14 de abril de 2010

Coisas que as pessoas não falam sobre o Canadá

Já estou aqui há algum tempo - preciso compartilhar.

Todas as frutas de sementes chatas são sem semente

Uva, melancia, laranja. Peixe também não tem espinha. E espinha em inglês é bone. "- Esse peixe tem osso?". Para mim a resposta disso é óbvia, mas osso aqui é espinha. O que não significa que pessoas têm espinhas em vez de ossos.

Neve escorrega

Neve é gelo e gelo é água (não só no Canadá, mas enfim). Quando neva muito, uma camada de gelo cobre tudo (chão, telhados de casas, carros, bois etc). Se você pisa nesse gelo, seus pés afundam imparavelmente, molhando suas pernas e meias. Durante o dia, se a temperatura sobe, parte da neve do chão derrete, transformando o que antes era fundo e macio em uma fina camada de textura realmente parecida com a do gelo de geladeira. Se você pisa nesse gelo, seu traseiro é o próximo a conhecer a neve.

Todo mundo sabe patinar no gelo

Irrita porque é difícil e os pequenos vão a 150 km/h na pista de patinação sem dó enquanto você não consegue nem se manter em pé. Patinar no gelo é tipo andar na neve que eu estava descrevendo acima, com a única diferença que você calça um fino pedaço de ferro para se equilibrar.

Eles tomam banho de manhã

Quando a gente ia dormir sem tomar banho minha mãe dizia que a gente estava indo dormir de "porquinhas". Tudo bem que tecnicamente eles já tomaram um banho no dia, mas foi antes de tudo acontecer. E se a pessoa caiu em um rio de bosta? Essas coisas acontecem na vida.

Coelhos correm no meio da rua

Civilização, carros, bicicletas e coelhos. Não sei se sou eu, mas um dos elementos do grupo simplesmente não pertence.

Apesar de derretível, neve não simplesmente desaparece

Todos os dias que neva, cada um é responsável pela limpeza da própria calçada (na ruas um caminhão passa para limpar). Caso haja neve na calçada de determinada casa, o correio pode se recusar a entregar cartas lá ou o governo municipal simplesmente multa os moradores. Não pelo correio, obviamente.

Canadá tem várias celebridades

Quando cheguei aqui, achei que eles não tinham ninguém famoso. Falta de cultura minha. Descobri que todo mundo é canadense. Avril Lavigne, Jim Carrey, Nelly Furtado, Michael Buble. Até time de basquete decente eles têm - Toronto Raptors. Link da lista aqui. É todo mundo canadense, gente.

Cinema é caro

No Brasil eu já achava absurdo. Aqui é o dobro. Pipoca então, nem se fala. Feita de ouro. Cinema para duas pessoas, com pipoca e refrigerante dá quarenta e cinco dólares. Sério.

Conforme o tempo for passando, eu vou achar mais coisas. Faço questão de ser sua fonte de verdades canadenses.

7 de abril de 2010

Amiga-noiva


A vida é composta de transições do começo ao fim - leia-se: você nunca sabe o que vai acontecer a seguir. De dentro da barriga da sua mãe, para as mãos frias e enluvadas de um mascarado que todo mundo parece obedecer. Do conforto da sua casa para um parque com chão de pedrinhas que nunca vão sair do seu All-Star, lugar que também costumam chamar de pré-escola.

Você vai crescendo e coisas incríveis acontecem. Entra na faculdade, tem um emprego, seus pais se sentem mais a vontade para conversar perto de você (mãe falando "foda", pai falando da sogra, ambos falando de como foi o processo de seu nascimento - alguém me salve). 

Uma das transições mais estranhas de passar até agora é a de um dia fazer parte das crianças entediadas de uma festa de casamento e no outro ser convidada como madrinha. Como assim, né? Sou filha de músicos e por isso sempre estive perto de noivos discutindo cada detalhe da cerimônia e festa, isso quando não estava no próprio casamento, arrumando a gravata do noivo (me senti muito importante naquele dia).   

Estar longe da primeira amiga-noiva é ruim, porque eu quero que o casamento dela seja exatamente como eu acho que tem que ser perfeito. Como eu sei que ela vai ler esse texto, digo que apesar de já ter me passado o site da loja do vestido, o site do fotógrafo, o nome do buffet e todos os detalhes da conversa que ela teve com os meus pais (que vão ser os músicos dela) - isso tudo não é o suficiente. Não sei exatamente o que mais eu quero, só sei que quero. Me providencia, Letícia.

O noivo é uma das pessoas mais legais que eu conheço, os dois não podiam ser mais perfeitos um para o outro. Vale dizer que com o background de ambos (muito bem conhecido por mim, diga-se de passagem), eu sei do que estou falando: as qualidades do casal vão desde a capacidade de manter um diálogo polissilábico com outro ser humano a um nível aceitável de beleza. Desculpem-me os bovinos, mas precisava ser dito. 

No fim das contas, ter um casamento que você realmente aprova* e confia acontecendo entre seus amigos meio que aquece o coração. Coisas boas ainda acontecem! Parabéns, queridos - estou muito feliz por vocês.

Quanto a mim, não sei exatamente o que pensar sobre essa nova fase da minha vida. O que eu penso é que ser uma criança entediada num casamento é melhor do que ser uma madrinha entediada. Crianças podem sentar e dormir. 

*ela não simplesmente escolheu o noivo, eu tive que dar permissão.

1 de abril de 2010

O lado negro

Não sei vocês, mas às vezes eu tenho uns pensamentos sombrios.
[todas as conseqüências físicas e possíveis mortes não fazem parte dos meus planos]

Desastres que eu gostaria de presenciar (estando a uma distância segura, obviamente)

Onda gigante - daquelas devastadoras, inevitáveis.
Avião caindo - longe o suficiente para eu não me machucar, mas perto o bastante para que eu realmente pudesse ver o negócio batendo no chão.
Terremoto - dos grandes. Nesse caso eu estaria numa casa construída de colchões (leves), afastada de prédios e outras casas. E de árvores. Montanhas e tudo mais que eventualmente possa cair.
Furacão - vacas sendo levadas etc.
Vulcão em erupção - lava para todos os lados. O mais provável da lista, creio eu.

Também gostaria que Deus abrisse um mar para mim. Mas isso não entra na categoria. 

30 de março de 2010

O retorno

Resolvi voltar.

Não dá pra dizer que não estava mais escrevendo pelo motivo básico que seria a falta de assunto. Para encurtar a história, agora eu moro no Canadá. Me formei depois um relativamente conturbado TCC, tirei todas as coisas dos armários do meu quarto e vim pra cá. Pela terceira vez e para ficar. Foi tudo bem rápido, julho do ano passado.

Passei de pessoa traumatizada com os inacreditáveis episódios relacionados ao transporte público brasileiro a pessoa que viaja de primeira classe para a América do Norte - Canadations, mais especificamente. Boa transição de se fazer, viu. Em vez de ter que esconder o celular da própria sombra, uma tela touch screen com filmes recém-lançados para cada um. Em vez de conteúdo urinário no chão, dois banheiros exclusivos. Cardápios, vinhos, travesseiros e necessaires.

Enfim. Em tempos de Ellen DeGeneres no American Idol, Smart cars e coreanos por todos os lados, eu senti falta de escrever.

Sejam bem-vindos* de volta!

* Uma vez que estou em outro país, as novas regras da Língua Portuguesa não se aplicam a mim.

18 de junho de 2009

Inserção Política

Meu pai falando um monte para a minha mãe - e eu não estava ouvindo uma palavra até que de repente, quando ele parou de falar, ela simplesmente disse:

- Uma das coisas boas da democracia é que cada um interpreta as coisas como quer.

Vish. Ninguém nem falou mais nada depois dessa.