Lá estava estava eu, depois de considerável tempo sem contato com transportes públicos em geral, sentada solitária e silenciosamente indo de um lugar da cidade para o outro via trem.
O trem pára, as portas se abrem e a louca entra. A primeira impressão foi magnífica já que aparentemente a mulher estava berrando consigo mesma. Logo vejo, porém, que estava usando fones e que segurava o celular na mão. Pelo menos estava gritando com alguém.
Um minuto de insanidade telefonística depois, ela finalmente finalizou a ligação - mas não sem antes pronunciar cada letra de todos os xingamentos que eu já conhecia e de mais alguns que passei a conhecer depois do episódio. Com o trem em movimento, ela levantou e andou em direção às portas. Socou as portas com ambas as mãos. Manteve a cabeça baixa por dois segundos e se virou para mim. "- Pronto, morri", pensei. Acho que na verdade ela não tinha nem sequer notado a minha presença até aquele momento:
"- Desculpa, acabei de terminar com o meu namorado" - ela disse, sentando-se novamente.
Sem comentários.
As portas se abriram de novo. Duas meninas entraram e sentaram-se logo atrás da louca, um pouco mais para frente de onde eu estava. Mal sabiam o que estava por vir.
Eis que um cara apareceu. Do fundo do vagão, direto para as duas meninas que tinham acabado de chegar.
"- E aí? O que vocês vão fazer hoje, mais tarde?" - falou ele, com aquele ar de azaração.
Antes delas terem a chance de responder, a louca disse:
"- Sai fora, cara. Elas não querem conversar com você"
"- Como você sabe se elas nem responderam ainda?" - ele retrucou.
Momento de tensão.
"- Ah é?! Meninas, vocês estão interessadas nesse idiota?" - indagou a louca.
"- Ah, ele parece gente boa" - disseram as meninas, contrariando os ensinamentos maternos de não falar com estranhos mentalmente instáveis.
"- Desculpa então, casem-se, tenham filhos e sejam felizes. Argh" - disse a louca, contrariada.
"- Bem feito. Cuida da sua vida" - respondeu o cara, perdendo uma ótima oportunidade de ficar calado.
Nessa hora a louca simplesmente levantou, e indo em direção a ele, gritava:
"- O quê?! Não, vem aqui. Eu vou quebrar a sua cara. Quem você pensa que é?! Eu vou QUEBRAR A SUA CARA!"
Empurrou, chutou e estapeou o infeliz - que justamente quando estava começando a reagir para dar uns tapas na mulher, foi parado por uns cinco outro homens que surgiram do além.
Mas homi que é homi não deixa barato. Um dos cinco, depois de ter separado a louca do primeiro idiota, virou para ela e, obviamente depois de muita reflexão disse:
"- Vai sentar, sua vadia doida. Você é louca!"
E foi aí, caros leitores, que choveu canivete. Fogo por todos os lados, infestação de insetos, tsunamis e furacões:
"- O QUÊ? EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FALOU ISSO! EU SOU UMA VADIA LOUCA?! EU VOU MOSTRAR PRA VOCÊ QUEM É A LOUCA!"
A mulher foi para cima do cara furiosamente, estapeando e socando a cabeça dele, enquanto os outros amigos assistiam, hesitantes - meio que entre se proteger de eventuais golpes e tentar ajudar o amigo.
Contei que ela era meio gorda e tava com a metade da bunda aparecendo? Lindas imagens, viu pessoal. Definição de classe e elegância, sem dúvida.
A história termina com os caras descendo do trem, ainda xingando e sendo xingados. Depois que todas as portas estavam fechadas, o que tinha apanhado mais não conseguiu evitar de fazer uma última memorável aparição, batendo no vidro da janela e falando o que eu imagino terem sido lindas palavras.
O silêncio estabelecido assim que o trem entrou em movimento foi provavelmente a parte mais constrangedora da coisa toda. A louca sentou, respirou fundo e virou-se para as meninas, que mal se mexeram durante o barraco:
"- Eu tenho dois filhos, sabe. Não costumo ser assim violenta".
Assim violenta, não. Só uns chutes esporádicos na cara de pessoas aleatórias.
Moral da história: Evite dizer que pessoas loucas são loucas.
OMFG! Sorte que ela simpatizou contigo... Achei que o pessoal por aí fosse mais o tipo "mind your own business" e não tãaão efusivo.
ResponderExcluirCuidado Cintia, she will be back... back... back...
Haha, já presenciei vários barracos dentro de ônibus, mas porradaria nunca :3
ResponderExcluirImagino que tenha ficado meio apavorada também hehe
Ótimo texto, Cintia :D
ótimo, hilário se é que posso rir da desgraça alheia! Afinal não deve ser nada legal levar uns tapas de uma velha, mas também odiaria ser chamado de doido...
ResponderExcluirAdoro o jeito como escreve e coloca as palavras, pude me encontrar na cena do acontecido! E você Cintia, porque não se manifestou e ajudou algum dos lados?
@Doga_Douglas. (não tenho conta hihi)
Barraco é Barraco em qualquer lugar,mas nem sempre aparecem personagens tão bons ou uma narradora brilhante!
ResponderExcluirParabéns!
Teeeenso...
ResponderExcluirEu acho que ia rir... Pelo menos esboçar um sorriso...
E creio que também apanharia por isso...
quandooassuntoviracasamento.blogspot.com/
E as pessoas ainda dizem que brasileiro é barraqueiro! hahaha
ResponderExcluirBom texto, beijo.
HA ha você conseguiu ver isso tudo debaixo do banco??Mais devia tar rindo por dentro da situação tambem uhaua se fosse eu me jogava pela janela de medo de levar uns socos ou tapas.
ResponderExcluirMoral da história: tenha sempre uma câmera a postos.
ResponderExcluira bunda dela tinha espinha?
ResponderExcluirCaraca, Cíntia. Esse é o primeiro post que eu leio do seu blog. Mas agora vou querer ler os mais antigos porque eu realmente gostei. Eu te juro que você escreveu tão bem e seu texto ficou tão suave que eu ainda tenho dúvidas se esse episódio realmente aconteceu contigo ou se você escreveu em forma de conto/crônica. De um modo ou de outro, tenho que te parabenizar pela bela narrativa...
ResponderExcluirNossa Cíntia, LOUCA MESMO! HAHAHAHA
ResponderExcluirque engraçado.. queria que vc tivesse filmado!! Beijos, o blog ta ótimo!
Moral: Fique longe dos transportes públicos. E ainda mais longe de mulheres que terminaram o namoro recentemente.
ResponderExcluirAdorei seu texto. Imagino como você ficou. Uma linda estátua :D
Parabéns pelo blog.
Fiquei na dúvida se ocorreu mesmo com você ou foi uma crônica. Ótimo texto ! Ótima história !
ResponderExcluirPara quem está na dúvida - sim, isso tudo aconteceu de verdade.
ResponderExcluirMulheres loucas fazem qualquer trem sair dos trilhos.
ResponderExcluirBoa história. Garanto que se falasse alguma coisa pra ela, iria apanhar também hahaha
ResponderExcluirParabéns Cintia, tô na espera por novos posts :D
Beijos
Oi Cintia, estou acompanhando seu VLOG, mas como são apenas 500 caracteres pra comentar no YouTube resolvi comentar aqui no seu blog, desculpa.
ResponderExcluirVideo:"Cintia disse - Heritage Day e a Influência dos Vloggers"
Tenho uma observação pra fazer que não é abordada frequentemente, Vloggers são um novo veículo de comunicação, uma nova ferramenta na internet, apesar do Youtube já ter 5 anos, essa explosão e fixação pelos Vloggers surgiu agora junto com a mídia "quente", que é a mídia de feedback rápido como o Twitter, eu concordo que os Vloggers sejam formadores de opinião, independente do conteúdo, afinal as pessoas consomem o que gostam, mas só acho que está acontecendo todo esse frenesi devido a grande mídia estar dando uma certa "enfasê" nessa nova "StartUp" da internet, o problema é o WAVE que tem ocorrido, ser um Vlogger, ter um Vlogger é a "nova onda do momento", e algumas pessoas só querem participar do movimento, as pessoas se identificam com FelipesNeto, PecSiqueiras, e tendem a querer ser ou fazer o que eles fazem, mas não para passar uma mensagem, e sim para tentar ter seus 15 minutos de fama, acho que quando passar essa fase, como já aconteceu com os Blogs, muitos Vloggers vão sumir, e vão se manter aqueles que realmente gostam do que fazem e tem uma mensagem interessante pra passar. Espero que você continue com seus vídeos e continue a passar uma mensagem, acho que mais do que views as pessoas deviam se preocupar com a qualidade do que é dito, e não a quantidade do que é assistido. Beijos
Ehh cintia hein, seus textos sa muito bons ! parabéns ! e ve se me add no twitter pois até hoje.. uahuha e entra no meu blog tmb.. cade a pessoa humilde hein cadeee? ahuhau
ResponderExcluirbj
desculpe, não resisto... chato hein? (vc sabe quem).
ResponderExcluirdesculpe, não resisto... chato hein? (vc sabe quem).
ResponderExcluircaramba, eu ri, fiquei imaginando sua cara... eu me lembrei da Rochelle Rock do "Everybody Hates Chris" essa moça deve ser parecida com ela... HSUASHAUSHASUAHSUA
ResponderExcluirMomentos constrangedores e de merecidos posts são quase que raros,''e claro se você não pega oníbus todos os dias''caso contrario barracos,gritos e porradas são constantemente vistos...
ResponderExcluirBem que não tinha uma maquina pra poder fazer um fight vlog.
Sou novo aqui no blog pois são um vlogger,e acabei vendo gostando me increvendo no seu vlog,é claro e agora no seu blog!!!
Obs:1° vez que te vi foi em uma twitcam que o fracis de RT,eu até falei assim-você tem mais 1 inscrito graças ao fracis-,ai vc falo obrigado fracis...
iOAUHoAIUHoiAUHoiuaHoauiHoaHO HOAIUH OIUAH OIUHo iaAOIUHOIAUH oui
ResponderExcluirisso sim é constrangedor!
Massa a twitcam ontem Cíntia! Legal a Stella participando tbm.. apesar do papo de política ter desandado.. haeiuhaeiuheah
ResponderExcluirQuanto ao post: --- Pensei que isso era no Brasil qdo li.. ihaeiuhaeuiae
bjo
@intuitivision
Diego Lord
kkkkkkkkkkk tenho uma amiga que é igual essa louca do trem \o kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirMuito, muito medo dessa 'cerumana', como diz você. HAHA! Êê transporte público infeliz, hein Cintia. HAHAHA!
ResponderExcluirtenso
ResponderExcluirChoreeeeei de rir!!kkkkkkkkkkk
ResponderExcluirE a sua narração do acontecido foi a melhor parte, deixou a historia mais engraçada ainda... kkkkkkkk
Que "causo" kkkkk muito bom!
ResponderExcluirHAHAHAHAHAHAHAHA
ResponderExcluirIncrível!
HAHAHHAHA
ResponderExcluirSei que o texto é antigo, mas... tinha que comentar, muito bom!
Nossa você escreve muito bem adorei o barraco ..rsrs
ResponderExcluir