Eu estava sozinha no lugar e mesmo assim tranquei todas as portas, só pra ter certeza que ninguém entraria. O banheiro era no andar de baixo, mas eu fiz questão de fechar a porta lá também. Resolvi minhas necessidades fisiológicas rapidamente, lavei as mãos e tentei abrir a porta.
Não abriu. Empurrei com mais força e nada. Mexi na fechadura agressivamente "tenho certeza de que não tranquei essa porta" e NADA. A porta era de madeira e parecia velha "vou ser obrigada a quebrar esse portal entre minha existência e o resto do universo no chute", pensei, prendendo o cabelo estilo pronto-pra-guerra. "Vou quebrar essa merda e vai ser agora" - doce ilusão hollywoodiana.
Chutei, cotovelei, me joguei contra a porta, chutei gritando, chutei quase chorando. N-A-D-A aconteceu. Cada vez que eu chutava aquela porta a realidade de que eu passaria o resto da minha vida no banheiro se aproximava mais.
Olhava pra todos os lados esperando ver aquele boneco desgracento dos Jogos Mortais, na bicicletinha: "Olá Cintia. Para sair desse banheiro você vai precisar cortar uma perna. Let the games begin". Pensei em ligar pra alguém e pedir ajuda mas - além de todas as portas estarem trancadas, eu não estava psicologicamente preparada para ligar pra qualquer pessoa porque eu estava presa no banheiro. Meu nível de auto-estima simplesmente não era alto o suficiente pra suportar aquilo (continua não sendo).
Chutei a porta mais umas quinze vezes antes de finalmente tentar mexer na fechadura de novo. A lateral do meu braço, a essa altura, já estava completamente vermelha e dolorida, e o meu cabelo fora de controle. Ter um espelho por perto nessas situações de desespero é humor negro, diga-se de passagem.
BOM, mexi na fechadura. Pra cima, pra baixo, pros lados. Se aquilo não funcionasse, minhas opções estariam zeradas e a vida terminaria no chão de um deprimente banheiro de porta velha de madeira inquebrável. Clique, abriu.
"MANO EU NÃO TRANQUEI ESSA PORTA, ISSO NÃO FAZ SENTIDO", gritei mentalmente porque já tinha feito barulho demais chutando a porta que em momento algum havia sido trancada.
Fiquei parada na frente do banheiro por alguns minutos, apreciando minha recém re-adquirida liberdade de ir e vir. A felicidade de não ter precisado cortar uma perna antes de descobrir que a porta só precisava de mais insistência pra ser destrancada foi grande. Pior do que ter que explicar pros bombeiros que não tive capacidade de abrir a porta de um banheiro seria explicar pros bombeiros que cortei uma parte do meu corpo porque achei que isso faria o Jigsaw abrir a porta do banheiro pra mim.
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tadinha...! Só ela sabe!
ResponderExcluirGênial,Cintia! Como sempre,Genial!
ResponderExcluirVocê escreve de um modo tão interessante e tão deliciosamente simples,que fica quase impossivel de nós não a visualizarmos naquela situação! :)
Mas que dá um desespero existencial,em situações bobas como essa,ah,isso dá!
:)
Prabaéns pelo Blog e pelo Talento! :)
Desespero define.
ResponderExcluirAmo/sou seus textos... suas ALTAS AVENTURAS NA SESSÃO DA TARDE são impagáveis :V
HAHAHA!
E esse desenho da perna cortada HAHAHAAHAHAHA,hilário!
ResponderExcluirMeu Deus!! Muita esperta!! Também ,não se espera outra coisa de uma pessoa que ensina os outros a fazer ovo mexido em prato de vidro
ResponderExcluirHAHAHA ri muito com o desenho!
ResponderExcluiruma vez fiquei presa no elevador, mas foi rápido e consegui sair!