Então me pediram para escrever sobre meu último ano de escola e é sobre isso que eu vou escrever!
Bom, eu ainda não decidi se tenho um problema de memória ou se sou apenas meio defasada no sentido mental da minha existência, mas eu não lembro de muita coisa. Por isso vou contar as partes principais e provavelmente mais importantes (uma vez que não lembro das outras partes e se não lembro é porque não traumatizei e se não traumatizei é porque não foi importante). Vamos lá.
Não estudei para o vestibular
Calma. Lê a história primeiro.
Logo que o terceiro ano começou, vieram fazer a lavagem cerebral sobre cursinho. Cursinho é importante, cursinho complementa, nosso cursinho é o melhor, faça o nosso cursinho. A princípio até me deu vontade de fazer (aparentemente todos os professores são muito mais legais e divertidos no cursinho) mas meus pais não tinham dinheiro pra bancar e eu também não tava muito aí pro terror todo que eles queriam me fazer sentir sobre o vestibular. Até perto do final do ano, eu tava certa de que faria jornalismo e sabia que se não tinha aprendido física até aquele ponto, não seria passando noites em claro olhando pra números e letras totalmente aleatórios (física nunca foi pra mim) que eu aprenderia alguma coisa.
O que eu fiz bastante foi simulado. Sempre tirava em torno de 60% porque nunca conseguia chegar até os 70% da prova sem querer mandar tudo pro inferno e sair logo da sala. Com base nisso, concluí que se eu realmente me desse ao trabalho de prestar completa atenção em 100% da prova, possivelmente conseguiria uma porcentagem passável na prova de verdade.
Antes que você pivete chame sua mãe pra mostrar esse texto, justificar sua vagabundice e dizer que se eu consegui você também consegue, saiba que sempre fui nerd (no sentido 1997 da palavra). Nunca fiquei de recuperação, não costumava tirar notas baixas, sempre me garanti. Com base nos meus erros nos simulados, às vezes ia tirar umas dúvidas com os professores, procurava pela resposta certa e esse tipo de coisa. Mas essa foi toda minha preparação para o vestibular.
No fim, mudei de ideia sobre o curso que queria fazer, mas já era tarde demais porque minha inscrição pra Fuvest tinha ido com jornalismo como primeira opção e alguma outra coisa muito absurda como segunda. Sinceramente não lembro o que foi a segunda, mas com certeza não foi Letras (até porque Letras não era uma opção sequer remota na minha cabeça até aquele ponto). Não passei na USP pra Jornalismo - evidentemente não lembro quanto eu tirei, mas lembro que se tivesse escolhido Letras eu tinha passado - e também pudera, quando prestei a Fuvest, eu já sabia que tinha passado no curso que eu queria fazer (e fiz) em outra faculdade e portanto aquele meu plano de prestar 100% de atenção na prova simplesmente não ocorreu.
Finalmente passei a ser mais confiante
Além de ter feito certas coisas inescrevíveis e que não vêm ao caso porque esse é um blog de família, finalmente passei a ter mais confiança na minha própria pessoa. Cantava com uma amiga nos intervalos (minha escola tinha a maior produção musical nos intervalos), tinha mais amigos na sala, praticava meus esportes e bom, era feliz. Na verdade foi a partir do segundo ano do ensino médio que as coisas começaram a ficar mais legais - não que antes fossem ruins (sétima série foi uma das piores), mas alguma coisa aconteceu que melhorou. Talvez tenha sido o fato de que duas meninas apareceram grávidas do nada - ou então apenas o fato de eu ter descoberto as maravilhas que secadores de cabelo podem fazer com um ser humano.
Outras coisas
Acabei de perguntar no
Twitter e no
Facebook o que mais vocês (leitores e seguidores queridos do meu coração) acham difícil sobre o ensino médio. Nem tudo que vocês disseram foram coisas pelas quais eu passei, então vou dar pitacos:
- o ato de ir para escola
Realmente é uma chatice. Sempre estudei de manhã e sempre odiei acordar cedo. O esquema é deixar as coisas arrumadas pra levar na noite anterior, deixar o uniforme perto da cama (se não já dormir pelo menos com a calça, pra ser mais rápido de manhã - todos fazem isso), lavar a cara com água fria quando acordar (mesmo quando estiver frio, não seja fresco), comer alguma coisa boa antes de sair e sair.
- pais e professores enchendo o saco ao longo do ano inteiro
Seja sincero com você mesmo e com as pessoas ao redor. Sério. Se você não sabe o que quer fazer porque realmente tá na dúvida sobre o escolher, converse com alguém legal de conversar e peça ajuda. Se você realmente é preguiçoso e não tá nem aí com a vida, você que tá errado né filhão, ou aguenta a encheção ou resolve o problema. O ano passa rápido e deve ser muito ruim perceber só depois que você ficou pra trás.
- o que acontece com o namoro
Cada caso é um caso. Dos meus amigos e conhecidos, uns terminaram e outros continuaram firmes e fortes. Eu sou meio cética sobre namoro a distância (caso um dos dois vá estudar em outra cidade), mas não digo que é impossível. O osso é que tem pessoas que a partir do momento em que entram na faculdade, entram também num clima que supostamente é o ~clima de faculdade~ (beber, sair, ficar com um milhão de pessoas diferentes nas festas etc). Eu sempre achei isso idiota e feliz ou infelizmente, vai de cada um. Conversar bastante com o(a) namorado(a) é a minha sugestão.
- medo de repetir de ano
Eu nunca passei por isso (ainda bem), mas até como professora, meu conselho é que você seja claro e objetivo tanto sobre as suas dificuldades quanto sobre o que você pode fazer pra superá-las. Professores não vão recusar uma ajudinha extra, e se recusarem, você pode ir conversar com algum coordenador ou até o diretor da escola. Assim, as pessoas saberão que você está tentando fazer o melhor que pode e, se mesmo assim der merda, os professores vão ser bem mais suaves na hora de decidir o seu futuro escolar. Professores sabem a diferença entre quem tem dificuldade (mas se esforça) e quem é relaxado.
- distância dos amigos depois que a escola termina
Isso vai totalmente de você e dos seus amigos. Eu mantenho contato com grande parte dos meus amigos da escola, e quando ainda estava no Brasil a gente sempre se encontrava e fazia coisas juntos. É claro que a dinâmica das amizades muda, porque vocês dificilmente se verão todo dia como costumavam fazer na escola - especialmente quando começam a trabalhar. Mas dá pra fazer funcionar e é muito bom quando funciona: histórias de ensino médio nunca morrem.
Boa sorte!