13 de março de 2008

Duas notícias

Uma boa e uma ruim. A boa é que só há uma notícia ruim. A ruim é que estou sem imaginação até para pensar numa notícia ruim. 

Eis que nas cinzas percebe-se um movimento. Inesperado, singelo e discreto. O tempo de apenas um movimento no ponteiro mais rápido do relógio de parede foi o que separou o pó inanimado da criatura que ressurgiu dele: essa que vos escreve.

Estou viva.

Uma novidade é que tenho um caderno específico somente para anotar pérolas de alunos. Logo hei de compartilhá-las com vocês. Só não sei ainda se faço um 'Top10', uma votação, uma dissertação, ou ainda se escrevo um romance, uma música ou quem sabe uma peça de teatro. Talvez eu seja capaz de fazer todas essas coisas. É impressionante a quantidade de material que eles produzem para eu anotar nesse caderno.

Outra novidade é que minha vida acadêmica finalmente parece estar entrando nos trilhos. Cheguei à conclusão definitiva de que primeiro ano de faculdade é filtro para os perdidos (leia-se '- Bom, terminei o colegial. Agora tenho que fazer faculdade. Uni-du-ni-tê...'). Quase não sobra gente dessa [laia] área no segundo ano. Good for us all - menos gente incompetente/frustrada entregando serviços porcos/malacabados para clientes, menos clientes nervosos com serviços porcos/malacabados entregues por gente incompetente/frustrada etc.

Quanto às informações sobre minha vida amorosa: passe na banca mais próxima de sua residência e informe-se. Se não encontrar, ligue para a minha mãe que ela conta tudo.

18 de fevereiro de 2008

Só segunda-feira

Mudei de emprego. Clima diferente, novos ares, tudo o que eu queria. Certas coisas a gente só percebe depois que mudam radicalmente, né? Não tem jeito.

A parada é que agora trabalho num colégio. Principalmente com Ensino Fundamental. Eles são uns pestes - isso não se pode negar. Mas nossa, são engraçados. Quando dá a minha hora de ir embora eu saio com dor de cabeça, mas com dor na barriga também, de rir.

Uns dias antes de começar lá, fui visitar a sala deles. Selva. A coordenadora me olhou piedosamente; 'mal sabe ela das coisas pelas quais já passei', pensei.

Em uma semana de trabalho já tive parte do meu vocabulário renovado. Naruto, Hannah Montana, Nerds. E eles explicam meio sem paciência, como se, em vez de ter perguntado o que diabos significa 'naruto', tivesse perguntado, sei lá, o que é Timão e Pumba.

Eles também já não nos chamam de 'professor(a)', nem 'psor(a)'. Agora é 'prô'. Prô Cíntia. Fofo, né?!

Eu sei que hoje eu estava lá, junto das duas outras professoras, atendendo uns quinze alunos simultaneamente, quando, não mais que de repente, materializou-se um ser - era um outro aluno que simplesmente surgiu, bem na minha frente. Ele me olhava nos olhos, profundamente:

'- Prô, esse lugar é um inferno.'

Morri, né. Ele estava falando aquilo por motivos óbvios. Calor, mini-pessoas gritando, três professoras de um lado para o outro, meteoros caindo, blocos de gelo se desfazendo... O próprio Apocalipse. Detalhe: Hoje é só segunda-feira.

24 de janeiro de 2008

Dezoito

E daí que vai ser meu aniversário esse sábado, né. Tipo dezoito anos no lombo.

Mas olha só, nem adianta vir com aquela coisa de 'aaahh, agora você já é adulta, gente grande, pode ser presa, pode isso, pode aquilo, e legalmente hein! Uhu, é nóis' - garanto, confirmo e faço até um gráfico para vocês sobre como nada vai mudar na minha nova vida de maioridade. Plastifico o gráfico, até.

Antes era aquela coisa de 'Não, Cíntia, você não vai' - aí depois de horas com tentativas desesperadas e inúteis de persuasão (batalha pais vs. filhos é sempre 90% perdida já antes de começar né; filhos são grandes perdedores desde o início, essa que é a verdade - isso até se tornarem pais, obviamente), a conclusão era: 'Cíntia, você não vai por diversos motivos (... - lista interminável de motivos) e além de tudo, você tem só quinze/dezesseis/dezessete anos!'.

De agora em diante vai ser assim: 'Não, Cíntia, você vai. Dezoito anos, né? É, não mesmo. Não vai' e fim.

Graaande vantagem, fala aí se não é para mudar a vida de qualquer garota pacata de interior?!

Agora me diz: Como que eu e meus dezoito anos conseguiremos ser presos desse jeito? Porque eu, particularmente, acho que se é para ir pra prisão comer 'McNuguéti' (assistam o filme 'Meu nome não é Johnny'), tem que ser por um crime nobre. E crime nobre, na minha concepção, envolve sair na calada da noite, com companhias estranhas, numa moto negra da cor das trevas etc. Vai lá falar isso pros meus pais. '- Noite, estranhas, moto. Dezoito anos, né? Ah tá, e aí, já lavou a louça?'.

Ter dezoito anos é bom para impressionar crianças. Se você juntar dezoito anos e segundo ano da faculdade então! Os olhinhos deles até brilham.

Nota mental: Meu projeto agora vai ser pensar em mais vantagens de se ter dezoito anos, não é possivel que seja só levar vantagem de criança. Não pode ser.

4 de janeiro de 2008

Casos de família

Na arrumação do meu quarto, que se encontrava naquela situação não muito agradável de pós-festas-de-fim-de-ano, achei diversos daqueles papéizinhos com os causos familiares anotados. Obviamente eles não possuem conexão entre si, como já era de se esperar.

Caso Um - Rebelde sem causa

Estávamos nós no carro, cada um mergulhado em suas respectivas reflexões. De repente, paramos no farol.

Meu pai - Nossa, olha o que esse cara fez no carro! Será que ele gostou disso? Bom, eu não acredito que tenha gostado. Eu acho que ele colocou e se arrependeu depois, e...
Eu - PAI, sabe o que você faz? Escreve uma tese sobre isso.

Nossa, gente, ele falava sem pausa. Essa pontuação que eu coloquei aí foi só para facilitar a leitura, porque na realidade ela não existiu.

Caso Dois - Dia 12 de novembro.

[...]

Minha irmã - É dia 12 de novembro, né?
Eu - Não, 10 e 11 de novembro.
Minha irmã - Ai! Já passou!! Outubro?!
Eu - Novembro.
Minha irmã - Aaaaaahh!! Eu sabia que tinha alguma coisa dia 12.

Caso Três - Tal filha, tal mãe.

Eu estava na sala sozinha, assistindo televisão. Passa minha mãe subindo a escada.

Minha mãe - Nossa, esse filme é horrível.
Eu - Não é filme, mãe, é série.
Minha mãe - É, teve um dia que eu tava assistindo esse filme, e nossa, arrancaram a cabeça do cara!
Eu - Mãe, é série.
Minha mãe, já lá no quarto dela - É, tira desse filme, Cíntia.

Caso Quatro - Feliz Ano Novo

Depois do jantar, familia conversando sobre amenidades. Entre as mulheres, cada uma em um canto da mesa, o assunto era 'Cães'.

Minha tia, para a minha mãe, sobre o nosso cão - Escuta, você escova o dente dela?
Minha irmã - Tia, você perguntou a mesma coisa no Natal.
Minha tia - E daí?! A boca é minha e eu pergunto o que eu quiser.

31 de dezembro de 2007

Nhé

Ok, people. Estaria mentindo se dissesse que não fico mais boazinha no fim do ano.

Na verdade, o texto ácido abaixo foi apenas uma visão diferente sobre essa época. Tipo bastidores. É que em todos os cantos você lê textos fofos e tocantes, cheios de nhé nhé sobre o Natal. Não queria continuar a rede. Também, pudera. Desde a época de Jesus, São Nicolau & Cia Ltda se fala sobre o Natal. Não é fácil inovar todo ano.

Mas não dá pra fugir totalmente. Natal que é Natal é nhé nhé. Sempre acaba sendo. No Natal, a família se junta em volta da mesa, ouvimos e rimos das mesmas histórias. Narramos, sem muitos detalhes, para as tias algo sobre nossa vida amorosa, mudamos o assunto para a vida amorosa de qualquer outra pessoa e explicamos para os avós, pela milionésima vez, o que é 'ficar'. Aí a atenção de todo mundo é desviada para o pivete que deixou o refrigerante cair na toalha e ufa, próximo assunto. É engraçado. E só muda endereço, né?

Ah, também há o detalhe de que hoje acaba o ano. Deixa ele. Foi rápido e não foi. Eu o colocaria na categoria 'Proveitoso'. Muita coisa mudou e eu aprendi bastante. É, não dá para reclamar, não.

Promessas para 2008 eu nem me atrevo a fazer. Sinceramente. Eu e meus quase dezoito anos sabemos que não adianta ficar planejando muito. Quando é para acontecer, acontece - e com certeza o resultado é melhor do que o que teríamos imaginado.

Taí ó, pronto. Nhé nhé. É inevitável. Mas tudo bem porque eu não contei, mas sou uma daquelas que deseja 'um ótimo ano novo para você também'. Agora que vocês já sabem do segredo, serei obrigada a matá-los. Ok, eu espero para fazer isso depois do Carnaval.

feliz ano novo!*

* não sei vocês, mas no que depender de mim, será.