Decidi tirar a carta de motorista. Mal sabia o que me aguardava.
(fecha parênteses)
Ainda não terminei, acabaria segunda-feira se não fosse pelo meu atraso de ontem, o que resulta em R$ 3,00 + ir até lá na quarta-feira 'passar a digital'.
Liguei para Auto Escola com a grande ilusão de que bastava pagar coisas e fazer aquela ligação para que meus problemas estivessem resolvidos. Ledo engano. Começa que arranquei meu pâncreas pela boca só de ouvir o preço do 'coisas' que a mocinha da Auto Escola fala como se fosse ridiculamente pequeno e acessível. Aí depois resolvi engolir o pâncreas de volta porque descobri que além de todas as chatices a seguir, eu ia ter que tirar fotos 3x4 e espalhá-lhas por todos os lugares que fosse daquele momento em diante. Se fotos 3x4 são péssimas com pâncreas, imagina sem.
Blá blá blá, wisckas sachê, CIRETRAN - Circunscrição Regional de Trânsito. Depois de tirar as fotos, era lá que deveria ir primeiro. Cheguei e vi a fila.
(abre parênteses)
Sobre filas:
Concluí que as filas se dividem em dois tipos: o tipo McDonald's e o tipo CIRETRAN.
Tipo 1: você tem plena consciência do motivo de estar ali, espera por sua vez, é atendido e vai embora.
Tipo 2: se trata da fila que sempre vai ter muita gente. É o tipo de fila que comporta pessoas que vivem suas vidas para estarem na fila. É o tipo de fila de pessoas que brotam do chão e entram na fila.
(fecha parênteses)
Confiando no senso comum, aproveitei que estava todo mundo me olhando e perguntei o motivo de estarem ali. A resposta era óbvia, eu poderia ter previsto se tivesse em mente os dois tipos de fila possíveis: um olhou para o outro, gaguejaram e olharam as horas. Ou seja.
Como legítima pessoa tipo 1 de fila, fui até o início da fila para descobrir se ela servia para falar com o Papai Noel ou algo do gênero. Antes fosse. Minha intenção na verdade era só dar uma olhada, mas como as pessoas começaram a me encarar tipo 'onde você pensa que vai', achei por bem perguntar para o atendente logo de uma vez. Afinal, ele disse que nem adiantava entrar na fila porque não ia dar tempo de resolver o que eu precisava. Eram quatro horas da tarde - tirem suas conclusões.
Voltei lá no dia seguinte e esperei quase duas horas para entregar uma ficha que eles deram lá mesmo e que eu devia preencher, comprovando que sei ler e escrever (ficha com foto 3x4, obviamente) . Tudo bem, considerando que o índice de analfabetismo no Brasil é grande e que para dirigir é necessário saber ler mesmo. Acredite se quiser: o tiozão que estava do meu lado levou a mulher para preencher a ficha para ele.
Problemas sociais à parte, chegou a minha vez. Morrendo de medo do homem que estava atendendo, de ter esquecido alguma coisa, de ter feito algo errado e afins, foi tudo bem. Minha face simpática venceu a ignorância anteriormente observada no responsável e fim, sem maiores traumas. '- Agora você espera a Auto Escola te ligar, ok?' '- Ah, ok.'
A Auto Escola não ligou porque o povo de lá nem sabia que devia fazê-lo - quem ligou fui eu e depois de todas as confusões de informação, fui ao CFC - Centro de Formação de Condutores.
Curso de seis dias, cinco horas-aula por dia. Trinta, trinta intermináveis horas. Comecei no próprio dia '- Quanto mais rápido começar, mais rápido termina'. Legislação, Direção Defensiva, Mecânica Básica, Primeiros Socorros e Meio Ambiente & Cidadania.
Sobre o curso:
Ainda não terminei, acabaria segunda-feira se não fosse pelo meu atraso de ontem, o que resulta em R$ 3,00 + ir até lá na quarta-feira 'passar a digital'.
De um modo geral o curso não é tão inútil quanto falam. Só é chato.
Sobre 'passar a digital':
Recurso inteligente, relativamente moderno. Para ter presença nas aulas e receber o certificado ao final do curso, cada aluno deve colocar o dedo indicador no scanner tanto na entrada quanto na saída.
Recurso inteligente, relativamente moderno. Para ter presença nas aulas e receber o certificado ao final do curso, cada aluno deve colocar o dedo indicador no scanner tanto na entrada quanto na saída.
Chato. E tem fila - fila tipo 1, pelo menos.
Sobre o professor:
Incrível como sabe o nome das placas, das artérias, dos componentes do motor do carro. Não sei se é incrível porque eu não sabia nada disso, mas é interessante. E as leis com suas respectivas multas?! Ele sabe também.
Fora o sotaque 'dê interiorrr' e o maldito 'horas-aulas' que ele nunca acerta, descobri que é conhecido do Ninguém - não só o conhece, como faz questão de lembrá-lo sempre com frases do tipo '- Ninguém não vai ver' ou '- Ninguém não tem' e ainda '- Ninguém não é perfeito'.
Sobre Ninguém não ser perfeito:
Contradição. Já ouvi várias vezes dizerem por aí que Ninguém é perfeito. No fim, como Ninguém não estava lá para se defender, ninguém se manifestou.
A saga continua.