Há um tempo atrás, anunciei que uma amiga minha se casaria,
lembram? Pois é. Segunda-feira passada foi o grande dia. Como já era de se esperar, ela estava linda. O noivo também. Eles são ótimos um para o outro e eu desejo tudo de bom para os dois. Estar lá foi muito legal e me fez pensar.
Foi o primeiro casamento da minha vida como convidada oficial em vez de filha dos convidados e, embora eu já estivesse psicologicamente preparada para o evento, foi um sentimento esquisito. Não sei vocês, mas desde quando eu era um cotoco humano eu já falava sobre o meu marido. Pensava no vestido, na festa, nas flores, na viagem, tomara que o meu noivo não queira usar roupa branca. Nos casamentos que eu ia, passava o tempo inteiro admirando a noiva, achando lindo aquele vestidão e torcendo para conseguir ver o sapato. Também achava divertido observar o noivo. Todo bonitão mas transpirando nervosismo por todos os poros, preocupado com tudo, andando para todos os lados, olhando no relógio, arrumando a gravata a cada dois minutos.
Aí, passei por uma fase em que afirmava categoricamente que não me casaria. Queria ser médica e não ia ter tempo para nada. Além disso, sempre brigava com os meninos nojentos da minha sala e achava absurdo alguém querer passar o resto da vida com algo que pertencesse àquele gênero. No fundo, porém, sempre que pintava as unhas de esmalte branco clarinho pensava que aquela seria a cor do meu esmalte de noiva.
O tempo passou, e, alguns relacionamentos com os "algos pertecentes ao gênero" depois, continuo achando que eles são meio nojentos. Penso em viajar o mundo inteiro e não ter tempo para ser casada. Acho que festa é desperdício de dinheiro e que se eu tivesse que fazer uma, enlouqueceria. Não aceitaria nada que não fosse impecavelmente perfeito e brigaria com o mundo inteiro se as flores da decoração estivessem velhas. Acima de tudo, hoje em dia entendo o que significa de fato, casar-se. Viver o resto da vida com o mesmo homem. Não é fácil achar a pessoa certa e na minha opinião, tem muita gente fazendo tudo errado. Soa meio clichê dizer que casar é um sonho, mas é.
No planeta Terra versão 2010, encontrar alguém que já não mande logo o clássico "não estou preparado para um compromisso sério" é raro e surpreendente. Uma pessoa dessas que também seja sincera, que saiba se comunicar, que tenha um bom humor, que seja sua amiga, que te entenda e que além de todas essas qualidades (e quaisquer outras que estejam na sua lista de requerimentos para um marido/esposa - a minha inclui matar insetos e lavar louça, por exemplo), ainda goste de você pelo que você é, não é exatamente algo que podemos chamar de comum.
Não tenho vergonha nenhuma em dizer que quero me casar um dia. A questão é que também não baseio minha vida nisso. Relacionamento assim é coisa séria e pressa para lidar com essas coisas estraga tudo. O que me irrita é que esse assunto virou tabu entre casais - é sempre evitado em namoros por medo de que "afaste" a outra pessoa - whataRÉU - se falar sobre casamento com a pessoa com quem você namora a afasta, que tipo de namoro é esse?
É óbvio que você, pessoa sem noção, não precisa chutar o pau da barraca e virar um daqueles neuróticos que necessita de definições concretas e de acordos de fidelidade eterna - o que eu quero dizer é que, pelo menos do jeito que eu vejo as coisas, namoro é um relacionamento que serve para conhecer a outra pessoa suficientemente bem para poder decidir se casaria com ela ou não. Se esse não é o seu objetivo, não namore e tenha isso bem definido na sua cabeça, assim você não atrasa a vida alheia com a famosa história de "indecisão sobre seus sentimentos". Homens e mulheres, viu.
Em compensação, se decidir que ter um relacionamento sério de verdade é o que você quer, quando conseguir, seja sensato. Fidelidade, respeito e sinceridade são sinônimos de relacionamento sério e não privilégios, que é como são considerados ultimamente. Tem que ter tudo isso e ponto final. E se não tiver está errado, nem adianta tentar justificar.
Enfim, as minhas histórias são longas e servem de exemplo para muitos casos que ouço por aí. As inevitáveis frustrações que vieram com os meus relacionamentos (não só amorosos mas de amizade também), me fizeram aprender muito sobre o cerumano de modo geral. São coisas que me fizeram crescer e que eu vou levar para sempre. Acontece muita merda e isso é um fato indiscutível, vai de você saber usar a merda como adubo ou não.
No meio do caminho, não vou negar que questionei várias vezes os meus planos para o futuro e isso com certeza acontecerá mais muitas vezes. Enquanto isso, a listinha de músicas que eu quero que sejam tocadas no meu casamento está guardada em algum lugar não muito distante, por aí. Nunca se sabe, né.
E vocês, hein? Querem casar?