14 de janeiro de 2009

Ano Novo etc.

E aí que todo mundo já passou o que tinha passar (banquetes e surtos natalinos, roupas e cores de ano novo, desejos e listas que sabem e admitem que de nada adiantam, fogos de artifício ensurdecedores, mais fogos, chuvas, viagens, fotos inúteis, mais resquícios de fogos e assim por diante).

Quanto a mim, esse fim de ano foi totalmente fora do padrão. Meus pais trabalharam no Natal, então aquela gritaria, digo, reunião familiar de sempre não aconteceu e eu e minha irmã fomos transferidas para outra família - o que significa que eu não comi nem 1/8 do que comeria normalmente.

Logo depois fui para a praia com as amigas. Passamos o Ano Novo lá, vimos o primeiro nascer do sol do ano, brigamos feito condenadas, rimos feito loucas, renovamos nosso vocabulário, nos indignamos com o fato da sorveteria ter diminuído a quantidade de sabores, tiramos mais de quinhentas fotos, brigamos por causa das fotos, apagamos as fotos, corremos perigo de vida com parques de diversões e baratas, descobrimos finalmente o que o cara gritante que passa todo dia na areia da praia fala, arquitetamos sustos pra dar umas nas outras, brigamos por causa dos sustos, rimos por causa dos sustos, brincamos de splash com o carro e vivemos um ciclone extratropical. Entre outras coisas.

Voltei semana passada. Foi bom estar em casa depois de doze dias fora. Você vê que nada mudou, mas que isso não faz diferença uma vez que sempre soube que nada mudaria. Sua irmã continua falando coisas inacreditáveis, sua mãe continua perguntando se alguém perguntou dela e seu pai continua inventando instrumentos musicais com as coisas mais improváveis. Mesmo assim, você é tomado por um espírito revolucionário e arruma o seu quarto. Abre todas as gavetas e perde dias com isso. Só consegui terminar ontem, mas ficou realmente bom. Palmas para mim.

Falando nisso, nessa arrumação heavy metal que eu fiz no quarto, encontrei anotações que eu sabia que estavam em algum lugar. A série Crocodila Baiana ainda não acabou. Em breve.

Para terminar, já que o assunto são as pérolas que só aparecem para mim, deixo vocês com a mais recente da minha irmã, sempre atualizadíssima e coesa:

Minha irmã: - Você viu que começou o Big Brother Brasil?
Eu: (Silêncio. Esperei pacientemente pelo que viria a seguir)

...

Eu: (não veio nada) E?!
Minha irmã: É. E? Meu, eu passo alguma informação útil?
Eu: É, não sei como eu ainda consigo esperar isso de você...

Obs.: Descobri que o Carnaval vai ser só no fim de fevereiro o que eu acho que significa, finalmente, que alguma coisa vai TER que acontecer antes do Carnaval.

6 de dezembro de 2008

A Crocodila Baiana - terceiro episódio

#10


- Qual seria o seu método para acabar com o mundo, Cíntia?
- Hm...
- Bom, o meu é simples. Eu criaria um creme capilar que derretesse o cérebro das pessoas.


Certas coisas são realmente simples. 

#11

No meio da sala, aquele ambiente selvagem, um dos pequenos olha pra mim e conclui:

"- A Cíntia não gostaria de estar aqui".

Eles sabem quando eu estou de TPM. E eu juro que estava só sentada, tipo, sem arrancar a cabeça de ninguém.

23 de novembro de 2008

Carteira de Habilitação - parte final

Cheguei lá, depois de duas aulas adicionais por ter reprovado na primeira vez e com a minha carteira de indentidade devidamente em mãos, quinze minutos antes. Poderia ter sido logo a primeira a fazer a prova, mas preferi esperar porque o movimento nas ruas é maior na hora que os testes começam.

Realmente eu não estava nervosa, assim como não estava na primeira vez. "- O pior que pode acontecer é ter que pagar mais R$124,00" - era o meu pensamento. Simples e fatídico.

Chegou minha vez. Sentei no lugar mais cobiçado por todos que estavam lá, o do motorista. Colei o banco no volante, arrumei o espelho pra acertar na baliza, e ajeitei os retrofuckingvisores. Tudo certo, essa prova é ridiculamente fácil.

Estava eu lá, na fila de carros, esperando pacientemente (como sei que não vou fazer quando estiver dirigndo de fato e a fila for no trânsito real) pela minha vez e pelo meu delegado. Qual não foi minha surpresa ao constatar que o meu delegado era - numa probabilidade de 1 em 937 (são vários os delegados, sabem) - a mesma mulherzinha maquiavélica da primeira vez.

"- Bom dia." - ela disse.

"- Espero que seja bom mesmo, sua... estranha. Por sua causa estou mais pobre." - eu não disse.

Enfim, respondi educadamente e saímos. Esqueci de dar uma seta. Menos três pontos - que beleza, adoro pontos. Parei na subida ("-Perfeito.", disse a examinadora - simpática ela, não?!), saí da subida com louvor, fiz o percurso dificílimo de três viradas para esquerda. O farol. O mesmo, o causador. Estava fechado. "- Esse não me pega de novo". Diminuí a velocidade pra realmente não ter nem o trabalho de parar o carro e sair de novo. Aí pronto. Fiz a baliza sem maiores dificuldades e depois o meio-fio.

Acho que semana que vem chega a prova real dos fatos aqui narrados. Que demora.

Termina a série "Carteira de Habilitação". Ufa!

20 de outubro de 2008

Carteira de Habilitação - parte 3

Reprovada. Vocês desacreditam se eu disser o que foi que eu fiz de errado.

Nas quatro primeiras aulas não errei absolutamente nada. Era como se soubesse fazer tudo aquilo desde sempre. Por motivos adversos, no decorrer das aulas errei discretamente, nada grave - erro de cálculos. Até que na última aula eu encostei na simpática vareta hepática da baliza. '- Pô bebê, deixou pra errar justo na última aula?', foi o que o instrutor disse.

As aulas terminaram numa quarta-feira. Marquei uma extra na segunda, dia anterior ao do teste. Fui com o meu progenitor, pacote completo. Não errei nada. Ufa. '- Que beleza hein, bebê!'.

Dia do teste. Preguiça estratosférica para acordar, obviamente. Fila gigante, pessoas desesperadas, sol. Chegou a minha vez. Entrei no carro, colei o banco no volante como só eu sei fazer, arrumei os retrovisores, coloquei o cinto de segurança. Que fácil. Entrou uma mulher, acomodou-se. Dei a partida, seta, seta de novo e parei na subida. Ponto morto, freio de mão. Seta, 'ponto-que-treme', acelerada leve, freio de mão - parte mais difícil já foi. Direita, direita de novo. Que coisa mais ridícula.

Foi aí. Farol amarelo. Lembrei do instrutor: '- Bebê, mesmo que o farol esteja amarelo, pára'. Já estava me preparando para o 'embreagem-freio' quando a perversa do meu lado me mandou, decidida ao concretizar seu premeditado plano maléfico, parar atrás do carro cinza. '- Se ela mandou parar lá, depois do farol, é porque dá para passar', pensou a anta que vos escreve. No momento em que os pneus dianteiros passaram pela faixa de pedestres, o farol ficou vermelho (envergonhado pela minha burrice, sem dúvidas). A mulher freou o carro bruscamente de um jeito que eu, na minha condição de 'aspirante', com certeza não poderia fazer e pronunciou cada sílaba: 'Você está reprovada'.

Passei no farol vermelho, dá para acreditar? Tanta coisa para errar. Tanta gente falando desde que eu me conheço por gente que a luz amarela significa 'atenção' e a vermelha 'pare'. Cento e vinte e quatro reais, agora. Isso porque eu não vou comprar a carta. Me recuso. Detalhe: só daqui a vinte e um dias posso fazer o teste de novo. Inacreditável.

18 de outubro de 2008

Brasil, sil!

Nem terminou o ano e já tem propaganda na televisão anuciando que a 'primeira parcela é só depois do carnaval'.