6 de dezembro de 2008

A Crocodila Baiana - terceiro episódio

#10


- Qual seria o seu método para acabar com o mundo, Cíntia?
- Hm...
- Bom, o meu é simples. Eu criaria um creme capilar que derretesse o cérebro das pessoas.


Certas coisas são realmente simples. 

#11

No meio da sala, aquele ambiente selvagem, um dos pequenos olha pra mim e conclui:

"- A Cíntia não gostaria de estar aqui".

Eles sabem quando eu estou de TPM. E eu juro que estava só sentada, tipo, sem arrancar a cabeça de ninguém.

23 de novembro de 2008

Carteira de Habilitação - parte final

Cheguei lá, depois de duas aulas adicionais por ter reprovado na primeira vez e com a minha carteira de indentidade devidamente em mãos, quinze minutos antes. Poderia ter sido logo a primeira a fazer a prova, mas preferi esperar porque o movimento nas ruas é maior na hora que os testes começam.

Realmente eu não estava nervosa, assim como não estava na primeira vez. "- O pior que pode acontecer é ter que pagar mais R$124,00" - era o meu pensamento. Simples e fatídico.

Chegou minha vez. Sentei no lugar mais cobiçado por todos que estavam lá, o do motorista. Colei o banco no volante, arrumei o espelho pra acertar na baliza, e ajeitei os retrofuckingvisores. Tudo certo, essa prova é ridiculamente fácil.

Estava eu lá, na fila de carros, esperando pacientemente (como sei que não vou fazer quando estiver dirigndo de fato e a fila for no trânsito real) pela minha vez e pelo meu delegado. Qual não foi minha surpresa ao constatar que o meu delegado era - numa probabilidade de 1 em 937 (são vários os delegados, sabem) - a mesma mulherzinha maquiavélica da primeira vez.

"- Bom dia." - ela disse.

"- Espero que seja bom mesmo, sua... estranha. Por sua causa estou mais pobre." - eu não disse.

Enfim, respondi educadamente e saímos. Esqueci de dar uma seta. Menos três pontos - que beleza, adoro pontos. Parei na subida ("-Perfeito.", disse a examinadora - simpática ela, não?!), saí da subida com louvor, fiz o percurso dificílimo de três viradas para esquerda. O farol. O mesmo, o causador. Estava fechado. "- Esse não me pega de novo". Diminuí a velocidade pra realmente não ter nem o trabalho de parar o carro e sair de novo. Aí pronto. Fiz a baliza sem maiores dificuldades e depois o meio-fio.

Acho que semana que vem chega a prova real dos fatos aqui narrados. Que demora.

Termina a série "Carteira de Habilitação". Ufa!

20 de outubro de 2008

Carteira de Habilitação - parte 3

Reprovada. Vocês desacreditam se eu disser o que foi que eu fiz de errado.

Nas quatro primeiras aulas não errei absolutamente nada. Era como se soubesse fazer tudo aquilo desde sempre. Por motivos adversos, no decorrer das aulas errei discretamente, nada grave - erro de cálculos. Até que na última aula eu encostei na simpática vareta hepática da baliza. '- Pô bebê, deixou pra errar justo na última aula?', foi o que o instrutor disse.

As aulas terminaram numa quarta-feira. Marquei uma extra na segunda, dia anterior ao do teste. Fui com o meu progenitor, pacote completo. Não errei nada. Ufa. '- Que beleza hein, bebê!'.

Dia do teste. Preguiça estratosférica para acordar, obviamente. Fila gigante, pessoas desesperadas, sol. Chegou a minha vez. Entrei no carro, colei o banco no volante como só eu sei fazer, arrumei os retrovisores, coloquei o cinto de segurança. Que fácil. Entrou uma mulher, acomodou-se. Dei a partida, seta, seta de novo e parei na subida. Ponto morto, freio de mão. Seta, 'ponto-que-treme', acelerada leve, freio de mão - parte mais difícil já foi. Direita, direita de novo. Que coisa mais ridícula.

Foi aí. Farol amarelo. Lembrei do instrutor: '- Bebê, mesmo que o farol esteja amarelo, pára'. Já estava me preparando para o 'embreagem-freio' quando a perversa do meu lado me mandou, decidida ao concretizar seu premeditado plano maléfico, parar atrás do carro cinza. '- Se ela mandou parar lá, depois do farol, é porque dá para passar', pensou a anta que vos escreve. No momento em que os pneus dianteiros passaram pela faixa de pedestres, o farol ficou vermelho (envergonhado pela minha burrice, sem dúvidas). A mulher freou o carro bruscamente de um jeito que eu, na minha condição de 'aspirante', com certeza não poderia fazer e pronunciou cada sílaba: 'Você está reprovada'.

Passei no farol vermelho, dá para acreditar? Tanta coisa para errar. Tanta gente falando desde que eu me conheço por gente que a luz amarela significa 'atenção' e a vermelha 'pare'. Cento e vinte e quatro reais, agora. Isso porque eu não vou comprar a carta. Me recuso. Detalhe: só daqui a vinte e um dias posso fazer o teste de novo. Inacreditável.

18 de outubro de 2008

Brasil, sil!

Nem terminou o ano e já tem propaganda na televisão anuciando que a 'primeira parcela é só depois do carnaval'.

23 de setembro de 2008

Carteira de Habilitação - parte 2

Depois de desmarcada por burrice de alguma das novecentas partes envolvidas no processo, fui fazer a prova teórica numa quarta-feira.

Me mandaram chegar na Auto Escola às 07h00 da madrugada pois eles nos levariam até o local do exame. Cheguei lá no horário marcado. Éramos eu, duas véias e uma menina que parecia ser um pouco mais velha que eu, cabelo loiro esticado, uma carinha de 'glamurosa' fora de sério. Por último mas não menos importante, chegou aquele que eu prefiro denominar 'tio que nos levou até o local do teste e que nunca mais verei'. Cabelo grisalho, camiseta branca dois números menor, calça jeans suspeita e postura 'e aí brotinhos, o que está pegando?'.

Depois de pegarmos cada uma sua respectiva prancheta com um protocolo (lembrem-se bem dessa palavra) e a lista com desenhos das placas de trânsito, nos enfiamos todas no carro e esse sim foi o grande começo. Mencionei o horário, né?! Pois bem, as véias não ficaram quietas nem por um segundo. Se estivessem simplesmente balbuciando coisas inaudíveis, tudo certo, o problema era o assunto inignorável. 'É, porque teve uma vez que um hómi morreu nos meus pés, eu sentia aquele sangue quente nos meus pés...' etc. Não sei qual foi o gancho, mas esse assunto logo evoluiu para 'casamento'. Mal ouvia o que aquele povo falava quando fui despertada de meu estado de transe por uma mão na costas e o seguinte conselho: '- Demora pra casar, viu? Namora muito, vai pra festas'. Não sei exatamente como ela interpretou o meu sorrisinho whatever, mas foi ele, sem dúvida, que a fez virar para aconselhar a outra menina, me permitindo voltar ao Planeta Cíntia.

Chegando ao local do exame, saímos todas do carro e cada uma foi para um lado, finalmente. Sentei na sarjeta e lá fiquei, folheando o livrinho do CFC na parte das multas. 'Benzadeus, vou lá saber que tipo de multa toma o motorista ao atropelar um elefante roxo que atravessa na faixa de pedestres da via local?!'. Pensando nessas situações que certamente estão previstas em algum ponto do Código Penal de Trânsito, senti uma polêmica entre as pessoas que esperavam comigo. Ninguém mais, ninguém menos que o Tio do Protocolo. Gordão, gigante e mal-humorado.

Ele só apareceu. Exalava o cheiro 'prova teórica'. Foi aí que uma pobre coitada chegou nele e perguntou alguma coisa sobre o horário. "- Gente ó, um minuto de sua atenção, - aos berros - vocês todos têm esse papel aqui? - tirando um papel da mão da menina e mostrando-o para todo mundo, TÊM?!". Ele bufando e a menina lá, só olhando. Imagino que estivesse arrependida até o último fio de cabelo, pela expressão. "- Pois é, aí consta o horário da prova de vocês. É o protocolo. Se tiver escrito 7h30 é 7h30 que vocês vão fazer a prova. Se tiver 8h é 8h. Se tiver 8h30 é 8h30" - e assim por diante foi ele repetindo os horários, cuspindo nas pessoas que estavam sentado logo abaixo, estressadíssimo. "- Esse é o protocolo de vocês - sacudindo o papel, a gente segue o protocolo. Protocolo serve pra isso. Recebem o protocolo, seguem o protocolo".

Eis que foram chamando aos poucos os grupos de cada horário que constava no protocoloprotocoloprotocolo. O tal horário só serviu mesmo pra dividir filas porque todo mundo entrou ao mesmo tempo. Enfim.

Uma vez todos acomodados, os 'renovação de carteira' começaram a fazer a prova primeiro. Pediram silêncio para o resto da renca toda, estávamos fazendo muito barulho. Finalmente estabelecida a paz, tocou o celular de uma das 'renovação de carteira'. Uma vez, vários toques. 'Haha, desculpa', disse a proprietária. Tá. Segunda vez, vários toques. 'Ah, haha, desculpa'. Terceira vez, meio toque já teria sido demais para a minha paciência, foram vários. As pessoas em volta se mexeram em seus lugares, num sinal geral de desconforto. 'Tsc'. Juro que se tocasse mais uma vez eu teria levantado de onde estava, passado por cima das cabeças de todos, arrancado o celular da mão da mulher e quebrado ele na cabeça dela. Não tocou mais, embora eu tenha certeza de que não foi porque ela teve um súbito acesso de bom senso e desligou o aparelho mas sim porque a pessoa que estava ligando havia desistido.

Nove horas começamos a prova. Nove e quinze eu tinha terminado. Olhava para os lados e via as pessoas na primeira página de perguntas, virando e revirando a prancheta das placas de trânsito. Dei uma olhada no meu gabarito, ele deu uma olhada em mim. Olhei de novo as perguntas, não, nada pra mudar. Mesmo que tivesse eu nem poderia. Hm. Nove e dezesseis. Só saí de lá um pouco depois das 10h.

Aqui cabe um link para um próximo post exclusivo sobre a relação Cíntia e O Meio de Transporte Público, esse monstro. Em breve.

Já no ônibus, saquei o bendito caderninho do CFC, para conferir algumas respostas. Duas eu errei, com certeza. Saco. 'Só falta eu não passar nesse lixo. Me mato'.

Passei. Ontem foi a primeira aula prática. Parte 3.