dia chegaria, mas eu realmente parei com as incontroláveis vontades McDonáldicas) e na saída vi esse senhor em uma das mesas digitando aquele texto que ele normalmente esculpiria em pedra num teclado paleozóico conectado ao seu laptop. Tecnologia pura.

Sexta-feira "Como alguém pode não gostar disso?"
Quem me segue por aí na vida internética sabe que uma das minhas comidas favoritas é alcachofra. Sempre que eu acho no supermercado, compro. Comer alcachofras era meio que tradição na minha casa, praticamente um evento de tão delícia. Se vocês ainda não experimentaram, experimentem. Passo a receita nos comentários se alguém quiser.

Sábado "Sim, isso é uma picanha"
Ah, picanha. Com certeza também entra no top 10 de comidas favoritas. Recentemente achamos uma loja que vende o corte certinho da carne e eu aprendi mais do que rapidamente a cozinhá-la no forno. Super fácil e, apesar do resultado não ser exatamente igual ao que meu pai consegue quando prepara picanha na churrasqueira, fica muito bom. 

Domingo, alguns minutinhos atrás
Pois é, acabei de pintar as unhas e estou aqui digitando que nem um pato (sabem como patos digitam né) pra não estragar meu trabalho unhístico. 

Até semana que vem! 

11 de janeiro de 2012

Os homens e a (falta de) praticidade

Estávamos na rua por horas e eu, como sempre, sentia a fome dominando meu ser.

Eu - Af, que fome.
Ele - Tem um supermercado aqui perto, a gente pode parar lá pra comprar alguma coisa.
Eu - Ufa, tá bom.

Chegamos no supermercado e eu fiquei no carro esperando (motivo desconhecido). Ele saiu sem perguntar nada mas, pela convicção, achei que ele sabia exatamente o que compraria. Até aquele momento, eu nem tinha pensado no que queria comer. Eu sabia que precisava ser prático, uma vez que ainda tínhamos que ir à pelo menos mais dois lugares e portanto teríamos que comer no carro. "Confio no bom senso dele", pensei, tentando superar um estranho sentimento de que eu devia ter entrado no supermercado em vez de ficar esperando no carro. 

E aí ele voltou, todo feliz e sorridente. Trazia uma sacola e uma caixa. 

Na sacola tinha dois litros de suco e na caixa tinha metade de um frango assado.  

Pra comer no carro. Sem garfo. Sem guardanapo.



Homens.

27 de dezembro de 2011

A terrível história sobre o bolo de Natal

Meu primeiro fim de ano longe de casa. Até a semana passada eu não tinha planos específicos para o dia de Natal, mas já desconfiava que a família do meu namorado nos convidaria para ir lá. Quando recebemos o convite, eu já estava psicologicamente preparada, com roupa planejada e tudo. Mas as palavras na mensagem que nos enviaram me fizeram lembrar que não seria uma daquelas ocasiões em que apenas se vai. O primo nos escreveu: "Venham jantar na nossa casa dia 25 e não tragam nada além da presença de vocês!" Obviamente eu teria que levar alguma coisa.

Comecei a pensar em algo natalino pra levar, mas pelo que eu tinha ouvido, Natal por aqui é basicamente constituído de peru - e olha a minha cara de quem prepara peru, né Brasil? Olha minha cara de quem sequer se ofereceria para cozinhar o prato principal da noite de uma família que nem é a minha - abraço. Resolvi então fazer um bolo de chocolate porque afinal, sobremesa nunca é demais (e também porque queria mostrar que meu país não é só feito de carnaval e futebol: também temos receitas de bolos).

A partir do momento em que decidi que faria um bolo pra levar, decidi que faria dois. Um de teste durante a semana e um oficial no dia do jantar. Nunca tinha usado aquela receita e eu precisava ter certeza de que tudo seria perfeito. Sim. O bolo havia deixado de ser apenas uma sobremesa e passado a ser questão de honra. 

Comprei todos os ingredientes na quinta-feira e fiz o teste na sexta de manhã. Além de lindo, o gosto do bolo ficou exatamente como eu queria. Por um milésimo de segundo, o aterrorizante pensamento passou pela minha cabeça: tamanho nível de perfeição seria difícil de alcançar duas vezes consecutivas. Respirei fundo.

foto real, não apenas ilustrativa 
Acordei cedo no domingo e comecei a saga. Preparei a massa direitinho enquanto o forno pré-aquecia e untei a forma especialmente comprada para a ocasião. Lembrando que era dia 25 e portanto, se alguma coisa desse errado, a chance de achar um lugar aberto pra recomprar coisas seria mínima. Pressão. Coloquei a massa para assar e tudo corria bem. 

Quarenta minutos depois, a massa tinha crescido lindamente e já estava fora do forno para esfriar. Era hora de fazer a calda de chocolate para a cobertura. 

Antes de continuar essa história, eu preciso proteger minha reputação e deixar registrado que desde que comecei a cozinhar a única coisa que eu já errei foi ponto de chocolate. A única.

Coloquei todos os ingredientes na panela conforme as instruções, e comecei a mexer. Mexi por muito mais tempo do que precisei mexer na vez teste e a calda não engrossava. Pouco a pouco, o desespero começou a me dominar. Enquanto mexia, olhava em volta para ver se tinha chocolate suficiente para começar tudo de novo caso precisasse. Aumentei o fogo e continuei mexendo. A calda foi ficando cada vez mais escura e eu senti um frio na espinha que não me era desconhecido. Abaixei o fogo imediatamente, me sentindo em luto. Tentar evitar a realidade não me traria benefício algum. Tirei a panela do fogo e experimentei o que hoje em dia sei que é o gosto da minha derrota: o chocolate estava queimado. 

Joguei tudo pela privada, lavei os utensílios e comecei de novo. Mexi por mais uma eternidade e nada de engrossar. Adicionei leitinho com maisena e nada. Ainda precisava tomar banho, arrumar meu cabelo, e a esse ponto já tinha desistido de pintar as unhas. O tempo passava e a calda simplesmente não respondia aos meus esforços. Fui obrigada a declarar óbito mais uma vez.

A esperança porém, ainda não tinha morrido. Decidi que faria uma cobertura de brigadeiro. Simples, fácil e não tinha como errar.

...

E quem disse que eu tinha leite condensado em casa? Mais do que prontamente, observando à distância o nível da minha frustração aumentar, o homem do lar se ofereceu pra ir à caça. Agora pensando, talvez ele só quisesse mesmo uma desculpa pra sair do apartamento antes que eu começasse a colocar a culpa nele.  Quem em sã consciência se oferece para ir comprar qualquer coisa no dia de Natal? Bom. Ele foi e eu aproveitei o tempo para ir tomar banho. Nisso, já eram quatro da tarde e a gente tinha que estar lá antes das cinco.

Ele voltou enquanto eu desesperadamente secava o meu cabelo. Voltei para cozinha decidida que aquele bolo DARIA CERTO. Por algum motivo que desconheço, taquei duas latas de leite condensado numa mini panela que não tinha capacidade para tanto. Fingi que não percebi e coloquei o chocolate. Mexi por alguns minutos e lembrei que o ponto do brigadeiro a gente vê se baseando no fundo da panela. Fundo da panela esse que eu só conseguiria ver se fizesse metade da quantidade de leite condensado evaporar, obviamente.

OLHA. Não só não deu certo como também foi o primeiro brigadeiro que eu consegui estragar (ainda na categoria chocolate, a propósito). Tirei a panela do fogo antes do que deveria e quando coloquei a cobertura no bolo, o negócio só não estava tão ralo quanto água porque leite condensado é naturalmente mais denso.



Fui para o jantar atrasada, sem bolo e sem honra. Lembrarei para sempre desse Natal.

Como foi o de vocês?! 

16 de outubro de 2011

A história do piquenique que não deu certo

Ficamos a semana inteira planejando o piquenique, pensando no melhor lugar para ir, torcendo pro tempo estar bom. 

Chegou o dia e eu acordei relativamente cedo (meus parâmetros). Abri a janela e o tempo estava maravilhoso. Tínhamos decidido ir à um lugar perto, então eu tive bastante tempo para me arrumar e preparar os sanduíches perfeitos que eu fiquei imaginando durante aquela semana. 

Primeiro fiz o patê de atum: piquei a cebola em pedaços bem fininhos, coloquei azeitona e cenoura também. Depois lavei alface e tomates. Fatiei os tomates cuidadosamente. Abri a geladeira e peguei o salame que finalmente havíamos encontrado depois de incontáveis idas à supermercados diferentes - todos que eu experimentava não eram bons o suficiente. Queria dois tipos de sanduíche: de patê e de salame. Delícia.

Enquanto isso, ~ele~ estava colocando umas coisas em ordem no apartamento. Juntou uns papéis para levar pro lixo e tava arrumando coisas aleatórias. 

Preparei os sanduíches com aquela fomezinha safada de quem antecipa uma refeição específica por dias. Cada camada que eu colocava nos sanduíches eu soltava um suspiro de "ai que cheirinho bom". Embrulhei cada um separadamente em papel alumínio e coloquei todos dentro de uma sacola, prontos para levar.  

Como ele ainda estava terminando de se arrumar pra sair e eu já estava pronta, resolvi levar o lixo todo para fora. Peguei minha bolsa, os sanduíches e os sacos de lixo para jogar fora e já chamar o elevador. Ele, como sempre todo solícito, quando me viu saindo se ofereceu pra levar o lixo e me pediu apenas para pegar os sucos e o encontrar no elevador. "Fofo", pensei. Entreguei os sacos de lixo e a sacola com os tão desejados sanduíches, sem saber que essa seria a última vez que os veria. 

Dois minutos depois, no exato momento em que me ocorreu a ideia que ele talvez não tivesse percebido que a sacola com os sanduíches estava junto com as de lixo (visivelmente diferentes, vale acrescentar) ele abre a porta. O olhar era de terror, desespero. Dava pra ver que soava frio. 

"- Você não me deu os sanduíches né?"

Gente. 

Eu dei os sanduíches pra ele. Ele jogou os sanduíches fora. Todos. No lixo. Lixo de todos os apartamentos. Irrecuperável. Todos os sanduíches.




---




Deixo vocês com uma imagem minha ao lado do meu piquenique daquele dia.


Fim.

2 de agosto de 2011

Modinhas alimentícias

Primeiro vamos esclarecer que moda é uma coisa e modinha é outra: quando uma tendência é aceita por grandes grupos de pessoas, essa tendência é considerada moda. Pode ser de roupa, de cor, de música e por aí vai. Modinha é essencialmente a mesma coisa - a diferença é que junto com as modinhas vem uma atitude especial. Especialmente vomitável, no caso.  

Quem adere à modinhas se acha "diferente", "cult", "underground", "apreciador única e exclusivamente do que é bom". A pessoa se veste de um jeito característico ao tipo, anda por lugares pré-determinados pelo tipo, assiste e lê autores que se soubessem que tavam caracterizando um tipo, provavelmente nem teriam dado prosseguimento à algumas obras. 

A parte vomitável da questão é que osmodinha (termo que eu inventei pra pessoas aderentes ao fenômeno de modinha) não admitem que fazem parte de um grupo e têm horror ao que se torna popular. Porém, o que eles (osmodinha) não sabem - e se sabem não admitem, é que eles são tão populares quanto todos os outros e que se aquela determinada música que eles gostam for boa mesmo, ela se tornará tão popular quanto qualquer outra coisa que já era popular antes deles terem tempo de descobrir primeiro e decidir se gostavam ou não. 

Quando se trata de modinha, comidas não escapam. Muitas sempre estiveram disponíveis, mas só pelo fato de que alguém do grupo dosmodinha decidiu que AGORA são interessantes, agora são interessantes: 

~Starbucks~

Não sei se por influência de filmes (nem nos filmes isso faz sentido pra mim, inclusive), mas andar na rua segurando um copo de café virou status. Não importa se tá fazendo quarenta e cinco mil graus de calor e você tá carregando trezentas sacolas. Tá com um copo do Starbucks na mão? Você tem estilo.  

~Cupcakes~ 

Por algum motivo obscuro, cupcakes se tornaram sinônimo de bom gosto alimentar e fofura. Há TODOS anos atrás (pesquisa rápida wikipediana alega que cupcakes existem desde 1796 - ou seja) cupcake nada mais era que um bolo feito num pequeno recipiente. Ninguém falava sobre cupcake e não havia essa imagem rosa pastel e marronzinha de chocolate associada ao produto. Hoje em dia resolveram que não dá pra viver sem um cupcake diário. Já vi osmodinha usarem cupcakes até como moeda de troca: "Faz isso pra mim que eu te dou dois cupcakes". 

~Kit Kat~

Esse é o herdeiro do cupcake, que dominou o começo do ano mas que agora já não é mais tão essencial quanto era há dois meses atrás. Kit Kat SEMPRE foi a segunda opção. Se você pedisse pra sua mãe comprar Bis no supermercado e ela voltasse com Kit Kat, você ficava decepcionado. Agora mudou. Omodinha viaja pra fora do país, todos os outrosmodinha pedem pra ele trazer Kit Kat do aeroporto. 

~Frozen Yogurt~

Filas quilométricas no shopping pra comprar yogurt congelado com frutas e/ou coberturas de sabores diferentes por um preço astronômico. Agora me diz se fosse sua vó há três anos atrás dizendo que isso era "bom pra sua saúde" você teria entrado numa fila pra comprar. Aham.


"- Tenho um café e um cupcake, sou sofisticado"

16 de junho de 2011

Dica aleatória (sobre frutas)

Se você tiver duas frutas pra comer, dê uma mordida em cada uma pra descobrir qual está melhor e decidir qual comer primeiro.

Deixar a pior pro final sem saber que ela é a pior costuma ser frustrante.

19 de setembro de 2010

Dica aleatória (sobre tempero)

Se não souber com o que temperar sua comida, use sal, azeite extra-virgem e limão.

19 de junho de 2010

Fome

Essa parte da minha vida sempre foi meio irregular. Às vezes simplesmente não tenho fome e às vezes eu acordo faminta e como muito (e quando eu digo muito eu quero dizer muito). Nos dias de não-fome eu poderia passar o dia todo sem comer e não me sentiria mal.

Agora, o assunto que eu realmente vim aqui para tratar é o dos dias de famintice. Normalmente, o que acontece é que nesses dias eu viro grávida. Tenho vontades específicas de coisas que eu quero comer e não sossego até conseguir. 

As vontades costumam envolver McDonald's, saladas (hmm, palmito) e ultimamente os gostosinhos sushis. Vale dizer que os desejos alimentísticos são em geral coisas não muito difíceis de conseguir. O problema hoje em dia é o Canadá. Minhas vontades têm limite aqui. 

Tipo, que fazer com as vontades de feijoada, coxinha, pãozinho francês, esfiha de carne, frango assado da padaria, pizza de calabresa, feijão da minha mãe, almôndega da minha vó?! Nada disso existe direito nesse país. Pizza de calabresa que seria coisa simples, por exemplo, blargh. A calabresa simplesmente não tem o mesmo gosto, é frustrante. 

Ontem, a opção era ou uma receita online de coxinha ou uma passagem de volta para o Brasil. Considerando os preços, concluí que a receita seria mais acessível. Depois de todo o longo e interminável processo de desfiar até o bico do frango, fritei as coxinhas. Ficaram boas, até. Estou de parabéns.

A moral da história é que agora eu cozinho as coisas que quero comer. E, preciso dizer, o mais surpreendente de tudo é me pegar realmente interessada em discutir receitas com a minha mãe.

27 de maio de 2010

Coisas que as pessoas não falam sobre o Canadá 2

Continuação da série, porque afinal, eu sou sua fonte das verdades canadenses.

O tempo é seco
Eu sinceramente achava esse negócio de reclamar do clima, especialmente dizendo que o tempo não-sei-onde é muito seco ou muito úmido, era frescura de gente que viaja para fora ("frescuras de quem viaja para fora" vai ser tópico de post em breve). Mas não é. Eu não senti todos os lugares que fui, mas quando eu vim para cá a primeira vez, minha pele secou mais que o nordeste em tempos de verão nesse planeta efeito-estufado. O cabelo então, benzadeus - selvagem. E não tem creminho brasileiro que resolva, tem que comprar as bugigangas aqui. A maior prova de tudo foi quando eu voltei para o Brasil - parecia que eu estava respirando água.

Todo mundo fala inglês
Parece óbvio, mas quando você vê mendigo pedindo dinheiro em inglês, a realidade te atinge. Bebêzinhos também. Não dá para evitar aquele pensamento de fração de segundo "- nossa, que inteligente essa criança é falando inglês tão novinha".

Você passa a ter certas dificuldades com o seu idioma original
Também achava que era frescura. Mas depois de um certo tempo de lavagem cerebral (você, um pedaço de pessoa cercado de inglês por todos os lados), quando você conversa em português com alguém, esquece umas palavritas aqui e ali, muda a ordem dos adjetivos e essas coisas. É meio constrangedor, porque fico achando que a pessoa com quem eu estou conversando está pensando que eu estou de frescura-de-quem-viaja-para-fora, sabe? Aí, em vez de procurar a palavra que eu não estou encontrando, eu fico tentando adivinhar o que a pessoa está pensando, demorando, assim, pelo menos o dobro do tempo para voltar a falar.

Canadense acha que tangerina é laranja
Todas as frutas com potencial para serem laranja, eles descascam como se fosse tangerina. Eu não sei se com um certo esforço, dá para descascar laranja como se fosse tangerina. Para mim, laranja tem aquela casca grossa, que a gente tem que usar faca para descascar (coisa essa que eu nunca fui capaz de fazer, diga-se de passagem). Então me resta a dúvida se somos nós, brasileiros, que separamos laranja de tangerina inutilmente, ou se os canadenses são mais espertos que a gente, descascando igual tangerina tudo que dá. Questionamentos, questionamentos.

25 de maio de 2010

Peculiaridades gastronomicas

[de volta à programação normal - com acentuação decente]

Estar em território estrangeiro me fez perder certas* frescuras comidísticas.

Quando inauguraram o Subway no Brasil, todo mundo enlouqueceu no melhor estilo nossa-como-vivi-sem-isso-até-ontem. Filas dignas de McDonald's, povo com cartãozinho "depois de dez ganhe um de graça" etc. Eu não gostava nem de passar perto, odiava o cheiro.

Minha tia me fez experimentar sushi uns anos atrás. Quase vomitei na mesa. Educadíssima, eu. Saí correndo direto para o banheiro, cuspir o nojo na privada. Alguma coisa naquele negócio preto grudento (que depois vim a descobrir ser chamado de nori - algas marinhas em forma de papel preto gosmento comestível) com aquele arroz sem gosto em volta de tudo cru que vinha no meio - simplesmente não dava. 

Daí né, gentem - agora eu gosto. Tudo bem que ainda não tive muita coragem para tentar os peixes crus mais hardcore e que sempre peço a mesma coisa no Subway, mas já é um avanço.

*Mãe, antes que você se empolgue, veja bem - perdi certas frescuras. Ainda não como queijo.

14 de abril de 2010

Coisas que as pessoas não falam sobre o Canadá

Já estou aqui há algum tempo - preciso compartilhar.

Todas as frutas de sementes chatas são sem semente

Uva, melancia, laranja. Peixe também não tem espinha. E espinha em inglês é bone. "- Esse peixe tem osso?". Para mim a resposta disso é óbvia, mas osso aqui é espinha. O que não significa que pessoas têm espinhas em vez de ossos.

Neve escorrega

Neve é gelo e gelo é água (não só no Canadá, mas enfim). Quando neva muito, uma camada de gelo cobre tudo (chão, telhados de casas, carros, bois etc). Se você pisa nesse gelo, seus pés afundam imparavelmente, molhando suas pernas e meias. Durante o dia, se a temperatura sobe, parte da neve do chão derrete, transformando o que antes era fundo e macio em uma fina camada de textura realmente parecida com a do gelo de geladeira. Se você pisa nesse gelo, seu traseiro é o próximo a conhecer a neve.

Todo mundo sabe patinar no gelo

Irrita porque é difícil e os pequenos vão a 150 km/h na pista de patinação sem dó enquanto você não consegue nem se manter em pé. Patinar no gelo é tipo andar na neve que eu estava descrevendo acima, com a única diferença que você calça um fino pedaço de ferro para se equilibrar.

Eles tomam banho de manhã

Quando a gente ia dormir sem tomar banho minha mãe dizia que a gente estava indo dormir de "porquinhas". Tudo bem que tecnicamente eles já tomaram um banho no dia, mas foi antes de tudo acontecer. E se a pessoa caiu em um rio de bosta? Essas coisas acontecem na vida.

Coelhos correm no meio da rua

Civilização, carros, bicicletas e coelhos. Não sei se sou eu, mas um dos elementos do grupo simplesmente não pertence.

Apesar de derretível, neve não simplesmente desaparece

Todos os dias que neva, cada um é responsável pela limpeza da própria calçada (na ruas um caminhão passa para limpar). Caso haja neve na calçada de determinada casa, o correio pode se recusar a entregar cartas lá ou o governo municipal simplesmente multa os moradores. Não pelo correio, obviamente.

Canadá tem várias celebridades

Quando cheguei aqui, achei que eles não tinham ninguém famoso. Falta de cultura minha. Descobri que todo mundo é canadense. Avril Lavigne, Jim Carrey, Nelly Furtado, Michael Buble. Até time de basquete decente eles têm - Toronto Raptors. Link da lista aqui. É todo mundo canadense, gente.

Cinema é caro

No Brasil eu já achava absurdo. Aqui é o dobro. Pipoca então, nem se fala. Feita de ouro. Cinema para duas pessoas, com pipoca e refrigerante dá quarenta e cinco dólares. Sério.

Conforme o tempo for passando, eu vou achar mais coisas. Faço questão de ser sua fonte de verdades canadenses.

20 de setembro de 2007

Desvendei a culinária

- Você vai saber quando o bolo estiver pronto. Aí você passa a faca nas laterais e vira ele, para tirar da forma. Aí, assim, a parte de cima é maior que a de baixo, então quando você virar o bolo, a parte menor vai ficar para cima. Se você quiser que a parte menor fique para baixo, você vira ele de novo, entendeu?

- Mãe, pra quê eu vou querer que a parte menor fique para baixo?! Não faz sentido!

- É, tem razão.

Depois de mais algumas detalhadas explicações sobre a cobertura do bolo, que eu deveria terminar de preparar, achei a saga 'bolo sendo preparado sem mãe em casa' estaria acabada. Concluí para ela, meio que confirmando se havia entendido tudo:

- É só tirar a parada e jogar o negócio em cima, então. - disse, enquanto puxava a orelha do cão.

Silêncio.

Olhei para ela, que me analisava. Seu olhar era uma mistura de espanto com desespero. Em sua cabeça, o pensamento era, com certeza, alguma coisa parecida com: 'Eu estou prestes a sair de casa deixando um bolo a ser terminado por ESTA criatura a minha frente - isso não vai prestar'.

Minha conclusão foi simples, admito. Mas correta, afinal era só fazer isso mesmo.

E ficou bom, hein.