31 de julho de 2010

Mas por que você faz isso?

Como conto no texto "Sobre mim", gosto de escrever desde antes de saber escrever. Desde que aprendi o que eram letras e como juntá-las de modo que façam sentido, tenho diários e cadernos de anotações. Escrever sempre fez parte de mim. 

Não lembro como foi que descobri sobre blogs nem como foi o processo da decisão de criar um. Mas desde que iniciei a vida blogueira, não parei. Mais de cinco anos, já.

Sobre a parte técnica da coisa, posso dizer que evoluí - de vez em quando até me intrometo nos assustadores HTMLs da vida. E, assim como quando compro cadernos novos, toda vez que mudo alguma coisa por aqui fico admirando a página por horas. 

Muita gente me pergunta a razão pela qual escrevo, o que é que me motiva. A resposta é simples: eu gosto. Muito. 

Quando comecei a publicar textos internéticamente, a idéia era de compartilhar meus pensamentos de modo discreto. Ter meus amigos e família lendo, comentando com as respectivas idéias e só. Com o tempo, outros blogueiros me encontraram, misteriosamente. Alguns me acompanham desde então. Passei a receber vários comentários por post e isso sempre me deixou feliz. Saber que a pessoa leu o texto todo e resolveu deixar um comentário é realmente muito legal.

Então, além da minha vontade constante de escrever, descobri que algumas pessoas tinham real interesse em ler o que eu escrevia e que visitavam o blog com frequência exclusivamente para ler meus textos. Para mim, motivação maior que essa não há. 

Hoje em dia o blog tem sido acessado por mais gente ainda. Com o sucesso que o vlog está sendo, tenho recebido vários leitores novos por aqui. Sem contar os seguidores oficiais, que têm suas fotos e perfis listados aí na lateral. Há uns posts atrás, quando comentei sobre esse assunto, eu tinha só sete seguidores! Agora são mais de setenta e cinco e, além de bastante gente comentando, agora eu tenho gente me pedindo todos os dias para postar coisa nova logo.

Ou seja, conforme o tempo passa, manter o blog tem sido cada vez mais recompensador. Escrevo sobre assuntos que me interessam e que acho que vão interessar aos leitores também. Gosto muito de saber que lhes fiz pensar, que ensinei algo novo, que influenciei alguém. Recebo ótimos comentários e leio todos, sempre. 

Portanto, obrigada! Vocês tornam escrever, que é uma das minhas atividades favoritas na vida, algo muito mais divertido, que realmente sinto vontade de fazer e compartilhar. Bonito isso, falem a verdade!

E fiquem felizes, hein: não sou romântica assim com qualquer um.

16 de julho de 2010

Frescuras de Quem Viaja para Fora

Desde antes de vir para o Canadá eu percebia que existem dois tipos de pessoas que viajam para fora. As que têm Frescura e as que não. Estar aqui só me ajudou a identificar melhor o que é frescura e o que não é.

Ficar colocando palavras do idioma estrangeiro no meio de conversas em português.
Totalmente desnecessário. É verdade que depois de muita exposição ao idioma às vezes o cérebro dá umas falhadas para lembrar uma palavra ou outra - mas daí a esse tipo de coisa:

Anyway, eu estava andando por lá e you know, aquele lugar é simplesmente amazing.

Poupe-me. 

Tudo do país estrangeiro é melhor.
Não é verdade. E as praias invejáveis que só o Brasil tem? O clima ótimo e variedade inacreditável de comidas boas? A pessoa que sofre de Frescuras de Quem Viaja para Fora não se importa com nada disso. Adquire um bronzeado verde-transparente-olha-só-dá-para-ver-as-minhas-veias, faz as três refeições do dia no McDonald's e fala para quem quiser ouvir que neve é a coisa mais maravilhosa que já presenciou. 

A verdade: É muito chato ficar sem sol, é decepcionante não achar comidas que deveriam existir no mundo inteiro como as que eu descrevi no outro post, neve dá trabalho e só é legal nas primeiras 24h, depois fica monótono. 

Brasileiro faz tudo errado, Canadense/Americano/Francês/Inglês/etc é que faz as coisas direito.
Todos fazem coisas certas e erradas. Deveria ser óbvio, mas não é. A pessoa que tem Frescuras de Quem Viaja para Fora passa por uma lavagem-cerebral espontânea e quando volta para o Brasil todo mundo é idiota porque é de "terceiro mundo" e não sabe de nada da vida. 

Brasil é "Terceiro Mundo". 
("Subdesenvolvido", "em desenvolvimento" ou qualquer que seja o termo policamente correto da semana). 

Depois de conhecer um país considerado de "primeiro mundo", não há como negar as diferenças gritantes que esse rótulo representa. Chegar de avião no Brasil observando tudo de cima é feio de ver. É sujo e bagunçado, dá vergonha. Canadá não. Tudo organizado e verde (branco se for inverno). Não se veêm muitos mendigos na rua, o dinheiro é bem tratado, as praças e centros de recreação públicos são impecáveis. Ambulâncias são rápidas e polícia também. 

A pergunta é: precisa ser de primeiro mundo para ter tudo isso? Porque assim, a pessoa que sofre de Frescuras de Quem Viaja para Fora não joga lixo nas ruas da Suíça mas joga nas de São Paulo. Respeita os sinais de trânsito na Alemanha, mas ignora totalmente os do Brasil e ainda buzina ensurdecedoramente todas as vezes que se sentir contrariada. Interessante, né?!

Estar em territórios estrangeiros é muito bom. Pessoas diferentes, lugares diferentes, clima, preços, animais, carros, árvores, cabelos, sapatos - tudo diferente. É uma experiência que eu recomendo para todo mundo. O problema, no meu ponto de vista, é ir para outro país, aprender esse monte de coisa nova e esquecer de trazê-las consigo de volta para o Brasil. 

Frescuras de Quem Viaja para Fora é doença contagiosa. Basta uma pessoa infectada recém-chegada de viagem começar a conversar com outras para o vírus se espalhar. "- Isso não é vida", "- Tem que sair daqui mesmo", "- Esse país é uma merda". 

Mas ó, tem cura. É um remedinho básico que geralmente pode ser encontrado lá no fundo do seu cérebro. Chama-se Consciência.  O genérico chama-se Humildade. Os médicos recomendam doses diárias. É simples: Lembre-se de que o Brasil é o seu país e consequentemente, sua responsabilidade também. Não importa o quão melhor você acha que determinado país é, Brasil continua sendo o lugar de onde você realmente é. Merece um pouco de respeito.


Obs.: E eu nem me considero patriota, hein. Não mesmo.

8 de julho de 2010

Mullets

Uma coisa que eu perdi esse ano por não estar no Brasil foi a Copa do Mundo. Tudo bem que nem acabou ainda e que eu assisti a alguns jogos (afinal, televisão é uma coisa que existe, né?), mas não é mesma coisa. Aqui ninguém grita "goooool" até a última veia do pescoço estourar, sabe?

Na verdade, eu nem gosto de futebol. Os possuidores do gene assistidor futebolístico na família são o meu vô, que assiste todos os jogos internacionais, nacionais e de bairro, e o meu primo que desde quando aprendeu a falar sabe todos os nomes de todos os jogadores de futebol que já cuspiram nojentamente nos campos de futebol do mundo. E só. 

Eu demorei um bom tempo para processar que os Ronaldos não estavam jogando e que o Dunga era o técnico do time. Ainda não sei o motivo de nenhum dos dois fatos, mas não vem ao caso. Sou torcedora de quatro em quatro anos e admito isso sem maiores constrangimentos.

Reclamo, porém. Assisto pouco futebol, mas quando dou o ar da minha graça, gostaria que tudo fosse como deve que ser. Isso inclui Galvão Bueno falando asneira, por exemplo. Futebol narrado em inglês é outro esporte. O nome dos jogadores vira "Louciow", "Robiña" e "Louis Fabienow". Inclui meu pai dormindo/descascando laranja. Rojões intermináveis. E vuvuzela, então? Eles nem sabem pronunciar a palavra decentemente. Foi frustrante.

"Foi" porque para mim, se o Brasil perde não há motivo para continuar perdendo tempo assistindo jogos. Diga-se de passagem, não deu nem tempo de eu me dar ao trabalho de fuçar nas roupas para ver se encontrava algo verde e amarelo para vestir. Três míseros jogos dos quais eu só não me arrependi de ter assistido um. Enfim.

A última coisa que vou deixar aqui para reflexão é na verdade uma pergunta: Por quê o Maradona ainda não cortou aquele cabelo?

30 de junho de 2010

Sobre coisas que irritam

Sou só eu ou vocês concordam?

Funcionabilidade tecnológica indiretamente proporcional à sua paciência.
É só você estar com pressa para fazer qualquer coisa no computador que ele vai, necessária e inevitavelmente, decidir que hoje não é um dia bom para funcionar direito. Ponto final. Não importa o que você faça ou para quem você ligue, a decisão está tomada e você tem duas opções: desligar tudo e ir embora ou morrer engasgado na frente do computador com a espuma de raiva que sua boca produzirá.  

Pessoas que deveriam, mas não escrevem certo em português.
Entendo que tem gente que, devido ao duvidoso sistema público de educação brasileiro, não teve oportunidades decentes de estudo [som de violinos] mas também tem muita gente que teve e que comete erros iguais ou piores do que os de quem não estudou - e são esses os que mais irritam. "- Vou durmir","- O que você tá fasendo?", "- Nossa, não concigo fazer isso". Minha vontade é pegar um dicionário e fazer a pessoa engolir, desculpa. 

Barulhos com a boca.
Ao comer, por exemplo. É perfeitamente possível comer sem fazer barulho. Meu sentimento ao sentar perto de alguém que come fazendo barulho é que a boca da pessoa caia. Simples. Tem gente que faz barulho nas pausas entre a fala, também. Sabe? Engolindo saliva ou se preparando para continuar a falar? Pára.

Pessoas que me imitam.
Odeio. Quando vejo alguma coisa que é claramente minha sendo reproduzida outra pessoa, se pudesse, arrancaria fora o cérebro da pessoa, lavaria a peça com ácido detergente e colocaria de volta para ver se dá jeito de sair alguma coisa original dali.  Há quem diga que imitação é um dos tipos mais lisonjeiros de reconhecimento. Não.

Conversas que começam com "- Você não sabe o que aconteceu" e são seguidas de silêncio.
Ou seja, a pessoa quer que você pergunte o que aconteceu, como se só pelo fato de que sabe-se lá o quê aconteceu com ela fosse suficiente para deixar qualquer um curioso. Pergunto: Por que não me poupar do desconforto e contar logo o que aconteceu? Mesma coisa com gente que coloca frases tipo "estou tão triste" no MSN ou Twitter. Por favor, né, se você quer conversar com alguém, simplesmente vá ao alguém e converse - de preferência sem iniciar a conversa com a frase citada acima + silêncio. Não precisa ficar dando dica indireta pela internet.

Ser acordada antes da hora.
Quando estou dormindo gostaria de ser automaticamente considerada falecida por todos ao meu redor a não ser que eu tenha especificado o contrário antes. Ter me programado para acordar tarde (e por tarde leia-se  uma da tarde para mais) e ser acordada antes disso por qualquer ser cutucante é sentença de perda de braço por justa causa. 

A lista é muito maior que isso. Quanto mais escrevo mais lembro de coisa. Haja paciência.

                                                          

19 de junho de 2010

Fome

Essa parte da minha vida sempre foi meio irregular. Às vezes simplesmente não tenho fome e às vezes eu acordo faminta e como muito (e quando eu digo muito eu quero dizer muito). Nos dias de não-fome eu poderia passar o dia todo sem comer e não me sentiria mal.

Agora, o assunto que eu realmente vim aqui para tratar é o dos dias de famintice. Normalmente, o que acontece é que nesses dias eu viro grávida. Tenho vontades específicas de coisas que eu quero comer e não sossego até conseguir. 

As vontades costumam envolver McDonald's, saladas (hmm, palmito) e ultimamente os gostosinhos sushis. Vale dizer que os desejos alimentísticos são em geral coisas não muito difíceis de conseguir. O problema hoje em dia é o Canadá. Minhas vontades têm limite aqui. 

Tipo, que fazer com as vontades de feijoada, coxinha, pãozinho francês, esfiha de carne, frango assado da padaria, pizza de calabresa, feijão da minha mãe, almôndega da minha vó?! Nada disso existe direito nesse país. Pizza de calabresa que seria coisa simples, por exemplo, blargh. A calabresa simplesmente não tem o mesmo gosto, é frustrante. 

Ontem, a opção era ou uma receita online de coxinha ou uma passagem de volta para o Brasil. Considerando os preços, concluí que a receita seria mais acessível. Depois de todo o longo e interminável processo de desfiar até o bico do frango, fritei as coxinhas. Ficaram boas, até. Estou de parabéns.

A moral da história é que agora eu cozinho as coisas que quero comer. E, preciso dizer, o mais surpreendente de tudo é me pegar realmente interessada em discutir receitas com a minha mãe.