8 de outubro de 2011

Steve Jobs e a superficialidade humana

Aviso: Esse post é pra ser lido cuidadosamente. Se não existe tamanha disposição dentro de você agora, nem leia o que escrevi e evite a minha fadiga de ter que ficar explicando cada vírgula porque eu simplesmente não estou com paciência pra burrice e interpretação de texto porca. 

Não é novidade nenhuma que noticia hoje em dia viaja mais rápido do jamais viajou. Tento acompanhar a velocidade das mudanças da melhor forma possível. Junto com a evolução da internet também veio um espaço cada vez maior para a dita "liberdade de expressão". Todo mundo tem acesso à informação instantânea e todo mundo expressa opiniões tão rápido quanto a informação chega. Até aqui tudo bem.

O que tem gritado na minha cara e me enlouquecido ultimamente sobre essa história toda é que a superficialidade das pessoas parece ter sido elevada a milésima potência. Graças à todas as fontes de informação disponíveis hoje em dia, temos oportunidade de saber de muito mais coisas e isso é ótimo na teoria. Na prática, muita gente vive de manchete e simplesmente não se dá ao trabalho de saber mais do que está acontecendo - o que não seria tão ruim se essas mesmas pessoas se resumissem ao que sabem na hora de dar opinião.

Steve Jobs morreu essa semana e de repente todo mundo, de celebridades internacionais aos inúmeros zé ninguéns do Twitter, resolveram expressar os profundíssimos sentimentos sobre o cara. De todas as incontáveis declarações que vi por aí, acho que só umas três vinham de pessoas que já tinham expressado qualquer pensamento sobre as contribuições de Steve Jobs para a tecnologia antes. Enquanto só se falava disso na internet, passou uma reportagem na televisão sobre o julgamento de Conrad Murray, médico pessoal de Michael Jackson. No jornal, divulgaram a gravação do Michael Jackson sob efeito de um monte de remédios, conversando com o médico por telefone sobre os planos pra turnê que estava prestes a começar, sobre o quanto ele sentia pelas crianças que assim como ele não tiveram infância e sobre querer abrir um hospital para crianças. Foi triste de ouvir.

Eu sempre gostei muito do Michael Jackson pelo talento absolutamente inegável que ele tinha. Quando soube da morte dele, fiquei mal. Foi a primeira vez que me senti triste de verdade com a morte de alguém famoso. Hoje, pouco mais de dois anos depois, o sentimento não mudou. Quando penso nisso sinto a mesma coisa que senti quando soube da morte.

Foi pensando nesse sentimento que caiu minha ficha sobre a superficialidade das pessoas. Eu lembro que na época da morte do Michael Jackson todo mundo fez questão de mostrar o quanto gostava do dele, o quanto valorizava suas contribuições ao mundo da música, o quanto respeitava a vida dele, o quanto nunca tinha acreditado nas acusações de pedofilia e assim por diante. Hoje em dia, mesmo tão pouco tempo após sua morte, o povo trata da notícia como se fosse velha. Agora quem morreu foi Steve Jobs, então dá-lhe a internet inteira prestando homenagens e falando do cara como se ele fosse a única pessoa responsável pela tecnologia que temos hoje.

Independentemente de quão importante o Steve Jobs realmente foi para a tecnologia e para o mundo de modo geral, a impressão que dá é que as pessoas só estão falando tanto sobre ele agora porque ele morreu há três dias e portanto esse é o assunto da vez. É óbvio que tem gente se sentindo assim como eu me senti quando soube da morte do Michael Jackson, mas não toda essa gente. E outra: por que todas essas pessoas não prestaram homenagens e expressaram o quanto acham que o Steve Jobs foi um gênio enquanto ele estava vivo? Porra. A gente vive no século vinte e um, estuda artistas, cientistas e filósofos que só ganharam reconhecimento depois que morreram e acha absurdo. Por que não simplesmente mudar isso e passar a valorizar os gênios enquanto eles vivem?

Mas esse não é o assunto que eu vim aqui pra tratar. A verdade é que muitas dessas pessoas que estão por aí dizendo que choraram quando souberam que o Steve Jobs morreu só querem mesmo é fazer parte do ~grupo~ e, pra isso, sabem têm que comentar sobre o assunto certo, o mais rápido possível e de preferência com as opiniões certas (porque afinal, discordar das coisas ultimamente é pedir pra ser crucificado).

Essa que é a merda. Até onde vai essa coisa das pessoas quererem provar ser algo que não são? Saber de coisas que não sabem, ter interesse por coisas que não têm? Que saco. Vejo esse tipo de coisa tão frequentemente e em tantas ocasiões diferentes que às vezes me pergunto se é mesmo possível que só eu perceba a babaquice que é ficar tentando o tempo inteiro ser algo que você não é. Qual é a dificuldade em gostar do que você gosta e não do que os outros acham que você tem gostar? Qual é o problema em simplesmente não se interessar por determinado assunto e não ter uma opinião formada sobre ele? Qual é o problema em falar do que você quer falar e não do que "é o que todo mundo tá falando então melhor eu falar também"? 

Pensem um pouco. 

11 comentários:

  1. Te entendo completamente e te dou toda razão do mundo. Algumas pessoas, aliás, muitas pessoas, se acham melhores por gostarem de algo, julgando o "resto" como ruim. A sociedade coloca como burro, uma pessoa que tem uma cultura diferente daquela que ouve determinadas músicas e assistem determinados filmes. Todos nós temos cultura, não importa de onde somo, como vivemos ou do que gostamos. E justamente por isso não devemos nos render a gostar e comentar obrigatoriamente sobre algo que pouco nos interessa. E o que acho mais engraçado, é que, enquanto as pessoas se comovem contra o racismo e homofobia, criam preconceito com artistas, músicas, marcas... vai entender.

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  2. Amanda, concordo com vc e também já escrevi sobre pessoas que se acham melhores que outras só porque gostam de determinada coisa. Dá uma olhada quando vc puder! http://cintiadisse.blogspot.com/2011/08/modinhas-alimenticias.html

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  3. Sabe que rolou uma coincidência. Uns dois dias atrás no colégio meu amigo falou "Nem to triste assim com a morte do Steve Jobs." Aí respondi "Triste foi a morte do MJ, isso sim foi triste..." Lembrei disso na hora quando li seu post haha. Btw, muito bom o post :)

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  4. Oi Cintia.
    Acho muito natural qualquer ser humano expressar sentimentos perante a perda de alguém que goste. Seja ele conhecido ou não, esteja longe ou perto. Não é preciso estar o tempo todo falando pra provar que se gosta, que se admira ou se ama. O amor é incondicional e pode ser silêncioso.
    Assim como no mundo real, no virtual, as pessoas sempre querem prestar uma última homenagem e parece que se sentem aliviadas por expressar isso em algum lugar. Pode ser da nossa cultura? Pode parecere estranho, mas essa coisa de homenagem em vida, pelo menos pra mim, dá um sensação de que a morte está próxima. Será que isso é impressão só minha?
    Concordo com você sobre as pessoas falarem bobagens a troco de um holofote. Essa superficialidade é algo realmente doloroso.
    Para citar um exemplo recente que me deixou chateado: o episódio da turma do programa pânico na tv no velório de Amy Winnehouse. Lastimável.
    Então vemos que não só os "Zés Ninguéns" (isso é show), mas também os que já têm uma audiência (não a minha) apelam para qualquer coisa para se manterem em evidência.
    Amy, Michael e Steve não serão as últimas vítimas desses movimentos virtuais massivos de condolências. Por tanto, controle-se.

    A Amanda colocou uma coisa bacana em seu comentário sobre preconceito. Eu chamo isso de micro-preconceito. Só vemos uma atitude como preconceito quando ela atinge um pequeno grupo de oprimidos e pelo próprio fato de julgarmos, e é isso que a gente faz o tempo inteiro, não o vemos (o preconceito) quando dizemos: "que filme trash", "que música podre". Sábios os velhos que ensinavam coisas como "gosto é igual ... nariz, cada um tem o seu." ou "gosto não se discute, lamenta-se."
    Cada um gosta do que quiser. Eu prego sempre que respeito não é tudo, mas já é um bom começo. O resto a gente combina.
    Me sinto feliz por ver que uma parte da juventude, como a sua e de Amanda,está amadurecendo de uma forma conciente. Conciênte não do amadurecimento, mas conciente de valores que visam o bem comum como respeito, humildade, e principalmente com discernimento.

    A propósito vi o vídeo "Opinião sobre vlogs atuais" no seu canal no youtube.
    Tenho coisas a ponderar sobre o que você diz no vídeo, mas não cabem aqui.
    Agora, moça, a galerinha pira geral, hem.
    O divertido (divertido nada, chato pra caramba) é ver você tendo que se explicar nos comentários. A.F.F.*
    Na boa, faz yoga. :D #ficaadica
    Você segue um caminho que pode te tornar uma pessoa que influenciará seus seguidores com suas opiniões, seja sábia.
    Não, isso não é um conselho, é uma análise de mercado. \o/

    Infelizmente no futuro ainda haverá pessoas falando abrobrinha, pepinos, jacas, abacaxis e outra bobagens sem sentido.
    Talvez eu tenha feito isso agora e não tenha percebido. Será?! `:\
    A propósito, rachei de rir com aviso no inicio do post. Espero que funcione.
    See you por aí!!

    Saudações.

    João Dias Jr.


    * Sigla brasileira não oficial para a expressão "Aí Fica Fod@!"

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  5. Olha, concordo mesmo, esses dias fiz até um vídeo falando sobre "manter aparências" e querer parecer sempre algo, é tão exaustivo, além de babaca, sei lá que passa com o mundo.

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  6. A questão é: Todos sabem que Michael Jackson morreu e Steve Jobs tb, mas ainda tenho dúvidas sobre o nosso Beto Carreiro, ele morreu ou não morreu?

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  7. Olá João.

    Também acho natural que as pessoas expressem seus sentimentos por pessoas que morreram. Esse não é o problema que eu descrevo no texto. Discordo com você sobre homenagens em vida serem indicadoras de que a morte está próxima, se fosse assim, em dia das mães a gente compraria caixão em vez de perfume.

    Uma coisa que me deixou confusa ao ler seu comentário foi a parte em que você diz para eu me controlar. Qual parte do post paraceu impulsiva pra você? Outra coisa que também vale perguntar é: você realmente acha que eu TENHO que me explicar?

    Eu sei muito bem que as pessoas que me lêem ou que assistem os meus vídeos podem ser influenciadas pelas minhas idéias e opiniões - e é por isso que eu sempre passo muito tempo pensando no que escrever, em como escrever, no que dizer e em como dizer antes de publicar QUALQUER coisa com o meu nome justamente para que as minhas idéias e opiniões fiquem o mais claras possível. Não tire conclusões sobre mim sem me conhecer. “Seja sábia”?! Chega a ser ofensivo que você tenha sentido a necessidade de escrever isso, sinceramente.

    De qualquer modo, agradeço seu comentário. Fico contente em saber que o meu post te fez pensar e tirar o tempo pra me escrever de volta. Esse é o objetivo.

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  8. Aviso: Esse post é pra ser lido com leveza, tranquilidade e muito humor. Se vc ler algo que pareça uma ofensa, acredite, não é. É preciso perdoar a tolice e a ignorância. Acenda um incenso, entoe um mantra de evocação a Dionísio ao som dos setes sinos do Tibet. Respire lenta e profundamente por 5 vezes e vc estará pronta para ler esse post.
    (risos)

    Oi Cintia! Sei que você não está com “paciência pra burrice e interpretação de texto porca”, mas português sempre foi uma complicação na minha vida. Acho que eu não sei nem ler e nem escrever direito. Baseado na premissa de que quem cala consente estou enviando esse post só pra não ficar um mal entendido gigantesco. Vou tentar me traduzir. (filosófico né? rs)

    O que disse, sobre homenagem, foi uma brincadeira e não era de homenagens sazonais que eu falava, eu falo de homenagens solenes. Achei que isso estava implícito no contexto já que se citava a perda de Michael Jackson e Steve Jobs dois gênios contemporâneos que tenho certeza também recebiam homenagens no dia dos pais. Enfim, foi uma brincadeira que não ficou muito clara.

    E sobre o entendimento do seu post; se vc não fala sobre pessoas que falam bobagens a troco de um holofote eu realmente não entendi. (Ai que burro. Dá zero pra ele!)

    Por favor, entenda o “Controle-se” como: "respira fundo por que isso não acaba aqui."

    Eu não acho que vc tem que se explicar. É vc quem diz isso no seu aviso acima:
    "Se não existe tamanha disposição dentro de você agora,
    nem leia o que escrevi e evite a minha fadiga de ter que ficar explicando "


    Poxa, pensei que se eu lesse o "Sobre mim" do blog já podia ser como um amigo de infância. rsrs
    Não tire conclusões sobre mim sem me conhecer?!
    Claro que eu não faço isso.
    Até mesmo as pessoas próximas com quem convivemos são difíceis de conhecer imagine as virtuais. Nem tento.

    Quando eu digo “eu te amo” não quero dizer que antes eu te odiava, quando eu digo “vc está linda” não quer dizer que antes você era feia, quando se diz “seja abençoado” não quer dizer que antes era amaldiçoado.
    Peço então que entenda “Seja sábia!” como: "Mantenha-se no caminho do bem usando esse poder que lhe foi concedido."

    Cabe uma citação:
    "Ser sábio não quer dizer ser perfeito, não falhar, não chorar e nem ter momentos de fragilidade. Ser sábio é aprender a usar cada dor como uma oportunidade para aprender lições, cada erro como uma ocasição para corrirgir rotas, cada fracasso como uma chance para ter mais coragem.
    Nas vitórias, os sábios são amantes da alegria; nas derrotas, são amigos da reflexão."

    (Augusto Cury)


    Eu acredito que estejamos do mesmo lado, na luta por um mundo melhor. Se reler meu post com mais leveza verá que não quis, de forma alguma, te ofender. Se não conseguir ver isso peça a alguém da sua confiança que faça uma leitura e dê o seu parecer, Jamais foi minha intenção parecer grosso ou estúpido. Pena que não consegui.

    Renovo o meu desejo de muita paz e mais sucesso ainda no seu caminho.
    Até mais.

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  9. Parei no primeiro paragrafo :) hahaha

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