13 de setembro de 2010

Casamentos, namoros e merda

Há um tempo atrás, anunciei que uma amiga minha se casaria, lembram? Pois é. Segunda-feira passada foi o grande dia. Como já era de se esperar, ela estava linda. O noivo também. Eles são ótimos um para o outro e eu desejo tudo de bom para os dois. Estar lá foi muito legal e me fez pensar.

Foi o primeiro casamento da minha vida como convidada oficial em vez de filha dos convidados e, embora eu já estivesse psicologicamente preparada para o evento, foi um sentimento esquisito. Não sei vocês, mas desde quando eu era um cotoco humano eu já falava sobre o meu marido. Pensava no vestido, na festa, nas flores, na viagem, tomara que o meu noivo não queira usar roupa branca. Nos casamentos que eu ia, passava o tempo inteiro admirando a noiva, achando lindo aquele vestidão e torcendo para conseguir ver o sapato. Também achava divertido observar o noivo. Todo bonitão mas transpirando nervosismo por todos os poros, preocupado com tudo, andando para todos os lados, olhando no relógio, arrumando a gravata a cada dois minutos.

Aí, passei por uma fase em que afirmava categoricamente que não me casaria. Queria ser médica e não ia ter tempo para nada. Além disso, sempre brigava com os meninos nojentos da minha sala e achava absurdo alguém querer passar o resto da vida com algo que pertencesse àquele gênero. No fundo, porém, sempre que pintava as unhas de esmalte branco clarinho pensava que aquela seria a cor do meu esmalte de noiva. 

O tempo passou, e, alguns relacionamentos com os "algos pertecentes ao gênero" depois, continuo achando que eles são meio nojentos. Penso em viajar o mundo inteiro e não ter tempo para ser casada. Acho que festa é desperdício de dinheiro e que se eu tivesse que fazer uma, enlouqueceria. Não aceitaria nada que não fosse impecavelmente perfeito e brigaria com o mundo inteiro se as flores da decoração estivessem velhas. Acima de tudo, hoje em dia entendo o que significa de fato, casar-se. Viver o resto da vida com o mesmo homem. Não é fácil achar a pessoa certa e na minha opinião, tem muita gente fazendo tudo errado. Soa meio clichê dizer que casar é um sonho, mas é. 

No planeta Terra versão 2010, encontrar alguém que já não mande logo o clássico "não estou preparado para um compromisso sério" é raro e surpreendente. Uma pessoa dessas que também seja sincera, que saiba se comunicar, que tenha um bom humor, que seja sua amiga, que te entenda e que além de todas essas qualidades (e quaisquer outras que estejam na sua lista de requerimentos para um marido/esposa - a minha inclui matar insetos e lavar louça, por exemplo), ainda goste de você pelo que você é, não é exatamente algo que podemos chamar de comum.

Não tenho vergonha nenhuma em dizer que quero me casar um dia. A questão é que também não baseio minha vida nisso. Relacionamento assim é coisa séria e pressa para lidar com essas coisas estraga tudo. O que me irrita é que esse assunto virou tabu entre casais - é sempre evitado em namoros por medo de que "afaste" a outra pessoa - whataRÉU - se falar sobre casamento com a pessoa com quem você namora a afasta, que tipo de namoro é esse? 

É óbvio que você, pessoa sem noção, não precisa chutar o pau da barraca e virar um daqueles neuróticos que necessita de definições concretas e de acordos de fidelidade eterna - o que eu quero dizer é que, pelo menos do jeito que eu vejo as coisas, namoro é um relacionamento que serve para conhecer a outra pessoa suficientemente bem para poder decidir se casaria com ela ou não. Se esse não é o seu objetivo, não namore e tenha isso bem definido na sua cabeça, assim você não atrasa a vida alheia com a famosa história de "indecisão sobre seus sentimentos". Homens e mulheres, viu.

Em compensação, se decidir que ter um relacionamento sério de verdade é o que você quer, quando conseguir, seja sensato. Fidelidade, respeito e sinceridade são sinônimos de relacionamento sério e não privilégios, que é como são considerados ultimamente. Tem que ter tudo isso e ponto final. E se não tiver está errado, nem adianta tentar justificar. 

Enfim, as minhas histórias são longas e servem de exemplo para muitos casos que ouço por aí. As inevitáveis frustrações que vieram com os meus relacionamentos (não só amorosos mas de amizade também), me fizeram aprender muito sobre o cerumano de modo geral. São coisas que me fizeram crescer e que eu vou levar para sempre. Acontece muita merda e isso é um fato indiscutível, vai de você saber usar a merda como adubo ou não.

No meio do caminho, não vou negar que questionei várias vezes os meus planos para o futuro e isso com certeza acontecerá mais muitas vezes. Enquanto isso, a listinha de músicas que eu quero que sejam tocadas no meu casamento está guardada em algum lugar não muito distante, por aí. Nunca se sabe, né.

E vocês, hein? Querem casar? 

5 de setembro de 2010

Breisil

Então, gente. Eu estou de volta ao Brasil.

Estou esperando a renovação do meu visto (que pode chegar tanto daqui a uma semana quanto daqui a dez meses). Sem o visto apropriado eu até poderia trabalhar e estudar no Canadá, mas não legalmente. Então por enquanto ficarei por aqui e, assim que a resposta que eu estou esperando chegar, o próximo passo será dado.

Chatices explicatórias a parte, voltei para os meus amigos, família e é claro, para as comidinhas brasileiras que estavam fazendo falta lá no Pólo Norte da vida. O vôo de volta para cá foi ótimo, dormi um milhão de horas e, na parada em Toronto, gastei consideráveis dólares nas melhores maquiagens do universo.

Pisando em território brasileiro, a primeira coisa que me aconteceu foi derreter totalmente. Logo em seguida, tive certeza de que estava no país certo quando ouvi um fulano empregado da empresa aérea perguntando aos berros para o outro, do outro lado do corredor que conecta o avião ao aeroporto, se ele tinha visto o João. Ou seja, né.

Fui recebida por uma cheirosíssima feijoada e logo em seguida minha vó já me arrastou para o quarto porque precisava, naquele exato momento, colocar todas as coisas que eu carregava dentro das duas malas, que totalizavam aproximadamente 60kg cada, em seus devidos lugares. Imediatamente.

No mesmo dia, amigos vieram me visitar, recebi ligações no celular (que estava desligado desde o momento em que entrei no avião há oito meses atrás) e mensagens de boas-vindas. Ainda não encontrei nem metade das pessoas que quero ver, mas terei tempo de fazer isso.

Sobre o Canadations, minha jornada por aqueles lados ainda não está concluída. Tenho sérios planos de voltar para lá, valeu muito a pena todo esse tempo que passei na terra do maple (que eu particularmente não gosto - condenem-me o quanto quiserem, eu também não como queijo).

Tenho idéias legais para posts e o blog continuará firme e forte.

Para quem também conhece a minha irmã, personagem clássica por aqui, assistam ao vídeo novo, estrelado pela própria, no meu vlog. Ela ficou no Canadá para terminar o Ensino Médio e deixou um recadinho para quem quiser ver.

Por enquanto é isso - esperem pelo texto sobre o casamento da minha amiga. Esse promete.

4 de setembro de 2010

Enquanto isso, no meu cérebro:

Quanto tempo mais será que eu vou ficar enrolando para escrever no blog? 

27 de agosto de 2010

Comunicação

Não lembro exatamente quando foi que cheguei a essa conclusão, mas para mim, mais da metade das coisas que a gente fala não são entendidas pelas pessoas que nos ouvem falar. 

Como se essa idéia já não fosse suficientemente perturbadora, direciono a atenção de vocês para uma outra questão: se as pessoas não entendem o certo, o que elas entendem? Pois é, o errado.

E fica pior ainda, porque as pessoas que nos entendem errado acham que estão nos entendendo certo e portanto, não fazem quaisquer questionamentos. Ou seja, nós nunca saberemos que nos entenderam errado a não ser que o assunto reapareça no futuro. 

Exemplo: 

Anos depois, numa festa qualquer, você encontra aquela pessoa com quem você teve uma boa porém breve conversa num passado longíquo. "Estranho", você pensa, "nunca mais conversei com aquela pessoa e nem lembro por quê". Horas mais tarde, cada vez mais nervoso pelo desperdício do espaço cerebral ocupado pela sua inútil memória, você resolve ir falar com a pessoa. Qual não é a sua surpresa quando:

- Nossa, mas quanto tempo! Por que a gente não se falou mais?!
- Ah, achei que você não gostava de mim.

A casa cai, né? Como assim, "eu não gostava de você"?! 

Então, foi um mal entendido*. De vez em quando nós temos oportunidade de resolvê-los, mas, e todos os outros que acontecem e a gente nem percebe? Todas as idéias erradas que as pessoas têm da gente pura e simplesmente por falta de comunicação?

O que pega é que isso acontece com muita frequência e só de observar diálogos alheios já dá para perceber. Inúmeras foram as vezes em que eu estava de coadjuvante numa conversa e, depois do básico silêncio-que-fica-quando-um-assunto-termina, eu disse algo como "é, mas o que o Fulano quis dizer não foi isso, foi isso, isso e isso", e enquanto o Fulano concordava comigo, todo mundo mudava de expressão "- Ahhh! Agora entendi!".

Às vezes o mal entendido é só uma interpretação errada de uma história, mas às vezes pode ser como no exemplo que eu dei em que a pessoa acha que você não gosta dela, ou a má impressão é especificamente sobre você como pessoa, sobre a sua personalidade. 

E ó, quem diz que "não se importa com a opinião dos outros", mente. Ninguém quer ser tachado de metido ou arrogante a troco de nada. Ninguém quer perder um futuro amigo porque se expressou mal numa primeira conversa. Eu duvidiodó que alguém goste de ser rotulado negativamente de graça. 

Aí inventaram a Internet, e olha, se tem uma coisa que piora a comunicação (pelo menos nesse sentido) em 937%, é a Internet. Quanto maior a sua rede social, mais gente vai te entender errado. 

Esse assunto realmente me intriga. Gostaria de conseguir evitar esse tipo de coisa, mas não acho que seja possível. Como faz?


*Não gosto das novas regras da Língua Portuguesa. Ponto final.

19 de agosto de 2010

Hábitos de sono

Muita gente que alega não gostar de acordar cedo diz que embora não lhes agrade, a rotina os acaba fazendo se acostumar e, por isso, acordam cedo até nos finais de semana. 

No meu caso, o horário de acordar para ir para a escola sempre foi em torno das sete da (madrugada) manhã. Ia dormir às onze da noite e ótimo, oito saudáveis e suficientes horas de sono. Aí eu entrei na faculdade, né. Para resumir a história, no último ano da graduação, se eu dormisse três horas por noite era muito. 

Pergunta: Com base nas afirmações do parágrafo acima, em qual dos dois períodos era simplesmente impossível acordar antes das duas da tarde nos finais de semana? Escolar ou universitário?

Em ambos, sem dúvida. Sempre achei inútil acordar cedo em dias que se pode dormir, além de ficar muito brava quando crianças chorantes ou o tiozinho do biju com aquela matraca proveniente dusinferno passavam na frente da minha casa, com o único e exclusivo objetivo de me acordar.

E assim, quando as pessoas descobrem sobre meus hábitos de sono, meldels - revolta, fúria e indignação transbordam suas veias. 

"- Nossa, credo! Assim você não aproveita o dia!", todas as vezes. 
"- Ah é? E o que você faz de domingo de manhã? Globo Rural?" - sim, eu defendo meus direitos soníferos.

Ao responder, os matutinos gaguejam e nunca me convencem. Não há motivo para acordar cedo num domingo. É chato, demasiadamente silencioso (afinal o barulho todo só acontece enquanto você tenta dormir) e ninguém mais no universo está acordado. 

Esses últimos tempos, não tenho tido necessidade alguma de acordar cedo. É bom, mas me faz perder a noção. Acordo às sete da noite e vou dormir às onze da manhã. De vez em quando saio na rua lá pelas oito da manhã sem nenhuma perspectiva de sono, só para me sentir um pouco mais normal, fingindo que acabei de acordar.

Independente disso, sábados, domingos e feriados foram feitos para serem dormidos. Apóio as saídas com os amigos e o conceito "aproveitar o dia", mas nove da manhã no final de semana simplesmente não faz parte da categoria dia