15 de julho de 2011

Cintia responde (4ª edição)

Quando você se deu conta de que seu blog estava começando a ser lido por várias pessoas, como hoje em dia? (@tresItalo)

Eu nunca tive muito controle de número de visitas, mas com o tempo eu comecei a notar que pessoas diferentes estavam começando a deixar comentários nos posts. Antes eu só recebia comentários de amigos mais próximos e de gente da minha família. 

Qual foi a maior dificuldade que você já passou aí no Canadá? (@lilikkk)

Não chega a ser uma dificuldade dificuldade mas a única coisa que consegui pensar foi na falta que eu sinto das comidinhas básicas brasileiras tipo pão francês, pinhão e a verdadeira picanha.

Qual você acha que é a importância da Arte na sociedade? Como seria se não houvesse? (Isabelle Louise)

A gente sabe que desde o começo dos tempos, as pessoas sentiam necessidade de se expressar de alguma forma e arranjavam um jeito de fazer isso. Graças a essas pessoas, hoje em dia temos noção de como era o tempo em que viviam e assim entendemos História muito mais detalhadamente. Acho que a Arte é muito importante e nem consigo imaginar como seria se ela não existisse - na verdade acho que isso não é sequer possível.

Receber bombons de alunos caracteriza assédio gastronômico? (@johanpablo)

Caracteriza um delicioso e irrecusável ato de puxasaquismo.

Que cor é minha roupa agora? (minha mãe)

Acho que é aquele pijaminha de frio meio cor de creme.

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Que cor é a sua roupa, agora?

3 de julho de 2011

O velho que não podia com açúcar, o filho babaca e o Josh

No momento em que entrei no McDonald's já percebi que tinha alguma coisa estranha acontecendo. 

Caminhei meio hesitante em direção ao balcão, tentando entender o que se passava sem demonstrar sinais muito óbvios daquele desespero que sempre dá quando a gente percebe que chegou no meio do barraco. 

Tinha um velho bem velho falando mais alto do que precisava e um cara com todas as características que alguém precisa ter pra parecer instantaneamente babaca, olhando para o chão e, obviamente, não tomando providência alguma em relação ao velho descontrolado.  

Como os dois ainda estavam em frente ao caixa, não dava pra eu fazer o meu pedido. Me posicionei como "próxima" e esperei. O velho calou-se enquanto examinava meticulosamente o conteúdo da bandeja à sua frente. Pegou a garrafinha de leite (líquido este que eu nem sabia que era comercializado no supracitado restaurante) e abriu. Tomou um gole e fez cara de quem avalia. Tossiu e disse: 

- Esse negócio tem açúcar, não acredito que tem açúcar sendo que eu pedi sem açúcar. Não posso com açúcar.
- Pai, vai ficar tudo bem, não é muito açúcar - respondeu o homem com cara de babaca.
- A diabetes é em mim não em você e você não sabe se vai ficar tudo bem, na verdade já te digo agora que não vai ficar tudo bem. Não posso com açúcar.

Chegou o atendende e o velho virou-se pra ele, chacoalhando a garrafinha de leite.

- Esse leite tem açúcar e eu pedi sem açúcar! Por que vocês colocam açúcar no leite de vocês?!
- Senhor, eles entregam o leite assim. Próximo. - disse o atendente, seco. Sabe-se lá quanto tempo já fazia que ele tava aguentando aquilo.

Antes de eu conseguir pegar fôlego para pedir minha comida, o velho pediu pra falar com o gerente. O atendente sumiu por uns momentos, voltou e disse:

- O gerente está muito ocupado, desculpe.
- Tudo bem, eu tenho tempo e posso esperar por ele - informou o velho, com aquele ar de velho que tem tempo. 

Silêncio.

- Pai - disse o homem que tinha deixado de apenas ter cara de babaca mas agora passava também a ser efetivamente considerado babaca - vamos comer, vamos?
- Não, quero falar com o gerente. 

Mais silêncio até que o nosso amigo babaca resolveu que a fome era muita, pegou a bandeja e foi sentar. Sem falar nada, o velho simplesmente foi sentar também. 

Pedi meu lanche e, claro, sentei perto dos dois para acompanhar na íntegra os acontecimentos que viriam.

A conversa que se seguiu não foi tão proveitosa quanto eu imaginava que seria, e eu já tava perdendo as esperanças de um bom post pro blog quando, de repente, surgiu um menino de camiseta vermelha. 

O velho e o filho estavam sentados bem na frente da máquina de refrigerante de modos que o menino teve que entrar no campo de visão deles para pegar sua bebida. Tenho certeza de que se ele soubesse o que o esperava, teria levado um suquinho de casa. 

O menino tava no meio do caminho quando foi chamado pelo velho. Acredito eu que pela camiseta vermelha que o menino tava usando, o velho achou que ele era o gerente e começou a reclamar do leite. Entregou o leite pro menino e disparou a falar que não podia com açúcar.

O coitado, compreensivelmente, ficou sem ação. Pegou o leite, olhou e devolveu pro velho, que começou a falar das porcentagens e dos absurdos que aquelas porcentagens eram. 

- Aliás, qual é o seu nome? - perguntou o velho pro menino.
- Josh. 
- Ah, certo, Josh. Eu sou o Ron e esse é o meu filho Kevin. 
- Legal, vou lá pegar o meu lanche. 

O menino saiu andando devarinho, receoso. Quando entrou no campo de visão do velho de novo, já com sua bandeja, meio que olhou pro velho, meio que não olhou, meio que dando um tchau, meio que não. 

- Ei, venha sentar com a gente! - disse o velho, que a essa altura já tinha esquecido que tinha achado que o menino era o gerente da loja. 

Ele sentou. 

Pra resumir um pouco essa história, digo pra vocês que os assuntos discutidos foram da carreira de rock'n'roll do velho até o verídico caso (verídico porque o amigo do velho disse pra ele que foi verdade) de um homem que bebeu tanto que a barriga dele explodiu. 

Nesse contexto, o velho puxou uns panfletos do bolso e começou a falar sobre abortos. Mostrou fotos, números e disse pro Josh que ele podia ficar não só com aqueles panfletos mas também com mais "esses outros dois que também são muito informativos". Só pra lembrar que gente, o Josh era um menino de dezesseis anos que tinha entrado no McDonald's para comer.

Acabou que o Josh disse que precisava ir embora porque tinha ainda muita estrada pela frente. Eles se despediram ao som do velho dizendo que eram oitenta milhões de abortos e que Deus ama o Josh mesmo assim. 

Quando o Josh saiu do restaurante, o velho virou pro filho babaca (que ao longo da conversa inteira só tinha levantado a cabeça pra perguntar pro Josh se ele tinha visto o clipe da Lady Gaga em que ela fala sobre o futuro) e disse:

- Quem diria que nós teríamos uma oportunidade dessas, hein!

Concordei, né. 

16 de junho de 2011

Dica aleatória (sobre frutas)

Se você tiver duas frutas pra comer, dê uma mordida em cada uma pra descobrir qual está melhor e decidir qual comer primeiro.

Deixar a pior pro final sem saber que ela é a pior costuma ser frustrante.

5 de junho de 2011

O caso do suco de uva (solução do mistério)

Procuramos pela caixa de suco por toda parte. Em todos os cantos da geladeira, embaixo da mesa, nos armários de pratos, dentro da máquina de lavar louça. Não estava em lugar nenhum. Era impossível ter sumido daquele jeito, além de completamente frustrante (afinal, não tínhamos tomado nem um terço dos dois litros do delicioso suco dentro da caixa desaparecida), mas acabou que nos conformamos. Não adiantava ficar procurando infinitamente e bom, ainda tinha suco de laranja.  

Gente, passou quase uma semana. Ele tava no trabalho e eu decidi limpar o banheiro. Abri o armário dos produtos de limpeza pra pegar o que eu precisava e ADIVINHA QUEM TAVA LÁ:
ACHÔ!

Pois é. O suco de uva tava na própria cozinha durante todo esse tempo. O pior de tudo: tenho quase certeza de que fui eu quem colocou ele lá. 
Beijos. 

3 de junho de 2011

O caso do suco de uva

Morar com outra pessoa é uma coisa que proporciona momentos. No meu caso, o morador é do sexo masculino e, bom, meu namorado. Isso nem faz muita diferença hoje, mas é bom que vocês já fiquem sabendo porque, com certeza, a história que se segue não será a única do tipo aqui pelo blog e sempre precisamos saber com o que estamos lidando, né. 

Ele - Que bom que você tomou o suco.
Eu - Não tomei.
Ele - Ué, cadê o suco então? - olhando pra geladeira.  
Eu - Sei lá, só sei que não tomei suco nenhum.
Ele - Hm, nem eu.
Eu - Como assim? Não pode ter sumido. Você tomou o suco, admita.
Ele - Não tomei. Acho que você que tomou.
Eu - Meu, por que eu MENTIRIA sobre isso?! 
Ele - É, realmente.

E ficamos um olhando pra cara do outro. 

Uma das coisas sobre morar sozinho é a comprovação física de que as coisas não se movem sozinhas. Elas só mudarão drasticamente de lugar se você estiver envolvido no processo. Quando são várias pessoas na mesma casa, normalmente dá pra colocar a culpa do sumiço de coisas em alguém que não esteja presente no momento da discussão (todo mundo faz isso, não se engane). Só que quando é você e mais uma pessoa que sempre está junto com você na casa, simplesmente não dá pra fazer isso. 

O resultado é que quando alguma coisa realmente desaparece nessas circunstâncias e os dois negam terem sido responsáveis pelo desaparecimento, o clima fica meio tenso: se não fui eu que tomei o suco, nem você, quem foi? O que pode ter acontecido a uma caixa de dois litros de suco de uva que até então estava entre nós e agora simplesmente sumiu? 

Deixem seus palpites do que aconteceu nos comentários. Vamos ver se alguém acerta, no próximo post eu conto.