18 de fevereiro de 2008

Só segunda-feira

Mudei de emprego. Clima diferente, novos ares, tudo o que eu queria. Certas coisas a gente só percebe depois que mudam radicalmente, né? Não tem jeito.

A parada é que agora trabalho num colégio. Principalmente com Ensino Fundamental. Eles são uns pestes - isso não se pode negar. Mas nossa, são engraçados. Quando dá a minha hora de ir embora eu saio com dor de cabeça, mas com dor na barriga também, de rir.

Uns dias antes de começar lá, fui visitar a sala deles. Selva. A coordenadora me olhou piedosamente; 'mal sabe ela das coisas pelas quais já passei', pensei.

Em uma semana de trabalho já tive parte do meu vocabulário renovado. Naruto, Hannah Montana, Nerds. E eles explicam meio sem paciência, como se, em vez de ter perguntado o que diabos significa 'naruto', tivesse perguntado, sei lá, o que é Timão e Pumba.

Eles também já não nos chamam de 'professor(a)', nem 'psor(a)'. Agora é 'prô'. Prô Cíntia. Fofo, né?!

Eu sei que hoje eu estava lá, junto das duas outras professoras, atendendo uns quinze alunos simultaneamente, quando, não mais que de repente, materializou-se um ser - era um outro aluno que simplesmente surgiu, bem na minha frente. Ele me olhava nos olhos, profundamente:

'- Prô, esse lugar é um inferno.'

Morri, né. Ele estava falando aquilo por motivos óbvios. Calor, mini-pessoas gritando, três professoras de um lado para o outro, meteoros caindo, blocos de gelo se desfazendo... O próprio Apocalipse. Detalhe: Hoje é só segunda-feira.

24 de janeiro de 2008

Dezoito

E daí que vai ser meu aniversário esse sábado, né. Tipo dezoito anos no lombo.

Mas olha só, nem adianta vir com aquela coisa de 'aaahh, agora você já é adulta, gente grande, pode ser presa, pode isso, pode aquilo, e legalmente hein! Uhu, é nóis' - garanto, confirmo e faço até um gráfico para vocês sobre como nada vai mudar na minha nova vida de maioridade. Plastifico o gráfico, até.

Antes era aquela coisa de 'Não, Cíntia, você não vai' - aí depois de horas com tentativas desesperadas e inúteis de persuasão (batalha pais vs. filhos é sempre 90% perdida já antes de começar né; filhos são grandes perdedores desde o início, essa que é a verdade - isso até se tornarem pais, obviamente), a conclusão era: 'Cíntia, você não vai por diversos motivos (... - lista interminável de motivos) e além de tudo, você tem só quinze/dezesseis/dezessete anos!'.

De agora em diante vai ser assim: 'Não, Cíntia, você vai. Dezoito anos, né? É, não mesmo. Não vai' e fim.

Graaande vantagem, fala aí se não é para mudar a vida de qualquer garota pacata de interior?!

Agora me diz: Como que eu e meus dezoito anos conseguiremos ser presos desse jeito? Porque eu, particularmente, acho que se é para ir pra prisão comer 'McNuguéti' (assistam o filme 'Meu nome não é Johnny'), tem que ser por um crime nobre. E crime nobre, na minha concepção, envolve sair na calada da noite, com companhias estranhas, numa moto negra da cor das trevas etc. Vai lá falar isso pros meus pais. '- Noite, estranhas, moto. Dezoito anos, né? Ah tá, e aí, já lavou a louça?'.

Ter dezoito anos é bom para impressionar crianças. Se você juntar dezoito anos e segundo ano da faculdade então! Os olhinhos deles até brilham.

Nota mental: Meu projeto agora vai ser pensar em mais vantagens de se ter dezoito anos, não é possivel que seja só levar vantagem de criança. Não pode ser.

4 de janeiro de 2008

Casos de família

Na arrumação do meu quarto, que se encontrava naquela situação não muito agradável de pós-festas-de-fim-de-ano, achei diversos daqueles papéizinhos com os causos familiares anotados. Obviamente eles não possuem conexão entre si, como já era de se esperar.

Caso Um - Rebelde sem causa

Estávamos nós no carro, cada um mergulhado em suas respectivas reflexões. De repente, paramos no farol.

Meu pai - Nossa, olha o que esse cara fez no carro! Será que ele gostou disso? Bom, eu não acredito que tenha gostado. Eu acho que ele colocou e se arrependeu depois, e...
Eu - PAI, sabe o que você faz? Escreve uma tese sobre isso.

Nossa, gente, ele falava sem pausa. Essa pontuação que eu coloquei aí foi só para facilitar a leitura, porque na realidade ela não existiu.

Caso Dois - Dia 12 de novembro.

[...]

Minha irmã - É dia 12 de novembro, né?
Eu - Não, 10 e 11 de novembro.
Minha irmã - Ai! Já passou!! Outubro?!
Eu - Novembro.
Minha irmã - Aaaaaahh!! Eu sabia que tinha alguma coisa dia 12.

Caso Três - Tal filha, tal mãe.

Eu estava na sala sozinha, assistindo televisão. Passa minha mãe subindo a escada.

Minha mãe - Nossa, esse filme é horrível.
Eu - Não é filme, mãe, é série.
Minha mãe - É, teve um dia que eu tava assistindo esse filme, e nossa, arrancaram a cabeça do cara!
Eu - Mãe, é série.
Minha mãe, já lá no quarto dela - É, tira desse filme, Cíntia.

Caso Quatro - Feliz Ano Novo

Depois do jantar, familia conversando sobre amenidades. Entre as mulheres, cada uma em um canto da mesa, o assunto era 'Cães'.

Minha tia, para a minha mãe, sobre o nosso cão - Escuta, você escova o dente dela?
Minha irmã - Tia, você perguntou a mesma coisa no Natal.
Minha tia - E daí?! A boca é minha e eu pergunto o que eu quiser.

31 de dezembro de 2007

Nhé

Ok, people. Estaria mentindo se dissesse que não fico mais boazinha no fim do ano.

Na verdade, o texto ácido abaixo foi apenas uma visão diferente sobre essa época. Tipo bastidores. É que em todos os cantos você lê textos fofos e tocantes, cheios de nhé nhé sobre o Natal. Não queria continuar a rede. Também, pudera. Desde a época de Jesus, São Nicolau & Cia Ltda se fala sobre o Natal. Não é fácil inovar todo ano.

Mas não dá pra fugir totalmente. Natal que é Natal é nhé nhé. Sempre acaba sendo. No Natal, a família se junta em volta da mesa, ouvimos e rimos das mesmas histórias. Narramos, sem muitos detalhes, para as tias algo sobre nossa vida amorosa, mudamos o assunto para a vida amorosa de qualquer outra pessoa e explicamos para os avós, pela milionésima vez, o que é 'ficar'. Aí a atenção de todo mundo é desviada para o pivete que deixou o refrigerante cair na toalha e ufa, próximo assunto. É engraçado. E só muda endereço, né?

Ah, também há o detalhe de que hoje acaba o ano. Deixa ele. Foi rápido e não foi. Eu o colocaria na categoria 'Proveitoso'. Muita coisa mudou e eu aprendi bastante. É, não dá para reclamar, não.

Promessas para 2008 eu nem me atrevo a fazer. Sinceramente. Eu e meus quase dezoito anos sabemos que não adianta ficar planejando muito. Quando é para acontecer, acontece - e com certeza o resultado é melhor do que o que teríamos imaginado.

Taí ó, pronto. Nhé nhé. É inevitável. Mas tudo bem porque eu não contei, mas sou uma daquelas que deseja 'um ótimo ano novo para você também'. Agora que vocês já sabem do segredo, serei obrigada a matá-los. Ok, eu espero para fazer isso depois do Carnaval.

feliz ano novo!*

* não sei vocês, mas no que depender de mim, será.

20 de dezembro de 2007

Ácido

Dezembro. Final de ano.

No que diz respeito ao trabalho, todos os problemas possíveis e imagináveis aparecem - sistemas de computador capengam, papéis se desintegram, galões de água acabam, telefones pifam e impressoras desejam a todos ótimas festas e um feliz ano novo.

Nas lojas do centrão da cidade, nem precisa falar. As compras. Está tudo em falta, e se está presente, não tem a cor, ou o tamanho, ou um que não esteja quebrado. E esse tipo de informação só se obtém se/quando você consegue encontrar algum atendente no meio do caminho - caminho este que não é você que trilha, mas a multidão que decide por você.

Resultado inevitável:

Vem o inocente: 'Muita saúde, amor e paz'
Resposta - Ahn?! PAZ?! Que paz?! Tenho um monte de coisa para terminar, estou pegando um resfriado terrível por causa desse tempo de bosta e nunca conversei com você na minha vida. Sai.