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28 de abril de 2012

Pesquisas que o povo faz - Episódio "gordinhas com piercing no umbigo"

Se você chegou até esse post pesquisando por qualquer coisa relacionada com as palavras "piercing",  "gordinhas" e "umbigo", continue lendo e sinta-se parte do grupo. Se você é só leitor do blog, prepare-se.

Lembram do post em que eu listo cinco motivos pra não fazer um piercing no umbigo? Nele, eu digo que "pílce" significa "piercing" na língua de quem tem piercing no umbigo. Foi piada.

Recentemente, olhando os registros que o Analytics faz de pesquisas que trouxeram gente aqui pro meu blog, descobri que minha piada não foi assim tão absurda e não só isso - mas também constatei o fato de que você não conhece verdadeiramente uma pessoa até que olhe o histórico de pesquisas dela (sim, teremos mais posts desse tipo, podem me cobrar). Fiz uma seleção das melhores relacionadas exclusivamente ao tema "piercing" e acreditem: não alterei nada. 

1. como se fas picer no umbigo
2. eh moda colocar piercing no umbico?
3. fotos de mulheres com pirce no umbigo e é gorda
4. fotos de pircings de ombigo os mais bonitos
5. quem não tem lugar para colocar pirsing no umbigo
6. pincing em gordinhas no enbigo
7. pirsem de unbigo

Obrigada e bom final de semana, Brasil. 


30 de junho de 2010

Sobre coisas que irritam

Sou só eu ou vocês concordam?

Funcionabilidade tecnológica indiretamente proporcional à sua paciência.
É só você estar com pressa para fazer qualquer coisa no computador que ele vai, necessária e inevitavelmente, decidir que hoje não é um dia bom para funcionar direito. Ponto final. Não importa o que você faça ou para quem você ligue, a decisão está tomada e você tem duas opções: desligar tudo e ir embora ou morrer engasgado na frente do computador com a espuma de raiva que sua boca produzirá.  

Pessoas que deveriam, mas não escrevem certo em português.
Entendo que tem gente que, devido ao duvidoso sistema público de educação brasileiro, não teve oportunidades decentes de estudo [som de violinos] mas também tem muita gente que teve e que comete erros iguais ou piores do que os de quem não estudou - e são esses os que mais irritam. "- Vou durmir","- O que você tá fasendo?", "- Nossa, não concigo fazer isso". Minha vontade é pegar um dicionário e fazer a pessoa engolir, desculpa. 

Barulhos com a boca.
Ao comer, por exemplo. É perfeitamente possível comer sem fazer barulho. Meu sentimento ao sentar perto de alguém que come fazendo barulho é que a boca da pessoa caia. Simples. Tem gente que faz barulho nas pausas entre a fala, também. Sabe? Engolindo saliva ou se preparando para continuar a falar? Pára.

Pessoas que me imitam.
Odeio. Quando vejo alguma coisa que é claramente minha sendo reproduzida outra pessoa, se pudesse, arrancaria fora o cérebro da pessoa, lavaria a peça com ácido detergente e colocaria de volta para ver se dá jeito de sair alguma coisa original dali.  Há quem diga que imitação é um dos tipos mais lisonjeiros de reconhecimento. Não.

Conversas que começam com "- Você não sabe o que aconteceu" e são seguidas de silêncio.
Ou seja, a pessoa quer que você pergunte o que aconteceu, como se só pelo fato de que sabe-se lá o quê aconteceu com ela fosse suficiente para deixar qualquer um curioso. Pergunto: Por que não me poupar do desconforto e contar logo o que aconteceu? Mesma coisa com gente que coloca frases tipo "estou tão triste" no MSN ou Twitter. Por favor, né, se você quer conversar com alguém, simplesmente vá ao alguém e converse - de preferência sem iniciar a conversa com a frase citada acima + silêncio. Não precisa ficar dando dica indireta pela internet.

Ser acordada antes da hora.
Quando estou dormindo gostaria de ser automaticamente considerada falecida por todos ao meu redor a não ser que eu tenha especificado o contrário antes. Ter me programado para acordar tarde (e por tarde leia-se  uma da tarde para mais) e ser acordada antes disso por qualquer ser cutucante é sentença de perda de braço por justa causa. 

A lista é muito maior que isso. Quanto mais escrevo mais lembro de coisa. Haja paciência.

                                                          

27 de maio de 2010

Coisas que as pessoas não falam sobre o Canadá 2

Continuação da série, porque afinal, eu sou sua fonte das verdades canadenses.

O tempo é seco
Eu sinceramente achava esse negócio de reclamar do clima, especialmente dizendo que o tempo não-sei-onde é muito seco ou muito úmido, era frescura de gente que viaja para fora ("frescuras de quem viaja para fora" vai ser tópico de post em breve). Mas não é. Eu não senti todos os lugares que fui, mas quando eu vim para cá a primeira vez, minha pele secou mais que o nordeste em tempos de verão nesse planeta efeito-estufado. O cabelo então, benzadeus - selvagem. E não tem creminho brasileiro que resolva, tem que comprar as bugigangas aqui. A maior prova de tudo foi quando eu voltei para o Brasil - parecia que eu estava respirando água.

Todo mundo fala inglês
Parece óbvio, mas quando você vê mendigo pedindo dinheiro em inglês, a realidade te atinge. Bebêzinhos também. Não dá para evitar aquele pensamento de fração de segundo "- nossa, que inteligente essa criança é falando inglês tão novinha".

Você passa a ter certas dificuldades com o seu idioma original
Também achava que era frescura. Mas depois de um certo tempo de lavagem cerebral (você, um pedaço de pessoa cercado de inglês por todos os lados), quando você conversa em português com alguém, esquece umas palavritas aqui e ali, muda a ordem dos adjetivos e essas coisas. É meio constrangedor, porque fico achando que a pessoa com quem eu estou conversando está pensando que eu estou de frescura-de-quem-viaja-para-fora, sabe? Aí, em vez de procurar a palavra que eu não estou encontrando, eu fico tentando adivinhar o que a pessoa está pensando, demorando, assim, pelo menos o dobro do tempo para voltar a falar.

Canadense acha que tangerina é laranja
Todas as frutas com potencial para serem laranja, eles descascam como se fosse tangerina. Eu não sei se com um certo esforço, dá para descascar laranja como se fosse tangerina. Para mim, laranja tem aquela casca grossa, que a gente tem que usar faca para descascar (coisa essa que eu nunca fui capaz de fazer, diga-se de passagem). Então me resta a dúvida se somos nós, brasileiros, que separamos laranja de tangerina inutilmente, ou se os canadenses são mais espertos que a gente, descascando igual tangerina tudo que dá. Questionamentos, questionamentos.

14 de abril de 2010

Coisas que as pessoas não falam sobre o Canadá

Já estou aqui há algum tempo - preciso compartilhar.

Todas as frutas de sementes chatas são sem semente

Uva, melancia, laranja. Peixe também não tem espinha. E espinha em inglês é bone. "- Esse peixe tem osso?". Para mim a resposta disso é óbvia, mas osso aqui é espinha. O que não significa que pessoas têm espinhas em vez de ossos.

Neve escorrega

Neve é gelo e gelo é água (não só no Canadá, mas enfim). Quando neva muito, uma camada de gelo cobre tudo (chão, telhados de casas, carros, bois etc). Se você pisa nesse gelo, seus pés afundam imparavelmente, molhando suas pernas e meias. Durante o dia, se a temperatura sobe, parte da neve do chão derrete, transformando o que antes era fundo e macio em uma fina camada de textura realmente parecida com a do gelo de geladeira. Se você pisa nesse gelo, seu traseiro é o próximo a conhecer a neve.

Todo mundo sabe patinar no gelo

Irrita porque é difícil e os pequenos vão a 150 km/h na pista de patinação sem dó enquanto você não consegue nem se manter em pé. Patinar no gelo é tipo andar na neve que eu estava descrevendo acima, com a única diferença que você calça um fino pedaço de ferro para se equilibrar.

Eles tomam banho de manhã

Quando a gente ia dormir sem tomar banho minha mãe dizia que a gente estava indo dormir de "porquinhas". Tudo bem que tecnicamente eles já tomaram um banho no dia, mas foi antes de tudo acontecer. E se a pessoa caiu em um rio de bosta? Essas coisas acontecem na vida.

Coelhos correm no meio da rua

Civilização, carros, bicicletas e coelhos. Não sei se sou eu, mas um dos elementos do grupo simplesmente não pertence.

Apesar de derretível, neve não simplesmente desaparece

Todos os dias que neva, cada um é responsável pela limpeza da própria calçada (na ruas um caminhão passa para limpar). Caso haja neve na calçada de determinada casa, o correio pode se recusar a entregar cartas lá ou o governo municipal simplesmente multa os moradores. Não pelo correio, obviamente.

Canadá tem várias celebridades

Quando cheguei aqui, achei que eles não tinham ninguém famoso. Falta de cultura minha. Descobri que todo mundo é canadense. Avril Lavigne, Jim Carrey, Nelly Furtado, Michael Buble. Até time de basquete decente eles têm - Toronto Raptors. Link da lista aqui. É todo mundo canadense, gente.

Cinema é caro

No Brasil eu já achava absurdo. Aqui é o dobro. Pipoca então, nem se fala. Feita de ouro. Cinema para duas pessoas, com pipoca e refrigerante dá quarenta e cinco dólares. Sério.

Conforme o tempo for passando, eu vou achar mais coisas. Faço questão de ser sua fonte de verdades canadenses.

6 de dezembro de 2008

A Crocodila Baiana - terceiro episódio

#10


- Qual seria o seu método para acabar com o mundo, Cíntia?
- Hm...
- Bom, o meu é simples. Eu criaria um creme capilar que derretesse o cérebro das pessoas.


Certas coisas são realmente simples. 

#11

No meio da sala, aquele ambiente selvagem, um dos pequenos olha pra mim e conclui:

"- A Cíntia não gostaria de estar aqui".

Eles sabem quando eu estou de TPM. E eu juro que estava só sentada, tipo, sem arrancar a cabeça de ninguém.

23 de novembro de 2008

Carteira de Habilitação - parte final

Cheguei lá, depois de duas aulas adicionais por ter reprovado na primeira vez e com a minha carteira de indentidade devidamente em mãos, quinze minutos antes. Poderia ter sido logo a primeira a fazer a prova, mas preferi esperar porque o movimento nas ruas é maior na hora que os testes começam.

Realmente eu não estava nervosa, assim como não estava na primeira vez. "- O pior que pode acontecer é ter que pagar mais R$124,00" - era o meu pensamento. Simples e fatídico.

Chegou minha vez. Sentei no lugar mais cobiçado por todos que estavam lá, o do motorista. Colei o banco no volante, arrumei o espelho pra acertar na baliza, e ajeitei os retrofuckingvisores. Tudo certo, essa prova é ridiculamente fácil.

Estava eu lá, na fila de carros, esperando pacientemente (como sei que não vou fazer quando estiver dirigndo de fato e a fila for no trânsito real) pela minha vez e pelo meu delegado. Qual não foi minha surpresa ao constatar que o meu delegado era - numa probabilidade de 1 em 937 (são vários os delegados, sabem) - a mesma mulherzinha maquiavélica da primeira vez.

"- Bom dia." - ela disse.

"- Espero que seja bom mesmo, sua... estranha. Por sua causa estou mais pobre." - eu não disse.

Enfim, respondi educadamente e saímos. Esqueci de dar uma seta. Menos três pontos - que beleza, adoro pontos. Parei na subida ("-Perfeito.", disse a examinadora - simpática ela, não?!), saí da subida com louvor, fiz o percurso dificílimo de três viradas para esquerda. O farol. O mesmo, o causador. Estava fechado. "- Esse não me pega de novo". Diminuí a velocidade pra realmente não ter nem o trabalho de parar o carro e sair de novo. Aí pronto. Fiz a baliza sem maiores dificuldades e depois o meio-fio.

Acho que semana que vem chega a prova real dos fatos aqui narrados. Que demora.

Termina a série "Carteira de Habilitação". Ufa!

20 de outubro de 2008

Carteira de Habilitação - parte 3

Reprovada. Vocês desacreditam se eu disser o que foi que eu fiz de errado.

Nas quatro primeiras aulas não errei absolutamente nada. Era como se soubesse fazer tudo aquilo desde sempre. Por motivos adversos, no decorrer das aulas errei discretamente, nada grave - erro de cálculos. Até que na última aula eu encostei na simpática vareta hepática da baliza. '- Pô bebê, deixou pra errar justo na última aula?', foi o que o instrutor disse.

As aulas terminaram numa quarta-feira. Marquei uma extra na segunda, dia anterior ao do teste. Fui com o meu progenitor, pacote completo. Não errei nada. Ufa. '- Que beleza hein, bebê!'.

Dia do teste. Preguiça estratosférica para acordar, obviamente. Fila gigante, pessoas desesperadas, sol. Chegou a minha vez. Entrei no carro, colei o banco no volante como só eu sei fazer, arrumei os retrovisores, coloquei o cinto de segurança. Que fácil. Entrou uma mulher, acomodou-se. Dei a partida, seta, seta de novo e parei na subida. Ponto morto, freio de mão. Seta, 'ponto-que-treme', acelerada leve, freio de mão - parte mais difícil já foi. Direita, direita de novo. Que coisa mais ridícula.

Foi aí. Farol amarelo. Lembrei do instrutor: '- Bebê, mesmo que o farol esteja amarelo, pára'. Já estava me preparando para o 'embreagem-freio' quando a perversa do meu lado me mandou, decidida ao concretizar seu premeditado plano maléfico, parar atrás do carro cinza. '- Se ela mandou parar lá, depois do farol, é porque dá para passar', pensou a anta que vos escreve. No momento em que os pneus dianteiros passaram pela faixa de pedestres, o farol ficou vermelho (envergonhado pela minha burrice, sem dúvidas). A mulher freou o carro bruscamente de um jeito que eu, na minha condição de 'aspirante', com certeza não poderia fazer e pronunciou cada sílaba: 'Você está reprovada'.

Passei no farol vermelho, dá para acreditar? Tanta coisa para errar. Tanta gente falando desde que eu me conheço por gente que a luz amarela significa 'atenção' e a vermelha 'pare'. Cento e vinte e quatro reais, agora. Isso porque eu não vou comprar a carta. Me recuso. Detalhe: só daqui a vinte e um dias posso fazer o teste de novo. Inacreditável.

23 de setembro de 2008

Carteira de Habilitação - parte 2

Depois de desmarcada por burrice de alguma das novecentas partes envolvidas no processo, fui fazer a prova teórica numa quarta-feira.

Me mandaram chegar na Auto Escola às 07h00 da madrugada pois eles nos levariam até o local do exame. Cheguei lá no horário marcado. Éramos eu, duas véias e uma menina que parecia ser um pouco mais velha que eu, cabelo loiro esticado, uma carinha de 'glamurosa' fora de sério. Por último mas não menos importante, chegou aquele que eu prefiro denominar 'tio que nos levou até o local do teste e que nunca mais verei'. Cabelo grisalho, camiseta branca dois números menor, calça jeans suspeita e postura 'e aí brotinhos, o que está pegando?'.

Depois de pegarmos cada uma sua respectiva prancheta com um protocolo (lembrem-se bem dessa palavra) e a lista com desenhos das placas de trânsito, nos enfiamos todas no carro e esse sim foi o grande começo. Mencionei o horário, né?! Pois bem, as véias não ficaram quietas nem por um segundo. Se estivessem simplesmente balbuciando coisas inaudíveis, tudo certo, o problema era o assunto inignorável. 'É, porque teve uma vez que um hómi morreu nos meus pés, eu sentia aquele sangue quente nos meus pés...' etc. Não sei qual foi o gancho, mas esse assunto logo evoluiu para 'casamento'. Mal ouvia o que aquele povo falava quando fui despertada de meu estado de transe por uma mão na costas e o seguinte conselho: '- Demora pra casar, viu? Namora muito, vai pra festas'. Não sei exatamente como ela interpretou o meu sorrisinho whatever, mas foi ele, sem dúvida, que a fez virar para aconselhar a outra menina, me permitindo voltar ao Planeta Cíntia.

Chegando ao local do exame, saímos todas do carro e cada uma foi para um lado, finalmente. Sentei na sarjeta e lá fiquei, folheando o livrinho do CFC na parte das multas. 'Benzadeus, vou lá saber que tipo de multa toma o motorista ao atropelar um elefante roxo que atravessa na faixa de pedestres da via local?!'. Pensando nessas situações que certamente estão previstas em algum ponto do Código Penal de Trânsito, senti uma polêmica entre as pessoas que esperavam comigo. Ninguém mais, ninguém menos que o Tio do Protocolo. Gordão, gigante e mal-humorado.

Ele só apareceu. Exalava o cheiro 'prova teórica'. Foi aí que uma pobre coitada chegou nele e perguntou alguma coisa sobre o horário. "- Gente ó, um minuto de sua atenção, - aos berros - vocês todos têm esse papel aqui? - tirando um papel da mão da menina e mostrando-o para todo mundo, TÊM?!". Ele bufando e a menina lá, só olhando. Imagino que estivesse arrependida até o último fio de cabelo, pela expressão. "- Pois é, aí consta o horário da prova de vocês. É o protocolo. Se tiver escrito 7h30 é 7h30 que vocês vão fazer a prova. Se tiver 8h é 8h. Se tiver 8h30 é 8h30" - e assim por diante foi ele repetindo os horários, cuspindo nas pessoas que estavam sentado logo abaixo, estressadíssimo. "- Esse é o protocolo de vocês - sacudindo o papel, a gente segue o protocolo. Protocolo serve pra isso. Recebem o protocolo, seguem o protocolo".

Eis que foram chamando aos poucos os grupos de cada horário que constava no protocoloprotocoloprotocolo. O tal horário só serviu mesmo pra dividir filas porque todo mundo entrou ao mesmo tempo. Enfim.

Uma vez todos acomodados, os 'renovação de carteira' começaram a fazer a prova primeiro. Pediram silêncio para o resto da renca toda, estávamos fazendo muito barulho. Finalmente estabelecida a paz, tocou o celular de uma das 'renovação de carteira'. Uma vez, vários toques. 'Haha, desculpa', disse a proprietária. Tá. Segunda vez, vários toques. 'Ah, haha, desculpa'. Terceira vez, meio toque já teria sido demais para a minha paciência, foram vários. As pessoas em volta se mexeram em seus lugares, num sinal geral de desconforto. 'Tsc'. Juro que se tocasse mais uma vez eu teria levantado de onde estava, passado por cima das cabeças de todos, arrancado o celular da mão da mulher e quebrado ele na cabeça dela. Não tocou mais, embora eu tenha certeza de que não foi porque ela teve um súbito acesso de bom senso e desligou o aparelho mas sim porque a pessoa que estava ligando havia desistido.

Nove horas começamos a prova. Nove e quinze eu tinha terminado. Olhava para os lados e via as pessoas na primeira página de perguntas, virando e revirando a prancheta das placas de trânsito. Dei uma olhada no meu gabarito, ele deu uma olhada em mim. Olhei de novo as perguntas, não, nada pra mudar. Mesmo que tivesse eu nem poderia. Hm. Nove e dezesseis. Só saí de lá um pouco depois das 10h.

Aqui cabe um link para um próximo post exclusivo sobre a relação Cíntia e O Meio de Transporte Público, esse monstro. Em breve.

Já no ônibus, saquei o bendito caderninho do CFC, para conferir algumas respostas. Duas eu errei, com certeza. Saco. 'Só falta eu não passar nesse lixo. Me mato'.

Passei. Ontem foi a primeira aula prática. Parte 3.

18 de julho de 2008

Carteira de Habilitação - parte 1

Decidi tirar a carta de motorista. Mal sabia o que me aguardava.

Liguei para Auto Escola com a grande ilusão de que bastava pagar coisas e fazer aquela ligação para que meus problemas estivessem resolvidos. Ledo engano. Começa que arranquei meu pâncreas pela boca só de ouvir o preço do 'coisas' que a mocinha da Auto Escola fala como se fosse ridiculamente pequeno e acessível. Aí depois resolvi engolir o pâncreas de volta porque descobri que além de todas as chatices a seguir, eu ia ter que tirar fotos 3x4 e espalhá-lhas por todos os lugares que fosse daquele momento em diante. Se fotos 3x4 são péssimas com pâncreas, imagina sem.

Blá blá blá, wisckas sachê, CIRETRAN - Circunscrição Regional de Trânsito. Depois de tirar as fotos, era lá que deveria ir primeiro. Cheguei e vi a fila.

(abre parênteses)


Sobre filas:

Concluí que as filas se dividem em dois tipos: o tipo McDonald's e o tipo CIRETRAN.

Tipo 1: você tem plena consciência do motivo de estar ali, espera por sua vez, é atendido e vai embora.

Tipo 2: se trata da fila que sempre vai ter muita gente. É o tipo de fila que comporta pessoas que vivem suas vidas para estarem na fila. É o tipo de fila de pessoas que brotam do chão e entram na fila. 


(fecha parênteses)

Confiando no senso comum, aproveitei que estava todo mundo me olhando e perguntei o motivo de estarem ali. A resposta era óbvia, eu poderia ter previsto se tivesse em mente os dois tipos de fila possíveis: um olhou para o outro, gaguejaram e olharam as horas. Ou seja.

Como legítima pessoa tipo 1 de fila, fui até o início da fila para descobrir se ela servia para falar com o Papai Noel ou algo do gênero. Antes fosse. Minha intenção na verdade era só dar uma olhada, mas como as pessoas começaram a me encarar tipo 'onde você pensa que vai', achei por bem perguntar para o atendente logo de uma vez. Afinal, ele disse que nem adiantava entrar na fila porque não ia dar tempo de resolver o que eu precisava. Eram quatro horas da tarde - tirem suas conclusões.

Voltei lá no dia seguinte e esperei quase duas horas para entregar uma ficha que eles deram lá mesmo e que eu devia preencher, comprovando que sei ler e escrever (ficha com foto 3x4, obviamente) . Tudo bem, considerando que o índice de analfabetismo no Brasil é grande e que para dirigir é necessário saber ler mesmo. Acredite se quiser: o tiozão que estava do meu lado levou a mulher para preencher a ficha para ele.

Problemas sociais à parte, chegou a minha vez. Morrendo de medo do homem que estava atendendo, de ter esquecido alguma coisa, de ter feito algo errado e afins, foi tudo bem. Minha face simpática venceu a ignorância anteriormente observada no responsável e fim, sem maiores traumas. '- Agora você espera a Auto Escola te ligar, ok?' '- Ah, ok.'

A Auto Escola não ligou porque o povo de lá nem sabia que devia fazê-lo - quem ligou fui eu e depois de todas as confusões de informação, fui ao CFC - Centro de Formação de Condutores.

Curso de seis dias, cinco horas-aula por dia. Trinta, trinta intermináveis horas. Comecei no próprio dia '- Quanto mais rápido começar, mais rápido termina'. Legislação, Direção Defensiva, Mecânica Básica, Primeiros Socorros e Meio Ambiente & Cidadania.


Sobre o curso:

Ainda não terminei, acabaria segunda-feira se não fosse pelo meu atraso de ontem, o que resulta em R$ 3,00 + ir até lá na quarta-feira 'passar a digital'.

De um modo geral o curso não é tão inútil quanto falam. Só é chato.

Sobre 'passar a digital':

Recurso inteligente, relativamente moderno. Para ter presença nas aulas e receber o certificado ao final do curso, cada aluno deve colocar o dedo indicador no scanner tanto na entrada quanto na saída.

Chato. E tem fila - fila tipo 1, pelo menos.

Sobre o professor:

Incrível como sabe o nome das placas, das artérias, dos componentes do motor do carro. Não sei se é incrível porque eu não sabia nada disso, mas é interessante. E as leis com suas respectivas multas?! Ele sabe também.

Fora o sotaque 'dê interiorrr' e o maldito 'horas-aulas' que ele nunca acerta, descobri que é conhecido do Ninguém - não só o conhece, como faz questão de lembrá-lo sempre com frases do tipo '- Ninguém não vai ver' ou '- Ninguém não tem' e ainda '- Ninguém não é perfeito'.

Sobre Ninguém não ser perfeito:

Contradição. Já ouvi várias vezes dizerem por aí que Ninguém é perfeito. No fim, como Ninguém não estava lá para se defender, ninguém se manifestou.

A saga continua.

11 de abril de 2008

A Crocodila Baiana - segundo episódio

Da série Crocodila Baiana - Reflexões, Explicações e Conclusões.

#6

- Ô Cintía*, você chegou a ver a explosão de chocolate que aconteceu em Beberly Hiutom?

- Onde?

- Beberly Hiutom [escrevendo em um papel].

- ...

- Chegou a ver?

*Cintía = Sim, tia. [!]

#7

- Professora, por que eu não sou uma formiga? Sério, se eu fosse uma formiga eu não precisava estudar.

- Você não sabe da vida das formigas.

#8

- Sobre o que é esse livro?

- Sobre o cérebro. Arrancaram o meu cérebro, por isso sou burro.

#9

- Eu preciso tirar minhas dúvidas de Ciências.

- Por quê?

- Porque eu costumo dormir nas aulas.

21 de março de 2008

A Crocodila Baiana

Como havia prometido, o material do caderno até então confidencial será compartilhado com meus prezados leitores (quem melhor, não é mesmo?). Depois de muita reflexão tentando escolher entre escrever um poema ou uma nova enciclopédia, optei por criar uma série que batizei de 'Crocodila Baiana' por motivos que vocês logo entenderão. Dentro dela, dividirei as ocorrências anotadas no caderno em tópicos. Enfim, como teoria é sempre chata e no final a gente só aprende direito com a prática, vamos ao que interessa.

Da série Crocodila Baiana, Certas coisas são óbvias.

#1

- Prô, posso limpar minha borracha na parede?
- Não, né. Limpa embaixo da mesa. Se você limpar na parede vai sujar a pobre coitada.
- Ah, e daí? Eles nunca arrumam a quadra.

#2

- Ô prô! Eu vou contar pra coordenadora que o Fulano não trouxe a apostila de matemática dele.
- E por que você está mexendo nas coisas dele?
- Pra copiar a lição ué.

#3

Contextualizando: A questão na apostila pedia para que o aluno explicasse o motivo de Bete e Joelma terem descido, juntas, as escadas.

'Bete desceu e Joelma desceu porque são muito amigos e amigos nunca se separam.'

Enquanto eu lia a resposta, ele me olhava com aquela de 'por-favor-me-deixa-ir-embora'. Terminei de ler e olhei para ele, atravessando seus olhos e perfurando sua alma:

- Você sabe muito bem que essa não é a resposta certa.
- É, só que essa é a minha opinião e uma opinião não pode estar totalmente errada. Olha minha outra lição, vai.

#4

- Sabe o que é adultério, prô?

Eu, pensando: Será que foi uma retórica ou será que ele está realmente querendo saber o que é? Respondo que sim e saio andando, simplesmente ignoro ou explico o que é? Até onde esse assunto pode chegar e por que será que surgiu?

- Não, o que é?
- É um lugar onde só os adultos podem ir. Proibido para menores de 18 anos.

Eu, pensando: Ufa.

#5

Observação: De longe, eu percebi que ele estava concentrado demais no que estava fazendo. Concluí acertadamente que, fosse o que fosse, não havia nem chance dele estar fazendo lição.

- Já terminou sua lição?
- Peraí, deixa eu terminar a Crocodila Baiana. Aliás, [virando a página] você conhece o Doutor Demoníaco Boca de Caçapa [me entregando o caderno]?

Os desenhos contidos nas páginas são tão bons quanto a convicção dele nos nomes das personagens - que ele tava inventando naquele momento, com certeza.



Viram? Quando eu falei da possibilidade de escrever um romance com o material produzido, falava sério.