19 de junho de 2010

Fome

Essa parte da minha vida sempre foi meio irregular. Às vezes simplesmente não tenho fome e às vezes eu acordo faminta e como muito (e quando eu digo muito eu quero dizer muito). Nos dias de não-fome eu poderia passar o dia todo sem comer e não me sentiria mal.

Agora, o assunto que eu realmente vim aqui para tratar é o dos dias de famintice. Normalmente, o que acontece é que nesses dias eu viro grávida. Tenho vontades específicas de coisas que eu quero comer e não sossego até conseguir. 

As vontades costumam envolver McDonald's, saladas (hmm, palmito) e ultimamente os gostosinhos sushis. Vale dizer que os desejos alimentísticos são em geral coisas não muito difíceis de conseguir. O problema hoje em dia é o Canadá. Minhas vontades têm limite aqui. 

Tipo, que fazer com as vontades de feijoada, coxinha, pãozinho francês, esfiha de carne, frango assado da padaria, pizza de calabresa, feijão da minha mãe, almôndega da minha vó?! Nada disso existe direito nesse país. Pizza de calabresa que seria coisa simples, por exemplo, blargh. A calabresa simplesmente não tem o mesmo gosto, é frustrante. 

Ontem, a opção era ou uma receita online de coxinha ou uma passagem de volta para o Brasil. Considerando os preços, concluí que a receita seria mais acessível. Depois de todo o longo e interminável processo de desfiar até o bico do frango, fritei as coxinhas. Ficaram boas, até. Estou de parabéns.

A moral da história é que agora eu cozinho as coisas que quero comer. E, preciso dizer, o mais surpreendente de tudo é me pegar realmente interessada em discutir receitas com a minha mãe.

4 de junho de 2010

A internet e os répteis extintos

Quando você começa a ter pesadelos com o Youtube você sabe que está passando tempo demais na internet.

Pois então, eu fiz um vlog (para quem não sabe, vlog é tipo blog, só que de vídeo). Com ele, veio o Twitter, (que eu já tinha há um tempo mas nem entrava porque por sanidade algum motivo os meus amigos mais próximos simplesmente não têm). E com ambos, vieram os pesadelos.

Esse negócio de fazer vídeos no Youtube virou moda esses tempos. E, caso você esteja se perguntando se eu só comecei por isso, a resposta é sim. Em minha defesa, sempre tive uma certa vontade de fazer algo do gênero, mas foi a febre youtubística que me inspirou.

A questã é que o negócio vira vício, assim como todas as outras coisas internéticas. Você acha que está livre do ICQ, inventam o MSN, pára de entrar diariamente no Orkut, te apresentam ao Facebook. Não vou nem comentar sobre os joguinhos.

O negócio nessa minha vida agora é ter followers e subscribers. Vale dizer que essa de follow sempre me soou meio psicopata. Se uma única pessoa te seguindo na rua já é desesperador, imagina cento e trinta?!  No Orkut, pelo menos a situação é mais simples - você tem "amigos", só. 

De qualquer modo, o Twitter é onde tudo acontece. Antes eu tinha dificuldade em achar a função de um site que só te permite escrever cento e quarenta caracteres. Aí ontem eu tenho pesadelo de que não consigo entrar e nunca mais sei o que está acontecendo.

É tenso, gentem, acreditem-me. Sem contar que o Youtube às vezes trava o número de visualizações no trezentos e pouco. Obviamente, eles fazem de propósito, só pelo prazer de saberem que você, além de botar um ovo de dinossauro de agonia e desespero, também sonhará com as visualizações dos seus vídeos diminuindo cada vez que você atualiza a página. 

Mas tudo bem, né. Sigo a vida, sempre me atualizando sobre a internet e sobre como chocar ovos de dinossauro em pleno século vinte e um.

30 de maio de 2010

Pac-Man

Desde aquele dia em que o Google colocou Pac-Man na página oficial devido ao aniversário de trinta anos do jogo, eu sou uma pessoa mais frustrada nessa vida.

Eu tinha esquecido do quão desesperador aquele joguinho é. A trilha sonora, então - tem o poder de te deixar irritado em níveis indiretamente proporcionais às vezes que você, de fato, ganha. (E como eu nunca ganhei naquela merda e sempre insisto inúmeras vezes, dá para imaginar a fúria, né?)

Minha consideração final como pessoa adulta jogando Pac-Man é que o jogo potencializa a capacidade homicida de qualquer cerumano. O prazer que dá ao assassinar aqueles fantasminhas do capeta é uma sensação que simplesmente não dá para explicar. Isso, somado ao ódio que se sente quando eles te alcançam é, sem dúvida, a razão pela qual pelo menos 50% das mortes do mundo acontecem.

Estudos apontam que nas últimas três décadas, todos os serial-killers que foram capturados e entrevistados pelos chefes de investigação nos Estados Unidos responderam que estavam jogando Pac-Man antes de saírem de casa nos dias em que assassinaram suas vítimas*.

Então, vocês pais e mães preocupados com os jogos 3D violentos, cheios de sangue e pancadaria dos dias de hoje - abram os olhos. O tipo de jogo que deve ser foco de atenção é outro.

*É mentira, mas caso você tenha acreditado, agradeço por concordar, ainda que por um instante, que poderia ser verdade.

27 de maio de 2010

Coisas que as pessoas não falam sobre o Canadá 2

Continuação da série, porque afinal, eu sou sua fonte das verdades canadenses.

O tempo é seco
Eu sinceramente achava esse negócio de reclamar do clima, especialmente dizendo que o tempo não-sei-onde é muito seco ou muito úmido, era frescura de gente que viaja para fora ("frescuras de quem viaja para fora" vai ser tópico de post em breve). Mas não é. Eu não senti todos os lugares que fui, mas quando eu vim para cá a primeira vez, minha pele secou mais que o nordeste em tempos de verão nesse planeta efeito-estufado. O cabelo então, benzadeus - selvagem. E não tem creminho brasileiro que resolva, tem que comprar as bugigangas aqui. A maior prova de tudo foi quando eu voltei para o Brasil - parecia que eu estava respirando água.

Todo mundo fala inglês
Parece óbvio, mas quando você vê mendigo pedindo dinheiro em inglês, a realidade te atinge. Bebêzinhos também. Não dá para evitar aquele pensamento de fração de segundo "- nossa, que inteligente essa criança é falando inglês tão novinha".

Você passa a ter certas dificuldades com o seu idioma original
Também achava que era frescura. Mas depois de um certo tempo de lavagem cerebral (você, um pedaço de pessoa cercado de inglês por todos os lados), quando você conversa em português com alguém, esquece umas palavritas aqui e ali, muda a ordem dos adjetivos e essas coisas. É meio constrangedor, porque fico achando que a pessoa com quem eu estou conversando está pensando que eu estou de frescura-de-quem-viaja-para-fora, sabe? Aí, em vez de procurar a palavra que eu não estou encontrando, eu fico tentando adivinhar o que a pessoa está pensando, demorando, assim, pelo menos o dobro do tempo para voltar a falar.

Canadense acha que tangerina é laranja
Todas as frutas com potencial para serem laranja, eles descascam como se fosse tangerina. Eu não sei se com um certo esforço, dá para descascar laranja como se fosse tangerina. Para mim, laranja tem aquela casca grossa, que a gente tem que usar faca para descascar (coisa essa que eu nunca fui capaz de fazer, diga-se de passagem). Então me resta a dúvida se somos nós, brasileiros, que separamos laranja de tangerina inutilmente, ou se os canadenses são mais espertos que a gente, descascando igual tangerina tudo que dá. Questionamentos, questionamentos.

25 de maio de 2010

Peculiaridades gastronomicas

[de volta à programação normal - com acentuação decente]

Estar em território estrangeiro me fez perder certas* frescuras comidísticas.

Quando inauguraram o Subway no Brasil, todo mundo enlouqueceu no melhor estilo nossa-como-vivi-sem-isso-até-ontem. Filas dignas de McDonald's, povo com cartãozinho "depois de dez ganhe um de graça" etc. Eu não gostava nem de passar perto, odiava o cheiro.

Minha tia me fez experimentar sushi uns anos atrás. Quase vomitei na mesa. Educadíssima, eu. Saí correndo direto para o banheiro, cuspir o nojo na privada. Alguma coisa naquele negócio preto grudento (que depois vim a descobrir ser chamado de nori - algas marinhas em forma de papel preto gosmento comestível) com aquele arroz sem gosto em volta de tudo cru que vinha no meio - simplesmente não dava. 

Daí né, gentem - agora eu gosto. Tudo bem que ainda não tive muita coragem para tentar os peixes crus mais hardcore e que sempre peço a mesma coisa no Subway, mas já é um avanço.

*Mãe, antes que você se empolgue, veja bem - perdi certas frescuras. Ainda não como queijo.