Ela começa sorrateira, quase imperceptível. Uma dorzinha aguda que incomoda em doses homeopáticas. Nessa fase, costuma durar o dia inteiro. Como a dor é leve, acaba caindo no esquecimento mas, pelo fato de ser constante, ela tem o poder de lhe irritar silenciosamente.
Você deita à noite e só nesse momento sente o baque da dorzinha inofensiva que lhe acompanhou durante o dia. O corpo inteiro está dolorido e você, derrotada. Se enrola nos cobertores e dorme instantaneamente.
No dia seguinte, você acorda se sentindo ótima. Nem lembra da dorzinha chata e segue o dia bem humorada. Mal sabe que seus minutos de felicidade estão contados. De repente e sem maiores cerimônias, nossa protagonista volta. E dessa vez não há nada que possa ser ignorado ou esquecido sobre ela.
A dor toma conta de toda a área abdominal, mas o foco é naquele canto que permaneceu esquecido durante as três semanas anteriores - seu útero. É como se as duas trompas se desligassem dos ovários e tomassem vida, envolvendo o resto do útero como se fossem braços gigantes e malígnos que espremem suas entranhas lenta e dolorosamente sem quaisquer perspectivas de desistência. A sensação é de que realmente há algo apertando e torcendo tudo o que existe dentro da sua barriga.
Aí pára. Do nada, é como se uma dose de compaixão sagrada tivesse sido aplicada diretamente em seu abdômen. Alívio. É realmente incrível o fato de que não nos damos conta de todos os itens que temos no nosso corpo até que eles comecem a doer. Você agredece aos céus pela habilidade recém-re-concedida de respirar normalmente e quando começa a se acostumar com a idéia de liberdade respiratória, começa tudo de novo.
A dor volta pior, é como se apenas retomasse o assunto de onde havia parado. Aos poucos vai ficando difícil ficar em pé, e cada vez pior manter uma boa postura sentada. Você sente frio, náusea, ódio mortal de todos os seres terrestres, toma o remédio, o remédio não funciona pelos próximos trinta minutos e a dor persiste. Indo e voltando de uma maneira estrategicamente calculada para lhe enlouquecer aos poucos.
No meu caso, esse inferno dura em torno de dois dias, no começo do festival sanguinário mensal, e volta no último - três vezes mais forte, despedindo-se e deixando bem claro que dali a três semanas nos encontraremos novamente.
Pelos próximos vinte e cinco anos.
Se quiser umas férias, antes desses 25 anos, pode pensar em ter um filho.
ResponderExcluirEntão só terá uns enjoos e uma dor bônus no final do recesso. :P
Eu sei muito bem o que é isso sim! Já ouviu falar de cálculo renal e cólica intestinal? Todo homem está sujeito a isso também!
ResponderExcluirAdorei o post! Keep it up!
very good description of something that I will never experience (Thank God) - a very well written post
ResponderExcluirCongrats!
É incrivel, mas nos meus 20 anos de vida eu nunca senti dor de cólica, no máximo um desconforto leve. Lendo sua descrição detalhada da dor senti até um alívio.
ResponderExcluir"É como se como se as duas trompas se desligassem dos ovários e tomassem vida, envolvendo o resto do útero como se fossem braços gigantes e malígnos que espremem suas entranhas lenta e dolorosamente sem quaisquer perspectivas de desistência."
ResponderExcluirDeixou Júlio Verne no chinelo agora, hahaha.
Mulheres, vocês tem meu eterno respeito. QUE ISSO!!!
hsuahsh'.
ResponderExcluirPor isso que as mulheres aqui de casa pelo menos 1 vez por mês ficam nervosas kkk'
ew! Como mulher sofre.
ResponderExcluirmulheres inteligentes são um luxo! acabei de descobrir vc na internet e vou seguí-la, pois adorei!
ResponderExcluirHey!.... meu nome é Guilherme, e eu "descobri" o seu Vlog e sucessivamente o seu Blog hoje!
ResponderExcluirE o seu vlog é o melhor que eu ja achei na net! Informativo, divertido e sem palavrão! ;D
Parabéns e continue assim! ;D
Beijos
a cólica renal é a pior de todas. TOME ÁGUA, TOME ÁGUA E TOME ÁGUA. Aviso de mãe que tenta ser amiga.
ResponderExcluirAgora posso entender o porquê do mal humor e da sensibilidade. Vocês sofrem um bocado, hein.
ResponderExcluirCólicas menstruais só ocorrem porque as mulheres dos dias de hoje comem besteiras, não fazem exercício suficiente e não seguem uma vida natural. Bolos, tortas, sanduíches acabam com o corpo!!! Duvido que as mulheres pré-históricas tenham sentido isso. Não consigo imaginar umsa leoa ou uma tigra com TPM! Viva o natural!!!
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