12 de novembro de 2007

Novembro

Vocês estão sabendo que os shoppings já estão decorados para o Natal, né?!

Não sei aí, mas aqui é sempre um choque. Fico um tempão parada, estarrecida, olhando.

Aliás, já que é para falar, vou falar: ô decoraçãozinha porca. Quero crer que por estar ADIANTADA, ainda melhora um pouco até o Natal propriamente dito.

31 de outubro de 2007

As crianças me adoram

Numa dessas visitas à familias amigas da minha família, havia uma menininha.

Durou cinco minutos o tempo entre eu chegar na casa da anfitriã e estar no quarto pink dela, com uns cinco brinquedos diferentes no colo e o filme do "High School Musical 2-que-ela-tinha-gravado-na-noite-anterior-porque-ia-terminar-muito-tarde-e-ela-não-podia-ficar-acordada-até-tão-tarde-e-aí-o-Troy-e-Gabriela-cantavam-aquela-música-olha-a-roupa-dela-que-bonita" passando.

Aí ela descobriu que eu tinha feito escova no cabelo, coisa que a mãe dela só vai deixá-la fazer quando tiver quinze anos. Pronto, cinco brinquedos no colo, o filme-etc-etc e uma coisinha rosa pendurada em mim.

Mais a noite, fomos jantar. Ela naquela velocidade de lesma que toda criança come. Eu observando sem que ela percebesse. Caridosamente, depois de terminar, me ofereci para fazer o famoso e prático 'aviãozinho', quem sabe assim aquela agonia acabava de uma vez.

- Ó o aviãozinho uóóóó!!


- Mas eu já estou com comida.

Abaixei o garfo num momento de frustação, mas não me deixei abalar, psicologia infantil, vamos lá.

- Ó que eu vou enfiar isso daqui pelo seu nariz, menina. - disse, eu, dócil.

- Mas eu já estou comendo!


- Mentira.

Desisti da missão, pensando que talvez meu espírito maternal não fosse exatamente como imaginava. Nâo mais do que de repente:

- Cintiá, pode fazer o aviãozinho agora, ó - aaaahhh!!

As crianças me adoram, não tem jeito.

Conversa vai, conversa vem, lá estava ela falando um filme qualquer.

- Aí, naquele filme, ele faz assim e nossa, muito legal, aí...


- Eu nunca vi esse filme, mals.

Precisa ver a cara que ela ficou.

Antes de irmos embora, eu continuava com diversos brinquedos em volta, já tinha sido a-Gabriela-e-ela-o-Troy-,-depois-eu-fazia-o-Troy-e-ela-a-Gabriela-,-mas-na-verdade-ela-gostava-da-Sharpay-(?)-,- mas-tudo-bem. Foi aí que ela me definiu:

'Você só faz coisa boa, vai ser arteira quando crescer'.

Sim, eu anotei todas essas coisas. Ah, e atrás da folha do desenho de flor marrom que ela fez pra mim. Crianças me adoram :)

26 de outubro de 2007

Na rua

Vira e mexe eu volto a pé da faculdade, né?! Um saco, chego em casa morrendo. Agora não mais, afinal, não há nada nessa vida com que a gente não se acostume.

Pois então. Quando a bateria do aparelho super tecnológico de música acaba, não resta muito a não ser ouvir os doces sons da metrópole.

As figuras que se vê na rua são incríveis, já falei sobre isso antes. Mas a situação fica ainda mais bizarra quando você ouve o que elas estão falando. Eis que surgem, andando rapidamente no sentido contrário, dois senhores, tipo cinqüenta e tantos anos. De longe já dava para perceber que a conversa estava interessante. No momento em que passaram por mim, o mais velho estava concluindo o raciocínio:

"- Só que agora, né, me fodi na bosta..."

Pois eu parei no meio da rua, saquei o caderno e a caneta e anotei. Rindo. Muito. Que será que aconteceu de tão grave para que ele esteja nessa situação agora? Como é que se resolve esse problema, hein?

Pensando em quantas coisas eu já não deixei de ouvir devido à música sempre no talo, segui meu caminho. Foi então que, já perto de casa, me deparei com dois pedreiros, um com cara de mais importante que o outro. Um fechando o portão, o outro abrindo o carro.

"- Então, eu pego um marmitex, lá, pode ser?

- Não."

Andei mais um pouco. Saquei o caderno e a caneta novamente. O pedreiro menos importante certamente estava até aquele momento procurando as pernas que foram tão rapidamente quebradas pelo outro.

20 de setembro de 2007

Desvendei a culinária

- Você vai saber quando o bolo estiver pronto. Aí você passa a faca nas laterais e vira ele, para tirar da forma. Aí, assim, a parte de cima é maior que a de baixo, então quando você virar o bolo, a parte menor vai ficar para cima. Se você quiser que a parte menor fique para baixo, você vira ele de novo, entendeu?

- Mãe, pra quê eu vou querer que a parte menor fique para baixo?! Não faz sentido!

- É, tem razão.

Depois de mais algumas detalhadas explicações sobre a cobertura do bolo, que eu deveria terminar de preparar, achei a saga 'bolo sendo preparado sem mãe em casa' estaria acabada. Concluí para ela, meio que confirmando se havia entendido tudo:

- É só tirar a parada e jogar o negócio em cima, então. - disse, enquanto puxava a orelha do cão.

Silêncio.

Olhei para ela, que me analisava. Seu olhar era uma mistura de espanto com desespero. Em sua cabeça, o pensamento era, com certeza, alguma coisa parecida com: 'Eu estou prestes a sair de casa deixando um bolo a ser terminado por ESTA criatura a minha frente - isso não vai prestar'.

Minha conclusão foi simples, admito. Mas correta, afinal era só fazer isso mesmo.

E ficou bom, hein.

13 de setembro de 2007

Ah, a família

Quem freqüentava o meu antigo blog sabe que minha família não é das mais normais - afinal, influência genética é a única justificativa plausível para minha personalidade, digamos, distinta.

Pois então. Família que é família tem esquisitices. Excessos a parte, os meus prezados parentes se utilizam de algumas expressões ligeiramente incomuns. Algumas são gírias velhas, outras são ditados modificados, outras nem uma coisa nem outra - inventadas por eles mesmos. Nunca teria reparado nisso, se não fosse por ter falado uma delas outro dia, e as pessoas com quem eu estava conversando ficarem com aquela cara de interrogação infundada. Continuei meu monólogo, sem hesitar.

Depois, já em casa, pensei: "- Eu não deveria esperar que as pessoas entendessem as frases feitas do meu vô. Porque diabos eu usei uma frase feita do meu vô?" - e aí quem ficou com cara de interrogação fui eu.

Após esse episódio, comecei a prestar atenção nas falas da família, principalmente do meu vô e do meu pai, é incrível.

Eis alguns exemplos:

Sambascuá - geralmente essa expressão é usada como adjetivo para qualificar um menino bobo, desajeitado. Às vezes, pode variar com o apelido carinhoso 'sambas'.

Não bato palma - pronúncia correta: não bato parma. Expressão equivalente à 'não gosto muito'; 'não sou fã'. Exemplo de utilização: "- Vô, você gosta dessa bala?" "- Ah, não bato parma."

Fiofó do mundo - essa é sempre usada com uma entonação forte, para dar o devido peso à distância de um lugar ao outro. Equivale à também nada nova 'lá aonde o Judas perdeu as botas'. Geralmente a ouço quando eu peço para o meu vô me levar em algum lugar.

Nem a pau, Juvenal - essa saiu inesperadamente da boca da minha mãe. Ela falou de um jeito tão convicto e determinado que eu nem insisti no que estava pedindo.

Elas são estranhas mesmo, ou sou eu?