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6 de junho de 2012

Três coisas sobre o Brasil que os canadenses não sabem

Essa semana na aula de História estávamos falando sobre moda no período "barroco". Se tem uma coisa que eu lembro minha professora de Artes da escola falando, é essa palavra. Barroco e "rococó". Acho que era o jeito que ela falava que ficou gravado na minha memória, não sei exatamente - só sei que na hora que o assunto surgiu, comecei a lembrar de tudo que aprendi na escola sobre essa fase. Aleijadinho, igrejas, as estátuas, as cores. Veio tudo na minha cabeça como se fosse ontem. Não aguentei e interrompi o professor: "O Brasil tem muita História referente ao período barroco". Contei um pouco sobre as igrejas, os artistas, as cores e o ouro. A princípio não entendi a surpresa estampada no rosto do povo da sala (inclusive e principalmente do professor) mas logo entendi: eles simplesmente não tinham ideia do que eu estava falando. 

- Eles não tem noção da nossa história

Acho que não é surpresa pra ninguém o fato de que fora do Brasil não se estuda História do Brasil nas escolas, mas que dói um pouquinho nos meus 3% de patriotismo ver que existe tanta gente nesse mundo que não sabe nem da metade da nossa história, dói.  

- Eles não sabem da diversidade cultural que existe no Brasil

Tudo bem que eu também não sabia do tamanho da população muçulmana até descobrir a quantidade de vizinhos muçulmanos que eu tinha, mas daí a achar que só tem "latinos" a la Jennifer Lopez no Brasil, é um pouco triste.

- Por incrível que pareça, eles ainda não sabem que falamos português

Esse ano já aconteceu duas vezes de descobrirem que eu sou brasileira e começarem a falar comigo a espanhol. É muito constrangedor e em ambos os casos as pessoas estavam tão felizes por achar que estavam criando uma conexão incrível comigo que eu não tive nem coragem de corrigir.

EM TEMPO: Obviamente (óbvio) não estou generalizando conceitos - esses três pontos são parte da minha experiência que é nada mais do que apenas a minha experiência. Ao escrever esse post até me deu vontade de fazer uma pesquisa nas ruas - se eu fizer, publico os resultados aqui. Outra coisa pra ter em mente: nós também não estudamos sobre o Canadá na escola.

O que vocês acham?

5 de setembro de 2010

Breisil

Então, gente. Eu estou de volta ao Brasil.

Estou esperando a renovação do meu visto (que pode chegar tanto daqui a uma semana quanto daqui a dez meses). Sem o visto apropriado eu até poderia trabalhar e estudar no Canadá, mas não legalmente. Então por enquanto ficarei por aqui e, assim que a resposta que eu estou esperando chegar, o próximo passo será dado.

Chatices explicatórias a parte, voltei para os meus amigos, família e é claro, para as comidinhas brasileiras que estavam fazendo falta lá no Pólo Norte da vida. O vôo de volta para cá foi ótimo, dormi um milhão de horas e, na parada em Toronto, gastei consideráveis dólares nas melhores maquiagens do universo.

Pisando em território brasileiro, a primeira coisa que me aconteceu foi derreter totalmente. Logo em seguida, tive certeza de que estava no país certo quando ouvi um fulano empregado da empresa aérea perguntando aos berros para o outro, do outro lado do corredor que conecta o avião ao aeroporto, se ele tinha visto o João. Ou seja, né.

Fui recebida por uma cheirosíssima feijoada e logo em seguida minha vó já me arrastou para o quarto porque precisava, naquele exato momento, colocar todas as coisas que eu carregava dentro das duas malas, que totalizavam aproximadamente 60kg cada, em seus devidos lugares. Imediatamente.

No mesmo dia, amigos vieram me visitar, recebi ligações no celular (que estava desligado desde o momento em que entrei no avião há oito meses atrás) e mensagens de boas-vindas. Ainda não encontrei nem metade das pessoas que quero ver, mas terei tempo de fazer isso.

Sobre o Canadations, minha jornada por aqueles lados ainda não está concluída. Tenho sérios planos de voltar para lá, valeu muito a pena todo esse tempo que passei na terra do maple (que eu particularmente não gosto - condenem-me o quanto quiserem, eu também não como queijo).

Tenho idéias legais para posts e o blog continuará firme e forte.

Para quem também conhece a minha irmã, personagem clássica por aqui, assistam ao vídeo novo, estrelado pela própria, no meu vlog. Ela ficou no Canadá para terminar o Ensino Médio e deixou um recadinho para quem quiser ver.

Por enquanto é isso - esperem pelo texto sobre o casamento da minha amiga. Esse promete.

16 de julho de 2010

Frescuras de Quem Viaja para Fora

Desde antes de vir para o Canadá eu percebia que existem dois tipos de pessoas que viajam para fora. As que têm Frescura e as que não. Estar aqui só me ajudou a identificar melhor o que é frescura e o que não é.

Ficar colocando palavras do idioma estrangeiro no meio de conversas em português.
Totalmente desnecessário. É verdade que depois de muita exposição ao idioma às vezes o cérebro dá umas falhadas para lembrar uma palavra ou outra - mas daí a esse tipo de coisa:

Anyway, eu estava andando por lá e you know, aquele lugar é simplesmente amazing.

Poupe-me. 

Tudo do país estrangeiro é melhor.
Não é verdade. E as praias invejáveis que só o Brasil tem? O clima ótimo e variedade inacreditável de comidas boas? A pessoa que sofre de Frescuras de Quem Viaja para Fora não se importa com nada disso. Adquire um bronzeado verde-transparente-olha-só-dá-para-ver-as-minhas-veias, faz as três refeições do dia no McDonald's e fala para quem quiser ouvir que neve é a coisa mais maravilhosa que já presenciou. 

A verdade: É muito chato ficar sem sol, é decepcionante não achar comidas que deveriam existir no mundo inteiro como as que eu descrevi no outro post, neve dá trabalho e só é legal nas primeiras 24h, depois fica monótono. 

Brasileiro faz tudo errado, Canadense/Americano/Francês/Inglês/etc é que faz as coisas direito.
Todos fazem coisas certas e erradas. Deveria ser óbvio, mas não é. A pessoa que tem Frescuras de Quem Viaja para Fora passa por uma lavagem-cerebral espontânea e quando volta para o Brasil todo mundo é idiota porque é de "terceiro mundo" e não sabe de nada da vida. 

Brasil é "Terceiro Mundo". 
("Subdesenvolvido", "em desenvolvimento" ou qualquer que seja o termo policamente correto da semana). 

Depois de conhecer um país considerado de "primeiro mundo", não há como negar as diferenças gritantes que esse rótulo representa. Chegar de avião no Brasil observando tudo de cima é feio de ver. É sujo e bagunçado, dá vergonha. Canadá não. Tudo organizado e verde (branco se for inverno). Não se veêm muitos mendigos na rua, o dinheiro é bem tratado, as praças e centros de recreação públicos são impecáveis. Ambulâncias são rápidas e polícia também. 

A pergunta é: precisa ser de primeiro mundo para ter tudo isso? Porque assim, a pessoa que sofre de Frescuras de Quem Viaja para Fora não joga lixo nas ruas da Suíça mas joga nas de São Paulo. Respeita os sinais de trânsito na Alemanha, mas ignora totalmente os do Brasil e ainda buzina ensurdecedoramente todas as vezes que se sentir contrariada. Interessante, né?!

Estar em territórios estrangeiros é muito bom. Pessoas diferentes, lugares diferentes, clima, preços, animais, carros, árvores, cabelos, sapatos - tudo diferente. É uma experiência que eu recomendo para todo mundo. O problema, no meu ponto de vista, é ir para outro país, aprender esse monte de coisa nova e esquecer de trazê-las consigo de volta para o Brasil. 

Frescuras de Quem Viaja para Fora é doença contagiosa. Basta uma pessoa infectada recém-chegada de viagem começar a conversar com outras para o vírus se espalhar. "- Isso não é vida", "- Tem que sair daqui mesmo", "- Esse país é uma merda". 

Mas ó, tem cura. É um remedinho básico que geralmente pode ser encontrado lá no fundo do seu cérebro. Chama-se Consciência.  O genérico chama-se Humildade. Os médicos recomendam doses diárias. É simples: Lembre-se de que o Brasil é o seu país e consequentemente, sua responsabilidade também. Não importa o quão melhor você acha que determinado país é, Brasil continua sendo o lugar de onde você realmente é. Merece um pouco de respeito.


Obs.: E eu nem me considero patriota, hein. Não mesmo.

8 de julho de 2010

Mullets

Uma coisa que eu perdi esse ano por não estar no Brasil foi a Copa do Mundo. Tudo bem que nem acabou ainda e que eu assisti a alguns jogos (afinal, televisão é uma coisa que existe, né?), mas não é mesma coisa. Aqui ninguém grita "goooool" até a última veia do pescoço estourar, sabe?

Na verdade, eu nem gosto de futebol. Os possuidores do gene assistidor futebolístico na família são o meu vô, que assiste todos os jogos internacionais, nacionais e de bairro, e o meu primo que desde quando aprendeu a falar sabe todos os nomes de todos os jogadores de futebol que já cuspiram nojentamente nos campos de futebol do mundo. E só. 

Eu demorei um bom tempo para processar que os Ronaldos não estavam jogando e que o Dunga era o técnico do time. Ainda não sei o motivo de nenhum dos dois fatos, mas não vem ao caso. Sou torcedora de quatro em quatro anos e admito isso sem maiores constrangimentos.

Reclamo, porém. Assisto pouco futebol, mas quando dou o ar da minha graça, gostaria que tudo fosse como deve que ser. Isso inclui Galvão Bueno falando asneira, por exemplo. Futebol narrado em inglês é outro esporte. O nome dos jogadores vira "Louciow", "Robiña" e "Louis Fabienow". Inclui meu pai dormindo/descascando laranja. Rojões intermináveis. E vuvuzela, então? Eles nem sabem pronunciar a palavra decentemente. Foi frustrante.

"Foi" porque para mim, se o Brasil perde não há motivo para continuar perdendo tempo assistindo jogos. Diga-se de passagem, não deu nem tempo de eu me dar ao trabalho de fuçar nas roupas para ver se encontrava algo verde e amarelo para vestir. Três míseros jogos dos quais eu só não me arrependi de ter assistido um. Enfim.

A última coisa que vou deixar aqui para reflexão é na verdade uma pergunta: Por quê o Maradona ainda não cortou aquele cabelo?

27 de maio de 2010

Coisas que as pessoas não falam sobre o Canadá 2

Continuação da série, porque afinal, eu sou sua fonte das verdades canadenses.

O tempo é seco
Eu sinceramente achava esse negócio de reclamar do clima, especialmente dizendo que o tempo não-sei-onde é muito seco ou muito úmido, era frescura de gente que viaja para fora ("frescuras de quem viaja para fora" vai ser tópico de post em breve). Mas não é. Eu não senti todos os lugares que fui, mas quando eu vim para cá a primeira vez, minha pele secou mais que o nordeste em tempos de verão nesse planeta efeito-estufado. O cabelo então, benzadeus - selvagem. E não tem creminho brasileiro que resolva, tem que comprar as bugigangas aqui. A maior prova de tudo foi quando eu voltei para o Brasil - parecia que eu estava respirando água.

Todo mundo fala inglês
Parece óbvio, mas quando você vê mendigo pedindo dinheiro em inglês, a realidade te atinge. Bebêzinhos também. Não dá para evitar aquele pensamento de fração de segundo "- nossa, que inteligente essa criança é falando inglês tão novinha".

Você passa a ter certas dificuldades com o seu idioma original
Também achava que era frescura. Mas depois de um certo tempo de lavagem cerebral (você, um pedaço de pessoa cercado de inglês por todos os lados), quando você conversa em português com alguém, esquece umas palavritas aqui e ali, muda a ordem dos adjetivos e essas coisas. É meio constrangedor, porque fico achando que a pessoa com quem eu estou conversando está pensando que eu estou de frescura-de-quem-viaja-para-fora, sabe? Aí, em vez de procurar a palavra que eu não estou encontrando, eu fico tentando adivinhar o que a pessoa está pensando, demorando, assim, pelo menos o dobro do tempo para voltar a falar.

Canadense acha que tangerina é laranja
Todas as frutas com potencial para serem laranja, eles descascam como se fosse tangerina. Eu não sei se com um certo esforço, dá para descascar laranja como se fosse tangerina. Para mim, laranja tem aquela casca grossa, que a gente tem que usar faca para descascar (coisa essa que eu nunca fui capaz de fazer, diga-se de passagem). Então me resta a dúvida se somos nós, brasileiros, que separamos laranja de tangerina inutilmente, ou se os canadenses são mais espertos que a gente, descascando igual tangerina tudo que dá. Questionamentos, questionamentos.

18 de março de 2009

O dia em que choveu o mundo

O transporte público. Lembram-se de quando eu disse que era assunto pra um post específico? Pois então, estava enganada. Transporte público é assunto pra um blog inteiro específico. O que eu pretendo aqui é narrar apenas um episódio. O episódio.

Minha relação com o monstro começou tímida. Ônibus e metrô(s?) sempre fizeram parte de um mundo paralelo e místico dentro da minha cabeça. Baldeação, bilhete, terminal - só de ouvir essas palavras o meu cérebro entrava em colapso. Eu simplesmente não entendia. Não que agora eu entenda, mas dentro da minha concepção, você sabe que virou uma pessoa-que-anda-de-transporte-público quando alguém te pede informação sobre ele e você sabe informar. E eu já soube informar.

Entrei na vida transporte público esse ano, e de fato, não é muito complicado - isso considerando que eu preciso pegar só um trólebus e descer no ponto certo, todo dia. Mas essa semana, ah, essa semana. Essa semana choveu o mundo, minha gente. E eu estava lá, pisando da lama.

Saí de casa eram 17h20. A chuva já tinha passado e eu só precisava chegar na escola às 19h. O percurso normalmente leva 40 minutos. Cheguei no terminal e as pessoas estavam todas aglomeradas antes da catraca, tentando entrar. Nunca tinha visto nada como aquilo.

Ao me deparar com a cena do povo já se cotovelando ali, pensei: "- Bom, hoje eu vou morrer". Foi uma hora só esperando o primeiro trólebus CHEGAR. A situação dentro dele era indescritível. Só se viam braços, punhados de cabelo, bolsas. Aquele vidro embaçado, aquelas barrigas pressionadas contra as portas, aquele inferno. "- Bom, ele vai passar reto, não tem condição nem de um raio ultravioleta entrar nesse negócio". Mal tinha terminado de formular esse pensamento quando abriram-se as portas do trólebus.

Nesse ponto eu pude entender o que significa o instinto de sobrevivência do ser humano. Uns puxando os outros, outros empurrando os uns, cotoveladas e batidas de cabeça - tudo isso para entrar no ônibus onde nem uma onda eletromagnética conseguiria passar. E o mais incrível? Muita gente entrou. E é sério, MEIA gente entrar naquele ônibus já seria um fato digno de aplausos. As portas foram fechadas e o trólebus em questão não saiu do lugar por vinte minutos contados no relógio.

Eu não estava ouvindo os barulhos absurdos dessas cenas descritas porque fiz questão de ouvir minha música calma e relaxante no último volume, mas nos segundos de troca de música o som predominante era os das buzinas dos carros das redondezas, também parados, e os das velhas indignadas porque o motorista não esperou mais tempo antes de fechar as portas (!).

Já eram quase sete horas da noite quando liguei para a escola, avisando que ia (morrer) me atrasar. A cena do instinto de sobrevivência se repetiu algumas vezes - as pessoas não pareciam parar de aparecer, pelo contrário. Esperei. Sinceramente não me lembro qual foi o parâmetro de avaliação que foi usado quando decidi entrar em um. Realmente não estava tão cheio quando eu entrei, mas as pessoas não paravam de entrar. Nunca mais. Uma eternidade depois, fecharam-se as portas. Foram mais 15 minutos parada dentro do terminal, sem nenhuma perspectiva de movimento - nem minha, nem do ônibus. Imóveis, todos.

Quando finalmente o trólebus andou, foi o suficiente apenas para sair do terminal. Nem sei quando tempo se passou. Eu tinha uma aula às 19h, que já não tinha conseguido chegar, e uma outra que começaria às 20h. Eram quase 19h30 quando olhei para o lado. Parado atrás do trólebus em que eu estava, tinha outro. Para o mesmo lugar. E vazio. "- Desaforo, só pode ser. Não, isso é impossivel. Pra onde foram todas aquelas pessoas? Eram fruto da minha imaginação assim como essas que me espremem aqui agora? Ou foram sugadas pelo mundo, uma vez que já desempenharam sua função de me aterrorizar apenas pelo fato de existirem em tamanha quantidade?".

Depois de passado momento de fúria, bradando contra o mundo e suas conspirações, concluí que nunca na vida achei que fosse me alegrar tanto com uma visão daquelas - a de um ônibus vazio. "- Preciso sair daqui, e é pra lá que eu vou. Custe o que custar. Se é pra esperar até o último minuto da vida, vou esperar sentada".

Não tinha bilhete para entrar em outro trólebus, mas eu sabia que dentre aquelas 937 pessoas alguém havia de ter. Pausei a música com certa dificuldade para alcançar o botão e perguntei pra geral se alguém tinha um bilhete para me vender. Achei uma mulher e peguei o dinheiro que estava na carteira, dentro da mochila gigante que eu carregava (não vou nem comentar como foi o processo).

- Só que eu não tenho troco - a mulher disse.
- Qualquer coisa pra sair desse inferno - resumi pra ela, em resposta.

Saí, entrei no outro ônibus, cheguei na escola e as aulas estavam todas canceladas. Fim.

Atualização: Tudo bem que o comentário recebido não foi dos mais educados, mas de qualquer modo, segundo o Michaellis, o nome do transporte público em questão é trólebus. Corrigido está.

18 de outubro de 2008

Brasil, sil!

Nem terminou o ano e já tem propaganda na televisão anuciando que a 'primeira parcela é só depois do carnaval'.

12 de novembro de 2007

Novembro

Vocês estão sabendo que os shoppings já estão decorados para o Natal, né?!

Não sei aí, mas aqui é sempre um choque. Fico um tempão parada, estarrecida, olhando.

Aliás, já que é para falar, vou falar: ô decoraçãozinha porca. Quero crer que por estar ADIANTADA, ainda melhora um pouco até o Natal propriamente dito.