7 de abril de 2010

Amiga-noiva


A vida é composta de transições do começo ao fim - leia-se: você nunca sabe o que vai acontecer a seguir. De dentro da barriga da sua mãe, para as mãos frias e enluvadas de um mascarado que todo mundo parece obedecer. Do conforto da sua casa para um parque com chão de pedrinhas que nunca vão sair do seu All-Star, lugar que também costumam chamar de pré-escola.

Você vai crescendo e coisas incríveis acontecem. Entra na faculdade, tem um emprego, seus pais se sentem mais a vontade para conversar perto de você (mãe falando "foda", pai falando da sogra, ambos falando de como foi o processo de seu nascimento - alguém me salve). 

Uma das transições mais estranhas de passar até agora é a de um dia fazer parte das crianças entediadas de uma festa de casamento e no outro ser convidada como madrinha. Como assim, né? Sou filha de músicos e por isso sempre estive perto de noivos discutindo cada detalhe da cerimônia e festa, isso quando não estava no próprio casamento, arrumando a gravata do noivo (me senti muito importante naquele dia).   

Estar longe da primeira amiga-noiva é ruim, porque eu quero que o casamento dela seja exatamente como eu acho que tem que ser perfeito. Como eu sei que ela vai ler esse texto, digo que apesar de já ter me passado o site da loja do vestido, o site do fotógrafo, o nome do buffet e todos os detalhes da conversa que ela teve com os meus pais (que vão ser os músicos dela) - isso tudo não é o suficiente. Não sei exatamente o que mais eu quero, só sei que quero. Me providencia, Letícia.

O noivo é uma das pessoas mais legais que eu conheço, os dois não podiam ser mais perfeitos um para o outro. Vale dizer que com o background de ambos (muito bem conhecido por mim, diga-se de passagem), eu sei do que estou falando: as qualidades do casal vão desde a capacidade de manter um diálogo polissilábico com outro ser humano a um nível aceitável de beleza. Desculpem-me os bovinos, mas precisava ser dito. 

No fim das contas, ter um casamento que você realmente aprova* e confia acontecendo entre seus amigos meio que aquece o coração. Coisas boas ainda acontecem! Parabéns, queridos - estou muito feliz por vocês.

Quanto a mim, não sei exatamente o que pensar sobre essa nova fase da minha vida. O que eu penso é que ser uma criança entediada num casamento é melhor do que ser uma madrinha entediada. Crianças podem sentar e dormir. 

*ela não simplesmente escolheu o noivo, eu tive que dar permissão.

1 de abril de 2010

O lado negro

Não sei vocês, mas às vezes eu tenho uns pensamentos sombrios.
[todas as conseqüências físicas e possíveis mortes não fazem parte dos meus planos]

Desastres que eu gostaria de presenciar (estando a uma distância segura, obviamente)

Onda gigante - daquelas devastadoras, inevitáveis.
Avião caindo - longe o suficiente para eu não me machucar, mas perto o bastante para que eu realmente pudesse ver o negócio batendo no chão.
Terremoto - dos grandes. Nesse caso eu estaria numa casa construída de colchões (leves), afastada de prédios e outras casas. E de árvores. Montanhas e tudo mais que eventualmente possa cair.
Furacão - vacas sendo levadas etc.
Vulcão em erupção - lava para todos os lados. O mais provável da lista, creio eu.

Também gostaria que Deus abrisse um mar para mim. Mas isso não entra na categoria. 

30 de março de 2010

O retorno

Resolvi voltar.

Não dá pra dizer que não estava mais escrevendo pelo motivo básico que seria a falta de assunto. Para encurtar a história, agora eu moro no Canadá. Me formei depois um relativamente conturbado TCC, tirei todas as coisas dos armários do meu quarto e vim pra cá. Pela terceira vez e para ficar. Foi tudo bem rápido, julho do ano passado.

Passei de pessoa traumatizada com os inacreditáveis episódios relacionados ao transporte público brasileiro a pessoa que viaja de primeira classe para a América do Norte - Canadations, mais especificamente. Boa transição de se fazer, viu. Em vez de ter que esconder o celular da própria sombra, uma tela touch screen com filmes recém-lançados para cada um. Em vez de conteúdo urinário no chão, dois banheiros exclusivos. Cardápios, vinhos, travesseiros e necessaires.

Enfim. Em tempos de Ellen DeGeneres no American Idol, Smart cars e coreanos por todos os lados, eu senti falta de escrever.

Sejam bem-vindos* de volta!

* Uma vez que estou em outro país, as novas regras da Língua Portuguesa não se aplicam a mim.

18 de junho de 2009

Inserção Política

Meu pai falando um monte para a minha mãe - e eu não estava ouvindo uma palavra até que de repente, quando ele parou de falar, ela simplesmente disse:

- Uma das coisas boas da democracia é que cada um interpreta as coisas como quer.

Vish. Ninguém nem falou mais nada depois dessa.

7 de junho de 2009

Baixote

Pela décima vez, vem o pequeno - no close - dessa vez com a mão estendida:

- Bate aqui. Ahá! Cifrinho diabete!!
- Chifrinho diabete?!
- É, fui eu que inventei.

Estou sentindo falta de criança.