14 de julho de 2007

Vida noturna

Situação: Voltando para casa com a família, lá pelas tantas.
Ambiente: Minha irmã começando a dormir ao lado, meus pais tagarelando incansavelmente sobre qualquer coisa e eu na minha bolha - junto a minha mais nova aquisição tecnólogica que toca músicas, olhando para a rua. Pensando.

Só na madrugada você tem oportunidade de olhar para o lado e ver o chefe de alguém, provavelmente carrancudo e rabugento durante a semana toda, voltando de uma festa, com a camisa aberta até o quarto botão, com um colar capenga de mamona piscante pendurado no pescoço, rachando o bico de alguma piada muito sem graça que o cara no banco do passageiro estava contando. Quantas pessoas lá do trabalho dele não pagariam para ver essa cena. Se eu contasse eles não iam acreditar.

É durante a madrugada que você pode avaliar a vaidade que você não possui. Gente, sério, tava tarde e a menina estava impecável, chapinha intacta. Pena que ela não fazia idéia do que encontraria no banheiro de posto de gasolina que estava entrando. Adeus, rímel.

Nesse horário você vê que não entende certas coisas: Carros passam por você com uma velocidade inexplicavelmente alta. Meu, já são três da manhã, se não chegou até agora, não vai chegar mais, não adianta correr, animal.

Também desconheço o motivo real das aglomerações em postos de gasolina. As pessoas simplesmente param seus carrinhos, saem deles e ficam lá, conversando?

Existem ainda as questões políticas. Os sistemas de radar, por exemplo. Ô troço que funciona, né?! Tá chovendo canivete e o radar tá lá, com suas luzinhas vermelhas irritantes. Tudo bem que você não precisa ficar correndo na velocidade da luz constantemente como aquele ser citado acima, mas ter de descer uma rampa gigante como aquela a míseros 40km/h é praticamente uma censura ao espírito rebelde que a noite sugere. Se o governo gastasse essa energia com coisas que realmente fossem importantes, como a educação, as pessoas seriam ensinadas já na escola que só se pode aumentar um pouco a velocidade do carro nas rampas.

Mas não posso ser injusta. Deixo aqui o meu agradacimento ao prefeito Kassab, por ter tido a brilhante idéia de retirar os outdoors da cidade. Menos um momento constrangedor na minha lista. Sei lá onde, depois de um túnel aí, tinha um outdoor-mais-gigante-impossível que sempre me deixava envergonhada. Era a propaganda de uma boate (ou seja lá como for que os jovens chamam esse tipo de lugar hoje em dia) que continha a foto de um homo sapiens do sexo feminino, mas que para mim sempre se pareceu mais com um pedaço de carne de lingerie. Vergonha pelo bife, digo, mulher.

Ainda pensando sobre o tópico tecnologia e governo, e esses semáforos inteligentes, hein?! Conceito de inteligência nesse país é meio estranho mesmo, mas a função deles não é só mudar de cor ao mesmo tempo?

E também pensei em quem olhava de fora, que via uma menina fazendo movimentos estranhos ao som de algo que só ela ouvia, com um bloco de papel e uma caneta, escrevendo freneticamente alguma coisa que devia ser muito interessante, afinal, estava sendo escrita dentro de um carro com mais três pessoas, uma babando, outras duas falando sem parar, às três da madrugada.

6 de julho de 2007

Enquanto isso, esperando meu pai:

- Olha vô, quando eu faço isso não fico parecendo um pato?
- Quê?!
- Olha.
- Tsc, você tá ficando xarope.

26 de junho de 2007

Música e sinais

Pequena observação sobre a música de hoje em dia:

- Baixei as músicas da trilha sonora do filme tal. - disse eu.
- Não são músicas que fizeram sucesso, né?
- Não, são músicas boas.

Pois é.

...

Mudando de assunto, estávamos todos nós na cozinha jantando como toda boa família quando minha irmã finaliza a seguinte história assim:

- (...) aí ela falou não sei o quê, eu dei um 'ípslon' e boa.
- Peraí, disse eu, como assim 'ípslon'?

Ela fez aquele famoso sinal de 'paz e amor', com cara de quem fala a coisa mais óbvia da face da Terra. Meus neurônios começaram a trabalhar incessantemente.

- Ípslon de quê? Yes?
- Afe Cíntia.

E depois ela explicou. No MSN, entre os emoticons, tem um lá que representa o famoso sinal 'jóinha', sabem? Mãozinha com o polegar pra cima? Ok. O atalho no teclado para esse emoticon, é '(y)'. Por isso, você dá um 'ípslon'.

Agora pensem comigo: Uma vez que o sinal original (o jóinha) é um sinal feito com a mão tanto quanto o 'ípslon', qual o ponto de substituir o sinal original por um que remete ao desenho do sinal original no MSN?

Foi nesse estágio que meus pais começaram a me chamar de tia.

2 de junho de 2007

Heavy Metal

Eis que no período mais ninja/heavy metal da minha vida, criei o blog novo que está irritantemente desatualizado.

A questão é que em tempos de faculdade (leia-se: seminários intermináveis, apresentações inapresentáveis, situações insituaçonisáveis) e trabalho/estágio/nenhuma das alternativas anteriores, fica difícil manter o que chamamos de organização de vida.

Mas é lógico que universitário serve para sofrer, mesmo:
- Então, não consigo mais dormir como dormia antes.
- Haha!
- ...

E estagiário, para pastar mesmo:
- Cíntia, ó, são 14h55, 15h começa a aula x e o professor não vem. Tó, prepara a aula aí.
- Ah, ok.
- Os alunos chegaram.

O tempo simplesmente passou a ser algo relativo, totalmente inconstante e variável de acordo com a minha necessidade - sempre varia contra, claro. ('-Puts, faltam quarenta minutos ainda' e '- Ah, não acredito que só tenho quarenta minutos').

Mas tanto eu quanto o blog sobreviveremos. Detalhe: cheirosos, com as unhas feitas e cabelos arrumados. Hell yeah!

25 de maio de 2007

Minha mãe no trânsito

- Esse cara não vai passar na minha frente.

Olhei para a cara do motorista ao lado - ele estava totalmente passional e contemplando o nada. Eu disse:

- Mãe, ele nem quer passar.

- Mesmo que quisesse ele não passaria.

Abre o farol. Ela acelera mais que o de costume.

- Há! Viu?! Ele não passou.

- Mãe, ele não queria!