Meu primeiro fim de ano longe de casa. Até a semana passada eu não tinha planos específicos para o dia de Natal, mas já desconfiava que a família do meu namorado nos convidaria para ir lá. Quando recebemos o convite, eu já estava psicologicamente preparada, com roupa planejada e tudo. Mas as palavras na mensagem que nos enviaram me fizeram lembrar que não seria uma daquelas ocasiões em que apenas se vai. O primo nos escreveu: "Venham jantar na nossa casa dia 25 e não tragam nada além da presença de vocês!" Obviamente eu teria que levar alguma coisa.
Comecei a pensar em algo natalino pra levar, mas pelo que eu tinha ouvido, Natal por aqui é basicamente constituído de peru - e olha a minha cara de quem prepara peru, né Brasil? Olha minha cara de quem sequer se ofereceria para cozinhar o prato principal da noite de uma família que nem é a minha - abraço. Resolvi então fazer um bolo de chocolate porque afinal, sobremesa nunca é demais (e também porque queria mostrar que meu país não é só feito de carnaval e futebol: também temos receitas de bolos).
A partir do momento em que decidi que faria um bolo pra levar, decidi que faria dois. Um de teste durante a semana e um oficial no dia do jantar. Nunca tinha usado aquela receita e eu precisava ter certeza de que tudo seria perfeito. Sim. O bolo havia deixado de ser apenas uma sobremesa e passado a ser questão de honra.
Comprei todos os ingredientes na quinta-feira e fiz o teste na sexta de manhã. Além de lindo, o gosto do bolo ficou exatamente como eu queria. Por um milésimo de segundo, o aterrorizante pensamento passou pela minha cabeça: tamanho nível de perfeição seria difícil de alcançar duas vezes consecutivas. Respirei fundo.
Acordei cedo no domingo e comecei a saga. Preparei a massa direitinho enquanto o forno pré-aquecia e untei a forma especialmente comprada para a ocasião. Lembrando que era dia 25 e portanto, se alguma coisa desse errado, a chance de achar um lugar aberto pra recomprar coisas seria mínima. Pressão. Coloquei a massa para assar e tudo corria bem.
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| foto real, não apenas ilustrativa |
Quarenta minutos depois, a massa tinha crescido lindamente e já estava fora do forno para esfriar. Era hora de fazer a calda de chocolate para a cobertura.
Antes de continuar essa história, eu preciso proteger minha reputação e deixar registrado que desde que comecei a cozinhar a única coisa que eu já errei foi ponto de chocolate. A única.
Coloquei todos os ingredientes na panela conforme as instruções, e comecei a mexer. Mexi por muito mais tempo do que precisei mexer na vez teste e a calda não engrossava. Pouco a pouco, o desespero começou a me dominar. Enquanto mexia, olhava em volta para ver se tinha chocolate suficiente para começar tudo de novo caso precisasse. Aumentei o fogo e continuei mexendo. A calda foi ficando cada vez mais escura e eu senti um frio na espinha que não me era desconhecido. Abaixei o fogo imediatamente, me sentindo em luto. Tentar evitar a realidade não me traria benefício algum. Tirei a panela do fogo e experimentei o que hoje em dia sei que é o gosto da minha derrota: o chocolate estava queimado.
Joguei tudo pela privada, lavei os utensílios e comecei de novo. Mexi por mais uma eternidade e nada de engrossar. Adicionei leitinho com maisena e nada. Ainda precisava tomar banho, arrumar meu cabelo, e a esse ponto já tinha desistido de pintar as unhas. O tempo passava e a calda simplesmente não respondia aos meus esforços. Fui obrigada a declarar óbito mais uma vez.
A esperança porém, ainda não tinha morrido. Decidi que faria uma cobertura de brigadeiro. Simples, fácil e não tinha como errar.
...
E quem disse que eu tinha leite condensado em casa? Mais do que prontamente, observando à distância o nível da minha frustração aumentar, o homem do lar se ofereceu pra ir à caça. Agora pensando, talvez ele só quisesse mesmo uma desculpa pra sair do apartamento antes que eu começasse a colocar a culpa nele. Quem em sã consciência se oferece para ir comprar qualquer coisa no dia de Natal? Bom. Ele foi e eu aproveitei o tempo para ir tomar banho. Nisso, já eram quatro da tarde e a gente tinha que estar lá antes das cinco.
Ele voltou enquanto eu desesperadamente secava o meu cabelo. Voltei para cozinha decidida que aquele bolo DARIA CERTO. Por algum motivo que desconheço, taquei duas latas de leite condensado numa mini panela que não tinha capacidade para tanto. Fingi que não percebi e coloquei o chocolate. Mexi por alguns minutos e lembrei que o ponto do brigadeiro a gente vê se baseando no fundo da panela. Fundo da panela esse que eu só conseguiria ver se fizesse metade da quantidade de leite condensado evaporar, obviamente.
OLHA. Não só não deu certo como também foi o primeiro brigadeiro que eu consegui estragar (ainda na categoria chocolate, a propósito). Tirei a panela do fogo antes do que deveria e quando coloquei a cobertura no bolo, o negócio só não estava tão ralo quanto água porque leite condensado é naturalmente mais denso.
Fui para o jantar atrasada, sem bolo e sem honra. Lembrarei para sempre desse Natal.
Como foi o de vocês?!
A esperança porém, ainda não tinha morrido. Decidi que faria uma cobertura de brigadeiro. Simples, fácil e não tinha como errar.
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E quem disse que eu tinha leite condensado em casa? Mais do que prontamente, observando à distância o nível da minha frustração aumentar, o homem do lar se ofereceu pra ir à caça. Agora pensando, talvez ele só quisesse mesmo uma desculpa pra sair do apartamento antes que eu começasse a colocar a culpa nele. Quem em sã consciência se oferece para ir comprar qualquer coisa no dia de Natal? Bom. Ele foi e eu aproveitei o tempo para ir tomar banho. Nisso, já eram quatro da tarde e a gente tinha que estar lá antes das cinco.
Ele voltou enquanto eu desesperadamente secava o meu cabelo. Voltei para cozinha decidida que aquele bolo DARIA CERTO. Por algum motivo que desconheço, taquei duas latas de leite condensado numa mini panela que não tinha capacidade para tanto. Fingi que não percebi e coloquei o chocolate. Mexi por alguns minutos e lembrei que o ponto do brigadeiro a gente vê se baseando no fundo da panela. Fundo da panela esse que eu só conseguiria ver se fizesse metade da quantidade de leite condensado evaporar, obviamente.
OLHA. Não só não deu certo como também foi o primeiro brigadeiro que eu consegui estragar (ainda na categoria chocolate, a propósito). Tirei a panela do fogo antes do que deveria e quando coloquei a cobertura no bolo, o negócio só não estava tão ralo quanto água porque leite condensado é naturalmente mais denso.
Fui para o jantar atrasada, sem bolo e sem honra. Lembrarei para sempre desse Natal.
Como foi o de vocês?!


Vou te dizer que deprimi :(
ResponderExcluirTriste, hein.
Lendo seu blog percebo que a vida é uma aventura... HAHAHA!
Hahahahahha, tadinha! pelo menos você tentou, mas pqp, errar brigadeiro dona cintia? tu não teve adolescência não foi? brincadeira :p
ResponderExcluirMeu natal foi uma merda, eu inventei de fazer tomate recheado e ninguém comeu (só mama), meh! pelo menos o peru tava bom :p
Ai Cintia...que do...da proxima vez guarda o bolo bom...leva em pedacos dentro de uma vasilha e fala que e 'a la brazilian'...boa sorte no proximo natal.
ResponderExcluirMe entupi de pizza antes da ceia porque não gosto de nada.. Tá bom assim pra você? hahaha
ResponderExcluirHahahaha, da próxima vez faz um pudim!! hahaha
ResponderExcluirMeu natal foi bem engraçado! passei com toda a minha família!
kkkkkk que coisa
ResponderExcluiro primeiro natal longe de casa e a primeira vez que estraga o brigadeiro!
No seu lugar, junto com o leite condensado eu ia pedir pra trazer um bolo reserva.... Vai saber néh!
kkkkkkkkkk
Cintia consigo ver a sua cara vendo tudo dar errado, sentiu até saudades dos bolos gostosos que sua mamis faz......agora no Ano novo tenta uma torta....saudades...bjs
ResponderExcluirPassei a noite de Natal sozinha comendo arroz de camarão, sorvete de sonho de valsa e assistindo Armageddon! Mas da próxima, segue o conselho da Sarah Sheizy! xD
ResponderExcluirTadinha! (o resto, vc já sabe.)
ResponderExcluirMorri de rir!
ResponderExcluirBoa sorte no próximo natal!