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24 de agosto de 2012

O mundo contemporâneo da paquera

Entrei no Tim Hortons sabendo que ficaria no restaurante durante bastante tempo uma vez que meu intervalo era de quase três horas. O que eu não sabia era que sairia de lá acompanhada. 

Pedi meu sanduíche favorito e o clássico chocolate quente que tanto me apetece. Sentei. Como o chocolate vem quente mesmo, sempre abro a tampa do copo pro negócio esfriar logo e eu não queimar meu bico (o que sempre acontece independentemente dos meus esforços). Eu tava na metade do sanduíche quando um cara apareceu na frente da minha mesa e pediu pra sentar-se comigo. Olhei  ao redor achando que o pedido era só desculpa pra começar conversa fiada, mas o restaurante tava realmente cheio. Disse que tudo bem e ele sentou. 

Olhei direito pra cara do cidadão e, apesar dele estar sorrindo e ter um cabelo extremamente limpo, me veio aquele sentimento meio desesperador de "esse cara tem jeitinho de louco, socorro". Ao lembrar de que estávamos num lugar público e que a coisa mais homicida que ele poderia fazer naquela situação seria me tacar um café na cara, concluí que não seria assassinada imediatamente e mantive a calma.

Ele olhou pro meu chocolate quente e perguntou: "- Não gosta de café?" 
"- Não, café não tem efeito nenhum em mim", respondi honestamente.

Ele fez cara de choque e eu de "pois é, e daí?". Foi então que ele disse com olhar de sedução "- Até o fim dessa conversa, você vai ter mudado sua opinião sobre café". Pior é que não posso nem dizer que ele tava errado, vai lendo. 

- Café me dá energia, teve um dia que eu tomei um tanto e saí correndo na rua de madrugada. Aquele dia corri mais de doze quilômetros - ele disse, orgulhoso. E quem não quer sentir vontade de correr 12km no meio da noite? 
- É, pra mim não faz efeito - e continuei comendo. 

"Que papo", pensei. "Mulheres solteiras em tudo quanto é canto devorando revistas e sites com 'dicas pra primeiros encontros' sendo que primeiros encontros são isso". Cheguei à conclusão de que não só seria completamente honesta sobre tudo que ele me perguntasse, como também perguntaria tudo que me viesse na cabeça. Sem filtro e sem seguir as top setecentas mil dicas de primeiro encontro. 

- De onde você é? - ele perguntou.
- Originalmente, do Brasil - respondi interessada na reação.
- Sério? Pensando bem faz sentido. Todas as mulheres brasileiras que eu já conheci me passam essa sensação de calma, de paz. Conversam normalmente, sem querer me ofender. Outro dia, a mulher mais bonita que eu já vi na minha vida passou perto de mim na rua. Ela tava com uma amiga mas mesmo assim eu fui atrás pra falar oi, sabe? Nossa, não sei o que aconteceu mas a amiga começou a me xingar e dizer que eu era ridículo. Eu xinguei também e virou aquela coisa. Horrível.

Sem querer necessariamente confirmar meu preconceito contra a população jovem do universo, perguntei a idade dele (25) e o que fazia da vida (nada). "- Seus pais te bancam, então?", perguntei. Ele disse que não, que tinha juntado dinheiro do trabalho anterior. A conversa foi indo desse jeito meio travado (não cooperei nem um pouco) e de repente meu celular tocou. Eu atendi e ele colocou um par de óculos de natação na cara. 

tipo isso
Quando eu desliguei, não precisei perguntar. "- É moda nos Estados Unidos. Os caras saem com os óculos assim meio de lado (colocou os óculos de lado) e uma touca de mano. Estilo, né?" (não) "- Bom, vou te comprar um café", ele disse já se levantando. Mesmo depois de, no começo da conversa, eu ter explicado que Brasil é o país do café, que cresci vendo meu vô tomar COPOS de café preto diariamente, que eu já até tentei me fazer gostar do troço. Acho que eu poderia ter dito pra ele que eu trabalhei na senzala colhendo e mastigando sementes de café e ele ainda estaria me oferecendo o do Tim Hortons, porque "o café do Tim Hortons é melhor".

Voltou com um copo de café com leite (sim, todo esse tempo ele tava falando de café com leite). Esqueci de agradecer e quando percebi ele tava com o olho cheio de lágrima me contando sobre a ex-namorada. Era peituda e sempre parecia querer liberdade. "- Quando eu estou num relacionamento, costumo ser meio... intenso", ele disse.

Pausa pra dica de semântica do dia: se um cara fala que é "intenso" referindo-se à um relacionamento, ele tá usando código pra dizer que é louco mas acha que tudo bem ser louco porque te ama tanto que melhor você ficar acorrentada no pé da cama enquanto ele sai pra comprar leite. Corre.

Eu perguntei como o namoro tinha terminado e ele contou que não lembrava direito (sei) mas achava que tinha dito umas coisas ofensivas pra menina por telefone "- ou talvez tenha sido num shopping", porque ela queria sair com as amigas e ele queria que ela ficasse com ele naquele dia. Normalzíssimo.

- Sabe, eu tenho poderes psíquicos. Sei exatamente como será o seu futuro - ele disse - Posso te dizer o que eu acho?
- Diz.

Ele disse que eu tenho potencial para uma vida com muito dinheiro se eu tiver coragem de "ousar", mas que se não, viverei confortavelmente. Começou a falar sobre minha criatividade e mais um monte de coisa que me deixou meio assim porque como ele sabe que eu gosto da área criativa da vida? Tive que perguntar.

- O jeito que você mexe as mãos é jeito de gente criativa, o que é interessante porque eu sou assim também.

Uma das maiores observações sobre essa conversa inteira foi que eu realmente não falei quase nada pra ele sobre mim. Sabe aquele mito de que mulher fala demais e homem só ouve "bla bla bla comida bla bla peitos"? A única vez que eu ameacei começar a falar alguma coisa sobre a minha vida/opinião foi nessa hora - e ele me interrompeu dizendo que precisava ir ao banheiro.

Fiquei sentada lá, observando a chuva forte que tinha começado a cair e pensando que ainda faltava um tempão pro meu intervalo acabar. "Como eu vou me livrar desse cara, agora?!".

Ele voltou meio (mais) esquisito e proclamou o seguinte enigma: "- Quase tive que fazer xixi com as mãos nas costas".

Não entendi o que ele quis dizer com aquilo e, inocente demais pra minha própria saúde mental, perguntei: "- Como assim?!"

- Sabe como é, faz muito tempo que eu não tenho uma mulher. Estou meio... sensível.

O meu estado de incredulidade ao finalmente entender que ele se referia ao próprio pênis é indescritível.  Tipo, OI? Estamos conversando há meia hora, você previu o meu futuro e agora está me falando sobre a sua dinâmica urinal prejudicada por motivos homo eretus? Por favor né.

BOM. O ocorrido tirou minha concentração no processo de inventar um motivo pra sair de lá e, quando  o momento de choque passou, eu ainda não tinha conseguido pensar em nenhuma desculpa pra ir embora. Aí lembrei que o meu salão de cabelereiro favorito era perto de onde eu estava, e se tem uma coisa que homem não tem interesse nenhum é passar horas em salão de beleza, certo? Errado. Na hora em que eu mencionei as palavras salão, ir, cabelo e fazer, a resposta dele foi nada mais, nada menos que "- Adoro salão de beleza". Pediu pelo meu celular, ligou pra um salão do amigo dele e pediu pra marcar um horário pra mim. Quase gritei que não, obrigada e disse que iria no meu mesmo.

- Posso te acompanhar?
- ... pode, respondi. Ia falar o quê?

Andamos um pouco (ainda estava chovendo e ele não só insistiu em segurar o guarda-chuva pra nós dois como também começou a cantar N'sync no meio caminho). No fim eu, sempre perdida, acabei levando a gente de volta pro lugar onde eu estava trabalhando e, como ele não poderia entrar lá, acabou que constrangedora hora de dar tchau chegou prematuramente.

Gente, sério: melhor parte da história. Tão preparados?

Ok. Todo mundo sabe que nesse mundo de tecnologia avançando, a comunicação entre seres humanos muda um pouco mais a cada dia. Mas quem diria que o milenar truque do número de telefone errado um dia seria derrotado?! Pois é, descobri que foi.

Ele pediu meu número. Cogitei dar o número errado, mas como eu tava encarando o evento inteiro mais como um experimento como qualquer outra coisa, pensei que não faria diferença e que na verdade seria interessante esperar pra ver se ele realmente me ligaria ou não. Dei o número certo. EIS a nova técnica distraída de verificação telefônica: ele colocou o número no celular dele, olhou pra mim e falou "- Te mandei uma mensagem, você recebeu?". Eu disse que sim e ele rebateu no mesmo segundo: "- O que diz a mensagem?"

NÃO É INACREDITÁVEL?!

E se eu tivesse dado o número errado mesmo? Quão constrangedor teria sido não saber responder uma pergunta tão simples?! Além de ser pega no flagra, ainda teria que me explicar na mentira!

err...
Boquiaberta com a inesperada esperteza do indivíduo, li a mensagem que ele tinha me mandado em voz alta. Ele sorriu, disse que me enviaria outra logo e eu entrei no prédio, ainda sem acreditar na nova técnica do mundo contemporâneo da paquera.

19 de junho de 2012

Meu relacionamento é histórico

Ele, do nada - Sabe, 200 anos atrás o Canadá estava lutando contra os Estados Unidos.
Eu - Oi?
Ele, convicto - E o Canadá ganhou.
Eu - ...?
Ele - Você sabia disso?

Agora sei, né. Obrigada.  





19 de maio de 2012

Manual de Acasalamento na Balada

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.


Preparação

Para as mulheres: Coloque o vestido mais curto do seu guarda-roupa. Se for uma blusa que tampe uns 80% da bunda vale também. Maquiagem tem que ser MUITA, afinal você está verdadeiramente pintando uma máscara nessa coisa que você chama de cara, né, amiga. Ninguém quer saber da sua aparência real. Para os pés, escolha o sapato mais desconfortável da sua coleção: você precisa ter pelo menos uma reclamação plausível e recorrente ao longo da noite (cólica hoje não funciona). Coloque coisas inúteis na bolsa que você vai se arrepender de ter levado e não faça xixi antes de sair. Você precisará ir ao banheiro logo depois de chegar na balada.

Para os homens: Tomem banho.


Chegada

Para as mulheres: Ande firmemente como se soubesse pra onde está indo. Lembre-se de que andar é o seu principal movimento essa noite, todos sabem que dançar você não vai. Vire o cabelo uma ou duas vezes, só pra mostrar que não é peruca (mas se for tudo bem também). O lugar em que você se estabelece agora é essencial pra que o início processo seja bem sucedido. Você precisa usar o espaço todo como sua vitrine pessoal. Não demonstre sentimentos reais em momento algum. A essa altura seus pés já estão doendo mas ninguém pode saber disso, por exemplo. Sorria muito com as suas amigas e tire as cinquenta fotos que irão pro Facebook imediatamente. Cada flash é uma chance para os machos terem melhor idéia do material disponível, portanto explore seus ângulos. Se estiver num clima mais agressivo (aka desespero), vá pro bar e compre uma dose de tequila assim que chegar. Grite bastante depois de ingerir o líquido para que todos saibam o quão selvagem você realmente é.

Para os homens: A chegada é muito importante pra você também. Ande irritantemente devagar e olhe para todos com um sorrisinho que só você e sua mãe acham sexy. Compre bebida logo e fique perto de alguma parede ou pilar que te permita visão periférica das opções. Jogue um olhar sensual para cada mulher que fizer contato visual com você. Tudo o que você precisa é uma garantia de que não vai sair zerado da balada, né.

Alguns minutos depois da chegada

Para as mulheres: Hora de andar de novo. Outras pessoas chegaram e, por incrível que pareça, nem todas desfrutaram do prazer da sua beleza e espontaneidade ainda. Chame uma ou duas amigas mais feias para te acompanharem (andar em grupos é mandatório em qualquer ocasião). Ande firmemente até o banheiro (a essa altura do campeonato, você já tem pelo menos um ou dois possíveis alvos, tenha certeza de passar por eles rindo alto no caminho), tire mais cinquenta fotos no espelho que serão postadas no Facebook imediatamente. Faça o xixi que você está guardando desde quando estava em casa, arrume o cabelo de novo e prepare-se porque o real campo de batalha está pra começar. Se tiver vontade de tirar os sapatos pra aliviar um pouco a dor, resista: tirá-los e colocá-los de novo dói mais do que simplesmente não mexer. Respire fundo.

Para os homens: Hora de sumir. Se você perceber que uma das mulheres que você está monitorando saiu do seu campo de vista e/ou passou por você se divertindo muito enquanto andava em direção ao banheiro, DESAPAREÇA. Na hora em que ela voltar e perceber que você não está mais no mesmo lugar, vai ficar louca e começar a te procurar em todos os cantos. Quando ela finalmente encontrar você, ignore-a. Converse bastante com o seu amigo, olhe para todos menos pra ela. As mina pira.

Próximas duas horas

Para as mulheres: Como assim ele não está olhando pra você? Grite cada vez que alguma música que você conhece começar a tocar. Mexa a parte superior do seu corpo o máximo que der antes de movimentar os pés que pouco a pouco começam a gangrenar. Chame atenção com o seu cabelo, mesmo. Se você não estiver bêbada, finja que está. Todos precisam ver o quão despreocupada, livre e divertida você é: nada melhor do que se fingir de bêbada pra provar isso. Se o alvo sair do seu campo de vista, vá atrás dele mas, pra não ficar assim tão óbvio que você é uma louca possessiva que não aceita que um homem não preste atenção em você, dance de costas para ele. Isso mostra a sua superiodade.


Para os homens: Continue com o sistema ignoramento até você decidir que realmente não vai ter coisa melhor. Cuidado com o tempo porque às vezes acontece do desespero feminino não ser tanto pra esperar 55 minutos por uma segunda troca de olhares. Se estiver mesmo muito difícil de decidir, suma mais algumas vezes. Se elas acharem que você foi embora, na hora que te virem de novo toda a frustração passa e isso te dá mais uma boa meia hora pra deliberar. 

Aproximação

Para as mulheres: Chegou a hora. Ele tá cada vez mais perto e agora é a sua vez de fingir que nem sabe que ele está ali. São os seus últimos momentos pra decidir se vai ou não querer colocar sua língua dentro daquela boca de procedência desconhecida que você sequer sabe onde passou o resto do dia. Claro que vai né? Ok. Continue dançando e dando gritinhos agudos agradáveis a cada troca de música, aponte bastante para o teto e olhe para o cara com uma frequência consistente. Esqueça da presença das suas amigas. A função delas já foi desempenhada, o que as torna inúteis e completamente descartáveis desse ponto em diante. 

Para os homens: Se seu amigo também estiver interessado em uma das mulheres do grupo, ótimo. Cheguem em dupla para que não haja espaço de fuga caso as mulheres mudem de idéia. Se você estiver sozinho na abordagem, finja ter educação e converse um pouco com todas as mulheres do grupo. Aprovação (inveja) das amigas é sempre ponto positivo. Use uma das dez mãos que você tem pra já começar a pegação logo de uma vez. Uma vez que ela tiver aceitado mão na cintura, mão no peito vai ser fácil. 

Conversa

Para as mulheres: As perguntas que ele fará serão toscas e completamente irrelevantes mas tudo bem, você tem conteúdo suficiente pelos dois. Fale bastante. Explique de onde você vem, o quanto você sente falta da sua família, se der até conte a última briga que você teve com a sua irmã. Conte também sobre o seu trabalho, explique exatamente o que faz e o quanto as pessoas em geral precisam te reconhecer mais no ambiente profissional. Esqueça o conselho sobre não expressar sentimentos reais: fale sobre seu último relacionamento e como foi bom finalmente se ver livre daquele encosto humano que seu namorado era. Solte um outro gritinho quando músicas conhecidas tocarem, você ainda quer mostrar o quanto é divertida e está bêbada.

Para os homens: faça todas as perguntas idiotas que você tem zero interesse de saber as respostas. Enquanto ela fala, passe suas mãos em toda pele que ela estiver expondo. Puxe-a pra mais perto eventualmente, enquanto finge que ouve a resposta de dez minutos que ela ainda está dando pra pergunta "o que você faz". Beije o pescoço se tiver chance enquanto ela chora te contando sobre o ex-namorado. Sussurre alguma coisa estúpida como "eu sou diferente" ou "nem todos os homens são iguais" e beije logo essa louca antes que você mesmo mude de idéia.

O que acontece depois desse ponto vai além dos meus conhecimentos e costuma ser convenientemente "esquecido" por todos os envolvidos e/ou resultar em chá de bebê alguns meses depois. Muita diversão!!

28 de janeiro de 2012

Homens e absorventes

Pedir pra homem comprar absorvente é sempre um risco. Mas eu não tinha escolha.

Expliquei que queria o noturno, com abas e de cobertura suave e, em resposta ao olhar de desespero na cara dele, disse que todas as informações estariam listadas no pacote. Ele foi.

Voltou com uma marca que eu nunca tinha ouvido falar mas, pelo menos, tinha conseguido achar quase todas as características que eu precisava. Ele trouxe tamanho regular em vez de noturno. "Tudo bem", pensei "servem para o propósito imediato".

Me arrumei ainda no banheiro, olhando pro pacote de absorventes e imaginando qual seria o nível equivalente de constrangimento caso a situação fosse invertida e eu tivesse que ir comprar alguma coisa "masculina". Não cheguei à nenhuma conclusão mas sim à uma dúvida: das três características que eu havia pedido, "tamanho noturno" era provavelmente a mais fácil de encontrar - por que será que foi a única coisa que ele não achou?



Saí do banheiro e tive que perguntar:

- Por que você não comprou o absorvente noturno? Não tinha?

Ele olhou pra mim, constrangido.

- Eu só vi tipos que diziam "extra-longo" e... 
- E o quê? Extra-longo é o certo, é só outro jeito de dizer!
- Não sei, eu vi o extra-longo mas achei que seria um insulto comprar qualquer coisa "extra-longa" pra... aquela área

...

Risos.



11 de janeiro de 2012

Os homens e a (falta de) praticidade

Estávamos na rua por horas e eu, como sempre, sentia a fome dominando meu ser.

Eu - Af, que fome.
Ele - Tem um supermercado aqui perto, a gente pode parar lá pra comprar alguma coisa.
Eu - Ufa, tá bom.

Chegamos no supermercado e eu fiquei no carro esperando (motivo desconhecido). Ele saiu sem perguntar nada mas, pela convicção, achei que ele sabia exatamente o que compraria. Até aquele momento, eu nem tinha pensado no que queria comer. Eu sabia que precisava ser prático, uma vez que ainda tínhamos que ir à pelo menos mais dois lugares e portanto teríamos que comer no carro. "Confio no bom senso dele", pensei, tentando superar um estranho sentimento de que eu devia ter entrado no supermercado em vez de ficar esperando no carro. 

E aí ele voltou, todo feliz e sorridente. Trazia uma sacola e uma caixa. 

Na sacola tinha dois litros de suco e na caixa tinha metade de um frango assado.  

Pra comer no carro. Sem garfo. Sem guardanapo.



Homens.

23 de abril de 2011

Enquanto isso, aqui no hemisfério norte,

às poucas horas da manhã, toca o celular.

- Alô?
- Alô, gostaria de falar com o Ahriemdprvns.
- Com quem?
- Shriubsfmeni.
- Desculpa, acho que você ligou pro número errado.
- Ah, não é o número do Jurhdnsden?
- Não.
- Ah, tá. Desculpe-me por ter te acordado. Você tem uma ótima voz matinal, inclusive.
- ... Obrigada.
- Quer conversar um pouco? Qual é o seu nome?
- Cíntia e eu não que...
- Como?
- C-í-n-t-i-a e eu não quero conversar. Até.

Desliguei pensando:

1- Mas será possível que o cara tava dando em cima de mim por TELEFONE depois de ter me ligado por ENGANO à essa hora?
2 - Desde quando será que a minha voz matinal é ótima?
3 - Será que eu acabei de dar o meu nome pra um serial-killer?

Ficam as dúvidas aí pra gente refletir.

22 de janeiro de 2011

Acetona

Estávamos entre alguns amigos ontem, quando eu avistei a caixinha de esmaltes da anfitriã. Recém-re-viciada no assunto que sou, logo abri a caixinha e comecei a examinar as cores que ela tinha lá. Achei um roxo escuro fosco e queria muito testar a cor, mas não podia usar as minhas próprias unhas para fazer isso porque elas estavam pintadas de vermelho. 

Peguei a mão do meu amigo e já com o esmalte aberto, o comuniquei de que ia testar a cor na unha do dedinho dele.

Meu amigo: Ah, mano, mas vai sair fácil esse negócio, né?! - olhando pra própria unha, hesitante.
Eu: Claro.
Minha amiga, observando o processo de longe: Aliás essa é uma coisa ruim desse esmalte, apesar de bonito ele sai muito fácil.
Meu amigo: Tem certeza que vai sair, né Cíntia? 
Eu: Relaxa, vai. É só esmalte. 
Meu amigo: Mano, se esse negócio não sair...

Olhei o resultado, comentei um pouco sobre o efeito fosco com as amigas e logo mudamos de assunto.

Hoje toca o telefone. Era ele.

- Ô Cíntia, esse negócio NÃO TÁ SAINDO da minha unha. 
- Ai, não vai me dizer que você tá tentando tirar o esmalte com água.
- Porra! Tô lavando minha unha com água e sabão há não sei quanto tempo e esse troço não SAI!!

(risos descontrolados de quem imagina a cena)

- Sério mano. Como eu tiro isso?! Você disse que era fácil.
- Pede acetona pra sua mãe.
- Acetona?!
- Pega um algodãozinho, coloca um pouco de acetona nele e passa na unha que sai facinho.
- Tá...
- Qualquer coisa me liga de volta.

Homens.