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13 de dezembro de 2012

Um exemplo

Falta uma semana pra eu finalmente me formar do curso que estou fazendo e, pra dizer o mínimo porque tô com sono e preguiça de dar maiores explicações, tá foda. Dias sem dormir e/ou comer, sérios momentos de reflexão tentando me convencer de que apesar de tudo realmente não vale a pena matar pessoas, médico perguntando minha idade e me dizendo right in the fuça que estou ficando velha, um milhão de coisas pra terminar, assinaturas pra recolher, papéis pra preencher e bom, TUDO. O espaço pra árvore de Natal tá livre há uns vinte dias, mas a árvore de Natal em si tá tão guardada, mas tão guardada, que não sei como vai ser ter tempo pra sequer abrir a caixa daqui até o final da semana que vem. 

Nesse clima ótimo de alegria, espírito natalino e nem um pouco de tensão na minha vida, eu estava no metrô hoje voltando pra casa. 

Música alta nos fones e em pé porque o bicho tava cheio. Algumas paradas depois, um lugar no meio de duas pessoas vagou e eu sentei, parte feliz porque sentar é melhor que ficar em pé, parte meio receosa porque ultimamente eu encosto e durmo (e todos nós sabemos o quão adorável isso é no transporte público - não). Bom.

Obviamente não tô precisando muito pra ficar irritada (nunca preciso né Brasil), mas comecei a sentir o sangue ferver de ódio antes de detectar o motivo. Prestei meia atenção ao meu redor e descobri que o infeliz do meu lado estava deliberadamente espremendo e desespremendo uma garrafa vazia de água s-e-m-p-a-r-a-r. Do meu lado, sabe. Crec, crec, creeeeec, crec, creeecccc. Eu com fone de ouvido, música alta e aquele barulho ainda conseguia ser mais alto a ponto de eu não conseguir ignorá-lo e querer ver sangue a cada semi-crec.

Vale dizer que com essa coisa de dormir pouco, meu filtro social - que já não é uma constante - faz ainda menos aparições no dia a dia. O objetivo era virar minha cabeça quarenta e cinco graus e derreter o cérebro do cara com meu olhar de lasers, mas só precisei chegar na metade do caminho e encarar a garrafa pra mensagem ser entedida.

Não sei qual foi exatamente a cara que eu fiz, nem se ele chegou a ver minha expressão. Só sei que ele parou imediatamente de apertar a garrafa do inferno e eu voltei a olhar pra frente meio que rindo do resultado automático que consegui. 

Deu pra entender a situação? 

24 de junho de 2012

Minha semana em fotos #6

Essa foi a última semana do trimestre e, se eu achava que a semana passada tinha sido preview do inferno, eu estava muitíssimo enganada, porque essa sim foi. Além de cinco provas finais, tive três projetos gigantes pra entregar. Parece muita coisa mas a verdade é que tudo teria sido fácil se não fosse pelo fato de que um desses projetos gigantes era uma sessão de fotos "planejada e executada" pela minha classe como um grupo. Olha, por falta de termo melhor vou usar apenas três letras: pqp. Mas vamos por partes:

Segunda-feira, hipnotizada pela cenoura.
Nunca tinha reparado que cenouras por dentro se parecem com troncos de árvore! É tão estranho! Sim, a aula tava chata.

Segunda-feira a noite, preparando a janta
Lembram daquela picanha que eu mostrei aqui? Esse é o primeiro passo na preparação dela. Na verdade a receita é super simples e o único ingrediente além da carne é sal grosso. Muito prático e fica uma delícia!! A única coisa que eu ainda não acertei totalmente é o tempo que ela deve ficar no forno, gosto de carne mal passada mas o meio ainda fica vermelho demais. Mais cinco minutos da próxima vez!

Terça-feira = CALOR
Como se não bastasse o inferno metafórico, teve uma onda de calor aqui essa semana que fez tudo se tornar um pouco mais literal. O "feels like" chegou à 43 graus. 

Quarta-feira
Sexta-feira, primeiro dia das duas semanas REAIS de férias
Finalmente!! Mando até beijinho quando estou de bom humor, vocês acreditam?

Sexta-feira, seduzindo
Não basta estar de bom humor, tem que mostrar sensualidade. Poucos lugares são mais apropriados pra demonstrações de estratégias de acasalamento que uma piscina. Nessa foto, eu divido com o mundo um pouco do meu conhecimento: a tática chama-se molha-bunda e é um jeito muito clássico e sedutor de entrar na piscina e ao mesmo tempo atrair a atenção das pessoas. O ideal é se segurar nessa posição por uns bons cinco minutos fazendo essa cara. Todos os olhos estarão em você, garantido.

Sexta-feira a noite
Não faço idéia de como essa colher assassinou o descacador de batatas, mas seja lá o que tenha acontecido, minha cozinha é mais perigosa do que eu imaginava. 

Sábado, lanchinho da tarde
A batata-frita do McDonald's é imbatível né? Muito boa. Tirei foto só pra atiçar as lombrigas alheias, mesmo.

Sábado, caminhando de volta pra casa
Eu vivo num lugar meio esquisito. É perto de uma das maiores rodovias de Toronto, tem uns trens grandes que passam quase do lado, prédios e tal. Ao mesmo tempo, é perto do Lake Ontario (que é um dos cinco "Grandes Lagos" da América do Norte) e tem muita natureza em volta. Vez ou outra, nos aventuramos pelas redondezas e acabamos em lugares como esse aí da foto. Bem legal.

Sábado, de volta em casa e depois da twitcam 
Chegamos morrendo de fome e eu resolvi fazer pizza. Atum, palmito e milho, que tal? Fiz tudo ao vivo na twitcam enquanto conversava com quem tava lá assistindo (me sigam no Twitter pra não perderem a próxima!)

E fim! Hoje não postei nada, mas acho que teve foto suficiente né? 

Eu tava pensando aqui, por que vocês que têm blogs não fazem um post de "minha semana em fotos" também? Se quiserem considerar como um "meme" e fazerem uma vez só de teste pra ver como é, façam e digam que eu os indiquei! Seria legal ver a semana de vocês em fotos! Se fizerem, deixem o link aqui nos comentários pra eu ir lá comentar também, tá? 

18 de junho de 2012

Minha (terrível) semana em fotos #5

Então. Essa foi uma semana daquelas. Sem contar o infalível incômodo mensal em forma de SACRIFÍCIO SANGUÍNEO INVOLUNTÁRIO, tive muitas aulas chatas na faculdade que já teriam sido chatas o suficiente sem o drama desnecessário (que obviamente aconteceu porque já que estamos na merda, porque não merdear tudo um pouco mais né). 

Por essas e outras, tirei poucas fotos (leia-se: deu muito mais vontade de tacar o celular na cabeça das pessoas do que tirar foto de paisagens).

Terça-feira
Pois é, minha vontade era sentar em algum canto e morrer, mas por algum motivo que definitivamente não foi preocupação com a saúde, continuei fazendo os exercícios que prometi fazer pelos próximos dois meses. Uma observação pra modos de registro: Odeio a japinha da esquerda que fica sorrindo e/ou com cara de motivada o tempo todo. Se um dia eu encontrar essa mulher na rua, vou ser obrigada a mostrar meu alongamento e acidentalmente dar um chute na cara dela. 

Sexta-feira
Esse louco atravessou as Cataratas do Niágara (já viram o vídeo que eu gravei lá?) numa corda bamba. Começou do lado dos Estados Unidos e literalmente andou até o Canadá: numa corda bamba. Fizeram até piadinha de ver o passaporte quando ele finalmente acabou com a agonia e chegou do outro lado. É redundância depois do clima todo desse post dizer que eu tava torcendo pra ele cair? (sim) 

Hoje, em contraste com todo o resto da semana, foi legal e eu estava de bom humor. Teve um evento de música chamado "Much Music Awards" e fui lá ser esmagada pela população adolescente enlouquecida pra ver o Justin Bieber. No fim ele veio bem do meu ladíssimo e eu consegui tirar foto dele de pertinho. Não que isso signifique alguma coisa pra mim, afinal Justin Bieber não é nenhum dos Backstreet Boys, mas - vou postar a foto amanhã na minha página do Facebook, portanto dêem um ~curtir~ básico lá pra verem o Biebs. Também teve Katy Perry, Selena Gomez, o loiro bocão e o namorado do Kurt de Glee e o Manny do Modern Family. Sempre divertido ver gente famosa, né? 

Boa semana pra vocês, seus coiso.   

25 de maio de 2012

Coisas chatas sobre transporte público

Correr pra pegar o ônibus

Você se descabela correndo como se não houvesse amanhã porque acha que o veículo está pra fechar as portas e te deixar pra trás e, quando finalmente entra no ônibus se achando a verdadeira Tomb Raider do transporte público, ele fica com as portas abertas por mais dez minutos e você lá.

Gente que fica parada na escada rolante

Você está naquele mesmo clima de pressa do item anterior, sabe que cada degrau a menos é determinante e tem certeza que o metrô só vai esperar mais trinta segundos. Desce três degraus da escada rolante e se depara com o velhote que em vez de descer preferiu ficar parado no MEIO do degrau observando a paisagem, bloqueando todos atrás dele e portanto te atrasando num valor de pelo menos sete degraus.

(o sentimento)
A porta do trem não pára na sua frente

O metrô finalmente chega e, por algum motivo que não faz sentido uma vez que você terá que andar pra entrar no transporte público de qualquer jeito, você quer que a porta coincida com seu posicionamento. Nunca acontece.

Tem cadeira livre e ninguém senta

É como se fosse obrigação sofrer o sacodimento em pé. Fica uma tensão porque todo mundo quer sentar mas ninguém tem coragem. Obviamente, todas as pessoas que precisam sentar (grávidas, idosos etc) já estão acomodadas e aquele lugar está l-i-v-r-e. Todo mundo se olha e continua em pé se sentindo ótima gente pelo sacrifício.

Pessoa atrapalha sua paz pra sentar e tem que levantar duas paradas depois

Já costumo sentar na cadeira longe da janela pra dificultar e desmotivar as pessoas a sentarem do meu lado. Normalmente funciona. Vem a dona cheia de sacolas, bolsas, filhos e comidas indianas e faz aquela cara de "vou sentar do seu lado". Me cotovela trinta mil vezes até conseguir sentar (mudo minha posição só o suficiente pra fingir que me importo em ajudar, mas na verdade não mudo nada. Sou ruim mesmo - gente sem noção espacial tem que sofrer nem que pra isso eu tenha que sofrer junto) e senta. DUAS PARADAS DEPOIS, a mulher me olha com cara de "tenho que sair" e levanta pra sair, passando pelo mesmo processo de agonia de novo. Merece ou não merece um chute na bunda pra aumentar a inércia enquanto o ônibus pára? Merece.


Que mais?

28 de setembro de 2011

O inferno tem alarmes de incêndio

Sem entrar em questões religiosas e grandes questionamentos filosóficos, mas OLHA, posso garantir pra vocês que o inferno é um grande condomínio residencial onde o demônio testa diariamente todos os alarmes de incêndio dos apartamentos de cada um dos vinte e nove andares, fazendo com que TODOS os alarmes disparem a cada dois minutos. O plano é simples e se trata um apito ensurdecedor que tem o poder de fazer todas as células do corpo humano entrarem em estado de ebulição e desejarem que o prédio estivesse de fato pegando fogo pra acabar logo com a agonia.

Portanto, se você viveu sua vida até agora achando que o inferno era um lugar que envolvia chamas pré-produzidas, saiba que não - o inferno é um lugar que alega querer te proteger do fogo. Protege tanto que no fim quem taca fogo em tudo é você mesmo.

(eu, nesse momento)

19 de outubro de 2010

Luta pela sobrevivência

Cheia de sacolas, uma mochila pesando novecentos e trinta e sete quilos por causa dos cinquenta e nove mil livros, um guarda-chuva que dava bem para proteger o mundo inteiro de um segundo dilúvio, fones de ouvido que enroscavam em todas as alças de todas as coisas que possuiam alças e, por último mas não menos importante, com um humor não muito receptivo ao inferno que se decorreria a seguir, lá estava eu, finalmente acomodada no transporte público. 

Estava tudo no meu colo, com exceção da sacola de compras que repousava ao meu lado, ultrapassando o limite do meu assento em um centímetro e doze milésimos. A música estava no último volume e minha expressão era a básica "não me irrite porque eu sou capaz de realmente te morder". Ao longe, avisto o hipopótamo.

Rindo alto, se apoiando na catraca, muito divertido ser amiga do motorista do transporte público. Ignoro, quem sabe se ela perceber que esse lugar em que me encontro é um buraco negro, ela fica longe. 

O papo tá bom mas tenho que ir depois, ela passa a catraca e quer sentar do meu lado, óbvio. Evito o contato ocular, confiando nas habilidades da minha Capa de Invisibilidade imaginária. Longos e tensos segundos se passam. Ela abaixa, certificando-se de que se encontrava no mesmo nível olhístico que eu e balbucia alguma coisa sobre sentar-se alí.

Esbarra em tudo que eu estava carregando e senta, já cumprimentando o infeliz que estava sentado na minha frente. 

- Nossa, mas eu conheço todo mundo nesse ônibus! (...)

Todo mundo menos eu, o Ceifador da Morte. Desintegre-se e acabe com essa agonia que você chama de vida. Argh.

(...) - Que você tá fazendo? 

Que será que ele tava fazendo né, pessoal. Malabares?

Algumas paradas depois, o animal repete todo o processo esbarracional para levantar-se e ir fazer mais amigos fora do ônibus, lá no quinto dos infernos.

Mas não acabou.

Mal tinha tido tempo para concluir o quanto eu gosto da minha própria companhia silenciosa, eis que surge a coisa mais gorda com poderes auto-locomotivos que você já teve o desprazer de imaginar na vida. Passa pela catraca e movimenta-se rolandamente direto para o meu lado. Senta-se esmagando até meus pensamentos homicidas com aquela massa planetária de teor gorduroso maior do que o do próprio óleo que também atende por bunda gigantesca. 

Mas o diâmetro bundal não era desgraça suficiente. O cheiro, minha gente. Ela fedia todos os odores que existem para serem fedidos. Era uma batalha perdida. Fiquei ali por um tempo, na esperança de que conseguiria vencê-la pelo cansaço (leia-se incomodá-la com a minha existência ocupando o espaço que suas banhas insistentemente tentavam dominar) - só que aí lembrei que gente que carrega mais de trezentas e vinte e cinco toneladas nos pés diariamente não perde a paciência fácil, especialmente se estiver sentada. Sobreviver àquela situação era preciso e fazer todo o esforço que ajeitar minhas bagagens para me levantar  era uma atitude requereria que deveria ser tomada imediatamente. Bati as sacolas nas cabeças de tudo quanto era criança remelenta e me mudei um pouco mais para perto das portas. Tive que ficar em pé durante o resto do caminho todo e tolerar as brisas do fedor alheio sempre que o ônibus virava para esquerda. 

Porque a gente morre asfixiado com o fedor alheio mas não morre sem lutar. 

30 de setembro de 2010

Cólica menstrual

Ela começa sorrateira, quase imperceptível. Uma dorzinha aguda que incomoda em doses homeopáticas. Nessa fase, costuma durar o dia inteiro. Como a dor é leve, acaba caindo no esquecimento mas, pelo fato de ser constante, ela tem o poder de lhe irritar silenciosamente.

Você deita à noite e só nesse momento sente o baque da dorzinha inofensiva que lhe acompanhou durante o dia. O corpo inteiro está dolorido e você, derrotada. Se enrola nos cobertores e dorme instantaneamente.

No dia seguinte, você acorda se sentindo ótima. Nem lembra da dorzinha chata e segue o dia bem humorada. Mal sabe que seus minutos de felicidade estão contados. De repente e sem maiores cerimônias, nossa protagonista volta. E dessa vez não há nada que possa ser ignorado ou esquecido sobre ela. 

A dor toma conta de toda a área abdominal, mas o foco é naquele canto que permaneceu esquecido durante as três semanas anteriores - seu útero. É como se as duas trompas se desligassem dos ovários e tomassem vida, envolvendo o resto do útero como se fossem braços gigantes e malígnos que espremem suas entranhas lenta e dolorosamente sem quaisquer perspectivas de desistência. A sensação é de que realmente há algo apertando e torcendo tudo o que existe dentro da sua barriga. 

Aí pára. Do nada, é como se uma dose de compaixão sagrada tivesse sido aplicada diretamente em seu abdômen. Alívio. É realmente incrível o fato de que não nos damos conta de todos os itens que temos no nosso corpo até que eles comecem a doer. Você agredece aos céus pela habilidade recém-re-concedida de respirar normalmente e quando começa a se acostumar com a idéia de liberdade respiratória, começa tudo de novo.

A dor volta pior, é como se apenas retomasse o assunto de onde havia parado. Aos poucos vai ficando difícil ficar em pé, e cada vez pior manter uma boa postura sentada. Você sente frio, náusea, ódio mortal de todos os seres terrestres, toma o remédio, o remédio não funciona pelos próximos trinta minutos e a dor persiste. Indo e voltando de uma maneira estrategicamente calculada para lhe enlouquecer aos poucos.

No meu caso, esse inferno dura em torno de dois dias, no começo do festival sanguinário mensal, e volta no último - três vezes mais forte, despedindo-se e deixando bem claro que dali a três semanas nos encontraremos novamente.

Pelos próximos vinte e cinco anos.

30 de junho de 2010

Sobre coisas que irritam

Sou só eu ou vocês concordam?

Funcionabilidade tecnológica indiretamente proporcional à sua paciência.
É só você estar com pressa para fazer qualquer coisa no computador que ele vai, necessária e inevitavelmente, decidir que hoje não é um dia bom para funcionar direito. Ponto final. Não importa o que você faça ou para quem você ligue, a decisão está tomada e você tem duas opções: desligar tudo e ir embora ou morrer engasgado na frente do computador com a espuma de raiva que sua boca produzirá.  

Pessoas que deveriam, mas não escrevem certo em português.
Entendo que tem gente que, devido ao duvidoso sistema público de educação brasileiro, não teve oportunidades decentes de estudo [som de violinos] mas também tem muita gente que teve e que comete erros iguais ou piores do que os de quem não estudou - e são esses os que mais irritam. "- Vou durmir","- O que você tá fasendo?", "- Nossa, não concigo fazer isso". Minha vontade é pegar um dicionário e fazer a pessoa engolir, desculpa. 

Barulhos com a boca.
Ao comer, por exemplo. É perfeitamente possível comer sem fazer barulho. Meu sentimento ao sentar perto de alguém que come fazendo barulho é que a boca da pessoa caia. Simples. Tem gente que faz barulho nas pausas entre a fala, também. Sabe? Engolindo saliva ou se preparando para continuar a falar? Pára.

Pessoas que me imitam.
Odeio. Quando vejo alguma coisa que é claramente minha sendo reproduzida outra pessoa, se pudesse, arrancaria fora o cérebro da pessoa, lavaria a peça com ácido detergente e colocaria de volta para ver se dá jeito de sair alguma coisa original dali.  Há quem diga que imitação é um dos tipos mais lisonjeiros de reconhecimento. Não.

Conversas que começam com "- Você não sabe o que aconteceu" e são seguidas de silêncio.
Ou seja, a pessoa quer que você pergunte o que aconteceu, como se só pelo fato de que sabe-se lá o quê aconteceu com ela fosse suficiente para deixar qualquer um curioso. Pergunto: Por que não me poupar do desconforto e contar logo o que aconteceu? Mesma coisa com gente que coloca frases tipo "estou tão triste" no MSN ou Twitter. Por favor, né, se você quer conversar com alguém, simplesmente vá ao alguém e converse - de preferência sem iniciar a conversa com a frase citada acima + silêncio. Não precisa ficar dando dica indireta pela internet.

Ser acordada antes da hora.
Quando estou dormindo gostaria de ser automaticamente considerada falecida por todos ao meu redor a não ser que eu tenha especificado o contrário antes. Ter me programado para acordar tarde (e por tarde leia-se  uma da tarde para mais) e ser acordada antes disso por qualquer ser cutucante é sentença de perda de braço por justa causa. 

A lista é muito maior que isso. Quanto mais escrevo mais lembro de coisa. Haja paciência.

                                                          

30 de maio de 2010

Pac-Man

Desde aquele dia em que o Google colocou Pac-Man na página oficial devido ao aniversário de trinta anos do jogo, eu sou uma pessoa mais frustrada nessa vida.

Eu tinha esquecido do quão desesperador aquele joguinho é. A trilha sonora, então - tem o poder de te deixar irritado em níveis indiretamente proporcionais às vezes que você, de fato, ganha. (E como eu nunca ganhei naquela merda e sempre insisto inúmeras vezes, dá para imaginar a fúria, né?)

Minha consideração final como pessoa adulta jogando Pac-Man é que o jogo potencializa a capacidade homicida de qualquer cerumano. O prazer que dá ao assassinar aqueles fantasminhas do capeta é uma sensação que simplesmente não dá para explicar. Isso, somado ao ódio que se sente quando eles te alcançam é, sem dúvida, a razão pela qual pelo menos 50% das mortes do mundo acontecem.

Estudos apontam que nas últimas três décadas, todos os serial-killers que foram capturados e entrevistados pelos chefes de investigação nos Estados Unidos responderam que estavam jogando Pac-Man antes de saírem de casa nos dias em que assassinaram suas vítimas*.

Então, vocês pais e mães preocupados com os jogos 3D violentos, cheios de sangue e pancadaria dos dias de hoje - abram os olhos. O tipo de jogo que deve ser foco de atenção é outro.

*É mentira, mas caso você tenha acreditado, agradeço por concordar, ainda que por um instante, que poderia ser verdade.

23 de maio de 2010

Que saco

Eu tenho pelo menos uns cinco assuntos diferentes para postar, mas nao vou porque o carregador do meu computador resolveu que aquela vida nao era para ele e morreu. Ai eu liguei para quem eu tinha que ligar e eles vao mandar outro "de tres a cinco dias uteis". Desde o comeco da semana passada, inclusive. E segunda-feira eh feriado aqui. Argh.

Eu ate poderia continuar postando mas o problema eh que teclado de computador estrangeiro nao tem acentuacao apropriada e isso me enlouquece. Eu SEI que da para mudar a configuracao, mas nao quero porque esse Mac dusinferno nao eh meu e porque eu quero escrever no blog quando estiver do meu proprio computador.

Eh frescura mesmo, mas como diria a minha tia, o blog eh meu e eu faco (fasso) o que eu quiser.

Nao sei se fico com mais raiva do computador ou da Lingua Portuguesa.

Hei de voltar em breve.

18 de março de 2009

O dia em que choveu o mundo

O transporte público. Lembram-se de quando eu disse que era assunto pra um post específico? Pois então, estava enganada. Transporte público é assunto pra um blog inteiro específico. O que eu pretendo aqui é narrar apenas um episódio. O episódio.

Minha relação com o monstro começou tímida. Ônibus e metrô(s?) sempre fizeram parte de um mundo paralelo e místico dentro da minha cabeça. Baldeação, bilhete, terminal - só de ouvir essas palavras o meu cérebro entrava em colapso. Eu simplesmente não entendia. Não que agora eu entenda, mas dentro da minha concepção, você sabe que virou uma pessoa-que-anda-de-transporte-público quando alguém te pede informação sobre ele e você sabe informar. E eu já soube informar.

Entrei na vida transporte público esse ano, e de fato, não é muito complicado - isso considerando que eu preciso pegar só um trólebus e descer no ponto certo, todo dia. Mas essa semana, ah, essa semana. Essa semana choveu o mundo, minha gente. E eu estava lá, pisando da lama.

Saí de casa eram 17h20. A chuva já tinha passado e eu só precisava chegar na escola às 19h. O percurso normalmente leva 40 minutos. Cheguei no terminal e as pessoas estavam todas aglomeradas antes da catraca, tentando entrar. Nunca tinha visto nada como aquilo.

Ao me deparar com a cena do povo já se cotovelando ali, pensei: "- Bom, hoje eu vou morrer". Foi uma hora só esperando o primeiro trólebus CHEGAR. A situação dentro dele era indescritível. Só se viam braços, punhados de cabelo, bolsas. Aquele vidro embaçado, aquelas barrigas pressionadas contra as portas, aquele inferno. "- Bom, ele vai passar reto, não tem condição nem de um raio ultravioleta entrar nesse negócio". Mal tinha terminado de formular esse pensamento quando abriram-se as portas do trólebus.

Nesse ponto eu pude entender o que significa o instinto de sobrevivência do ser humano. Uns puxando os outros, outros empurrando os uns, cotoveladas e batidas de cabeça - tudo isso para entrar no ônibus onde nem uma onda eletromagnética conseguiria passar. E o mais incrível? Muita gente entrou. E é sério, MEIA gente entrar naquele ônibus já seria um fato digno de aplausos. As portas foram fechadas e o trólebus em questão não saiu do lugar por vinte minutos contados no relógio.

Eu não estava ouvindo os barulhos absurdos dessas cenas descritas porque fiz questão de ouvir minha música calma e relaxante no último volume, mas nos segundos de troca de música o som predominante era os das buzinas dos carros das redondezas, também parados, e os das velhas indignadas porque o motorista não esperou mais tempo antes de fechar as portas (!).

Já eram quase sete horas da noite quando liguei para a escola, avisando que ia (morrer) me atrasar. A cena do instinto de sobrevivência se repetiu algumas vezes - as pessoas não pareciam parar de aparecer, pelo contrário. Esperei. Sinceramente não me lembro qual foi o parâmetro de avaliação que foi usado quando decidi entrar em um. Realmente não estava tão cheio quando eu entrei, mas as pessoas não paravam de entrar. Nunca mais. Uma eternidade depois, fecharam-se as portas. Foram mais 15 minutos parada dentro do terminal, sem nenhuma perspectiva de movimento - nem minha, nem do ônibus. Imóveis, todos.

Quando finalmente o trólebus andou, foi o suficiente apenas para sair do terminal. Nem sei quando tempo se passou. Eu tinha uma aula às 19h, que já não tinha conseguido chegar, e uma outra que começaria às 20h. Eram quase 19h30 quando olhei para o lado. Parado atrás do trólebus em que eu estava, tinha outro. Para o mesmo lugar. E vazio. "- Desaforo, só pode ser. Não, isso é impossivel. Pra onde foram todas aquelas pessoas? Eram fruto da minha imaginação assim como essas que me espremem aqui agora? Ou foram sugadas pelo mundo, uma vez que já desempenharam sua função de me aterrorizar apenas pelo fato de existirem em tamanha quantidade?".

Depois de passado momento de fúria, bradando contra o mundo e suas conspirações, concluí que nunca na vida achei que fosse me alegrar tanto com uma visão daquelas - a de um ônibus vazio. "- Preciso sair daqui, e é pra lá que eu vou. Custe o que custar. Se é pra esperar até o último minuto da vida, vou esperar sentada".

Não tinha bilhete para entrar em outro trólebus, mas eu sabia que dentre aquelas 937 pessoas alguém havia de ter. Pausei a música com certa dificuldade para alcançar o botão e perguntei pra geral se alguém tinha um bilhete para me vender. Achei uma mulher e peguei o dinheiro que estava na carteira, dentro da mochila gigante que eu carregava (não vou nem comentar como foi o processo).

- Só que eu não tenho troco - a mulher disse.
- Qualquer coisa pra sair desse inferno - resumi pra ela, em resposta.

Saí, entrei no outro ônibus, cheguei na escola e as aulas estavam todas canceladas. Fim.

Atualização: Tudo bem que o comentário recebido não foi dos mais educados, mas de qualquer modo, segundo o Michaellis, o nome do transporte público em questão é trólebus. Corrigido está.

23 de novembro de 2008

Carteira de Habilitação - parte final

Cheguei lá, depois de duas aulas adicionais por ter reprovado na primeira vez e com a minha carteira de indentidade devidamente em mãos, quinze minutos antes. Poderia ter sido logo a primeira a fazer a prova, mas preferi esperar porque o movimento nas ruas é maior na hora que os testes começam.

Realmente eu não estava nervosa, assim como não estava na primeira vez. "- O pior que pode acontecer é ter que pagar mais R$124,00" - era o meu pensamento. Simples e fatídico.

Chegou minha vez. Sentei no lugar mais cobiçado por todos que estavam lá, o do motorista. Colei o banco no volante, arrumei o espelho pra acertar na baliza, e ajeitei os retrofuckingvisores. Tudo certo, essa prova é ridiculamente fácil.

Estava eu lá, na fila de carros, esperando pacientemente (como sei que não vou fazer quando estiver dirigndo de fato e a fila for no trânsito real) pela minha vez e pelo meu delegado. Qual não foi minha surpresa ao constatar que o meu delegado era - numa probabilidade de 1 em 937 (são vários os delegados, sabem) - a mesma mulherzinha maquiavélica da primeira vez.

"- Bom dia." - ela disse.

"- Espero que seja bom mesmo, sua... estranha. Por sua causa estou mais pobre." - eu não disse.

Enfim, respondi educadamente e saímos. Esqueci de dar uma seta. Menos três pontos - que beleza, adoro pontos. Parei na subida ("-Perfeito.", disse a examinadora - simpática ela, não?!), saí da subida com louvor, fiz o percurso dificílimo de três viradas para esquerda. O farol. O mesmo, o causador. Estava fechado. "- Esse não me pega de novo". Diminuí a velocidade pra realmente não ter nem o trabalho de parar o carro e sair de novo. Aí pronto. Fiz a baliza sem maiores dificuldades e depois o meio-fio.

Acho que semana que vem chega a prova real dos fatos aqui narrados. Que demora.

Termina a série "Carteira de Habilitação". Ufa!

20 de outubro de 2008

Carteira de Habilitação - parte 3

Reprovada. Vocês desacreditam se eu disser o que foi que eu fiz de errado.

Nas quatro primeiras aulas não errei absolutamente nada. Era como se soubesse fazer tudo aquilo desde sempre. Por motivos adversos, no decorrer das aulas errei discretamente, nada grave - erro de cálculos. Até que na última aula eu encostei na simpática vareta hepática da baliza. '- Pô bebê, deixou pra errar justo na última aula?', foi o que o instrutor disse.

As aulas terminaram numa quarta-feira. Marquei uma extra na segunda, dia anterior ao do teste. Fui com o meu progenitor, pacote completo. Não errei nada. Ufa. '- Que beleza hein, bebê!'.

Dia do teste. Preguiça estratosférica para acordar, obviamente. Fila gigante, pessoas desesperadas, sol. Chegou a minha vez. Entrei no carro, colei o banco no volante como só eu sei fazer, arrumei os retrovisores, coloquei o cinto de segurança. Que fácil. Entrou uma mulher, acomodou-se. Dei a partida, seta, seta de novo e parei na subida. Ponto morto, freio de mão. Seta, 'ponto-que-treme', acelerada leve, freio de mão - parte mais difícil já foi. Direita, direita de novo. Que coisa mais ridícula.

Foi aí. Farol amarelo. Lembrei do instrutor: '- Bebê, mesmo que o farol esteja amarelo, pára'. Já estava me preparando para o 'embreagem-freio' quando a perversa do meu lado me mandou, decidida ao concretizar seu premeditado plano maléfico, parar atrás do carro cinza. '- Se ela mandou parar lá, depois do farol, é porque dá para passar', pensou a anta que vos escreve. No momento em que os pneus dianteiros passaram pela faixa de pedestres, o farol ficou vermelho (envergonhado pela minha burrice, sem dúvidas). A mulher freou o carro bruscamente de um jeito que eu, na minha condição de 'aspirante', com certeza não poderia fazer e pronunciou cada sílaba: 'Você está reprovada'.

Passei no farol vermelho, dá para acreditar? Tanta coisa para errar. Tanta gente falando desde que eu me conheço por gente que a luz amarela significa 'atenção' e a vermelha 'pare'. Cento e vinte e quatro reais, agora. Isso porque eu não vou comprar a carta. Me recuso. Detalhe: só daqui a vinte e um dias posso fazer o teste de novo. Inacreditável.

23 de setembro de 2008

Carteira de Habilitação - parte 2

Depois de desmarcada por burrice de alguma das novecentas partes envolvidas no processo, fui fazer a prova teórica numa quarta-feira.

Me mandaram chegar na Auto Escola às 07h00 da madrugada pois eles nos levariam até o local do exame. Cheguei lá no horário marcado. Éramos eu, duas véias e uma menina que parecia ser um pouco mais velha que eu, cabelo loiro esticado, uma carinha de 'glamurosa' fora de sério. Por último mas não menos importante, chegou aquele que eu prefiro denominar 'tio que nos levou até o local do teste e que nunca mais verei'. Cabelo grisalho, camiseta branca dois números menor, calça jeans suspeita e postura 'e aí brotinhos, o que está pegando?'.

Depois de pegarmos cada uma sua respectiva prancheta com um protocolo (lembrem-se bem dessa palavra) e a lista com desenhos das placas de trânsito, nos enfiamos todas no carro e esse sim foi o grande começo. Mencionei o horário, né?! Pois bem, as véias não ficaram quietas nem por um segundo. Se estivessem simplesmente balbuciando coisas inaudíveis, tudo certo, o problema era o assunto inignorável. 'É, porque teve uma vez que um hómi morreu nos meus pés, eu sentia aquele sangue quente nos meus pés...' etc. Não sei qual foi o gancho, mas esse assunto logo evoluiu para 'casamento'. Mal ouvia o que aquele povo falava quando fui despertada de meu estado de transe por uma mão na costas e o seguinte conselho: '- Demora pra casar, viu? Namora muito, vai pra festas'. Não sei exatamente como ela interpretou o meu sorrisinho whatever, mas foi ele, sem dúvida, que a fez virar para aconselhar a outra menina, me permitindo voltar ao Planeta Cíntia.

Chegando ao local do exame, saímos todas do carro e cada uma foi para um lado, finalmente. Sentei na sarjeta e lá fiquei, folheando o livrinho do CFC na parte das multas. 'Benzadeus, vou lá saber que tipo de multa toma o motorista ao atropelar um elefante roxo que atravessa na faixa de pedestres da via local?!'. Pensando nessas situações que certamente estão previstas em algum ponto do Código Penal de Trânsito, senti uma polêmica entre as pessoas que esperavam comigo. Ninguém mais, ninguém menos que o Tio do Protocolo. Gordão, gigante e mal-humorado.

Ele só apareceu. Exalava o cheiro 'prova teórica'. Foi aí que uma pobre coitada chegou nele e perguntou alguma coisa sobre o horário. "- Gente ó, um minuto de sua atenção, - aos berros - vocês todos têm esse papel aqui? - tirando um papel da mão da menina e mostrando-o para todo mundo, TÊM?!". Ele bufando e a menina lá, só olhando. Imagino que estivesse arrependida até o último fio de cabelo, pela expressão. "- Pois é, aí consta o horário da prova de vocês. É o protocolo. Se tiver escrito 7h30 é 7h30 que vocês vão fazer a prova. Se tiver 8h é 8h. Se tiver 8h30 é 8h30" - e assim por diante foi ele repetindo os horários, cuspindo nas pessoas que estavam sentado logo abaixo, estressadíssimo. "- Esse é o protocolo de vocês - sacudindo o papel, a gente segue o protocolo. Protocolo serve pra isso. Recebem o protocolo, seguem o protocolo".

Eis que foram chamando aos poucos os grupos de cada horário que constava no protocoloprotocoloprotocolo. O tal horário só serviu mesmo pra dividir filas porque todo mundo entrou ao mesmo tempo. Enfim.

Uma vez todos acomodados, os 'renovação de carteira' começaram a fazer a prova primeiro. Pediram silêncio para o resto da renca toda, estávamos fazendo muito barulho. Finalmente estabelecida a paz, tocou o celular de uma das 'renovação de carteira'. Uma vez, vários toques. 'Haha, desculpa', disse a proprietária. Tá. Segunda vez, vários toques. 'Ah, haha, desculpa'. Terceira vez, meio toque já teria sido demais para a minha paciência, foram vários. As pessoas em volta se mexeram em seus lugares, num sinal geral de desconforto. 'Tsc'. Juro que se tocasse mais uma vez eu teria levantado de onde estava, passado por cima das cabeças de todos, arrancado o celular da mão da mulher e quebrado ele na cabeça dela. Não tocou mais, embora eu tenha certeza de que não foi porque ela teve um súbito acesso de bom senso e desligou o aparelho mas sim porque a pessoa que estava ligando havia desistido.

Nove horas começamos a prova. Nove e quinze eu tinha terminado. Olhava para os lados e via as pessoas na primeira página de perguntas, virando e revirando a prancheta das placas de trânsito. Dei uma olhada no meu gabarito, ele deu uma olhada em mim. Olhei de novo as perguntas, não, nada pra mudar. Mesmo que tivesse eu nem poderia. Hm. Nove e dezesseis. Só saí de lá um pouco depois das 10h.

Aqui cabe um link para um próximo post exclusivo sobre a relação Cíntia e O Meio de Transporte Público, esse monstro. Em breve.

Já no ônibus, saquei o bendito caderninho do CFC, para conferir algumas respostas. Duas eu errei, com certeza. Saco. 'Só falta eu não passar nesse lixo. Me mato'.

Passei. Ontem foi a primeira aula prática. Parte 3.

18 de julho de 2008

Carteira de Habilitação - parte 1

Decidi tirar a carta de motorista. Mal sabia o que me aguardava.

Liguei para Auto Escola com a grande ilusão de que bastava pagar coisas e fazer aquela ligação para que meus problemas estivessem resolvidos. Ledo engano. Começa que arranquei meu pâncreas pela boca só de ouvir o preço do 'coisas' que a mocinha da Auto Escola fala como se fosse ridiculamente pequeno e acessível. Aí depois resolvi engolir o pâncreas de volta porque descobri que além de todas as chatices a seguir, eu ia ter que tirar fotos 3x4 e espalhá-lhas por todos os lugares que fosse daquele momento em diante. Se fotos 3x4 são péssimas com pâncreas, imagina sem.

Blá blá blá, wisckas sachê, CIRETRAN - Circunscrição Regional de Trânsito. Depois de tirar as fotos, era lá que deveria ir primeiro. Cheguei e vi a fila.

(abre parênteses)


Sobre filas:

Concluí que as filas se dividem em dois tipos: o tipo McDonald's e o tipo CIRETRAN.

Tipo 1: você tem plena consciência do motivo de estar ali, espera por sua vez, é atendido e vai embora.

Tipo 2: se trata da fila que sempre vai ter muita gente. É o tipo de fila que comporta pessoas que vivem suas vidas para estarem na fila. É o tipo de fila de pessoas que brotam do chão e entram na fila. 


(fecha parênteses)

Confiando no senso comum, aproveitei que estava todo mundo me olhando e perguntei o motivo de estarem ali. A resposta era óbvia, eu poderia ter previsto se tivesse em mente os dois tipos de fila possíveis: um olhou para o outro, gaguejaram e olharam as horas. Ou seja.

Como legítima pessoa tipo 1 de fila, fui até o início da fila para descobrir se ela servia para falar com o Papai Noel ou algo do gênero. Antes fosse. Minha intenção na verdade era só dar uma olhada, mas como as pessoas começaram a me encarar tipo 'onde você pensa que vai', achei por bem perguntar para o atendente logo de uma vez. Afinal, ele disse que nem adiantava entrar na fila porque não ia dar tempo de resolver o que eu precisava. Eram quatro horas da tarde - tirem suas conclusões.

Voltei lá no dia seguinte e esperei quase duas horas para entregar uma ficha que eles deram lá mesmo e que eu devia preencher, comprovando que sei ler e escrever (ficha com foto 3x4, obviamente) . Tudo bem, considerando que o índice de analfabetismo no Brasil é grande e que para dirigir é necessário saber ler mesmo. Acredite se quiser: o tiozão que estava do meu lado levou a mulher para preencher a ficha para ele.

Problemas sociais à parte, chegou a minha vez. Morrendo de medo do homem que estava atendendo, de ter esquecido alguma coisa, de ter feito algo errado e afins, foi tudo bem. Minha face simpática venceu a ignorância anteriormente observada no responsável e fim, sem maiores traumas. '- Agora você espera a Auto Escola te ligar, ok?' '- Ah, ok.'

A Auto Escola não ligou porque o povo de lá nem sabia que devia fazê-lo - quem ligou fui eu e depois de todas as confusões de informação, fui ao CFC - Centro de Formação de Condutores.

Curso de seis dias, cinco horas-aula por dia. Trinta, trinta intermináveis horas. Comecei no próprio dia '- Quanto mais rápido começar, mais rápido termina'. Legislação, Direção Defensiva, Mecânica Básica, Primeiros Socorros e Meio Ambiente & Cidadania.


Sobre o curso:

Ainda não terminei, acabaria segunda-feira se não fosse pelo meu atraso de ontem, o que resulta em R$ 3,00 + ir até lá na quarta-feira 'passar a digital'.

De um modo geral o curso não é tão inútil quanto falam. Só é chato.

Sobre 'passar a digital':

Recurso inteligente, relativamente moderno. Para ter presença nas aulas e receber o certificado ao final do curso, cada aluno deve colocar o dedo indicador no scanner tanto na entrada quanto na saída.

Chato. E tem fila - fila tipo 1, pelo menos.

Sobre o professor:

Incrível como sabe o nome das placas, das artérias, dos componentes do motor do carro. Não sei se é incrível porque eu não sabia nada disso, mas é interessante. E as leis com suas respectivas multas?! Ele sabe também.

Fora o sotaque 'dê interiorrr' e o maldito 'horas-aulas' que ele nunca acerta, descobri que é conhecido do Ninguém - não só o conhece, como faz questão de lembrá-lo sempre com frases do tipo '- Ninguém não vai ver' ou '- Ninguém não tem' e ainda '- Ninguém não é perfeito'.

Sobre Ninguém não ser perfeito:

Contradição. Já ouvi várias vezes dizerem por aí que Ninguém é perfeito. No fim, como Ninguém não estava lá para se defender, ninguém se manifestou.

A saga continua.

18 de fevereiro de 2008

Só segunda-feira

Mudei de emprego. Clima diferente, novos ares, tudo o que eu queria. Certas coisas a gente só percebe depois que mudam radicalmente, né? Não tem jeito.

A parada é que agora trabalho num colégio. Principalmente com Ensino Fundamental. Eles são uns pestes - isso não se pode negar. Mas nossa, são engraçados. Quando dá a minha hora de ir embora eu saio com dor de cabeça, mas com dor na barriga também, de rir.

Uns dias antes de começar lá, fui visitar a sala deles. Selva. A coordenadora me olhou piedosamente; 'mal sabe ela das coisas pelas quais já passei', pensei.

Em uma semana de trabalho já tive parte do meu vocabulário renovado. Naruto, Hannah Montana, Nerds. E eles explicam meio sem paciência, como se, em vez de ter perguntado o que diabos significa 'naruto', tivesse perguntado, sei lá, o que é Timão e Pumba.

Eles também já não nos chamam de 'professor(a)', nem 'psor(a)'. Agora é 'prô'. Prô Cíntia. Fofo, né?!

Eu sei que hoje eu estava lá, junto das duas outras professoras, atendendo uns quinze alunos simultaneamente, quando, não mais que de repente, materializou-se um ser - era um outro aluno que simplesmente surgiu, bem na minha frente. Ele me olhava nos olhos, profundamente:

'- Prô, esse lugar é um inferno.'

Morri, né. Ele estava falando aquilo por motivos óbvios. Calor, mini-pessoas gritando, três professoras de um lado para o outro, meteoros caindo, blocos de gelo se desfazendo... O próprio Apocalipse. Detalhe: Hoje é só segunda-feira.