30 de junho de 2010

Sobre coisas que irritam

Sou só eu ou vocês concordam?

Funcionabilidade tecnológica indiretamente proporcional à sua paciência.
É só você estar com pressa para fazer qualquer coisa no computador que ele vai, necessária e inevitavelmente, decidir que hoje não é um dia bom para funcionar direito. Ponto final. Não importa o que você faça ou para quem você ligue, a decisão está tomada e você tem duas opções: desligar tudo e ir embora ou morrer engasgado na frente do computador com a espuma de raiva que sua boca produzirá.  

Pessoas que deveriam, mas não escrevem certo em português.
Entendo que tem gente que, devido ao duvidoso sistema público de educação brasileiro, não teve oportunidades decentes de estudo [som de violinos] mas também tem muita gente que teve e que comete erros iguais ou piores do que os de quem não estudou - e são esses os que mais irritam. "- Vou durmir","- O que você tá fasendo?", "- Nossa, não concigo fazer isso". Minha vontade é pegar um dicionário e fazer a pessoa engolir, desculpa. 

Barulhos com a boca.
Ao comer, por exemplo. É perfeitamente possível comer sem fazer barulho. Meu sentimento ao sentar perto de alguém que come fazendo barulho é que a boca da pessoa caia. Simples. Tem gente que faz barulho nas pausas entre a fala, também. Sabe? Engolindo saliva ou se preparando para continuar a falar? Pára.

Pessoas que me imitam.
Odeio. Quando vejo alguma coisa que é claramente minha sendo reproduzida outra pessoa, se pudesse, arrancaria fora o cérebro da pessoa, lavaria a peça com ácido detergente e colocaria de volta para ver se dá jeito de sair alguma coisa original dali.  Há quem diga que imitação é um dos tipos mais lisonjeiros de reconhecimento. Não.

Conversas que começam com "- Você não sabe o que aconteceu" e são seguidas de silêncio.
Ou seja, a pessoa quer que você pergunte o que aconteceu, como se só pelo fato de que sabe-se lá o quê aconteceu com ela fosse suficiente para deixar qualquer um curioso. Pergunto: Por que não me poupar do desconforto e contar logo o que aconteceu? Mesma coisa com gente que coloca frases tipo "estou tão triste" no MSN ou Twitter. Por favor, né, se você quer conversar com alguém, simplesmente vá ao alguém e converse - de preferência sem iniciar a conversa com a frase citada acima + silêncio. Não precisa ficar dando dica indireta pela internet.

Ser acordada antes da hora.
Quando estou dormindo gostaria de ser automaticamente considerada falecida por todos ao meu redor a não ser que eu tenha especificado o contrário antes. Ter me programado para acordar tarde (e por tarde leia-se  uma da tarde para mais) e ser acordada antes disso por qualquer ser cutucante é sentença de perda de braço por justa causa. 

A lista é muito maior que isso. Quanto mais escrevo mais lembro de coisa. Haja paciência.

                                                          

19 de junho de 2010

Fome

Essa parte da minha vida sempre foi meio irregular. Às vezes simplesmente não tenho fome e às vezes eu acordo faminta e como muito (e quando eu digo muito eu quero dizer muito). Nos dias de não-fome eu poderia passar o dia todo sem comer e não me sentiria mal.

Agora, o assunto que eu realmente vim aqui para tratar é o dos dias de famintice. Normalmente, o que acontece é que nesses dias eu viro grávida. Tenho vontades específicas de coisas que eu quero comer e não sossego até conseguir. 

As vontades costumam envolver McDonald's, saladas (hmm, palmito) e ultimamente os gostosinhos sushis. Vale dizer que os desejos alimentísticos são em geral coisas não muito difíceis de conseguir. O problema hoje em dia é o Canadá. Minhas vontades têm limite aqui. 

Tipo, que fazer com as vontades de feijoada, coxinha, pãozinho francês, esfiha de carne, frango assado da padaria, pizza de calabresa, feijão da minha mãe, almôndega da minha vó?! Nada disso existe direito nesse país. Pizza de calabresa que seria coisa simples, por exemplo, blargh. A calabresa simplesmente não tem o mesmo gosto, é frustrante. 

Ontem, a opção era ou uma receita online de coxinha ou uma passagem de volta para o Brasil. Considerando os preços, concluí que a receita seria mais acessível. Depois de todo o longo e interminável processo de desfiar até o bico do frango, fritei as coxinhas. Ficaram boas, até. Estou de parabéns.

A moral da história é que agora eu cozinho as coisas que quero comer. E, preciso dizer, o mais surpreendente de tudo é me pegar realmente interessada em discutir receitas com a minha mãe.

4 de junho de 2010

A internet e os répteis extintos

Quando você começa a ter pesadelos com o Youtube você sabe que está passando tempo demais na internet.

Pois então, eu fiz um vlog (para quem não sabe, vlog é tipo blog, só que de vídeo). Com ele, veio o Twitter, (que eu já tinha há um tempo mas nem entrava porque por sanidade algum motivo os meus amigos mais próximos simplesmente não têm). E com ambos, vieram os pesadelos.

Esse negócio de fazer vídeos no Youtube virou moda esses tempos. E, caso você esteja se perguntando se eu só comecei por isso, a resposta é sim. Em minha defesa, sempre tive uma certa vontade de fazer algo do gênero, mas foi a febre youtubística que me inspirou.

A questã é que o negócio vira vício, assim como todas as outras coisas internéticas. Você acha que está livre do ICQ, inventam o MSN, pára de entrar diariamente no Orkut, te apresentam ao Facebook. Não vou nem comentar sobre os joguinhos.

O negócio nessa minha vida agora é ter followers e subscribers. Vale dizer que essa de follow sempre me soou meio psicopata. Se uma única pessoa te seguindo na rua já é desesperador, imagina cento e trinta?!  No Orkut, pelo menos a situação é mais simples - você tem "amigos", só. 

De qualquer modo, o Twitter é onde tudo acontece. Antes eu tinha dificuldade em achar a função de um site que só te permite escrever cento e quarenta caracteres. Aí ontem eu tenho pesadelo de que não consigo entrar e nunca mais sei o que está acontecendo.

É tenso, gentem, acreditem-me. Sem contar que o Youtube às vezes trava o número de visualizações no trezentos e pouco. Obviamente, eles fazem de propósito, só pelo prazer de saberem que você, além de botar um ovo de dinossauro de agonia e desespero, também sonhará com as visualizações dos seus vídeos diminuindo cada vez que você atualiza a página. 

Mas tudo bem, né. Sigo a vida, sempre me atualizando sobre a internet e sobre como chocar ovos de dinossauro em pleno século vinte e um.

30 de maio de 2010

Pac-Man

Desde aquele dia em que o Google colocou Pac-Man na página oficial devido ao aniversário de trinta anos do jogo, eu sou uma pessoa mais frustrada nessa vida.

Eu tinha esquecido do quão desesperador aquele joguinho é. A trilha sonora, então - tem o poder de te deixar irritado em níveis indiretamente proporcionais às vezes que você, de fato, ganha. (E como eu nunca ganhei naquela merda e sempre insisto inúmeras vezes, dá para imaginar a fúria, né?)

Minha consideração final como pessoa adulta jogando Pac-Man é que o jogo potencializa a capacidade homicida de qualquer cerumano. O prazer que dá ao assassinar aqueles fantasminhas do capeta é uma sensação que simplesmente não dá para explicar. Isso, somado ao ódio que se sente quando eles te alcançam é, sem dúvida, a razão pela qual pelo menos 50% das mortes do mundo acontecem.

Estudos apontam que nas últimas três décadas, todos os serial-killers que foram capturados e entrevistados pelos chefes de investigação nos Estados Unidos responderam que estavam jogando Pac-Man antes de saírem de casa nos dias em que assassinaram suas vítimas*.

Então, vocês pais e mães preocupados com os jogos 3D violentos, cheios de sangue e pancadaria dos dias de hoje - abram os olhos. O tipo de jogo que deve ser foco de atenção é outro.

*É mentira, mas caso você tenha acreditado, agradeço por concordar, ainda que por um instante, que poderia ser verdade.

27 de maio de 2010

Coisas que as pessoas não falam sobre o Canadá 2

Continuação da série, porque afinal, eu sou sua fonte das verdades canadenses.

O tempo é seco
Eu sinceramente achava esse negócio de reclamar do clima, especialmente dizendo que o tempo não-sei-onde é muito seco ou muito úmido, era frescura de gente que viaja para fora ("frescuras de quem viaja para fora" vai ser tópico de post em breve). Mas não é. Eu não senti todos os lugares que fui, mas quando eu vim para cá a primeira vez, minha pele secou mais que o nordeste em tempos de verão nesse planeta efeito-estufado. O cabelo então, benzadeus - selvagem. E não tem creminho brasileiro que resolva, tem que comprar as bugigangas aqui. A maior prova de tudo foi quando eu voltei para o Brasil - parecia que eu estava respirando água.

Todo mundo fala inglês
Parece óbvio, mas quando você vê mendigo pedindo dinheiro em inglês, a realidade te atinge. Bebêzinhos também. Não dá para evitar aquele pensamento de fração de segundo "- nossa, que inteligente essa criança é falando inglês tão novinha".

Você passa a ter certas dificuldades com o seu idioma original
Também achava que era frescura. Mas depois de um certo tempo de lavagem cerebral (você, um pedaço de pessoa cercado de inglês por todos os lados), quando você conversa em português com alguém, esquece umas palavritas aqui e ali, muda a ordem dos adjetivos e essas coisas. É meio constrangedor, porque fico achando que a pessoa com quem eu estou conversando está pensando que eu estou de frescura-de-quem-viaja-para-fora, sabe? Aí, em vez de procurar a palavra que eu não estou encontrando, eu fico tentando adivinhar o que a pessoa está pensando, demorando, assim, pelo menos o dobro do tempo para voltar a falar.

Canadense acha que tangerina é laranja
Todas as frutas com potencial para serem laranja, eles descascam como se fosse tangerina. Eu não sei se com um certo esforço, dá para descascar laranja como se fosse tangerina. Para mim, laranja tem aquela casca grossa, que a gente tem que usar faca para descascar (coisa essa que eu nunca fui capaz de fazer, diga-se de passagem). Então me resta a dúvida se somos nós, brasileiros, que separamos laranja de tangerina inutilmente, ou se os canadenses são mais espertos que a gente, descascando igual tangerina tudo que dá. Questionamentos, questionamentos.