16 de outubro de 2011

A história do piquenique que não deu certo

Ficamos a semana inteira planejando o piquenique, pensando no melhor lugar para ir, torcendo pro tempo estar bom. 

Chegou o dia e eu acordei relativamente cedo (meus parâmetros). Abri a janela e o tempo estava maravilhoso. Tínhamos decidido ir à um lugar perto, então eu tive bastante tempo para me arrumar e preparar os sanduíches perfeitos que eu fiquei imaginando durante aquela semana. 

Primeiro fiz o patê de atum: piquei a cebola em pedaços bem fininhos, coloquei azeitona e cenoura também. Depois lavei alface e tomates. Fatiei os tomates cuidadosamente. Abri a geladeira e peguei o salame que finalmente havíamos encontrado depois de incontáveis idas à supermercados diferentes - todos que eu experimentava não eram bons o suficiente. Queria dois tipos de sanduíche: de patê e de salame. Delícia.

Enquanto isso, ~ele~ estava colocando umas coisas em ordem no apartamento. Juntou uns papéis para levar pro lixo e tava arrumando coisas aleatórias. 

Preparei os sanduíches com aquela fomezinha safada de quem antecipa uma refeição específica por dias. Cada camada que eu colocava nos sanduíches eu soltava um suspiro de "ai que cheirinho bom". Embrulhei cada um separadamente em papel alumínio e coloquei todos dentro de uma sacola, prontos para levar.  

Como ele ainda estava terminando de se arrumar pra sair e eu já estava pronta, resolvi levar o lixo todo para fora. Peguei minha bolsa, os sanduíches e os sacos de lixo para jogar fora e já chamar o elevador. Ele, como sempre todo solícito, quando me viu saindo se ofereceu pra levar o lixo e me pediu apenas para pegar os sucos e o encontrar no elevador. "Fofo", pensei. Entreguei os sacos de lixo e a sacola com os tão desejados sanduíches, sem saber que essa seria a última vez que os veria. 

Dois minutos depois, no exato momento em que me ocorreu a ideia que ele talvez não tivesse percebido que a sacola com os sanduíches estava junto com as de lixo (visivelmente diferentes, vale acrescentar) ele abre a porta. O olhar era de terror, desespero. Dava pra ver que soava frio. 

"- Você não me deu os sanduíches né?"

Gente. 

Eu dei os sanduíches pra ele. Ele jogou os sanduíches fora. Todos. No lixo. Lixo de todos os apartamentos. Irrecuperável. Todos os sanduíches.




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Deixo vocês com uma imagem minha ao lado do meu piquenique daquele dia.


Fim.

8 de outubro de 2011

Steve Jobs e a superficialidade humana

Aviso: Esse post é pra ser lido cuidadosamente. Se não existe tamanha disposição dentro de você agora, nem leia o que escrevi e evite a minha fadiga de ter que ficar explicando cada vírgula porque eu simplesmente não estou com paciência pra burrice e interpretação de texto porca. 

Não é novidade nenhuma que noticia hoje em dia viaja mais rápido do jamais viajou. Tento acompanhar a velocidade das mudanças da melhor forma possível. Junto com a evolução da internet também veio um espaço cada vez maior para a dita "liberdade de expressão". Todo mundo tem acesso à informação instantânea e todo mundo expressa opiniões tão rápido quanto a informação chega. Até aqui tudo bem.

O que tem gritado na minha cara e me enlouquecido ultimamente sobre essa história toda é que a superficialidade das pessoas parece ter sido elevada a milésima potência. Graças à todas as fontes de informação disponíveis hoje em dia, temos oportunidade de saber de muito mais coisas e isso é ótimo na teoria. Na prática, muita gente vive de manchete e simplesmente não se dá ao trabalho de saber mais do que está acontecendo - o que não seria tão ruim se essas mesmas pessoas se resumissem ao que sabem na hora de dar opinião.

Steve Jobs morreu essa semana e de repente todo mundo, de celebridades internacionais aos inúmeros zé ninguéns do Twitter, resolveram expressar os profundíssimos sentimentos sobre o cara. De todas as incontáveis declarações que vi por aí, acho que só umas três vinham de pessoas que já tinham expressado qualquer pensamento sobre as contribuições de Steve Jobs para a tecnologia antes. Enquanto só se falava disso na internet, passou uma reportagem na televisão sobre o julgamento de Conrad Murray, médico pessoal de Michael Jackson. No jornal, divulgaram a gravação do Michael Jackson sob efeito de um monte de remédios, conversando com o médico por telefone sobre os planos pra turnê que estava prestes a começar, sobre o quanto ele sentia pelas crianças que assim como ele não tiveram infância e sobre querer abrir um hospital para crianças. Foi triste de ouvir.

Eu sempre gostei muito do Michael Jackson pelo talento absolutamente inegável que ele tinha. Quando soube da morte dele, fiquei mal. Foi a primeira vez que me senti triste de verdade com a morte de alguém famoso. Hoje, pouco mais de dois anos depois, o sentimento não mudou. Quando penso nisso sinto a mesma coisa que senti quando soube da morte.

Foi pensando nesse sentimento que caiu minha ficha sobre a superficialidade das pessoas. Eu lembro que na época da morte do Michael Jackson todo mundo fez questão de mostrar o quanto gostava do dele, o quanto valorizava suas contribuições ao mundo da música, o quanto respeitava a vida dele, o quanto nunca tinha acreditado nas acusações de pedofilia e assim por diante. Hoje em dia, mesmo tão pouco tempo após sua morte, o povo trata da notícia como se fosse velha. Agora quem morreu foi Steve Jobs, então dá-lhe a internet inteira prestando homenagens e falando do cara como se ele fosse a única pessoa responsável pela tecnologia que temos hoje.

Independentemente de quão importante o Steve Jobs realmente foi para a tecnologia e para o mundo de modo geral, a impressão que dá é que as pessoas só estão falando tanto sobre ele agora porque ele morreu há três dias e portanto esse é o assunto da vez. É óbvio que tem gente se sentindo assim como eu me senti quando soube da morte do Michael Jackson, mas não toda essa gente. E outra: por que todas essas pessoas não prestaram homenagens e expressaram o quanto acham que o Steve Jobs foi um gênio enquanto ele estava vivo? Porra. A gente vive no século vinte e um, estuda artistas, cientistas e filósofos que só ganharam reconhecimento depois que morreram e acha absurdo. Por que não simplesmente mudar isso e passar a valorizar os gênios enquanto eles vivem?

Mas esse não é o assunto que eu vim aqui pra tratar. A verdade é que muitas dessas pessoas que estão por aí dizendo que choraram quando souberam que o Steve Jobs morreu só querem mesmo é fazer parte do ~grupo~ e, pra isso, sabem têm que comentar sobre o assunto certo, o mais rápido possível e de preferência com as opiniões certas (porque afinal, discordar das coisas ultimamente é pedir pra ser crucificado).

Essa que é a merda. Até onde vai essa coisa das pessoas quererem provar ser algo que não são? Saber de coisas que não sabem, ter interesse por coisas que não têm? Que saco. Vejo esse tipo de coisa tão frequentemente e em tantas ocasiões diferentes que às vezes me pergunto se é mesmo possível que só eu perceba a babaquice que é ficar tentando o tempo inteiro ser algo que você não é. Qual é a dificuldade em gostar do que você gosta e não do que os outros acham que você tem gostar? Qual é o problema em simplesmente não se interessar por determinado assunto e não ter uma opinião formada sobre ele? Qual é o problema em falar do que você quer falar e não do que "é o que todo mundo tá falando então melhor eu falar também"? 

Pensem um pouco. 

28 de setembro de 2011

O inferno tem alarmes de incêndio

Sem entrar em questões religiosas e grandes questionamentos filosóficos, mas OLHA, posso garantir pra vocês que o inferno é um grande condomínio residencial onde o demônio testa diariamente todos os alarmes de incêndio dos apartamentos de cada um dos vinte e nove andares, fazendo com que TODOS os alarmes disparem a cada dois minutos. O plano é simples e se trata um apito ensurdecedor que tem o poder de fazer todas as células do corpo humano entrarem em estado de ebulição e desejarem que o prédio estivesse de fato pegando fogo pra acabar logo com a agonia.

Portanto, se você viveu sua vida até agora achando que o inferno era um lugar que envolvia chamas pré-produzidas, saiba que não - o inferno é um lugar que alega querer te proteger do fogo. Protege tanto que no fim quem taca fogo em tudo é você mesmo.

(eu, nesse momento)

19 de setembro de 2011

Resenha - Two and a Half Men (s09e01)

Sempre gostei de Two and a Half Men e quando soube que o Charlie Sheen deixaria de fazer parte do elenco, não achei que a série sobreviveria. Depois de meses de manchetes polêmicas sobre Sheen em todas as revistas de fofocas possíveis e imagináveis, saiu a notícia de que Ashton Kutcher assumiria a vaga deixada por Charlie. Logo começaram as especulações e eu li tudo que achava sobre o assunto. 

Sinceramente, nunca tive opiniões muito fortes sobre o Ashton Kutcher (e também nunca entendi o motivo pelo qual ele sempre foi tão influente no Twitter, mas isso é outro assunto). Assisti vários episódios de That's 70's Show (série em que ele intepretava Michael Kelso, adolescentão bonito e babaca) e sempre dava risadinhas eventuais com o personagem. Nos filmes que assisti com ele, mesma coisa - nada demais ou de muito diferente, mas bom o suficiente pra ser divertido. 

Por esses motivos, quando vi que ele tinha sido o escolhido, achei legal: a série não deixaria de existir e provavelmente continuaria sendo engraçada. Apesar de todos comentários negativos que vi por aí, só fiquei curiosa.

Bom. A nova temporada começou hoje e resolvi escrever pra vocês sobre o que eu achei.

Pra começo de conversa, achei legal o modo como lidaram com a morte do Charlie Harper. Várias piadas e referências à personalidade dele, que todos que acompanham a série há algum tempo conhecem muito bem. Acho que esse aspecto será constante nos episódios daqui pra frente. 

A estréia do Ashton Kutcher aconteceu mais pro meio do episódio e as principais características do personagem  ficam visíveis bem rapidinho. O nome é Walden Schmidt e ele chega na casa todo molhado porque tava tentando se suicidar na praia. É apaixonado por uma menina que conheceu na época do Ensino Médio, bilionário por ter vendido um site para a Microsoft e aparece pelado pelo menos duas vezes em menos de quinze minutos de episódio. 

No geral, foi mais ou menos o que eu achei que seria. Ainda não deu tempo do personagem ser desenvolvido, então não dá pra avaliar muito bem, por enquanto. Pela apresentação que foi feita hoje deu pra perceber que o humor da série permanecerá o mesmo e que a base da história permanece, uma vez que o personagem novo (assim como o falecido Charlie) é rico e ~pegador~ (Walden volta pra casa com duas mulheres depois de sair com Allan). A diferença é que Walden parece ser mais inocente que Charlie.

O episódio termina com um angustiante "to be continued" (sempre fico angustiada quando episódios de séries terminam com "to be continued"), sem sabermos exatamente qual será o destino de Allan, uma vez que Walden diz que comprará a casa. 

Basicamente é isso. Achei a estréia legal e continuo curiosa pra saber o que vai ser desse personagem novo. 
 
(Ashton Kutcher pelado)

E vocês, assistem a série? Tão botando fé no personagem novo? Me contem nos comentários!

5 de setembro de 2011

Resenha do filme - Midnight in Paris

Antes de mais nada, tenho que admitir que entrei no cinema pra ver esse filme cheia de preconceito. Tinha acabado de sair do último filme do Harry Potter na maior sala, com a maior tela e o melhor som. Quando entrei na sala do Midnight in Paris, ela não só era claustrofóbica como também tinha um cheiro meio suspeito. Além disso, eu sabia que o filme era dirigido pelo Woody Allen, diretor que é item obrigatório na lista de cinema dosmodinha e concluí: se é filme que osmodinha vão gostar então é filme metido a cult e se é filme metido a cult então é filme chato. Enfã. 

Sentei e esperei. O filme começa com uma música francesa (acho) e quatro minutos de cenas de Paris que no final meio que fazem sentido mas no começo são um tédio e só serviram pra eu achar que tava certa sobre o filme ser uma bosta. 

Tudo mudou quando vi o nariz torto e holywoodiano do Owen Wilson na tela. Me surpreendeu porque filme cult não costuma ter atores famosos e o Owen Wilson é famoso. A partir desse ponto, deixei de achar que o filme seria necessariamente ruim e passei a simplesmente assistir querendo saber sobre o que se tratava. 

Resumidamente e sem dar detalhes demais, a história é assim: o casal tá em Paris com a família da mulher (Inez, personagem representada por Rachel McAdams) - que enquanto está lá percebe que tá mais interessada num amigo dos tempos de faculdade que no noivo (Gil, personagem do Owen Wilson). Gil por sua vez, meio insatisfeito com tudo e frustrado por não conseguir dar prosseguimento ao romance que está escrevendo, sempre volta no pensamento de que as coisas seriam muito mais legais na vida se ele vivesse num outro tempo que não o dele. Numa das noites que ele tá voltando sozinho (meio cachaçado) pro hotel, ele entra num carro e vai parar em 1920. Nessa, ele conhece um monte de artistas da época (Dalí, Picasso, Hemingway e muitos outros que eu não lembro o nome) e começa a entender os motivos pelos quais tem estado tão travado pra escrever (e pra viver).

(Owen Wilson em Paris)

Eu só acho que o filme é classificado como comédia romântica por falta de outra categoria em que ele se encaixasse melhor porque, no fim, a história é muito mais que o título "comédia romântica" normalmente implica. Eu saí do cinema surpresa com o quanto eu gostei do filme e com a quantidade de elementos que me fizeram gostar tanto do filme.

Pessoalmente, uma das coisas mais legais foi ver a minha opinião sobre arte representada no filme de maneira tão óbvia e interessante. O tal amigo dos tempos de faculdade da Inez é o clássico "crítico de arte". Fala sobre pinturas e livros como se soubesse exatamente o que os artistas estavam pensando e querendo representar em suas obras - enquanto o Owen Wilson literalmente volta no tempo e vê que na verdade a história é completamente diferente. Sempre me irritou essa coisa dos "críticos" interpretarem obras antigas falando como se soubessem o que tava se passando pela mente do artista quando ele resolveu usar tal cor, escrever tal frase ou esculpir tal pedra. Até entendo que os profissionais se baseiem nos fatos da História pra fazer interpretações, mas mesmo assim, não é possível alguém saber hoje o que o Dalí tava pensando nos anos 30 enquanto pintava seus quadros, por exemplo, só se baseando nos fatos históricos. É a mesma coisa que daqui a oitenta anos alguém querer interpretar meus desenhos aqui do blog como arte neo-surrealista que representa os avanços tecnológicos da minha era contemporânea pela simplicidade pelos traços. Minha resposta pra isso seria tipo: oi?!

Além desse detalhe inesperado sobre todo o conceito de arte (que por si só já fez o filme valer a pena pra mim), a história e a mensagem em si são muito legais e fazem muito sentido. A maneira como os artistas famosos são representados também é bem interessante quer você tenha algum conhecimento de quem eles foram ou não.

Portanto, se você ainda não viu Midnight in Paris (traduziram como Meia noite em Paris), recomendo muito que veja. Se você já tiver visto, deixe suas opiniões nos comentários!

Observação: Espero que tenham gostado da primeira resenha do blog!