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6 de dezembro de 2008

A Crocodila Baiana - terceiro episódio

#10


- Qual seria o seu método para acabar com o mundo, Cíntia?
- Hm...
- Bom, o meu é simples. Eu criaria um creme capilar que derretesse o cérebro das pessoas.


Certas coisas são realmente simples. 

#11

No meio da sala, aquele ambiente selvagem, um dos pequenos olha pra mim e conclui:

"- A Cíntia não gostaria de estar aqui".

Eles sabem quando eu estou de TPM. E eu juro que estava só sentada, tipo, sem arrancar a cabeça de ninguém.

11 de abril de 2008

A Crocodila Baiana - segundo episódio

Da série Crocodila Baiana - Reflexões, Explicações e Conclusões.

#6

- Ô Cintía*, você chegou a ver a explosão de chocolate que aconteceu em Beberly Hiutom?

- Onde?

- Beberly Hiutom [escrevendo em um papel].

- ...

- Chegou a ver?

*Cintía = Sim, tia. [!]

#7

- Professora, por que eu não sou uma formiga? Sério, se eu fosse uma formiga eu não precisava estudar.

- Você não sabe da vida das formigas.

#8

- Sobre o que é esse livro?

- Sobre o cérebro. Arrancaram o meu cérebro, por isso sou burro.

#9

- Eu preciso tirar minhas dúvidas de Ciências.

- Por quê?

- Porque eu costumo dormir nas aulas.

21 de março de 2008

A Crocodila Baiana

Como havia prometido, o material do caderno até então confidencial será compartilhado com meus prezados leitores (quem melhor, não é mesmo?). Depois de muita reflexão tentando escolher entre escrever um poema ou uma nova enciclopédia, optei por criar uma série que batizei de 'Crocodila Baiana' por motivos que vocês logo entenderão. Dentro dela, dividirei as ocorrências anotadas no caderno em tópicos. Enfim, como teoria é sempre chata e no final a gente só aprende direito com a prática, vamos ao que interessa.

Da série Crocodila Baiana, Certas coisas são óbvias.

#1

- Prô, posso limpar minha borracha na parede?
- Não, né. Limpa embaixo da mesa. Se você limpar na parede vai sujar a pobre coitada.
- Ah, e daí? Eles nunca arrumam a quadra.

#2

- Ô prô! Eu vou contar pra coordenadora que o Fulano não trouxe a apostila de matemática dele.
- E por que você está mexendo nas coisas dele?
- Pra copiar a lição ué.

#3

Contextualizando: A questão na apostila pedia para que o aluno explicasse o motivo de Bete e Joelma terem descido, juntas, as escadas.

'Bete desceu e Joelma desceu porque são muito amigos e amigos nunca se separam.'

Enquanto eu lia a resposta, ele me olhava com aquela de 'por-favor-me-deixa-ir-embora'. Terminei de ler e olhei para ele, atravessando seus olhos e perfurando sua alma:

- Você sabe muito bem que essa não é a resposta certa.
- É, só que essa é a minha opinião e uma opinião não pode estar totalmente errada. Olha minha outra lição, vai.

#4

- Sabe o que é adultério, prô?

Eu, pensando: Será que foi uma retórica ou será que ele está realmente querendo saber o que é? Respondo que sim e saio andando, simplesmente ignoro ou explico o que é? Até onde esse assunto pode chegar e por que será que surgiu?

- Não, o que é?
- É um lugar onde só os adultos podem ir. Proibido para menores de 18 anos.

Eu, pensando: Ufa.

#5

Observação: De longe, eu percebi que ele estava concentrado demais no que estava fazendo. Concluí acertadamente que, fosse o que fosse, não havia nem chance dele estar fazendo lição.

- Já terminou sua lição?
- Peraí, deixa eu terminar a Crocodila Baiana. Aliás, [virando a página] você conhece o Doutor Demoníaco Boca de Caçapa [me entregando o caderno]?

Os desenhos contidos nas páginas são tão bons quanto a convicção dele nos nomes das personagens - que ele tava inventando naquele momento, com certeza.



Viram? Quando eu falei da possibilidade de escrever um romance com o material produzido, falava sério.