Acontece que minha desculpa de computador podre já não tá mais valendo há quase um mês e eu desde então tô aqui só na miúda vendo se alguém ia reclamar.
Minha experiência com vídeo no "tal de VEDA" foi bem legal. A verdade é que eu sempre tive um pouco mais de preguiça pra vídeo, sabe. Gravar dá muito mais trabalho do que sentar e escrever. Fora que se colocar em vídeo só não é literalmente dar a cara pra bater porque ainda não inventaram tapa via download. Mas quando o resultado é legal, é realmente muito legal. Não dá pra negar que vídeo tem um potencial de alcance bem maior que texto e no fim das contas, interação é o que acaba servindo de combustível pra produção de conteúdo pra internet, certo?
Sim e não. Porque eu sinto falta de escrever mesmo quando tô fazendo um vídeo por dia. Escrever é uma experiência diferente, um sentimento diferente. E pra mim tudo bem se ninguém ler. Quando se trata de vídeo eu fico mei assim porque sei que nem assistir vídeo direito o povo assiste, mais. Muitas coisas precisam ser resolvidas, então play e bora mil outras abas. Escrever eu faço mais pra mim e se alguém resolver participar do processo como leitor, tô no lucro (obrigada à todo mundo que me lê, vocês são uns lindos).
Tá, e por que fiquei tanto tempo sem escrever?! Não sei. Me dá isso, às vezes. Tudo bem que tô incomodada com o layout do blog e que realmente tava sem condições de parir criatividade naquele computador leproso que eu tava sendo obrigada a usar, mas sei lá. Me dá isso, às vezes.
(interrompemos este texto pra avisar que o parágrafo a seguir é uma conversa comigo mesma apenas transcrita por motivos de começou termina)
Sabe o que eu acho que é? Passei o período inteiro do curso que fiz aqui me policiando tanto sobre o que eu podia e não podia escrever na "internet", que acabei simplesmente não escrevendo nada sobre nada. E me arrependo disso porque minha memória é fraca pra certas coisas. Devia ter inventado um código. E apesar de não escrever mais um diário, fiz várias anotações aleatórias nos papéis que eu tinha por perto na época. Mas nem se compara a sentar e formular os pensamentos né? Argh, enfim. O que eu acho que talvez tenha me acostumado a deixar as coisas que realmente quero escrever em algum buraco negro da minha cabeça por medo de que algum filho da puta taque meu texto no Google Translate e mande pedaços descontextualizados pra Gossip Girl, dá pra entender?
Bom. Estou e sempre estive aqui. Não sei se ainda tem alguém aí, mas se tiver, oi! Acho que tô de volta!
Dei uma sumida boa, eu sei. Há um tempo estou querendo mudar um pouco a cara do blog, e essa fase de tentar encontrar a "ultima-versao-final-final-2.psd" de layout, logo etc acaba sendo meio frustrante pra mim porque começa a demorar, aí perco a inspiração, aí tenho um monte de idéias, aí não dá tempo, aí dá tempo mas dá preguiça, aí deixa assim mesmo, aí não mas eu nem gosto mais do que tá lá agora, aí dá pau nas tecnologias, aí eu hiberno. Passa quase um mês e oi, voltei. Parece que faz um ano que eu não abria o Blogger, muito estranho.
Acho que enquanto eu não estiver com o computador novo minha criatividade vai continuar travada, pra falar a verdade. Essa vida de computadores semi-funcionais é muito bosta, parece que meu cérebro fechou pra esperar eu me resolver tecnologicamente. Fora que comprei um iPhone esses dias e tá difícil sair dele (e da cama). Nunca contrariei macfaguice alheia porque no fundo eu sempre soube que as coisas da Apple são de fato boas, mas depois que quebrei a barreira Microsoft/Windows e aprendi a lidar com os computadores do Jobs, me converti. Isso sem comentar que entrei no encantador mundo da App Store pra nunca mais sair né. Só pra constar, porém, mesmo achando tudo lindo, brilhante e perfeito, ainda acho babaquice pagar quase dois mil reais num celular.
O Calvin continua fofo. Cresceu bastante desde as últimas fotos que postei aqui (me sigam no Facebook e no Instagram que tem foto dele direto). Ele aprendeu a descer escadas (nunca vi tanta desconfiança vindo de um ser quatopatento) e semana passada finalmente entendeu que pode fazer xixi e cocô na rua (amém irmãos). Come todos os papéis e etiquetas do mundo. Outro dia acordei com ele silenciosamente mastigando a etiqueta do meu travesseiro.
comendo a etiqueta da toalha
Fora isso, tô cogitando um blog novo em inglês sobre os assuntos "oramoda", já tenho até o logo. A Fashion Week daqui começa no meio de março, tô achando que vai ser o assunto de estréia. Se tiver alguém aí interessado nesses papo e/ou quiser ver como eu escrevo em inglês (nem eu sei direito ainda, rysos), me sigam no Twitter que eu provavelmente avisarei por lá. Só pra finalizar o assunto internet, o canal do Youtube não está esquecido. Tô me organizando.
Fiz 23 anos, também. Pela primeira vez desde que criei esse blog, não escrevi um post no dia do aniversário. Tô ficando velha, gente, socorro. Meus aniversários agora são reflexivos, cadê minhas coxinha sabe?! Argh. Depois escrevo sobre isso.
Acho que deu pra dar uma geral né? Se quiserem conversar, estarei lá na caixinha de comentários o/
Vou começar constatando que eu me considero uma pessoa pensante. Penso muito sobre as coisas que eu quero, como eu quero, quando eu quero e todos esses outros detalhes que costumam levar pessoas menos pensantes à loucura por justa causa. Isso pra dizer que penso sobre ter meu próprio cachorro há anos e, no final do ano passado, quando tudo que eu tinha decidido como "condições ideiais pra ter um cachorro" finalmente pareceu real, foi a hora de arranjar um. Eu sabia que queria filhote, sabia que teria que limpar xixi e cocô constantemente, que teria que levar pra passear sempre e, bom, etecetera né? Mas tem coisa que até eu esqueci de pensar, tipo:
1 - O filho cachorrento realmente vai roubar todas as roupas que estiverem no campo de visão dele.
T-o-d-a-s. Aliás na categoria "roupas" pode incluir panos, papéis, cartões, sacolas, chinelos, cabos, potes de creme hidratante de rosto, corpo, olhos E cabelo, rolos inteiros de papel toalha e caixas aleatórias de variados tamanhos. Mas a experiência vai além. O processo do crime canino envolve o que eu chamo de "corridinha cas oreia pra trás". O Calvin pega alguma coisa e, indubitavelmente consciente do tamanho do erro sendo cometido, sai semi-correndo em direção à casinha porque aparentemente se conseguir chegar até lá ileso, o golpe está dado. Ele só não inclui nos planos o fato de que a capa de invisibilidade cachorrística que ele ACHA que coloca ao posicionar as oreia pra trás não é a prova de som. Eu preciso ouvir meio passo desnecessariamente rápido do dógui pra saber que ele tá aprontando, correr atrás dele e fazer a captura do pokémon.
tô invisível
2 - Limpar cocô constantemente envolve entrar em contato físico com a merda, mais cedo ou mais tarde.
Quanto mais novinho o filhote, maior a probabilidade de encostadura merdal. Todos sabem que bebês são famosos por três coisas: fofice, diarréias e vômitos. Eu já cuidei de cachorro antes, mas nunca cachorro-baby. Houve uma época em que minhas mãos só viam hidratantezinho de maracujá e creme especial pra cutículas. Hoje em dia só tá faltando eu mergulhar inteira nos produtos de limpeza.
3 - Aprender a controlar sentimentos.
Recentemente, passei pela minha primeira TPM acompanhada pelo quatopata e olha - quase fiz churrasquinho de dógui. Além das irritações não poderem ser externalizadas proporcionalmente ao meu ódio porque afinal de contas o Calvin é um bicho filhotístico que não entende gritos prolongados de raiva humana, não consigo ficar brava com ele durante muito tempo e muito menos dar qualquer tipo de castigo que faça sentido. Na verdade, quase todas as vezes que ele faz coisa errada e eu tento brigar com ele um pouco mais enfaticamente, acabo gargalhando alto na cara dele (principalmente quando ele começa a latir - não dá pra aguentar a expressão de "não sei exatamente o porquê de eu estar latindo mas mesmo assim Au-aU-wOoF-drgewbaaf;gfr").
4 - Virar a louca-do-Google.
As pesquisas que eu tenho feito desde que peguei meu cachofilho aqui têm sido tão absurdas e específicas que às vezes até eu fico desconfiada da minha própria sanidade mental. Espero sinceramente que o Google já tenha falido quando eu resolver ficar grávida, só isso que eu posso dizer.
5 - Cachorro é um bicho com dentes que servem pra morder muitas coisas, inclusive eu.
Apesar de cachorros mais velhos terem noção do fato de serem cachorros e possuírem a opção de não morder uma pessoa, o meu bicho atual ainda desconfia do próprio rabo. Isso significa que ele ainda não tá na fase de entender que é um cachorro com habilidades mordedouras e consequentemente parar de me dar doloridas mordiscadinhas nas mãos e braços. E a vontade de morder de volta?
Acho bom que tenham sentido, viu. Fiquei longe daqui por mais um de mês e se vocês não passaram cada dia desse tempo todo aqui no meu blog atualizando a página pra ver se tinha post novo, não sei o que mais vocês poderiam estar fazendo com as suas respectivas vidas.
Bom. Não tenho explicação plausível pro sumiço porque apesar de ter começado pela falta de tempo, se prolongou tanto por pura falta de criatividade/liberdade pra escrever sobre o que eu realmente gostaria de escrever. É um saco quando isso acontece.
Pela primeira vez em muito tempo (talvez na vida), estou realmente querendo mais é que esse ano termine logo. Sempre achei meio idiota essa coisa das pessoas ficarem reclamando que o ano não termina nunca, como se a vida fosse mudar completamente só porque o número no calendário é outro. Agora entendo. Não necessariamente porque esse ano tenha sido ruim (foi), mas sim porque estou com expectativas pro próximo. Tenho idéias mas preciso de tempo de verdade pra colocá-las em prática. Tenho planos mas me preciso me livrar dos dementadores antes pra ver se consigo respirar que nem gente de novo.
No mais, tô achando ótimo decorações de Natal pela cidade já. Sempre reclamo que o povo tem fogo natalino no rabo de ficar colocando lampinha até no cachorro mesmo que ainda faltem cinco anos pro próximo Natal. Pois dessa vez pra mim tá tudo lindo e minha árvore só não tá montada ainda porque estou evitando a fadiga.
Tenho dois generosos potes de bala aqui em cima da mesa da sala. Passo por eles muitas vezes durante o dia e só sei medir a quantidade de doce ingerida baseada no número de papéizinhos de bala que tenho que recolher e jogar no lixo a noite. Eu tinha prometido pra mim mesma que economizaria essas balas porque são raras e preciosas, mas toda vez que passo pelos potes abertos, não aguento e pego pelo menos umas cinco.
Só que agora os potes tão fechados. Estou sentada aqui simplesmente olhando pras balas sem nenhum indício de que abrirei os potes num futuro próximo.
Eu tava toda tranquila na biblioteca da faculdade, fazendo uma saudável quantidade de nada enquanto esperava pra conversar com um professor. Acontece que a semana de moda vai começar em breve e eu, como contribuinte do blog da faculdade (legal, né?), posso escolher um desfile dos chiques pra ir, patrocinada pela instituição. O problema é que são tantas opções que eu achei melhor pedir a opinião de um profissional antes de escolher. Resolvi esperar pra falar com um dos meus professores.
Ele finalmente chegou na biblioteca, conversou comigo rapidinho sobre as melhores opções de desfiles e já tinha passado a porta pra ir embora de volta pra sala de aula quando parou no meio do caminho, virou e voltou.
- Você vai andar no desfile da escola esse final de semana? - ele perguntou enquanto me olhava de cima a baixo (coisa normal nesse mundo de moda, acho que posso dizer que acostumei).
- Não que eu saiba - respondi, já decodificando o que estava acontecendo ali - Eu vou no desfile pra fotografar e depois escrever um texto pro blog da faculdade, mas... - (nisso ele já tava segurando o meu braço e me levando pra experimentar as roupas).
- Vai desfilar então - ele finalizou confiante e eu tive que rir.
Experimentei as roupas, recebi elogios e pensei "ah, dane-se, pelo menos vou ter uma segunda chance de andar numa passarela em vez de correr como fiz da última vez". Coloquei meu nome na lista e pronto, virei modelo de novo.
Hoje foi o ensaio e sábado é o evento.
Cheguei lá toda psicologicamente preparada pra ser a mais anã de todas e passar as próximas semanas questionando toda a minha existência vertical. Qual não foi a minha surpresa em constatar que as meninas tinham a mesma altura que eu? Choque, claro. Ano passado eu tava no nível do umbigo das modelos e esse ano tô conseguindo ver rostos. Ótimo! Até aí o saldo tava positivo.
Bastou um pouquinho de conversas introdutórias, porém, pra eu descobrir que as modelos ao meu redor eram todas (t-o-d-a-s) mais novas que eu. "Ai, então, sou da Europa e tô no primeiro ano do Ensino Médio aqui". Oi? "Que legal, eu tenho 14 anos", "Eu tenho 17, mas todo mundo diz que eu pareço mais nova".
Gente, cada vez que uma menina falava a idade aparecia uma ruga nova na minha cara. Nada como uma boa dose de modelos iniciantes pra fazer com que uma pessoa de vinte e dois anos se sinta como material arqueológico. Esqueci totalmente da "vantagem" em ser da mesma altura que as modelos quando percebi que tinha uma corcunda de velhice crescendo nas minhas costas.
Nos dirigimos à passarela e treinamos o ~andar~ (não que eu precisasse treinar alguma coisa porque todos aqui sabemos que já sou expert no assunto). O que eu tenho que admitir é que com os meus problemas de idade e tudo, eu tava meio preocupada que a pressão fosse cair ou a diabete atacar, sabem? Previ até uma crise osteoporótica no meio do negócio mas nada aconteceu, ufa.
Agora só esperar até o dia do desfile! Como ano passado eu deixei uma imagem meramente ilustrativa da fila de modelos, vou deixar vocês com a de hoje:
Vale dizer que apesar de idosa, minha pele estava bem mais bonita e sem espinhas que a delas. Algum benefício a idade avançada tinha que trazer.
Hoje eu quebrei o último copo de vidro que tinha sobrado do jogo de quatro. Os únicos que eu tenho agora são os que eu compro no cinema. Copos de capacidade pra pelo menos um litro cada um, temáticos e, ÓBVIO, de plástico. Eu tomo Coca-Cola neles, sabe. Virei esse tipo de pessoa, aparentemente.
Estou no final da minha primeira semana (são duas no total) de recuperação física e psicológica (férias). Minha rotina vira de cabeça pra baixo e, apesar de passar horas no computador, fico meio ausente das redes sociais, sem querer querendo. Apesar de ler tudo, ver todas as fotos, ficar sabendo de quem tá grávida e quem morreu (bom saber que pelo menos o Beto Carrero ainda tá firme), assisto os dias amanhecerem silenciosamente aqui do fundinho da minha caverna. Esqueço de comer, mas tenho boas idéias, sonhos cinematográficos e bom - tempo pra pensar na vida.
Falando em dias amanhecendo, o céu aqui já tá aquele azul escuro tipo "oi, tá começando outro dia no mundo das pessoas que acordam". Mas isso não significa nada porque provavelmente não vou conseguir dormir enquanto não chegar a uma conclusão sobre não ser capaz de manter copos de vidro na minha vida.
mas por enquanto não tô vendo muita luz no fim do túnel.
Essa semana é a última do trismestre da faculdade e isso significa que dormi duas horas noite passada e que serei obrigada a repetir o processo hoje.
Se eu conseguir me manter viva até o final da semana, venho aqui contar pra vocês. Se não, recomendo que deixem nos comentários suas últimas mensagens pra mim.
Tirar fotos com o celular ao longo do dia já virou um hábito. Estou sempre com o aparelho na mão e observando tudo ao redor. Acho a idéia de postar as fotos da semana no blog bem legal pra registrar a sequência dos acontecimentos tanto pra mim quanto pra vocês que me acompanham. Se vocês também gostarem da idéia, vou tornar isso uma "tradição de domingo" aqui. Comentem me dizendo o que acham, tá?
Quarta-feira, final da tarde na faculdade "Minha recente vida de fotógrafa"
Recentemente, fui chamada para ajudar alunos do curso de design com as fotos que eles precisam ter para seus respectivos portfólios. Ótima oportunidade para praticar meu interesse por fotografia e começar a construir o meu próprio portfólio. A experiência está sendo muito legal eu tô aprendendo muito.
Quarta-feira, mais tarde "Fazer compra em loja de comida japonesa dá nisso"
Estou cada vez mais viciada em comida japonesa (vide cheguei ao ponto de ir à uma loja especializada pra comprar tranqueiras, especiarias e peixe cru pra comer cru). Na foto: balinhas, "palitos" cobertos com chocolate, sorvete de melão e pasta de fazer miso soup. DE-LÍ-CI-A.
Quarta-feira, voltando pra casa "Já viram Vênus?"
Estávamos finalmente voltando pra casa e essa "estrela" estava tão brilhante que eu tive que tirar uma foto. Descobri depois que a "estrela" na verdade é Vênus! Muito legal.
Quinta-feira, de manhã na faculdade "Minha vida hoje é uma dor"
A cólica tava forte e eu tinha esquecido remédio. Como se não bastasse, cortei o dedo com papel daquele jeitinho especial que só oscapeta pra explicar a dor constante.
Quinta-feira a noite "Balada brasileira no Canadá"
Esse lugar é bem legal apesar de vez ou outra tocar funk e troços tipo "ai se eu te pego". Quando essa fase passa, a música é bem do tipo que eu gosto pra dançar, que aqui eles chamam de Top 40. O mais bacana é que a entrada é grátis antes das 11h e eles servem feijoada (boa) de graça também (comi lá as duas vezes e não morri). A festa brasileira é só de quintas, mas vale a pena.
Como vocês podem perceber, quebrei toda a minha rotina de pessoa que nunca sai pra baladas e saí não apenas uma, mas DUAS vezes essa semana. Essas são algumas das meninas da minha sala da faculdade, muito amor né? Era aniversário da primeira menina da esquerda (eu sou a ponta direita, caso vocês estejam em dúvida) e nada mais simpático da minha parte do que dar o ar da minha graça, certo?
Finalmente em casa, sexta-feira às 4 da manhã "Pior parte de ir pra festas/baladas"
Verdade. Haja paciência e amor pela pele facial pra pegar algodãozinho, liquidinho, elastiquinho e espelhinho às 4 horas de la mañana pra tirar maquiagem da fuça, né Brasil.
Domingo de manhã "Uia, me sinto em Dubai"
Esses prédios são residenciais e pelo que ouvi dizer, foram inspirados na forma Marilyn Monroe. Muito loucos.
Domingo, durante a tarde no shopping "Esse será meu estilo esse verão"
Sou uma pessoa phyníssima e até mando beijo quando o verão chega. Tirar foto dentro de loja é coisa de gente rica, sabiam?
"Dá até tristeza de abrir esse negócio... Ficou mais de DOIS meses no Brasil pra nada :("
Pois é, quem não me segue no Twitter (sigam lá, prometo que sou legal -> @cintialopez) ainda não ficou sabendo da novela que foi a não-entrega daquele presente que sorteei aqui no blog. Muito triste, chato, caro e frustrante. Vou contar tudo num post específico, em breve.
Tá. Eu sempre passei bastante tempo com adultos, fui um ano adiantada na escola, vou terminar a segunda faculdade antes de completar 23 anos e blá blá. Sou considerada uma pessoa "madura" pela sociedade. No meu ponto de vista, porém, eu sou simplesmente uma pessoa que reconhece que a existência de um cérebro no corpo humano não é coincidência. Minha suposta "maturidade", pra mim, é o normal - é o jeito que estou acostumada a ver e me comportar no mundo. O problema é quando me deparo com gente que parece não ter sequer remoto conhecimento do conceito "cérebro e suas funções". Costuma ser uma mistura de tristeza e irritação aguda, mas de vez em quando é apenas entretenimento.
Fazia tempo que eu não convivia de verdade com gente da minha faixa etária, e vou dizer pra vocês que olha, não é fácil. A mistura de futilidade e metidismo é tanta nesse mundo que cada vez mais eu tenho vontade de achar uma caverna pra viver sozinha. Minha rotina atualmente envolve ouvir coisas do tipo "nunca tive problema com dinheiro" de um ser de vinte e cinco anos que vive com os pais e não tem emprego. "Mas como você compra as suas coisas?". Pede dinheiro pros pais. "E as bolsas de marca?" - cada uma ganhada de um namorado diferente. Ai amg, vem conversar comigo sobre problemas financeiros quando você tiver uma vida, vai. É rir pra não chorar.
Acho bacana que, apesar dos pesares, o mundo tenha se tornando mais compreensivo com a questão "tempo". É relativamente normal, hoje em dia, que uma pessoa em torno de vinte anos de idade não saiba com certeza que rumo profissional tomar, por exemplo. Ou que mulheres só lá pros trinta anos comecem a pensar em ter filhos. Essas coisas. Isso no tempo dos meus pais não era normal. Dezoito anos era mais do que hora de arrumar emprego e sair de casa. Dava merda? Dava. Os pais acabavam ajudando? Sim. Mas a experiência era real, acontecia mesmo. Não sei dizer qual das abordagens é melhor, acho que ambas tem vantagens e desvantagens. Mas a nossa realidade de ter "mais tempo" não é desculpa pra ser idiota, sabe. Essa despreocupação que a minha geração parece ter com tomar decisões sérias e começar a vida de uma vez por todas parece que só tá atrasando o nosso desenvolvimento. Prova disso são as "super-crianças" que a gente vê por aí, fazendo coisas incríveis que adulto nenhum pensou ou teve coragem de fazer antes. Que bosta pra gente que tá só de telespectador, né? O famoso "eu também poderia ter feito isso" - só que não fez.
Eu acho que a gente tem muito potencial, recurso e capacidade de ser relevante no mundo. O que tá faltando é uma dose de realidade de quando em vez. Precisamos crescer um pouco. Esses dias ouvi, da mesma pessoa, "às vezes me dizem que eu vivo numa bolha. Não ligo pra essas pessoas porque eu sou feliz do jeito que eu sou". E se tirar pai, mãe e namorado, será que continua feliz?
É estranho porque quando a gente é criança, não vê a hora de ter quinze anos. Chegam os quinze anos, a gente quer logo ter dezoito. Chega no dezoito e a gente quer ter vinte e um. E aí vem o aniversário de vinte e dois.
...
Até daria pra esticar a próxima idade ideal e dizer que é vinte e cinco, mas não acho que seja boa ideia: vinte e cinco é quase trinta e números redondos passam a ser assustadores depois do vinte. Sabe qual é a conclusão disso? Acabaram-se as idades supostamente legais de ter. Fodeu, mano. Estou realmente ficando velha agora.
Como eu sou uma pessoa extremamente preocupada com o bem geral da nação e sempre busco diferentes maneiras de fazer com que a minha longa existência nesse planeta seja de alguma utilidade pública, preparei um pequeno quiz para vocês medirem seus respectivos níveis de velhidão e já começarem os tratamentos psicológicos antes que seja tarde demais.
SIM OU NÃO
1 - Existem cremes de pele especializados para a sua faixa etária que não só te protegem contra os raios solares mas também evitam marcas de expressão?
2 - Você já disse ou teve vontade de dizer alguma coisa que começasse com "No meu tempo as coisas eram diferentes"?
3 - No seu tempo, as coisas eram diferentes?!
Se a resposta foi "sim" para qualquer uma das perguntas acima, sinto informar mas vocês estão no bico do corvo tanto quanto eu.
Então me pediram para escrever sobre meu último ano de escola e é sobre isso que eu vou escrever!
Bom, eu ainda não decidi se tenho um problema de memória ou se sou apenas meio defasada no sentido mental da minha existência, mas eu não lembro de muita coisa. Por isso vou contar as partes principais e provavelmente mais importantes (uma vez que não lembro das outras partes e se não lembro é porque não traumatizei e se não traumatizei é porque não foi importante). Vamos lá.
Não estudei para o vestibular
Calma. Lê a história primeiro.
Logo que o terceiro ano começou, vieram fazer a lavagem cerebral sobre cursinho. Cursinho é importante, cursinho complementa, nosso cursinho é o melhor, faça o nosso cursinho. A princípio até me deu vontade de fazer (aparentemente todos os professores são muito mais legais e divertidos no cursinho) mas meus pais não tinham dinheiro pra bancar e eu também não tava muito aí pro terror todo que eles queriam me fazer sentir sobre o vestibular. Até perto do final do ano, eu tava certa de que faria jornalismo e sabia que se não tinha aprendido física até aquele ponto, não seria passando noites em claro olhando pra números e letras totalmente aleatórios (física nunca foi pra mim) que eu aprenderia alguma coisa.
O que eu fiz bastante foi simulado. Sempre tirava em torno de 60% porque nunca conseguia chegar até os 70% da prova sem querer mandar tudo pro inferno e sair logo da sala. Com base nisso, concluí que se eu realmente me desse ao trabalho de prestar completa atenção em 100% da prova, possivelmente conseguiria uma porcentagem passável na prova de verdade.
Antes que você pivete chame sua mãe pra mostrar esse texto, justificar sua vagabundice e dizer que se eu consegui você também consegue, saiba que sempre fui nerd (no sentido 1997 da palavra). Nunca fiquei de recuperação, não costumava tirar notas baixas, sempre me garanti. Com base nos meus erros nos simulados, às vezes ia tirar umas dúvidas com os professores, procurava pela resposta certa e esse tipo de coisa. Mas essa foi toda minha preparação para o vestibular.
No fim, mudei de ideia sobre o curso que queria fazer, mas já era tarde demais porque minha inscrição pra Fuvest tinha ido com jornalismo como primeira opção e alguma outra coisa muito absurda como segunda. Sinceramente não lembro o que foi a segunda, mas com certeza não foi Letras (até porque Letras não era uma opção sequer remota na minha cabeça até aquele ponto). Não passei na USP pra Jornalismo - evidentemente não lembro quanto eu tirei, mas lembro que se tivesse escolhido Letras eu tinha passado - e também pudera, quando prestei a Fuvest, eu já sabia que tinha passado no curso que eu queria fazer (e fiz) em outra faculdade e portanto aquele meu plano de prestar 100% de atenção na prova simplesmente não ocorreu.
Finalmente passei a ser mais confiante
Além de ter feito certas coisas inescrevíveis e que não vêm ao caso porque esse é um blog de família, finalmente passei a ter mais confiança na minha própria pessoa. Cantava com uma amiga nos intervalos (minha escola tinha a maior produção musical nos intervalos), tinha mais amigos na sala, praticava meus esportes e bom, era feliz. Na verdade foi a partir do segundo ano do ensino médio que as coisas começaram a ficar mais legais - não que antes fossem ruins (sétima série foi uma das piores), mas alguma coisa aconteceu que melhorou. Talvez tenha sido o fato de que duas meninas apareceram grávidas do nada - ou então apenas o fato de eu ter descoberto as maravilhas que secadores de cabelo podem fazer com um ser humano.
Outras coisas
Acabei de perguntar no Twitter e no Facebook o que mais vocês (leitores e seguidores queridos do meu coração) acham difícil sobre o ensino médio. Nem tudo que vocês disseram foram coisas pelas quais eu passei, então vou dar pitacos:
- o ato de ir para escola
Realmente é uma chatice. Sempre estudei de manhã e sempre odiei acordar cedo. O esquema é deixar as coisas arrumadas pra levar na noite anterior, deixar o uniforme perto da cama (se não já dormir pelo menos com a calça, pra ser mais rápido de manhã - todos fazem isso), lavar a cara com água fria quando acordar (mesmo quando estiver frio, não seja fresco), comer alguma coisa boa antes de sair e sair.
- pais e professores enchendo o saco ao longo do ano inteiro
Seja sincero com você mesmo e com as pessoas ao redor. Sério. Se você não sabe o que quer fazer porque realmente tá na dúvida sobre o escolher, converse com alguém legal de conversar e peça ajuda. Se você realmente é preguiçoso e não tá nem aí com a vida, você que tá errado né filhão, ou aguenta a encheção ou resolve o problema. O ano passa rápido e deve ser muito ruim perceber só depois que você ficou pra trás.
- o que acontece com o namoro
Cada caso é um caso. Dos meus amigos e conhecidos, uns terminaram e outros continuaram firmes e fortes. Eu sou meio cética sobre namoro a distância (caso um dos dois vá estudar em outra cidade), mas não digo que é impossível. O osso é que tem pessoas que a partir do momento em que entram na faculdade, entram também num clima que supostamente é o ~clima de faculdade~ (beber, sair, ficar com um milhão de pessoas diferentes nas festas etc). Eu sempre achei isso idiota e feliz ou infelizmente, vai de cada um. Conversar bastante com o(a) namorado(a) é a minha sugestão.
- medo de repetir de ano
Eu nunca passei por isso (ainda bem), mas até como professora, meu conselho é que você seja claro e objetivo tanto sobre as suas dificuldades quanto sobre o que você pode fazer pra superá-las. Professores não vão recusar uma ajudinha extra, e se recusarem, você pode ir conversar com algum coordenador ou até o diretor da escola. Assim, as pessoas saberão que você está tentando fazer o melhor que pode e, se mesmo assim der merda, os professores vão ser bem mais suaves na hora de decidir o seu futuro escolar. Professores sabem a diferença entre quem tem dificuldade (mas se esforça) e quem é relaxado.
- distância dos amigos depois que a escola termina
Isso vai totalmente de você e dos seus amigos. Eu mantenho contato com grande parte dos meus amigos da escola, e quando ainda estava no Brasil a gente sempre se encontrava e fazia coisas juntos. É claro que a dinâmica das amizades muda, porque vocês dificilmente se verão todo dia como costumavam fazer na escola - especialmente quando começam a trabalhar. Mas dá pra fazer funcionar e é muito bom quando funciona: histórias de ensino médio nunca morrem.
Cheguei no lugar do evento surtando porque achei que tava atrasadíssima, que não ia dar tempo de fazer minha maquiagem, que meu cabelo ia ficar horrível, as roupas não iam servir e... só o professor tinha chegado. Pouco tempo depois, as outras meninas apareceram e então todas fomos sentar para começar a fazer o que faríamos pelas próximas horas: esperar.
Nos levaram para uma sala gigantesca e só naquele momento eu percebi o quanto eu estava faminta. Eram cinco da tarde e eu não tinha almoçado ainda. Para a minha sorte, a primeira coisa que eu avistei quando cheguei na sala foi uma mesa com três bandejas de sanduíches (do Subway! Com potinhos separados de azeitona, pimentas e molhos!) empilhados em forma de pirâmide. Meu instinto foi mergulhar na bandeja e morder todos os sanduíches simultaneamente, jogando condimentos pro alto e passando os pães na cara de tanta felicidade por existir gente nesse mundo que se preocupa com a minha fome. Mas aí lembrei que estava entre modelos. Ninguém nem tocava na comida e eu naquela agonia de querer comer pelo menos uns doze sanduíches de uma vez só. Discretamente, comi um (tava com tanta fome que nem me dei ao trabalho de tirar uma micro fatia de queijo que muito teria me perturbado caso o contexto fosse outro).
Logo que os cabeleireiros e maquiadoras chegaram, me chamaram para fazer o cabelo. Obviamente, eu tinha imaginado um penteado volumoso e esvoaçante, ondulado na medida certa para valorizar o formato do meu rosto e me agraciar com uma confiança digna da top model que vive dentro de mim. O penteado que me fizeram foi mais ou menos assim:
Bom. Foi chegando a hora do desfile e quando minha maquiagem ficou pronta (com o detalhe pertinente de que a maquiadora disse que minha pele é ótima e ficou convincentemente surpresa quando soube que eu não era modelo de verdade) fomos todas para o salão do desfile para nos trocarmos.
Coloquei a primeira roupa e os sapatos. Menos de cinco minutos (ou pelo menos foi o que pareceu) depois, a música já estava tocando e uma mulher estava falando no microfone, explicando um pouco sobre o evento e introduzindo a parada toda. Me disseram que eu era a número dez e eu fiquei lá tranquilona achando que ainda fosse demorar um tempão antes que chegasse a minha vez. Antes de eu conseguir concluir esse calmo e confortável pensamento, me puxaram pra ir pra fila com urgência.
Gente. Até aquele mesmíssimo momento eu não estava nem um pouco nervosa. Na hora que eu subi o primeiro degrau da escadinha pra passarela, meu pobre coraçãozinho começou a hiperventilar instantaneamente. Quando vi já tava lá.
As luzes eram fortes. Mesmo tendo estado na passarela no dia do ensaio e sabendo qual era o formato, a comprimento e a altura, na hora eu não estava vendo nada. Andei no ritmo da música e olhei para frente. De algum modo, quando pisquei de novo, eu já estava de volta atrás do palco e minha primeira roupa estava sendo arrancada por desconhecidos enquanto outros me colocavam no segundo e último vestido. O vestido.
Quando experimentei o vestido antes, ele me serviu direitinho - a não ser pelo comprimento que precisava ser um pouco diminuído. O professor disse que faria isso naquela noite mesmo e tudo ficaria ótimo. Não fez. Coloquei o vestido na hora do desfile e gelei num terror repentino. "- Vou cair nessa merda, tenho certeza", eu pensava enquanto me espetavam com alfinetes e colocavam fitas dupla-face nos meus peitos para a parte de cima colar. Sentei num canto (a coleção dos vestidos era a penúltima) em ligeiro estado de calamidade interna. "- Pior vai ser se eu sair catando cavaco", pensava. Logo vieram me chamar, já estava na hora.
Mais uma vez, andei no ritmo da música e olhei pra frente. Não só NÃO caí, como andei até meio rápido demais. Lembro de que o tempo que eu fiquei parada para as fotos pareceu uma eternidade e, como num piscar de olhos de novo, eu estava de volta nos bastidores, dessa vez respirando aliviada que tinha dado tudo certo.
A principio eu me voluntariei para trabalhar nos bastidores. Não sabia se tinha ouvido direito quando o professor disse que precisavam de voluntários tanto para os bastidores do desfile e como para desfilar de fato, mas como sou provida de uma ou outra célula de modéstia, pensei que mesmo que fosse o caso de precisarem de modelos, EU não serviria pra ser uma delas, afinal, né? É. Então. Como achei que seria legal estar no evento de qualquer maneira, mandei um email para o professor confirmando a minha presença.
Alguns poucos dias se passaram e eu comecei a surtar levemente com a falta de informação sobre o que eu teria que fazer, quais seriam as responsabilidades e do que realmente se tratava esse tal evento. O professor respondeu com a lista dois dias depois. O evento é gigantesco. É tipo uma convenção com tudo que se pode imaginar sobre fazeção de roupas. Um milhão de stands divulgando desde tecidos para sofá até cristais Swarovski. Ao longo dos três dias de evento, ocorre uma espécie de campeonato entre os grupos de melhores alunos das principais faculdade de Design (não sei se do país inteiro ou só da província). Eles têm que construir uma roupa específica baseada no tema que é dado pra eles logo no início. Sei lá, basicamente é isso. O que importa é que junto com a resposta sobre o que era o evento, o professor mandou também uma humilde lista de VINTE E QUATRO coisas que seriam responsabilidades totais e completas dos dressers, entre elas:
- ajudar a vestir as modelos,
- colocar roupas na ordem certa,
- conferir e arrumar todos os acessórios,
- conferir e arrumar todos os sapatos,
- manter as modelos calmas e relaxadas,
- levar linhas e agulhas (evidentemente partindo do pressuposto que os voluntários sabem o que fazer com elas)
- passar e vaporizar as roupas (evidentemente achando que os voluntários já fizeram isso alguma vez na vida) e resumindo: ser um dos peões do desfile.
Minha reação foi tipo:
Tentei me convencer de que seria legal, de que eu não estragaria roupa nenhuma, de que não haveria motivo pra eu ter que tranquilizar uma modelo e, bom, finalmente admiti que eu não tenho grandes poderes de persuasão quando a pessoa a ser persuadida sou eu mesminha. "Merda", pensei. "Agora já era... se pelo menos ainda precisassem de modelos...".
No dia seguinte, uma outra professora comentou que ainda estavam precisando modelos. Fiquei meio assim porque eu já tinha confirmado que trabalharia nos bastidores, mas a minha decisão era simples. Se me aceitassem como modelo para o desfile, eu desfilaria. Convenhamos, a escolha era uma lista de vinte e quatro responsabilidades, preocupações, agulhas e ferros de passar roupa versus sentar confortavelmente numa cadeira para que profissionais façam seu cabelo e maquiagem, vestir roupas diferentes e andar numa passarela ao som de música legal.
Eu e mais uma menina da minha sala fomos experimentar as roupas logo após a aula - na sala dos professores. Experiência peculiar essa de colocar roupas esquisitas na frente de gente que lidou com modelos de verdade a vida inteira, viu. Ainda mais sem espelho nenhum em volta. Bom, entrei lá Cintia, saí de lá oi-sou-modelo-e-quero-cinquenta-toalhas-brancas-música-instrumental-contemporânea-e-frutas-silvestres-no-meu-camarim-vocês-que-se-virem-seus-meros-mortais.
Ontem foi o ensaio. Todas as modelos (oi, sou modelo) se encontraram no lugar onde vai ser o desfile. Queriam que víssemos a passarela, testássemos a iluminação, posicionamentos e todas essas coisas de praxe que eu passei a minha vida inteira não imaginando. Mas foi interessante; é um ambiente bem distinto de qualquer coisa que eu já presenciei. A verdade é que fazer parte de um evento desses (com mordomias e tudo) é uma daquelas oportunidades que simplesmente não dá pra negar, né?
A parte dois dessa história eu conto aqui no blog depois do desfile. Por enquanto, deixo vocês com uma imagem meramente ilustrativa da fila de modelos no ensaio de ontem.
(sou a segunda da direita pra esquerda, caso não tenha ficado claro)
Ficamos a semana inteira planejando o piquenique, pensando no melhor lugar para ir, torcendo pro tempo estar bom.
Chegou o dia e eu acordei relativamente cedo (meus parâmetros). Abri a janela e o tempo estava maravilhoso. Tínhamos decidido ir à um lugar perto, então eu tive bastante tempo para me arrumar e preparar os sanduíches perfeitos que eu fiquei imaginando durante aquela semana.
Primeiro fiz o patê de atum: piquei a cebola em pedaços bem fininhos, coloquei azeitona e cenoura também. Depois lavei alface e tomates. Fatiei os tomates cuidadosamente. Abri a geladeira e peguei o salame que finalmente havíamos encontrado depois de incontáveis idas à supermercados diferentes - todos que eu experimentava não eram bons o suficiente. Queria dois tipos de sanduíche: de patê e de salame. Delícia.
Enquanto isso, ~ele~ estava colocando umas coisas em ordem no apartamento. Juntou uns papéis para levar pro lixo e tava arrumando coisas aleatórias.
Preparei os sanduíches com aquela fomezinha safada de quem antecipa uma refeição específica por dias. Cada camada que eu colocava nos sanduíches eu soltava um suspiro de "ai que cheirinho bom". Embrulhei cada um separadamente em papel alumínio e coloquei todos dentro de uma sacola, prontos para levar.
Como ele ainda estava terminando de se arrumar pra sair e eu já estava pronta, resolvi levar o lixo todo para fora. Peguei minha bolsa, os sanduíches e os sacos de lixo para jogar fora e já chamar o elevador. Ele, como sempre todo solícito, quando me viu saindo se ofereceu pra levar o lixo e me pediu apenas para pegar os sucos e o encontrar no elevador. "Fofo", pensei. Entreguei os sacos de lixo e a sacola com os tão desejados sanduíches, sem saber que essa seria a última vez que os veria.
Dois minutos depois, no exato momento em que me ocorreu a ideia que ele talvez não tivesse percebido que a sacola com os sanduíches estava junto com as de lixo (visivelmente diferentes, vale acrescentar) ele abre a porta. O olhar era de terror, desespero. Dava pra ver que soava frio.
"- Você não me deu os sanduíches né?"
Gente.
Eu dei os sanduíches pra ele. Ele jogou os sanduíches fora. Todos. No lixo. Lixo de todos os apartamentos. Irrecuperável. Todos os sanduíches.
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Deixo vocês com uma imagem minha ao lado do meu piquenique daquele dia.
Procuramos pela caixa de suco por toda parte. Em todos os cantos da geladeira, embaixo da mesa, nos armários de pratos, dentro da máquina de lavar louça. Não estava em lugar nenhum. Era impossível ter sumido daquele jeito, além de completamente frustrante (afinal, não tínhamos tomado nem um terço dos dois litros do delicioso suco dentro da caixa desaparecida), mas acabou que nos conformamos. Não adiantava ficar procurando infinitamente e bom, ainda tinha suco de laranja.
Gente, passou quase uma semana. Ele tava no trabalho e eu decidi limpar o banheiro. Abri o armário dos produtos de limpeza pra pegar o que eu precisava e ADIVINHA QUEM TAVA LÁ:
ACHÔ!
Pois é. O suco de uva tava na própria cozinha durante todo esse tempo. O pior de tudo: tenho quase certeza de que fui eu quem colocou ele lá.
Tem um Kinder Ovão de páscoa aqui na mesa há dois dias. Olho para o ovo e ele tá lá, todo reluzente e embrulhado. Todo laranjinha e branco, olhando de volta pra mim fixamente tipo "oi, abra-me".
Nem encostei nele direito. Admito que a curiosidade de ver qual é a supresa gigante que me espera dentro do ovo (tenho vinte e um anos e gosto das surpresas do Kinder Ovo e você que é feio? Me deixa) cresce em progressão geométrica toda vez que ameaço olhar pra ele. Aí vocês ficam todos tipo "nossa, que disciplinada, vai esperar até o dia da páscoa para abrir o chocolate", né? ("-É"). Então, só que essa coisa da data nem tinha passado pela minha cabeça até eu começar a escrever o texto. Não abri o ovo porque não, simplesmente.
Olho pra ele e fico imaginando o que tem lá dentro, pensando na hora em que eu for abrir o pacote e partir o chocolate ao meio, torcendo pro ovo ter vindo com o defeito mais delicioso que um Kinder Ovo pode ter: camada dupla de chocolate.
Mesma coisa com o celular novo. Comprei semana passada. Branquinho, brilhante, mais limpo que a vida. Sabe quando você até segura com as duas mãos de tanto cuidado? Tipo isso. Esse celular novo não só é novo como também é o primeiro celular recém-saído de uma loja que veio diretamente para a minha posse (Salva de palmas) (Obrigada). Bom, celular novo é sinônimo de plastiquinhos protetores e plastiquinhos protetores são controversos.
Sempre perdi noites de sono indignada com a (até então vista como) frescura que meu pai tem de não tirar os plastiquinhos protetores dos celulares novos que ele compra. Aquela coisa de pegar o celular para ligar pra alguém e ter que lidar com aquele monte de bolhas de ar que se formam em baixo do plastiquinho. Isso sem contar os cantos do plástico que vão se contercendo dramaticamente numa espécie de grito de socorro tipo "me tira daqui porque não me pagam a hora extra".
Não tirei o plastiquinho protetor do meu. Tá aqui, nesse mesmo estado deplorável que eu descrevi acima - digno de pedido de alforria, judiação. Mas não tem jeito: o momento de tirar o plastiquinho é único. Agora eu sei o que é isso. É o tipo de experiência que não tem volta (mesmo que você tente colar o plastiquinho de volta e ele fique no lugar certo: não é a mesma coisa - todo mundo sabe disso). É preciso esperar pelo momento certo.
Sou assim até com pensamentos, às vezes.
- pausa para o momento crítico em que eu me pergunto se devo terminar o post por aqui e assim tentar preservar um pouco da imagem de pessoa normal que eu acho que passo para vocês, queridos leitores desse blog. Tarde demais, vamo que vamo -
Quando tenho alguma coisa legal para pensar (seja uma festa que vai acontecer, uma viagem ou até uma idéia para um texto), deixo o pensamento guardado pra mais tarde. Gosto de tirar um tempo para pensar em coisas legais porque, assim como se eu estivesse abrindo o Kinder Ovão, gosto dos detalhes do processo. Penso com cuidado na roupa, na maquiagem, na cor do esmalte. Se for um texto, penso no que quero dizer, nos parágrafos, nas palavras.
Faço esse tipo de coisa desde criança, na verdade. Agora que tô refletindo sobre esse assunto, tô lembrando que semanas antes de todos os primeiros dias de aula, eu ficava pensando no meu material (sempre adorei material escolar novo) - os lápis de cor fechadinhos na caixa, os cadernos novos, as réguas. Sabia que estava tudo no armário, mas não mexia. Pra material de escola eu costumava esperar até o último dia antes de ir lá arrumar tudo para começar a usar.
Aí foi o meu aniversário no final do janeiro (parabéns para mim, agora sou internacionalmente maior de idade) e o meu beloved sweetheart resolveu por bem me jogar de um avião para comemorar.
Pular de paraquedas é uma daquelas coisas que constam na lista de "Coisas a Fazer antes de Morrer" de muita gente. Constava na minha e ele sabia. Ok.
Cheguei lá, preenchi umas fichas, recebi recomendações de comer e de assoar bem o nariz (?) e sentei pra ver os outros pulantes. É o processo da fila dos parques de diversão. Você observa todo o procedimenro repetidas vezes, acha que "pff, nem é TÃO alto", conta no relógio quantos minutos dá e assim por diante. Estava no meio dos meus pensamentos sobre a gravidade quando de repente chamaram o meu nome. A mulher tinha falado que eu iria no avião treze e o aquele ainda era o onze. Minha preparação psicológica evaporou-se instantaneamente.
"- Tem uma vaga nesse de agora então a gente vai te colocar pra saltar agora!" - disse ela, animada.
Certo.
Todos já estavam sendo preparados por seus instrutores engraçadões ("se o paraquedas não abrir eu nunca mais quero te ver hein!", na mesma praça, no mesmo banco) e eu lá desnorteada, esperando pelo que viria a seguir - não tinha nem sinal de instrutor engraçadão para mim. Já tava cogitando pular sem paraquedas e sem instrutor quando chegou o ajudante do instrutor. Estagiário de instrutor de paraquedismo. "- Morri", pensei. "- Esse fulano vai me amarrar errado e MINHAS CORDINHA não vão funcionar". Todo mundo com seu respectivo experiente e preparado instrutor e só eu com um assistente.
Vesti a parafernalha toda e o menino ia tirando corda de tudo quanto era canto daquele macacão. Enquanto ele me amarrava, ia tentando "quebrar o gelo" (que não existia porque eu tava super calma) com as mesmas piadas ensaiadas dos instrutores de verdade, porém de alguma forma misteriosa elevadas à enésima potência do sem graça. Ele falava tão baixo que minha vontade era dar um soco na barriga dele pra ver se ele cospia a batata que tava entalada na garganta. Super calma.
Bom.
O instrutor e a fotógrafa finalmente chegaram, e tudo tava sendo meio rápido. "Vão esquecer de amarrar a única corda que precisa estar amarrada, tenho certeza", pensava. Começou a tiração de foto e o meu instrutor era o único dentre todos que não fazia piada. Ou é O cara ou é O chato, né (até agora não cheguei a uma conclusão sobre isso). A alça que tava no meu ombro direito ficava caindo e eu já tava imaginando o meu braço desconectado do corpo quando mencionei despretenciosamente pra ele: "então sabe, é que tá meio frouxo aqui". Sem nem sequer desviar o olhar do que tava fazendo, ele disse "- Eu vou apertar tudo quando for a hora" [barulho de chicote]. É, tá bom, nem queria mesmo. Vamos pular logo desse avião pra ver o que acontece.
Todo mundo tinha ido numa espécie de prancha de treino para fazer papel de idiota praticando a posição da queda, menos eu. Óbvio que eu já tinha prestado atenção no que tinha que fazer, mas tipo, tavam contando bastante com a minha astúcia pra simplesmente pressuporem que eu já tava sabendo do esquema. A gente tava se dirigindo ao trator que nos levaria ao avião quando a FOTÓGRAFAlembrou que precisava fazer a foto d'eu pagando de louca na pranchinha de treino. Deitei duvidando muito que aquilo realmente fizesse qualquer diferença uma vez que eu ia morrer de qualquer jeito porque minhas cordinha tava tudo frouxa, o instrutor deu uma arrumada básica na minha posição, explicou que na hora da saída mesmo do avião eu devia manter meus braços próximos ao corpo e blá. PENA que você não teria me falado nada disso se a fotógrafa não tivesse fazendo o trabalho dela direito né, instrutor.
Apesar de tudo ele realmente me passava a imagem de saber o que estava fazendo. Depois da locomoção via trator (!) até o avião, quando eu tava descendo e me encaminhando para o destino que me aguardava, ouço a voz dele logo atrás me cortando as perna: "A partir de agora você não saia mais de perto de mim". Nem lembro o que ele tava fazendo que demorou tanto, mas sei que galera toda já tava se organizando dentro do avião quando a gente chegou.
O avião em si era pequeno e o povo vai bem amontoado, dentro. Aquela ventania da hélice e eu só vendo que o lugar que tinha sobrado pra mim era o do lado da porta. Devo dizer que o conceito os-últimos-serão-os-primeiros nesse caso origina uma sensação ligeiramente intensa. Subi as escadinhas quase voando ALI mesmo (porque tava uma ventania furacônica vindo daquelas partes de avião que eu não sei o nome), e me sentei bem na frente do instrutor. A fotógrafa ainda entrou por último e competentemente conseguiu um lugar bem no fundo pra se sentar, não que pra ela fizesse qualquer diferença, né. Prossigamos.
Aqui entra aquela coisa do parque de diversão. Você na fila: "Nossa, maior rápido esse brinquedo, nem dá graça, todo esse tempo na fila pra três minutos de brinquedo" e "Mas né, se você reparar bem, nem é tão alto". Você no brinquedo: "Como demora pra chegar lá em cima, não?" e "Puxa, aqui de cima agora parece BEM mais alto, que coisa". Pois é. Na minha percepção, o avião subia e liberava o pessoal super rápido e nem ia tão alto. Eu fiquei dentro do avião tempo suficiente para chegar ao Rio de Janeiro (sem parar de subir em momento algum). Segundo os meus pais, o meu grupo REALMENTE demorou mais pra descer porque de fato pareceu que o avião foi mais alto do que os anteriores. Mas como eles também tavam botando ovos dinossáuricos com idéia de terem sua primogêntica adesivada no chão, a opinião deles só conta 70%.
Todo mundo conversando despojadamente dentro do avião, fazendo perguntas irrelevantes sobre sei lá, a estratosfera, para fingirem que não estavam nervosos e eu em silêncio, só pensando se daria pra passar no meio de uma nuvem e, caso isso acontecesse, se eu acabaria provocando a formação de um raio e eventualmente morreria eletrocutada. Sou uma pessoa normal. Fui arrancada do mundo das divagações sobre mortes improváveis por uma câmera ridiculamente próxima ao meu rosto e o instrutor perguntando se tava tudo bem e se dava pra encarar a altura. Eu estava muito tranquila. Não achei que fosse ser tão fácil, pra falar a verdade.
Quando já sobrevoávamos o Acre, o povo começou a se mexer. Todos estavam se arrumando, recebendo instruções de seus respectivos instrutores, colocando os óculos e APERTANDO AS CORDINHA. A única coisa que o meu instrutor disse, porém, foi que quando faltasse três minutos para que a gente abrisse a porta, ele começaria a me arrumar. Só nessa hora que eu perguntei se nós seríamos os primeiros a pular. Resposta: Sim.
Logo em seguida ele me perguntou quanto eu pesava. "- Quarenta e oito", respondi, seguida pela risada geral da nação. O instrutor do cara ao lado falou "- NOSSA, sério? Haha! A gente vai chegar no chão antes de vocês então, eu peso 110kg e ele 90kg HAHA". Me resumi à minha insignificância quilogrâmica e o meu instrutor disse pra eu relaxar que o nosso salto ia ser bem "suave".
Passaram-se os três minutos, ele me cutucou no ombro e disse pra eu fazer o contrário do que eu todo mundo tinha feito. "- Tá vendo como ele tá ajoelhado aí do seu lado? Então, não é isso que é pra você fazer. Agacha e fica bem perto de mim". Finalmente ouvi uns cleck de cordinhas sendo arramadas e conectadas onde deviam e a porta do avião abriu. O cara que estava sozinho e até então DORMINDO virado de frente pra mim, levantou e ficou bem no limite do avião, se segurando no teto com uma mão só. Aí o meu instrutor disse: "- Ele e mais um cara vão pular antes porque estão sozinhos, mas de dupla somos nós primeiro". De repente o barulho do avião mudou. "Parou", pensei. "Bom, se essa merda cair pelo menos eu tô de paraquedas. EU ACHO". Nisso o cara que tava na porta já tinha sumido. O segundo que o instrutor disse que ia pular antes da gente também só lembro da presença porque o espaço era pequeno e tava todo mundo se esbarrando. E eu lá a menos de um palmo do CÉU.
O período entre a abertura da porta e a minha saída do avião pareceu muito grande, embora provavelmente não tenha sido. Tive bastante tempo de olhar a paisagem e me acostumei fácil com a altura que a gente tava. É muito diferente olhar pela janelinha e olhar com a porta aberta, mas é uma sensação boa. Eu realmente tava muito calma e depois, assistindo o vídeo, deu pra comprovar. O instrutor me dava uns cutuco no ombro pra fazer isso, fazer aquilo, colocar a mão na porta, não colocar a mão na porta - disso eu nem lembro direito.
"É a nossa vez, vai virando em direção a porta pra gente ficar de frente mesmo e posiciona os pés bem no limite do avião", ele disse. A fotógrafa se materializou na parte externa do avião e eu dei um sorriso pra foto enquanto o instrutor me balançou pra frente, pra trás, e pra FORA.
VENTO e barulho alto, muito alto. Pressão nos ouvidos e vento. Nos vídeos parece fácil deixar os braços alinhados ao corpo mas não é. Às vezes lembro da fotógrafa bem na minha frente, às vezes acho que não tinha é nada, só azul. Nossa, como o dia tava lindo, inclusive.
Diferente dos brinquedos de parque de diversão, eu consegui dar uns gritos e não passou pela minha cabeça em momento algum o pensamento "pronto, morri". Vento, vento, vento. Ao contrário do que eu imaginava, pareceu bastante tempo caindo, e apesar de todo aquele tempo de queda, não parecia que a gente tava se aproximando do chão. De repente a gente deu giro e ele abriu o paraquedas. Só nessa hora que eu senti que tinha alguém atrás de mim. Senti um baque forte das cordinha me apertando (depois descobri que meus ombros ficaram doendo um pouco onde as amarrações estavam) e a gente subiu. Minhas pernas acho que bateram na cabeça do instrutor de tanto que subiram. Rysos.
Dali em diante eu fiquei surda. O ouvido ficou doendo um pouco da pressão (e isso é uma coisa que ninguém fala - não sei se porque só aconteceu comigo ou porque o povo quer fingir que é forte e tem ouvidos super treinados contra variações drásticas de pressão). O instrutor me parabenizou e perguntou o que eu tinha achado. "Muito bom". Por mim eu ficava caindo mais uns cinco minutos. A parte do paraquedas em si foi meio ruim porque a impressão que deu foi de que ele tava girando aquele negócio muito rápido e eu não gosto de brinquedo giratório. Ele me deixou pilotar o coiso um pouco - nada mais é do que DUAS CORDA, uma numa ponta do paraquedas, outra do outro. Basicamente: se você puxa pra um lado gira praquele lado e se puxa do outro, gira pro outro.
Na primeira vez que eu olhei pra baixo mal dava pra ver pontinhos humanos, na segunda vez que eu olhei a gente já tava do lado da árvore. Ele, chato, enquanto a gente ainda tava lá em cima, me fez ficar levantando as pernas a noventa graus pra "treinar" a aterrissagem - mal conseguia levantar ozóio, quem dirá as pernas e, tipo, a noventa graus. Não fiz direito o que ele pediu lá em cima porque não quis, mas quando chegou a hora, eu fiz direitinho. Aterrissei de bunda e do jeito que eu caí, eu fiquei.
O meu ouvido ficou doendo mais uns quinze minutos e assim que o instrutor me resgatou do chão e eu levantei, me deu tontura, segundo o boato que corre, porque eu não tinha me alimentado direito (vó, não briga comigo). Voltei o caminho inteiro dormindo o mais profundo sono bela-adormecídico e foi ISSO!
Faria (e farei) de novo mais vezes e as considerações finais são: é tranquilíssimo pular (ser pulado) do avião e dói o ouvido, apesar das pessoas nunca comentarem sobre isso. A sensação de adrenalina é diferente (e talvez até menor) de tudo de mais radical que eu já tinha feito. Naqueles pêndulos de puxar a cordinha ou até mesmo nos ditos elevadores de parques de diversão, a adrenalina me parece maior porque as quedas são inesperadas - você não sabe exatamente quando é que vai dar o click e você vai cair. O paraquedas não, você sabe o que espera e quando te espera. Mas é bom. Vale a pena e eu quero muito fazer de novo. E levar o bonito junto, que até o final do ano passado nunca tinha ido numa montanha russa grande e tava todo com medinho no parque, rysos.
Outra coisa que eu quero fazer é bungee jump. Vou pular lá entre aquelas duas montanhas da África e aí venho aqui contar pra vocês.
Agora me digam: pulariam de paraquedas? E se já pularam - doeu o ouvido?!
Atualização: Postei o vídeo no meu canal do Youtube!