2 de dezembro de 2007

Enquanto isso, na casa dos meus avós:

Propaganda de carro com aquele cara das Casas Bahia:

Meu vô, o inconformado - Nossa, pensei que tinha morrido, esse infeliz.
Minha vó, a inacreditável convicta- Não. Ele foi fazer faculdade e agora voltou.
Minha irmã, a pacificadora - Ah, agora ele tá mais calmo.
Meu vô, o inconformado persistente - Como enchia o saco, esse cara, viu. Pelas barba do profeta!

Cíntia, a reflexiva espectadora: Como será que ela sabe que ele foi fazer faculdade?! Será possivel que eles falem sobre esse cara nesses programas de receita?

12 de novembro de 2007

Novembro

Vocês estão sabendo que os shoppings já estão decorados para o Natal, né?!

Não sei aí, mas aqui é sempre um choque. Fico um tempão parada, estarrecida, olhando.

Aliás, já que é para falar, vou falar: ô decoraçãozinha porca. Quero crer que por estar ADIANTADA, ainda melhora um pouco até o Natal propriamente dito.

31 de outubro de 2007

As crianças me adoram

Numa dessas visitas à familias amigas da minha família, havia uma menininha.

Durou cinco minutos o tempo entre eu chegar na casa da anfitriã e estar no quarto pink dela, com uns cinco brinquedos diferentes no colo e o filme do "High School Musical 2-que-ela-tinha-gravado-na-noite-anterior-porque-ia-terminar-muito-tarde-e-ela-não-podia-ficar-acordada-até-tão-tarde-e-aí-o-Troy-e-Gabriela-cantavam-aquela-música-olha-a-roupa-dela-que-bonita" passando.

Aí ela descobriu que eu tinha feito escova no cabelo, coisa que a mãe dela só vai deixá-la fazer quando tiver quinze anos. Pronto, cinco brinquedos no colo, o filme-etc-etc e uma coisinha rosa pendurada em mim.

Mais a noite, fomos jantar. Ela naquela velocidade de lesma que toda criança come. Eu observando sem que ela percebesse. Caridosamente, depois de terminar, me ofereci para fazer o famoso e prático 'aviãozinho', quem sabe assim aquela agonia acabava de uma vez.

- Ó o aviãozinho uóóóó!!


- Mas eu já estou com comida.

Abaixei o garfo num momento de frustação, mas não me deixei abalar, psicologia infantil, vamos lá.

- Ó que eu vou enfiar isso daqui pelo seu nariz, menina. - disse, eu, dócil.

- Mas eu já estou comendo!


- Mentira.

Desisti da missão, pensando que talvez meu espírito maternal não fosse exatamente como imaginava. Nâo mais do que de repente:

- Cintiá, pode fazer o aviãozinho agora, ó - aaaahhh!!

As crianças me adoram, não tem jeito.

Conversa vai, conversa vem, lá estava ela falando um filme qualquer.

- Aí, naquele filme, ele faz assim e nossa, muito legal, aí...


- Eu nunca vi esse filme, mals.

Precisa ver a cara que ela ficou.

Antes de irmos embora, eu continuava com diversos brinquedos em volta, já tinha sido a-Gabriela-e-ela-o-Troy-,-depois-eu-fazia-o-Troy-e-ela-a-Gabriela-,-mas-na-verdade-ela-gostava-da-Sharpay-(?)-,- mas-tudo-bem. Foi aí que ela me definiu:

'Você só faz coisa boa, vai ser arteira quando crescer'.

Sim, eu anotei todas essas coisas. Ah, e atrás da folha do desenho de flor marrom que ela fez pra mim. Crianças me adoram :)

26 de outubro de 2007

Na rua

Vira e mexe eu volto a pé da faculdade, né?! Um saco, chego em casa morrendo. Agora não mais, afinal, não há nada nessa vida com que a gente não se acostume.

Pois então. Quando a bateria do aparelho super tecnológico de música acaba, não resta muito a não ser ouvir os doces sons da metrópole.

As figuras que se vê na rua são incríveis, já falei sobre isso antes. Mas a situação fica ainda mais bizarra quando você ouve o que elas estão falando. Eis que surgem, andando rapidamente no sentido contrário, dois senhores, tipo cinqüenta e tantos anos. De longe já dava para perceber que a conversa estava interessante. No momento em que passaram por mim, o mais velho estava concluindo o raciocínio:

"- Só que agora, né, me fodi na bosta..."

Pois eu parei no meio da rua, saquei o caderno e a caneta e anotei. Rindo. Muito. Que será que aconteceu de tão grave para que ele esteja nessa situação agora? Como é que se resolve esse problema, hein?

Pensando em quantas coisas eu já não deixei de ouvir devido à música sempre no talo, segui meu caminho. Foi então que, já perto de casa, me deparei com dois pedreiros, um com cara de mais importante que o outro. Um fechando o portão, o outro abrindo o carro.

"- Então, eu pego um marmitex, lá, pode ser?

- Não."

Andei mais um pouco. Saquei o caderno e a caneta novamente. O pedreiro menos importante certamente estava até aquele momento procurando as pernas que foram tão rapidamente quebradas pelo outro.

20 de setembro de 2007

Desvendei a culinária

- Você vai saber quando o bolo estiver pronto. Aí você passa a faca nas laterais e vira ele, para tirar da forma. Aí, assim, a parte de cima é maior que a de baixo, então quando você virar o bolo, a parte menor vai ficar para cima. Se você quiser que a parte menor fique para baixo, você vira ele de novo, entendeu?

- Mãe, pra quê eu vou querer que a parte menor fique para baixo?! Não faz sentido!

- É, tem razão.

Depois de mais algumas detalhadas explicações sobre a cobertura do bolo, que eu deveria terminar de preparar, achei a saga 'bolo sendo preparado sem mãe em casa' estaria acabada. Concluí para ela, meio que confirmando se havia entendido tudo:

- É só tirar a parada e jogar o negócio em cima, então. - disse, enquanto puxava a orelha do cão.

Silêncio.

Olhei para ela, que me analisava. Seu olhar era uma mistura de espanto com desespero. Em sua cabeça, o pensamento era, com certeza, alguma coisa parecida com: 'Eu estou prestes a sair de casa deixando um bolo a ser terminado por ESTA criatura a minha frente - isso não vai prestar'.

Minha conclusão foi simples, admito. Mas correta, afinal era só fazer isso mesmo.

E ficou bom, hein.