23 de novembro de 2008

Carteira de Habilitação - parte final

Cheguei lá, depois de duas aulas adicionais por ter reprovado na primeira vez e com a minha carteira de indentidade devidamente em mãos, quinze minutos antes. Poderia ter sido logo a primeira a fazer a prova, mas preferi esperar porque o movimento nas ruas é maior na hora que os testes começam.

Realmente eu não estava nervosa, assim como não estava na primeira vez. "- O pior que pode acontecer é ter que pagar mais R$124,00" - era o meu pensamento. Simples e fatídico.

Chegou minha vez. Sentei no lugar mais cobiçado por todos que estavam lá, o do motorista. Colei o banco no volante, arrumei o espelho pra acertar na baliza, e ajeitei os retrofuckingvisores. Tudo certo, essa prova é ridiculamente fácil.

Estava eu lá, na fila de carros, esperando pacientemente (como sei que não vou fazer quando estiver dirigndo de fato e a fila for no trânsito real) pela minha vez e pelo meu delegado. Qual não foi minha surpresa ao constatar que o meu delegado era - numa probabilidade de 1 em 937 (são vários os delegados, sabem) - a mesma mulherzinha maquiavélica da primeira vez.

"- Bom dia." - ela disse.

"- Espero que seja bom mesmo, sua... estranha. Por sua causa estou mais pobre." - eu não disse.

Enfim, respondi educadamente e saímos. Esqueci de dar uma seta. Menos três pontos - que beleza, adoro pontos. Parei na subida ("-Perfeito.", disse a examinadora - simpática ela, não?!), saí da subida com louvor, fiz o percurso dificílimo de três viradas para esquerda. O farol. O mesmo, o causador. Estava fechado. "- Esse não me pega de novo". Diminuí a velocidade pra realmente não ter nem o trabalho de parar o carro e sair de novo. Aí pronto. Fiz a baliza sem maiores dificuldades e depois o meio-fio.

Acho que semana que vem chega a prova real dos fatos aqui narrados. Que demora.

Termina a série "Carteira de Habilitação". Ufa!

20 de outubro de 2008

Carteira de Habilitação - parte 3

Reprovada. Vocês desacreditam se eu disser o que foi que eu fiz de errado.

Nas quatro primeiras aulas não errei absolutamente nada. Era como se soubesse fazer tudo aquilo desde sempre. Por motivos adversos, no decorrer das aulas errei discretamente, nada grave - erro de cálculos. Até que na última aula eu encostei na simpática vareta hepática da baliza. '- Pô bebê, deixou pra errar justo na última aula?', foi o que o instrutor disse.

As aulas terminaram numa quarta-feira. Marquei uma extra na segunda, dia anterior ao do teste. Fui com o meu progenitor, pacote completo. Não errei nada. Ufa. '- Que beleza hein, bebê!'.

Dia do teste. Preguiça estratosférica para acordar, obviamente. Fila gigante, pessoas desesperadas, sol. Chegou a minha vez. Entrei no carro, colei o banco no volante como só eu sei fazer, arrumei os retrovisores, coloquei o cinto de segurança. Que fácil. Entrou uma mulher, acomodou-se. Dei a partida, seta, seta de novo e parei na subida. Ponto morto, freio de mão. Seta, 'ponto-que-treme', acelerada leve, freio de mão - parte mais difícil já foi. Direita, direita de novo. Que coisa mais ridícula.

Foi aí. Farol amarelo. Lembrei do instrutor: '- Bebê, mesmo que o farol esteja amarelo, pára'. Já estava me preparando para o 'embreagem-freio' quando a perversa do meu lado me mandou, decidida ao concretizar seu premeditado plano maléfico, parar atrás do carro cinza. '- Se ela mandou parar lá, depois do farol, é porque dá para passar', pensou a anta que vos escreve. No momento em que os pneus dianteiros passaram pela faixa de pedestres, o farol ficou vermelho (envergonhado pela minha burrice, sem dúvidas). A mulher freou o carro bruscamente de um jeito que eu, na minha condição de 'aspirante', com certeza não poderia fazer e pronunciou cada sílaba: 'Você está reprovada'.

Passei no farol vermelho, dá para acreditar? Tanta coisa para errar. Tanta gente falando desde que eu me conheço por gente que a luz amarela significa 'atenção' e a vermelha 'pare'. Cento e vinte e quatro reais, agora. Isso porque eu não vou comprar a carta. Me recuso. Detalhe: só daqui a vinte e um dias posso fazer o teste de novo. Inacreditável.

18 de outubro de 2008

Brasil, sil!

Nem terminou o ano e já tem propaganda na televisão anuciando que a 'primeira parcela é só depois do carnaval'.

23 de setembro de 2008

Carteira de Habilitação - parte 2

Depois de desmarcada por burrice de alguma das novecentas partes envolvidas no processo, fui fazer a prova teórica numa quarta-feira.

Me mandaram chegar na Auto Escola às 07h00 da madrugada pois eles nos levariam até o local do exame. Cheguei lá no horário marcado. Éramos eu, duas véias e uma menina que parecia ser um pouco mais velha que eu, cabelo loiro esticado, uma carinha de 'glamurosa' fora de sério. Por último mas não menos importante, chegou aquele que eu prefiro denominar 'tio que nos levou até o local do teste e que nunca mais verei'. Cabelo grisalho, camiseta branca dois números menor, calça jeans suspeita e postura 'e aí brotinhos, o que está pegando?'.

Depois de pegarmos cada uma sua respectiva prancheta com um protocolo (lembrem-se bem dessa palavra) e a lista com desenhos das placas de trânsito, nos enfiamos todas no carro e esse sim foi o grande começo. Mencionei o horário, né?! Pois bem, as véias não ficaram quietas nem por um segundo. Se estivessem simplesmente balbuciando coisas inaudíveis, tudo certo, o problema era o assunto inignorável. 'É, porque teve uma vez que um hómi morreu nos meus pés, eu sentia aquele sangue quente nos meus pés...' etc. Não sei qual foi o gancho, mas esse assunto logo evoluiu para 'casamento'. Mal ouvia o que aquele povo falava quando fui despertada de meu estado de transe por uma mão na costas e o seguinte conselho: '- Demora pra casar, viu? Namora muito, vai pra festas'. Não sei exatamente como ela interpretou o meu sorrisinho whatever, mas foi ele, sem dúvida, que a fez virar para aconselhar a outra menina, me permitindo voltar ao Planeta Cíntia.

Chegando ao local do exame, saímos todas do carro e cada uma foi para um lado, finalmente. Sentei na sarjeta e lá fiquei, folheando o livrinho do CFC na parte das multas. 'Benzadeus, vou lá saber que tipo de multa toma o motorista ao atropelar um elefante roxo que atravessa na faixa de pedestres da via local?!'. Pensando nessas situações que certamente estão previstas em algum ponto do Código Penal de Trânsito, senti uma polêmica entre as pessoas que esperavam comigo. Ninguém mais, ninguém menos que o Tio do Protocolo. Gordão, gigante e mal-humorado.

Ele só apareceu. Exalava o cheiro 'prova teórica'. Foi aí que uma pobre coitada chegou nele e perguntou alguma coisa sobre o horário. "- Gente ó, um minuto de sua atenção, - aos berros - vocês todos têm esse papel aqui? - tirando um papel da mão da menina e mostrando-o para todo mundo, TÊM?!". Ele bufando e a menina lá, só olhando. Imagino que estivesse arrependida até o último fio de cabelo, pela expressão. "- Pois é, aí consta o horário da prova de vocês. É o protocolo. Se tiver escrito 7h30 é 7h30 que vocês vão fazer a prova. Se tiver 8h é 8h. Se tiver 8h30 é 8h30" - e assim por diante foi ele repetindo os horários, cuspindo nas pessoas que estavam sentado logo abaixo, estressadíssimo. "- Esse é o protocolo de vocês - sacudindo o papel, a gente segue o protocolo. Protocolo serve pra isso. Recebem o protocolo, seguem o protocolo".

Eis que foram chamando aos poucos os grupos de cada horário que constava no protocoloprotocoloprotocolo. O tal horário só serviu mesmo pra dividir filas porque todo mundo entrou ao mesmo tempo. Enfim.

Uma vez todos acomodados, os 'renovação de carteira' começaram a fazer a prova primeiro. Pediram silêncio para o resto da renca toda, estávamos fazendo muito barulho. Finalmente estabelecida a paz, tocou o celular de uma das 'renovação de carteira'. Uma vez, vários toques. 'Haha, desculpa', disse a proprietária. Tá. Segunda vez, vários toques. 'Ah, haha, desculpa'. Terceira vez, meio toque já teria sido demais para a minha paciência, foram vários. As pessoas em volta se mexeram em seus lugares, num sinal geral de desconforto. 'Tsc'. Juro que se tocasse mais uma vez eu teria levantado de onde estava, passado por cima das cabeças de todos, arrancado o celular da mão da mulher e quebrado ele na cabeça dela. Não tocou mais, embora eu tenha certeza de que não foi porque ela teve um súbito acesso de bom senso e desligou o aparelho mas sim porque a pessoa que estava ligando havia desistido.

Nove horas começamos a prova. Nove e quinze eu tinha terminado. Olhava para os lados e via as pessoas na primeira página de perguntas, virando e revirando a prancheta das placas de trânsito. Dei uma olhada no meu gabarito, ele deu uma olhada em mim. Olhei de novo as perguntas, não, nada pra mudar. Mesmo que tivesse eu nem poderia. Hm. Nove e dezesseis. Só saí de lá um pouco depois das 10h.

Aqui cabe um link para um próximo post exclusivo sobre a relação Cíntia e O Meio de Transporte Público, esse monstro. Em breve.

Já no ônibus, saquei o bendito caderninho do CFC, para conferir algumas respostas. Duas eu errei, com certeza. Saco. 'Só falta eu não passar nesse lixo. Me mato'.

Passei. Ontem foi a primeira aula prática. Parte 3.

18 de julho de 2008

Carteira de Habilitação - parte 1

Decidi tirar a carta de motorista. Mal sabia o que me aguardava.

Liguei para Auto Escola com a grande ilusão de que bastava pagar coisas e fazer aquela ligação para que meus problemas estivessem resolvidos. Ledo engano. Começa que arranquei meu pâncreas pela boca só de ouvir o preço do 'coisas' que a mocinha da Auto Escola fala como se fosse ridiculamente pequeno e acessível. Aí depois resolvi engolir o pâncreas de volta porque descobri que além de todas as chatices a seguir, eu ia ter que tirar fotos 3x4 e espalhá-lhas por todos os lugares que fosse daquele momento em diante. Se fotos 3x4 são péssimas com pâncreas, imagina sem.

Blá blá blá, wisckas sachê, CIRETRAN - Circunscrição Regional de Trânsito. Depois de tirar as fotos, era lá que deveria ir primeiro. Cheguei e vi a fila.

(abre parênteses)


Sobre filas:

Concluí que as filas se dividem em dois tipos: o tipo McDonald's e o tipo CIRETRAN.

Tipo 1: você tem plena consciência do motivo de estar ali, espera por sua vez, é atendido e vai embora.

Tipo 2: se trata da fila que sempre vai ter muita gente. É o tipo de fila que comporta pessoas que vivem suas vidas para estarem na fila. É o tipo de fila de pessoas que brotam do chão e entram na fila. 


(fecha parênteses)

Confiando no senso comum, aproveitei que estava todo mundo me olhando e perguntei o motivo de estarem ali. A resposta era óbvia, eu poderia ter previsto se tivesse em mente os dois tipos de fila possíveis: um olhou para o outro, gaguejaram e olharam as horas. Ou seja.

Como legítima pessoa tipo 1 de fila, fui até o início da fila para descobrir se ela servia para falar com o Papai Noel ou algo do gênero. Antes fosse. Minha intenção na verdade era só dar uma olhada, mas como as pessoas começaram a me encarar tipo 'onde você pensa que vai', achei por bem perguntar para o atendente logo de uma vez. Afinal, ele disse que nem adiantava entrar na fila porque não ia dar tempo de resolver o que eu precisava. Eram quatro horas da tarde - tirem suas conclusões.

Voltei lá no dia seguinte e esperei quase duas horas para entregar uma ficha que eles deram lá mesmo e que eu devia preencher, comprovando que sei ler e escrever (ficha com foto 3x4, obviamente) . Tudo bem, considerando que o índice de analfabetismo no Brasil é grande e que para dirigir é necessário saber ler mesmo. Acredite se quiser: o tiozão que estava do meu lado levou a mulher para preencher a ficha para ele.

Problemas sociais à parte, chegou a minha vez. Morrendo de medo do homem que estava atendendo, de ter esquecido alguma coisa, de ter feito algo errado e afins, foi tudo bem. Minha face simpática venceu a ignorância anteriormente observada no responsável e fim, sem maiores traumas. '- Agora você espera a Auto Escola te ligar, ok?' '- Ah, ok.'

A Auto Escola não ligou porque o povo de lá nem sabia que devia fazê-lo - quem ligou fui eu e depois de todas as confusões de informação, fui ao CFC - Centro de Formação de Condutores.

Curso de seis dias, cinco horas-aula por dia. Trinta, trinta intermináveis horas. Comecei no próprio dia '- Quanto mais rápido começar, mais rápido termina'. Legislação, Direção Defensiva, Mecânica Básica, Primeiros Socorros e Meio Ambiente & Cidadania.


Sobre o curso:

Ainda não terminei, acabaria segunda-feira se não fosse pelo meu atraso de ontem, o que resulta em R$ 3,00 + ir até lá na quarta-feira 'passar a digital'.

De um modo geral o curso não é tão inútil quanto falam. Só é chato.

Sobre 'passar a digital':

Recurso inteligente, relativamente moderno. Para ter presença nas aulas e receber o certificado ao final do curso, cada aluno deve colocar o dedo indicador no scanner tanto na entrada quanto na saída.

Chato. E tem fila - fila tipo 1, pelo menos.

Sobre o professor:

Incrível como sabe o nome das placas, das artérias, dos componentes do motor do carro. Não sei se é incrível porque eu não sabia nada disso, mas é interessante. E as leis com suas respectivas multas?! Ele sabe também.

Fora o sotaque 'dê interiorrr' e o maldito 'horas-aulas' que ele nunca acerta, descobri que é conhecido do Ninguém - não só o conhece, como faz questão de lembrá-lo sempre com frases do tipo '- Ninguém não vai ver' ou '- Ninguém não tem' e ainda '- Ninguém não é perfeito'.

Sobre Ninguém não ser perfeito:

Contradição. Já ouvi várias vezes dizerem por aí que Ninguém é perfeito. No fim, como Ninguém não estava lá para se defender, ninguém se manifestou.

A saga continua.