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29 de maio de 2013

Sobre tornar público

Se tem uma coisa que eu já me acostumei nesse troço de redes sociais feat. vlog e blog é que não há nada que eu diga ou escreva por aí que não possa ser repetido pra mim em algum momento, por uma pessoa aleatória nos momentos mais inesperados. 

Não é necessariamente legal e admito, às vezes é bem esquisito (ainda mais quando pessoas te "citando" são conhecidas de verdade). Eu sempre parto do pressuposto de que a pessoa com que eu estou conversando não sabe de nada do que eu faço e muito menos dos assuntos e detalhes pessoais que acabo discutindo em vídeos e posts. Se no meio do papo a pessoa fala que já conhece a história que eu tô contando porque viu no vídeo tal, sem problemas. Eu simplesmente paro de contar a história e poupo tempo de todos os envolvidos. Mas esse é um exemplo benigno, claro. Se o resultado de contar sua vida e opiniões na internet fosse só ter menos assunto pra conversar ao vivo, tava bom. Sei bem que esse não é caso, mas isso é assunto pra outra hora. O que eu tô querendo dizer é que quando resolvi dar minha cara (e textos) pra bater, eu aceitei rapidinho que o que eu torno público, é público. Penso no que quero falar ou escrever antes e se decidir publicar é porque estou disposta a arcar com as consequências. Simples.

Agora, o que me irrita (e consequentemente me fez querer vir até aqui escrever - por que são os sentimentos ruins que dão mais inspiração, hein?), é, como sempre, os outros. Nem todo mundo tem vida "ativa" na internet além de Facebook e email. Muita gente (e vale ressaltar que isso independe de idade) não entende Youtube, não enxerga função no Twitter, não sabe da existência do Tumblr e também não se interessa por nada disso. Tão no direito delas, e sinceramente, sobra mais espaço pra mim. 

O problema é que essas pessoas, na maioria, não têm noção do alcance real da internet e de toda aquela história que eu tava falando sobre o significado e impacto de tornar coisas públicas. Elas não tem uma experiência mais abrangente com o negócio, não lidam diariamente com interações com pessoas estranhas a elas. Não sabem como é e não querem saber. As mais jovens até têm certa noção do conceito, do perigo da hackearem a conta online no banco, do "seus futuros empregadores olharão seu Facebook". 

Mas será que pensam que TODOS os oitocentos "amigos" do Facebook têm perfeito acesso aos desabafos, trechos calculados de letra de música e indiretas postadas? E que quando postam quinze updates diários sobre um ou dois assuntos subliminares esses um ou dois assuntos subliminares deixam de ser subliminares e passam a ser óbvios? Eu sinceramente acho que não. Postam "as indiretas" com uma ou duas pessoas da lista em mente e esquecem das centenas outras. E se não esquecem, porque se surpreendem quando você chama a atenção delas pros um ou dois assuntos? Parece que essas pessoas só entendem o quanto tão expondo suas vidas quando alguém como eu por exemplo, que não deveria saber de certos detalhes, sabe. 

É minha obrigação te bloquear pra não ficar sabendo da sua vida e das pessoas que você tem interesse ou é obrigação sua postar só o que você não vai achar invasão da sua privacidade se eu souber? Falta louça pra eu lavar na minha pia ou será que você tá me bombardeando com seus desabafos sem nem se dar conta? Ou será que você se dá conta? Ou será que você é ainda mais esperto e não só se dá conta, mas também faz isso tudo justamente por saber que tá todo mundo assistindo silenciosamente? De qualquer maneira, não aceito  ser culpada por comer o que tá sendo me enfiado goela abaixo.

Burrice? Hipocrisia? Os dois? 

21 de outubro de 2012

16 de maio de 2012

Questão de maturidade

Tá. Eu sempre passei bastante tempo com adultos, fui um ano adiantada na escola, vou terminar a segunda faculdade antes de completar 23 anos e blá blá. Sou considerada uma pessoa "madura" pela sociedade. No meu ponto de vista, porém, eu sou simplesmente uma pessoa que reconhece que a existência de um cérebro no corpo humano não é coincidência. Minha suposta "maturidade", pra mim, é o normal - é o jeito que estou acostumada a ver e me comportar no mundo. O problema é quando me deparo com gente que parece não ter sequer remoto conhecimento do conceito "cérebro e suas funções". Costuma ser uma mistura de tristeza e irritação aguda, mas de vez em quando é apenas entretenimento.

Fazia tempo que eu não convivia de verdade com gente da minha faixa etária, e vou dizer pra vocês que olha, não é fácil. A mistura de futilidade e metidismo é tanta nesse mundo que cada vez mais eu tenho vontade de achar uma caverna pra viver sozinha. Minha rotina atualmente envolve ouvir coisas do tipo "nunca tive problema com dinheiro" de um ser de vinte e cinco anos que vive com os pais e não tem emprego. "Mas como você compra as suas coisas?". Pede dinheiro pros pais. "E as bolsas de marca?" - cada uma ganhada de um namorado diferente. Ai amg, vem conversar comigo sobre problemas financeiros quando você tiver uma vida, vai. É rir pra não chorar.

Acho bacana que, apesar dos pesares, o mundo tenha se tornando mais compreensivo com a questão "tempo". É relativamente normal, hoje em dia, que uma pessoa em torno de vinte anos de idade não saiba com certeza que rumo profissional tomar, por exemplo. Ou que mulheres só lá pros trinta anos comecem a pensar em ter filhos. Essas coisas. Isso no tempo dos meus pais não era normal. Dezoito anos era mais do que hora de arrumar emprego e sair de casa. Dava merda? Dava. Os pais acabavam ajudando? Sim. Mas a experiência era real, acontecia mesmo. Não sei dizer qual das abordagens é melhor, acho que ambas tem vantagens e desvantagens. Mas a nossa realidade de ter "mais tempo" não é desculpa pra ser idiota, sabe. Essa despreocupação que a minha geração parece ter com tomar decisões sérias e começar a vida de uma vez por todas  parece que só tá atrasando o nosso desenvolvimento. Prova disso são as "super-crianças" que a gente vê por aí, fazendo coisas incríveis que adulto nenhum pensou ou teve coragem de fazer antes. Que bosta pra gente que tá só de telespectador, né? O famoso "eu também poderia ter feito isso" - só que não fez.

Eu acho que a gente tem muito potencial, recurso e capacidade de ser relevante no mundo. O que tá faltando é uma dose de realidade de quando em vez. Precisamos crescer um pouco. Esses dias ouvi, da mesma pessoa, "às vezes me dizem que eu vivo numa bolha. Não ligo pra essas pessoas porque eu sou feliz do jeito que eu sou". E se tirar pai, mãe e namorado, será que continua feliz?

Pense.  

16 de janeiro de 2012

A coisa mais nojenta do ano

AÍ que eu estava no metrô e, sentada na minha frente, estava uma menina loira de olhos claros, lendo um livro. Aparentemente inofensiva e normal. Se não fosse o fato de que ela estava fuçando no nariz descaradamente. E COMENDO O QUE TIRAVA DO NARIZ. 





Af, que ASCO, Brasil. Foi o tipo de cena que eu sei que não serei capaz de esquecer tão cedo. Pensei em dar um berro de nojo e em seguida vomitar na cara dela, mas eu me encontrava num estado de choque tão absurdo que fiquei simplesmente paralisada. 

O que VOCÊ teria feito? Qual foi a coisa mais nojenta que você já presenciou?

8 de outubro de 2011

Steve Jobs e a superficialidade humana

Aviso: Esse post é pra ser lido cuidadosamente. Se não existe tamanha disposição dentro de você agora, nem leia o que escrevi e evite a minha fadiga de ter que ficar explicando cada vírgula porque eu simplesmente não estou com paciência pra burrice e interpretação de texto porca. 

Não é novidade nenhuma que noticia hoje em dia viaja mais rápido do jamais viajou. Tento acompanhar a velocidade das mudanças da melhor forma possível. Junto com a evolução da internet também veio um espaço cada vez maior para a dita "liberdade de expressão". Todo mundo tem acesso à informação instantânea e todo mundo expressa opiniões tão rápido quanto a informação chega. Até aqui tudo bem.

O que tem gritado na minha cara e me enlouquecido ultimamente sobre essa história toda é que a superficialidade das pessoas parece ter sido elevada a milésima potência. Graças à todas as fontes de informação disponíveis hoje em dia, temos oportunidade de saber de muito mais coisas e isso é ótimo na teoria. Na prática, muita gente vive de manchete e simplesmente não se dá ao trabalho de saber mais do que está acontecendo - o que não seria tão ruim se essas mesmas pessoas se resumissem ao que sabem na hora de dar opinião.

Steve Jobs morreu essa semana e de repente todo mundo, de celebridades internacionais aos inúmeros zé ninguéns do Twitter, resolveram expressar os profundíssimos sentimentos sobre o cara. De todas as incontáveis declarações que vi por aí, acho que só umas três vinham de pessoas que já tinham expressado qualquer pensamento sobre as contribuições de Steve Jobs para a tecnologia antes. Enquanto só se falava disso na internet, passou uma reportagem na televisão sobre o julgamento de Conrad Murray, médico pessoal de Michael Jackson. No jornal, divulgaram a gravação do Michael Jackson sob efeito de um monte de remédios, conversando com o médico por telefone sobre os planos pra turnê que estava prestes a começar, sobre o quanto ele sentia pelas crianças que assim como ele não tiveram infância e sobre querer abrir um hospital para crianças. Foi triste de ouvir.

Eu sempre gostei muito do Michael Jackson pelo talento absolutamente inegável que ele tinha. Quando soube da morte dele, fiquei mal. Foi a primeira vez que me senti triste de verdade com a morte de alguém famoso. Hoje, pouco mais de dois anos depois, o sentimento não mudou. Quando penso nisso sinto a mesma coisa que senti quando soube da morte.

Foi pensando nesse sentimento que caiu minha ficha sobre a superficialidade das pessoas. Eu lembro que na época da morte do Michael Jackson todo mundo fez questão de mostrar o quanto gostava do dele, o quanto valorizava suas contribuições ao mundo da música, o quanto respeitava a vida dele, o quanto nunca tinha acreditado nas acusações de pedofilia e assim por diante. Hoje em dia, mesmo tão pouco tempo após sua morte, o povo trata da notícia como se fosse velha. Agora quem morreu foi Steve Jobs, então dá-lhe a internet inteira prestando homenagens e falando do cara como se ele fosse a única pessoa responsável pela tecnologia que temos hoje.

Independentemente de quão importante o Steve Jobs realmente foi para a tecnologia e para o mundo de modo geral, a impressão que dá é que as pessoas só estão falando tanto sobre ele agora porque ele morreu há três dias e portanto esse é o assunto da vez. É óbvio que tem gente se sentindo assim como eu me senti quando soube da morte do Michael Jackson, mas não toda essa gente. E outra: por que todas essas pessoas não prestaram homenagens e expressaram o quanto acham que o Steve Jobs foi um gênio enquanto ele estava vivo? Porra. A gente vive no século vinte e um, estuda artistas, cientistas e filósofos que só ganharam reconhecimento depois que morreram e acha absurdo. Por que não simplesmente mudar isso e passar a valorizar os gênios enquanto eles vivem?

Mas esse não é o assunto que eu vim aqui pra tratar. A verdade é que muitas dessas pessoas que estão por aí dizendo que choraram quando souberam que o Steve Jobs morreu só querem mesmo é fazer parte do ~grupo~ e, pra isso, sabem têm que comentar sobre o assunto certo, o mais rápido possível e de preferência com as opiniões certas (porque afinal, discordar das coisas ultimamente é pedir pra ser crucificado).

Essa que é a merda. Até onde vai essa coisa das pessoas quererem provar ser algo que não são? Saber de coisas que não sabem, ter interesse por coisas que não têm? Que saco. Vejo esse tipo de coisa tão frequentemente e em tantas ocasiões diferentes que às vezes me pergunto se é mesmo possível que só eu perceba a babaquice que é ficar tentando o tempo inteiro ser algo que você não é. Qual é a dificuldade em gostar do que você gosta e não do que os outros acham que você tem gostar? Qual é o problema em simplesmente não se interessar por determinado assunto e não ter uma opinião formada sobre ele? Qual é o problema em falar do que você quer falar e não do que "é o que todo mundo tá falando então melhor eu falar também"? 

Pensem um pouco. 

2 de agosto de 2011

Modinhas alimentícias

Primeiro vamos esclarecer que moda é uma coisa e modinha é outra: quando uma tendência é aceita por grandes grupos de pessoas, essa tendência é considerada moda. Pode ser de roupa, de cor, de música e por aí vai. Modinha é essencialmente a mesma coisa - a diferença é que junto com as modinhas vem uma atitude especial. Especialmente vomitável, no caso.  

Quem adere à modinhas se acha "diferente", "cult", "underground", "apreciador única e exclusivamente do que é bom". A pessoa se veste de um jeito característico ao tipo, anda por lugares pré-determinados pelo tipo, assiste e lê autores que se soubessem que tavam caracterizando um tipo, provavelmente nem teriam dado prosseguimento à algumas obras. 

A parte vomitável da questão é que osmodinha (termo que eu inventei pra pessoas aderentes ao fenômeno de modinha) não admitem que fazem parte de um grupo e têm horror ao que se torna popular. Porém, o que eles (osmodinha) não sabem - e se sabem não admitem, é que eles são tão populares quanto todos os outros e que se aquela determinada música que eles gostam for boa mesmo, ela se tornará tão popular quanto qualquer outra coisa que já era popular antes deles terem tempo de descobrir primeiro e decidir se gostavam ou não. 

Quando se trata de modinha, comidas não escapam. Muitas sempre estiveram disponíveis, mas só pelo fato de que alguém do grupo dosmodinha decidiu que AGORA são interessantes, agora são interessantes: 

~Starbucks~

Não sei se por influência de filmes (nem nos filmes isso faz sentido pra mim, inclusive), mas andar na rua segurando um copo de café virou status. Não importa se tá fazendo quarenta e cinco mil graus de calor e você tá carregando trezentas sacolas. Tá com um copo do Starbucks na mão? Você tem estilo.  

~Cupcakes~ 

Por algum motivo obscuro, cupcakes se tornaram sinônimo de bom gosto alimentar e fofura. Há TODOS anos atrás (pesquisa rápida wikipediana alega que cupcakes existem desde 1796 - ou seja) cupcake nada mais era que um bolo feito num pequeno recipiente. Ninguém falava sobre cupcake e não havia essa imagem rosa pastel e marronzinha de chocolate associada ao produto. Hoje em dia resolveram que não dá pra viver sem um cupcake diário. Já vi osmodinha usarem cupcakes até como moeda de troca: "Faz isso pra mim que eu te dou dois cupcakes". 

~Kit Kat~

Esse é o herdeiro do cupcake, que dominou o começo do ano mas que agora já não é mais tão essencial quanto era há dois meses atrás. Kit Kat SEMPRE foi a segunda opção. Se você pedisse pra sua mãe comprar Bis no supermercado e ela voltasse com Kit Kat, você ficava decepcionado. Agora mudou. Omodinha viaja pra fora do país, todos os outrosmodinha pedem pra ele trazer Kit Kat do aeroporto. 

~Frozen Yogurt~

Filas quilométricas no shopping pra comprar yogurt congelado com frutas e/ou coberturas de sabores diferentes por um preço astronômico. Agora me diz se fosse sua vó há três anos atrás dizendo que isso era "bom pra sua saúde" você teria entrado numa fila pra comprar. Aham.


"- Tenho um café e um cupcake, sou sofisticado"