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6 de setembro de 2012

O dia em que eu entrevistei o Serginho Groisman

GENTE. Quando eu mandei meu contato pra organização do Brazilian Day, evento anual aqui em Toronto, não botei muita fé de que eu conseguiria de fato conhecer o Serginho Groisman e de quebra ainda entrevistá-lo para o meu canal do Youtube

Eu sempre acabo participando dos chamados "street festivals" aqui no Canadá porque eles costumam ser bem divertidos. Dessa vez, eu sabia que encontraria comida gostosa, gente falando português e um ou outro rosto conhecido no palco, mas achei que não perderia nada ao tentar chegar um pouco mais perto. E não é que consegui? 



Recebi um convite pra participar da coletiva de imprensa e, ao chegar lá (atrasada e quase morrendo porque nunca tem trânsito mas no dia que eu preciso ser pontual, o trânsito resolve dar uma sacaneadinha na vida), descobri que eu tinha um crachá de media e que seria VIP durante o evento todo (= acesso aos bastidores liberado!).



Entrei na sala da coletiva toda metida porque oi, sou da mídia, mas na mesmíssima hora que cheguei já me deu um friozinho na barriga de ver todas aquelas câmeras chiquetosas e microfones com o logotipo da Globo. Minha idéia era bater o maior papo com o Serginho Groisman e perguntar trezentas mil coisas, mas primeiro que outro povo que tava lá só fazia pergunta pra dupla Jorge e Mateus (que eu só fiquei conhecendo direito depois desse dia) e segundo que a minha pergunta principal não tinha nada a ver com os assuntos que estavam sendo conversados. E o Serginho lá quieto, me dando umas olhadas de vez em quando (talvez por causa do sinal de neon em cima da minha cabeça dizendo QUERO FALAR COM VOCÊ).



A parte das entrevistas "oficiais" acabou e eu muito determinada a conversar com um dos maiores apresentadores da TV brasileira, andei diretamente à bancada e fiquei lá esperando pra conversar um pouco com Sr. Groisman. Quando minha vez chegou, eu primeiro disse que meus pais já tinham trabalhado com ele (tá feliz, mãe? Ele não lembrou - risos), expliquei que tenho um canal do Youtube e perguntei minha super pergunta.

"O que você acha de gente que produz conteúdo para o Youtube?" 

Ele disse que acha ótimo e citou o fato de que hoje em dia muitas pessoas saem do Youtube para apresentar programas na TV, por exemplo, ou para seguir uma carreira musical. Ele também acrescentou que o Youtube é um meio mais direto para uma pessoa se expressar, e isso é, sem dúvida, uma verdade muito grande. Qualquer pessoa com uma câmera e uma conexão de Internet pode produzir conteúdo pra lá, se quiser! "Essa é uma pergunta difícil, mas o importante no Youtube, eu acho, é a sua performance e a sua qualidade", Serginho disse. Apoiado. Sempre me preocupei com isso e me considero uma boa vlogger por isso. Acima de tudo, gosto de fazer vídeos - é divertido pra mim e a resposta das pessoas que assistem é muito legal. Saber que o Serginho Groisman, uma pessoa de tanta experiência na mídia, respeita esse novo jeito de produzir conteúdo é algo bem gratificante. 

Ao decorrer do dia, como eu tinha o tal VIP, encontrei com ele mais algumas vezes e tive chance de conversar um pouco mais. Ele é muito gente boa, tirou foto com todo mundo que pediu (mais ou menos umas todas as pessoas presentes), super acessível. 


Quanto aos senhores Jorge e Mateus, também pareceram bem humildes e deram bastante atenção às fãs enlouquecidas. Ainda não sei exatamente o quão famosos eles são aí no Brasil, mas o povo aqui tava bem louco pra ver a dupla. 




E aqui está o vídeo que eu fiz sobre o evento todo! 

26 de agosto de 2012

Minha semana em fotos #9

Quase um mês depois do último post dessa série, estou de volta com minhas fotos da semana. Misturou falta de tempo, preguiça e a descoberta que meu blog tem um público internacional gigantíssissimo. Acabou que fiquei sem postar. Mas voltei, e aí pra não deixar o tempo que passou completamente esquecido, selecionei as fotos com mais história pra colocar o blog de volta na rotina. O único problema é que não lembro os dias exatos, então vou usar o contador de tempo esquisito do Twitpic, mesmo.

"37 dias atrás"
Acabou meu Sabor Ami! Quando vim pro Canadá, meus avós me deram vários tipos de temperinhos pra arroz e feijão (inclusive dois pacotes de 2kg cada um de arroz e feijão). Existem outros aqui, óbvio, mas Sabor Ami, especificamente, não achei ainda. É o melhor e eu preciso de mais! 

"36 dias atrás"
Fui no supermercado e fiz uma sessão interativa de compras pelo Twitter (risos). Perguntei o que meus seguidores tinham curiosidade de ver num supermercado estrangeiro e uma das coisas que me pediram pra tirar foto foi do folheto de promoções. Acho que não é muito diferente dos daí, né?

"36 dias atrás"
Essa foi outra coisa que pediram pra ver. Aqui no Canadá quase todos os supermercados têm uma opção chamada "self-check". São várias máquinas que permitem que você passe suas próprias compras, empacote, pague e pegue o recibo - tudo sem precisar socializar com a mocinha mal-humorada do caixa. Coisa linda! Já tem isso aí? 

"25 dias atrás"
Água de côco é outra coisa difícil de achar aqui. Na verdade, não é difícil achar, é difícil achar uma que seja boa. Elas costumam vir com açúcar e "pedaços de côco", horrível. Essa marca que eu mostro na foto, a mais cara dentre todas (claro né, tem que ser), foi a primeira que me agradou - o gosto ainda não é 100%, mas tá quase. 

"14 dias atrás"
O Greg resolveu aprender a falar português. Ele achou esse programa (bem legal, diga-se de passagem) e toda hora que algum tipo de intervalo acontece na vida dele, ele continua o estudo de onde parou. Agora ele finalmente passou da fase "eu sou uma menina / eu sou um menino" pra "onde você mora / onde você trabalha". Duro é ter que explicar conjugação de verbo no meio do dia, via mensagem de texto, porque ele resolveu estudar um pouco no escritório. 

"12 dias atrás"
Só pra reclamar da chuva, mesmo. Não chove muito aqui mas quando chove dá uma preguiça de viver que dói.

Terça-feira (só sei porque tá escrito na foto)
Acho que esse foi o mesmo dia da foto da chuva. Eu saí da faculdade mais cedo e quando cheguei em casa, me deparei com esse aviso do inferno. Lembram desse post em que eu praticamente anuncio meu suicídio incendiário? Então. 

Sábado passado
Sempre tem que ter uma foto de comida. Fazia muito tempo que não preparava uma janta completa com direito a feijão com bacon e tudo. Fiz tilápia (cuja receita eu já fiz até em vídeo, de tão boa) arroz e saladinha de alface. 

Segunda-feira
Já reclamei aqui no blog sobre iogurte congelado fazer parte de modinhas alimentísticas e não ser nada demais além de... bom, iogurte "congelado" que se não tivesse em evidência por causa dosmodinha, ninguém ia querer saber. Eu passava por filas grotescas nos shoppings aí no Brasil, logo antes de voltar pra cá, e não acreditava que a galera esperava e pagava tanto por iogurte de gosto neutro com coberturas frescas. Tudo mudou recentemente. Eu tava meio louca pra achar sorvete de côco (gosto de côco, já deu pra perceber?) e não conseguia achar sorveteria nenhuma que vendesse. O Greg sugeriu que entrássemos nessa "iogurteria" nova e eu, toda cheia de preconceito e "até parece que vai ter o que eu quero " entrei no paraíso. Eles vendem vários sabores diferentes (côco sendo um deles), um milhão de opções de cobertura e, veja bem, por um preço barato! E é iogurte low-fat blá blá saudável melhor pra saúde que sorvete! Virei sócia, gente (mentira, mas tenho cartão de cliente).

algum dia do meio da semana
Só uma foto bonita do final de tarde bonito (às oito e meia da noite).

Ontem
Não lembro exatamente como, mas entrei numa lista de platéia de programas de TV e essa semana me chamaram pra ir ver a gravação de um programa de culinária, daqueles que times de chefs competem entre si (são meus programas favoritos de TV, inclusive). Resolvi ir pra ver como era, e foi como se estivéssemos num restaurante chique, só que com um monte de câmeras e luzes cegadoras em volta. Essa sou eu lá, fingindo que gosto de beber vinho enquanto esperava minha comida chegar.

E essas foram as principais fotos desse tempão que fiquei sem postar! As outras estão aqui! Gostaram? Volto essa semana com o post atrasado dos filmes do mês passado e desse, que tá terminando tão logo! 

2 de julho de 2012

Minha semana em fotos #7

Alô Brasil, demorei mas não falhei!

Quarta-feira, hora dos exercícios = socorro
Férias são legais mas eventualmente bate aquele tédio né? Não. Esse tal Insanity tá me mantendo ativa. Três dias da semana passada (e hoje) eu não pude fazer os exercícios e sabem aquele peso na consciência que dá quando você deveria estar fazendo trabalhos e tá fazendo TUDO menos os trabalhos? Então, eu deu e ainda tá dando. Em minha defesa porém, semana passada foi terrível (por causa dos trabalhos, inclusive - quem não viu veja aqui) e eu estou começando a sentir um pouco do impacto dos mortais triplos carpados, que tenho que dar fazendo esses exercícios, nos meus calcanhares. O calcanhar direito eu meio que quebrei há uns anos e ficou bem insuportavelmente dolorido nesses últimos dias de atividade física mais intensa. Na verdade não sei se é isso, ou se é só o tênis que é ruim. Os dois lados tavam doendo e tavam doendo errado, então resolvi ir mais deleves.  

Sexta-feira
Comprei um biquíni novo, afinal férias não podem ser só dores e tédios eventuais. A piscina aqui do prédio é coisa-linda-de-viver (adjetivo que minha vó costuma usar pra se referir ao Roberto Carlos mas vocês não precisam saber disso) e eu p-r-e-c-i-s-a-v-a de um biquiní novo, uma vez que o antigo tava no ponto de literalmente cair da minha bunda. Paguei caro mas o biquíni é especialmente bonito e confortável então já esqueci do preço que portanto deixaremos pra lá. 

Sexta, mais tarde
Já comeram beirute? Não sei se esses são os ingredientes "oficiais" da receita, mas a combinação aí da foto fica muito boa e vale a pena. Perfeito pra encher a barriga sem maiores traumas culinários. 

Sábado, tempo nubladíssimo
Fui estrear meu biquíni novo e dei de cara com esse clássico clima canadense de 35°C com UMA nuvem no céu, no caso, essa aí da foto.

Sábado durante a tarde
Recebi a visita da Gabi, que é minha amiga de internet há um bom tempo. Ela também tem um vlog no Youtube e foi contratada por uma empresa de intercâmbio pra vir visitar o Canadá e contar sobre a viagem nos vídeos dela. É sempre uma experiência interessante conhecer ao vivo quem só conhecemos online. Conversamos um monte e essas semanas que virão com certeza nos encontraremos mais vezes!

Domingo, terminando de preparar sanduíches
Hoje foi o Canada Day aqui - eu até explicaria mas tô com preguiça. Resumidamente, todo mundo se veste de bandeira do Canadá (cada figura) e escreve no Facebook que tem muito orgulho de morar aqui. É legal porque tem shows de fogos de artifício, eventos musicais e gente louca na rua pra garantir o entretenimento caso os dois primeiros não sejam assim tão bons. Como a gente ia ficar fora de casa por algumas horas e eu sou uma pessoa faminta, resolvi arriscar fazer sanduíches pra um pseudo-piquenique. Sorte que pelo menos DESSA VEZ eles não foram parar no lixo

Domingo, no parque esperando os fogos
Todo mundo ganha essas bandeirinhas de papel pra entrar no clima. Happy Canada Day!

Os FOGOS!
Essa foto eu não postei no Twitpic porque tirei com a câmera grande, mas como achei que ficou legal então resolvi colocar aqui pra vocês verem! Bonito, né? 

Domingo, voltando pra casa
Voltando pra câmera temperamental do celular, essa é uma foto ruim de parte do povo que tava no parque pro evento. Tinha muita gente e essa rua, que é uma das principais de Toronto, foi fechada para as pessoas poderem se movimentar.

Espero que a semana de vocês também tenha sido legal! Me digam nos comentários o que aconteceu de bom por aí!

6 de junho de 2012

Três coisas sobre o Brasil que os canadenses não sabem

Essa semana na aula de História estávamos falando sobre moda no período "barroco". Se tem uma coisa que eu lembro minha professora de Artes da escola falando, é essa palavra. Barroco e "rococó". Acho que era o jeito que ela falava que ficou gravado na minha memória, não sei exatamente - só sei que na hora que o assunto surgiu, comecei a lembrar de tudo que aprendi na escola sobre essa fase. Aleijadinho, igrejas, as estátuas, as cores. Veio tudo na minha cabeça como se fosse ontem. Não aguentei e interrompi o professor: "O Brasil tem muita História referente ao período barroco". Contei um pouco sobre as igrejas, os artistas, as cores e o ouro. A princípio não entendi a surpresa estampada no rosto do povo da sala (inclusive e principalmente do professor) mas logo entendi: eles simplesmente não tinham ideia do que eu estava falando. 

- Eles não tem noção da nossa história

Acho que não é surpresa pra ninguém o fato de que fora do Brasil não se estuda História do Brasil nas escolas, mas que dói um pouquinho nos meus 3% de patriotismo ver que existe tanta gente nesse mundo que não sabe nem da metade da nossa história, dói.  

- Eles não sabem da diversidade cultural que existe no Brasil

Tudo bem que eu também não sabia do tamanho da população muçulmana até descobrir a quantidade de vizinhos muçulmanos que eu tinha, mas daí a achar que só tem "latinos" a la Jennifer Lopez no Brasil, é um pouco triste.

- Por incrível que pareça, eles ainda não sabem que falamos português

Esse ano já aconteceu duas vezes de descobrirem que eu sou brasileira e começarem a falar comigo a espanhol. É muito constrangedor e em ambos os casos as pessoas estavam tão felizes por achar que estavam criando uma conexão incrível comigo que eu não tive nem coragem de corrigir.

EM TEMPO: Obviamente (óbvio) não estou generalizando conceitos - esses três pontos são parte da minha experiência que é nada mais do que apenas a minha experiência. Ao escrever esse post até me deu vontade de fazer uma pesquisa nas ruas - se eu fizer, publico os resultados aqui. Outra coisa pra ter em mente: nós também não estudamos sobre o Canadá na escola.

O que vocês acham?

27 de maio de 2012

Minha semana em fotos #2

Que bom que vocês gostaram da ideia! Fico feliz.

Segunda-feira - ESQUILO!
Não sei exatamente o que é que eu pensava sobre esquilos antes de conviver com eles mais de perto, mas olha - são uns bichinhos muito engraçados. São super ariscos e sempre tentam fugir quando vêem que tem gente se aproximando. Correm muito rápido mas quando param, parecem estátuas. Nesse dia, quando eu vi o esquilinho imediamente saquei o celular pra tirar foto mas, quando olhei de novo, ele já tava correndo. Saí correndo atrás dele (oi, eu sou uma pessoa normal) e fiquei perseguindo-o em volta da árvore por uns bons cinco minutos (normal) até ele resolver subir num galho e posar pra mim. Consegui.

Terça-feira
Eu adoro ver o céu azulzinho. Até as nuvens tavam bonitas.

Quarta-feira, no ônibus
Não satisfeita em andar com o cachorro dentro do transporte público, a madame comprou um carrinho de bebê-cachorro pra transportar o bicho. Da série "nada justifica", o que será que se passa pela cabeça desse cachorro né?

Quinta-feira
Essa é uma parte do projeto que eu estou fazendo pra uma matéria chamada "In-Store Merchandising". Cada aluno tem que criar sua própria "loja ideal" e explicar cada detalhe dela, desde a planta até o planograma, vitrines, iluminação e TUDO. Esse desenho eu fiz pra ilustrar a mesa que o cliente veria assim que entrasse na loja. O bonequinho palitístico é pra ser o manequim.

Quinta-feira, mais tarde
Cheguei em casa morrendo de cansaço porque obviamente passei a noite em claro pra terminar o supracitado projeto. Agora tenho férias por uma semana e pra mim sinônimo de férias é essa linda imagem aí. Nesse dia eu fui dormir às 7 da noite e só acordei ao meio-dia na sexta (= férias).

Sexta-feira
Finalmente está começando a fazer calor aqui no hemisfério norte! Liberaram a piscina externa e eu nomeei minha semana de férias "projeto negritude". Quero/preciso ganhar uma corzinha de gente e provar para as minhas atuais conterrâneas canadenses que bronzeamento artificial é coisa para os fracos.

Sexta-feira, "estou me sentindo na caatinga brasileira"
É fato que o calor daqui é diferente do do Brasil, mas olha, é QUENTE também, viu. A temperatura na sexta chegou aos 31 graus. Derreti.

Sábado
Fui pra piscina de novo no sábado e nada melhor do que um camarãozinho depois pra completar o clima "férias". 

Madrugada de domingo
Mais uma foto de comida porque comida é coisa linda de tirar foto. Esse foi o meu lanchinho básico nessa madrugada: hamburgers que eu mesmíssima fiz e que, consequentemente, ficaram muito bons (sou ótima cozinheira né gentes)!

Todas essa fotos são publicadas durante a semana lá no Twitter, me sigam aqui

Que atividades vocês me recomendam pra essa semana de férias? 

20 de abril de 2012

A velha sem calcinha

Era o intervalo da aula e eu decidi ir até o mercado próximo ao prédio em que eu estudo comprar alguma coisa pra comer. Se eu tivesse ficado um minuto extra escolhendo a salada, não teria passado pelo que vou contar pra vocês.

O caminho de volta é curto, então quase que imediatamente após minha inocente saída do mercado, eu avistei a cena que em breve se tornaria parte da minha vida. Primeiro senti angústia, depois uma fisgada na minha veia cômica e logo em seguida, empatia com uma pitada de dó. A conclusão de todos esses sentimentos foi pura e simples: "se eu começar a olhar para o chão nesse exato momento, me tornarei invísivel e sairei intacta". Ledo engano.

Tratava-se de uma velhinha de cabeça branca e sobrancelha pintada de azul parada na frente da porta do prédio da faculdade que, naquele momento, representava apenas uma memória do mundo como eu o conhecia antes. A velhota tava claramente perturbada e parecia prestes a chorar. O motivo do desespero não ficou claro até que cheguei perto o suficiente para ver que, enroscada nos tornozelos ligeiramente fósseis dela, estava uma calcinha.

Horror. Comecei a suar frio porque a velha olhava pra mim com a mão estendida em pedido de ajuda e eu não simplesmente não tinha como fugir. "Quanto tempo será que ela já está andando com essa tenda de circo enrolada nas pernas, como é possível uma calcinha simplesmente cair da bunda de uma pessoa, será que eu estou pronta pra ver qualquer tipo de conteúdo que esse pedaço de pano malígno possa conter, se eu não parar pra ajudar quanto tempo será que essa velha ainda tem DE VIDA pra esperar por uma pessoa melhor que eu, por que diabo eu simplesmente não trouxe alguma coisa pra comer de casa" - pequeno exemplo das novecentas mil coisas que se passaram pela minha cabeça. Nisso, a velhinha já tava me explicando o que tinha acontecido há algum tempo e eu não tinha ouvido nem uma palavra depois do "help". Basicamente, ela estava andando e a calcinha caiu (!).

Abaixei. Segurei a calcinha branca (ufa, pelo menos não era amarela cor de bexiga não funciona há quinze anos) e olhei pra cima: "A senhora quer que eu tire ou puxe pra cima?", perguntei idiotamente porque ninguém me faria puxar aquele prévia de inferno pra cima. "Tira, por favor", ela respondeu se apoiando nas minhas costas. Contando essa história aqui eu ainda não consigo acreditar que realmente parei para resolver uma situação desse nível. O estado de nó em que aquela coisa se encontrava não dá pra ser explicado cientificamente e o motivo de eu estar de joelhos no meio da rua tentando ajudar devia ser desenhado na parede de alguma caverna pra ver se as civilizações futuras conseguem entender.

Tirei a calcinha da velha guiando os pés dela pra fora do nó enquanto ela se segurava em mim e o Apocalipse começava ao nosso redor. O esforço para não demonstrar muito radicalmente o repúdio que eu sentia por estar segurando propriedade íntima de uma velhinha aleatória foi grande, mas entreguei a calcinha  de volta pra ela com o melhor sorriso de compreensão que consegui projetar. Ela sorriu de volta constrangida e me agradeceu, se preparando para voltar a caminhar sabe-se lá pra onde.

Sem calcinha.

eu tirei a calcinha de uma velha no meio da rua

5 de abril de 2012

Inglaterrino?

Meu querido ser hermano resolveu vir aqui pra Toronto, visitar por duas semanas. E o que acontece é mais ou menos isso:

Minha irmã - Nossa Cintia, olha o sapato daquela mulher! (era horrível)
Eu - Credo, que coisa horrível!
Minha irmã - Deve ser da Inglaterra.
Eu - Da Inglaterra?? Como você sabe?
Minha irmã - Ah, o cara que tá com ela tem jeito de inglaterrano. Inglaterrino. Inglaterro?

...


27 de março de 2012

O louco do Tim Hortons

O Canadá tem uma versão canadense do Starbucks que se chama Tim Hortons. Os principais produtos são café, chocolate quente, donuts e muffins - mas as opções em si vão de sanduíches naturais a lasanhas. Além do cardápio, a grande diferença entre o Tim Hortons e o Starbucks é preço. Tim Hortons é agressivamente mais barato que Starbucks e vocês sabem o que isso significa: quanto mais barato mais gente louca (lembram do episódio do McDonald's?).

Bom. Eu já estava sentada e comendo (e queimando a língua com o chocolate quente como SEMPRE faço) quando percebi que a música alta nos meus fones não estava sendo suficiente para me ensurdecer completamente do mundo. "Tem alguém gritando", concluí. Tirei os fones e olhei em volta. Todos na fila estavam virados pra direções diferentes, ou olhando pro chão ou concentrados demais em seus respectivos celulares. "O que será que esse povo tá se esforçando tanto pra igno.."

- Vou ACABAR com o cérebro dele!!

"Ok, o negócio já tá nesse nível", pensei enquanto me situava, tentando entender se era briga, se era conversa pelo telefone (sempre adiciono essa possibilidade depois da louca do trem) ou se o cara tava mesmo falando sozinho.

- Como se tivesse algum cérebro lá pra destruir né... - ele estava falando sozinho - POR QUE ESSES DESGRAÇADOS NÃO CRESCEM? NÃO AGUENTO MAIS ISSO!! - e xingava. Muito.

Peguei meu caderno discretamente, me movimentando na mesma velocidade que seria necessária caso eu estivesse fantasiada de bife mal passado na frente com um leão africano que come há três semanas (também aprendi com o episódio do trem que não se pode deixar transparecer para pessoas loucas quaisquer sinais de que acho que são loucas). Comecei a anotar o monólogo para ter certeza de que não esqueceria dos detalhes.

- Não mais aguentar merda de NINGUÉM! ESPECIALMENTE DE GENTE SEM CONTROLE!!! (mencionei o fato de que ele tava gritando sozinho no meio de um restaurante cheio, né? risos)

Olha. Ele continuou xingando até a vez dele na fila chegar. Eu tentei mas não consegui descobrir do que exatamente ele tava reclamando. Ele comprou "menor café que você tem aí, dona" e foi embora em silêncio.



Gente sem controle é mesmo um problema né, seu moço? Beijos!

24 de janeiro de 2012

Palavras em Inglês que brasileiros simplesmente não usam direito

Apesar de eu não ser muito ~fã~ de uso de palavras em Inglês no meio do discurso em Português, vivo no mundo e sei que acontece. Algumas palavras inglesas são tão comuns no nosso vocabulário que as incluímos nas conversas sem nem perceber.

Uma coisa interessante sobre isso, porém, é que o fato das palavras serem em inglês não significa que elas são de fato usadas do mesmo jeito no dia-a-dia de língua Inglesa.

Fiquei pensando no assunto e consegui lembrar de três exemplos que aconteceram comigo.

Notebook - em Português a gente costuma usar esse termo para "computadores portáteis", mas aqui nas América do Norte o povo fala simplesmente "laptop". A primeira correlação que os estrangeiros tendem a fazer com a palavra "notebook" é "caderno" então, se você disser "notebook" se referindo ao computador, pode ser que não te entendam de primeira.

Outdoor - essa palavra no contexto em Inglês normalmente serve pra falar sobre atividades ao ar livre, fora de casa. Quando se trata das propagandas grandes pelas ruas, a palavra que usam aqui é "billboard". 

Pendrive - essa me colocou naquela situação de mútuo desentendimento algumas vezes. Todas as vezes que me referi ao coisinho USB como "pendrive", recebi de volta um olhar tipo:


Se você quiser evitar essa minha experiência, diga "USB drive" ou só "USB".

Vocês sabem de mais alguma palavra? Se eu lembrar de mais coisa eu faço outro post sobre isso! 

16 de janeiro de 2012

A coisa mais nojenta do ano

AÍ que eu estava no metrô e, sentada na minha frente, estava uma menina loira de olhos claros, lendo um livro. Aparentemente inofensiva e normal. Se não fosse o fato de que ela estava fuçando no nariz descaradamente. E COMENDO O QUE TIRAVA DO NARIZ. 





Af, que ASCO, Brasil. Foi o tipo de cena que eu sei que não serei capaz de esquecer tão cedo. Pensei em dar um berro de nojo e em seguida vomitar na cara dela, mas eu me encontrava num estado de choque tão absurdo que fiquei simplesmente paralisada. 

O que VOCÊ teria feito? Qual foi a coisa mais nojenta que você já presenciou?

23 de abril de 2011

Enquanto isso, aqui no hemisfério norte,

às poucas horas da manhã, toca o celular.

- Alô?
- Alô, gostaria de falar com o Ahriemdprvns.
- Com quem?
- Shriubsfmeni.
- Desculpa, acho que você ligou pro número errado.
- Ah, não é o número do Jurhdnsden?
- Não.
- Ah, tá. Desculpe-me por ter te acordado. Você tem uma ótima voz matinal, inclusive.
- ... Obrigada.
- Quer conversar um pouco? Qual é o seu nome?
- Cíntia e eu não que...
- Como?
- C-í-n-t-i-a e eu não quero conversar. Até.

Desliguei pensando:

1- Mas será possível que o cara tava dando em cima de mim por TELEFONE depois de ter me ligado por ENGANO à essa hora?
2 - Desde quando será que a minha voz matinal é ótima?
3 - Será que eu acabei de dar o meu nome pra um serial-killer?

Ficam as dúvidas aí pra gente refletir.

25 de março de 2011

Dicas de viagem - Canadá

Tadãm! Estou de volta ao Canadá (Toronto, ON) e nada mais justo que compartilhar com vocês um pouco da experiência. Dessa vez, vou dar umas dicas que gostaria de ter recebido quando vim pra cá pela primeira vez - então se você planeja vir para esses lados, pegue um caderninho e anote minhas palavras de sabedoria.

Traga adaptadores de tomada

Aqui, as tomadas são de "risquinho" em vez de "redondinhas" como as do Breisil. Dá um desespero enorme querer ligar alguma coisa na tomada, olhar para todos os cantos do quarto e do mundo e só ver essas tomadas de risquinho. Os adaptadores aí são bem mais baratos que os eu já vi por aqui. Inclusive, compre alguns porque esses negócios são mais perdíveis que a vida. 

No aeroporto, preste atenção nas placas e nas instruções que são dadas

Especialmente se estiver na área da imigração, para ser entrevistado. Aja naturalmente e com calma. Se tiver uma placa dizendo "Wait behind the yellow line", não espere EM CIMA da linha amarela ou na frente da linha amarela. Espere ATRÁS da linha amarela. Se lhe disserem para manter o passaporte e o cartão de embarque em mãos, faça isso. 

Depois de sair do avião, se você estiver meio perdido, siga a massa e procure por placas, tem placa pra tudo e é perfeitamente possível andar pelo aeroporto (que é gigante) se baseando nelas. Em último caso, procure alguém que trabalha lá, os funcionários estão sempre uniformizados e dispostos a ajudar. Por favor, não esqueça de ser educado - sorryexcuse me e thank you são expressões que todo mundo conhece, utilize-as.

Se possível, traga moedas para usar no aeroporto

Quando você chega, pode alugar um carrinho para colocar as malas e esse carrinho por enquanto custa dois dólares canadenses (que é a moeda maior, prata e dourada). Até tem um standzinho de câmbio, mas se der pra já trazer uns trocados em dólar canadense, sua vida fica mais rápida e fácil (e por mais rápida, entenda: você conseguirá um lugar melhor para esperar pelas suas malas e eventualmente se matar tentando tirá-las da esteira rolante do inferno).

Não gaste desperdice sua fortuna em casacos de inverno no Brasil

Se você estiver pensando em vir pra cá enquanto estiver frio, saiba que esse casacão lindo que você comprou no shopping e pagou um milhão de reais não só não vai te proteger do frio polar daqui como também vai ocupar um grande espaço de mala/mochila/vida que você certamente poderia usar para outra coisa. A dica para se proteger é vestir várias camadas de roupa durante os primeiros dias e deixar pra comprar as específicas para frio aqui. Mesma coisa para sapatos. Docíssima ilusão achar que essas botas grandonas daí vão servir pra andar na neve maldita daqui. 

Venha preparado para o clima seco, mas nem tanto

Traga um protetor para os lábios (manteiga de cacau, por exemplo) e algum tipo de creme para as mãos e para o corpo - acredite, não é frescura. O clima é realmente mais seco e isso dói se você não estiver preparado. Entretanto, deixe para comprar os produtos mais específicos aqui, porque eles são próprios para o clima e muito provavelmente mais baratos. Meninas (e meninos que se importam com isso), não exagerem na quantidade de produtos para cabelo na bagagem porque também não vale a pena. Tragam só o mais básico e comprem os cremes de hidratação e condicionadores aqui.

Vale lembrar que o baque que a mudança brusca de clima causa é real (externa e internamente) e o período de adaptação, pelo menos comigo, demora em torno de um mês. - Alerta de informação delicada: Informação delicada a seguir - Minha menstruação atrasou todas as vezes que eu vim pra cá e eu normalmente sou bem regulada. - fim da informação delicada -  Durante esse período de adaptação sua garganta vai ficar esquisita, bem como o seu nariz e sua pele, do rosto principalmente. O cabelo também costuma ficar uma bosta, mas tudo melhora depois.*

Caso sua viagem esteja programada para o meio do ano, tenha em mente que fará calor

Ao contrário do que muita gente pensa, aqui tem verão também - não exatamente como no Breisil (onze meses por ano), mas tem. Nesse caso, todos os conselhos que dei sobre roupas e sapatos de frio se invertem. Compre shorts, chinelos, biquinis e baldinhos de praia aí. São melhores, mais bonitos e mais baratos.

*se vocês quiserem um post mais específico sobre essas diferenças climáticas que eu senti, deixem nos comentários que eu escrevo. 

5 de setembro de 2010

Breisil

Então, gente. Eu estou de volta ao Brasil.

Estou esperando a renovação do meu visto (que pode chegar tanto daqui a uma semana quanto daqui a dez meses). Sem o visto apropriado eu até poderia trabalhar e estudar no Canadá, mas não legalmente. Então por enquanto ficarei por aqui e, assim que a resposta que eu estou esperando chegar, o próximo passo será dado.

Chatices explicatórias a parte, voltei para os meus amigos, família e é claro, para as comidinhas brasileiras que estavam fazendo falta lá no Pólo Norte da vida. O vôo de volta para cá foi ótimo, dormi um milhão de horas e, na parada em Toronto, gastei consideráveis dólares nas melhores maquiagens do universo.

Pisando em território brasileiro, a primeira coisa que me aconteceu foi derreter totalmente. Logo em seguida, tive certeza de que estava no país certo quando ouvi um fulano empregado da empresa aérea perguntando aos berros para o outro, do outro lado do corredor que conecta o avião ao aeroporto, se ele tinha visto o João. Ou seja, né.

Fui recebida por uma cheirosíssima feijoada e logo em seguida minha vó já me arrastou para o quarto porque precisava, naquele exato momento, colocar todas as coisas que eu carregava dentro das duas malas, que totalizavam aproximadamente 60kg cada, em seus devidos lugares. Imediatamente.

No mesmo dia, amigos vieram me visitar, recebi ligações no celular (que estava desligado desde o momento em que entrei no avião há oito meses atrás) e mensagens de boas-vindas. Ainda não encontrei nem metade das pessoas que quero ver, mas terei tempo de fazer isso.

Sobre o Canadations, minha jornada por aqueles lados ainda não está concluída. Tenho sérios planos de voltar para lá, valeu muito a pena todo esse tempo que passei na terra do maple (que eu particularmente não gosto - condenem-me o quanto quiserem, eu também não como queijo).

Tenho idéias legais para posts e o blog continuará firme e forte.

Para quem também conhece a minha irmã, personagem clássica por aqui, assistam ao vídeo novo, estrelado pela própria, no meu vlog. Ela ficou no Canadá para terminar o Ensino Médio e deixou um recadinho para quem quiser ver.

Por enquanto é isso - esperem pelo texto sobre o casamento da minha amiga. Esse promete.

3 de agosto de 2010

O trem

Lá estava estava eu, depois de considerável tempo sem contato com transportes públicos em geral, sentada solitária e silenciosamente indo de um lugar da cidade para o outro via trem.

O trem pára, as portas se abrem e a louca entra. A primeira impressão foi magnífica já que aparentemente a mulher estava berrando consigo mesma. Logo vejo, porém, que estava usando fones e que segurava o celular na mão. Pelo menos estava gritando com alguém

Um minuto de insanidade telefonística depois, ela finalmente finalizou a ligação - mas não sem antes pronunciar cada letra de todos os xingamentos que eu já conhecia e de mais alguns que passei a conhecer depois do episódio. Com o trem em movimento, ela levantou e andou em direção às portas. Socou as portas com ambas as mãos. Manteve a cabeça baixa por dois segundos e se virou para mim. "- Pronto, morri", pensei. Acho que na verdade ela não tinha nem sequer notado a minha presença até aquele momento:

"- Desculpa, acabei de terminar com o meu namorado" - ela disse, sentando-se novamente.

Sem comentários. 

As portas se abriram de novo. Duas meninas entraram e sentaram-se logo atrás da louca, um pouco mais para frente de onde eu estava. Mal sabiam o que estava por vir. 

Eis que um cara apareceu. Do fundo do vagão, direto para as duas meninas que tinham acabado de chegar.

"- E aí? O que vocês vão fazer hoje, mais tarde?" - falou ele, com aquele ar de azaração.

Antes delas terem a chance de responder, a louca disse:

"- Sai fora, cara. Elas não querem conversar com você"
"- Como você sabe se elas nem responderam ainda?" - ele retrucou.

Momento de tensão.

"- Ah é?! Meninas, vocês estão interessadas nesse idiota?" - indagou a louca.
"- Ah, ele parece gente boa" - disseram as meninas, contrariando os ensinamentos maternos de não falar com estranhos mentalmente instáveis.
"- Desculpa então, casem-se, tenham filhos e sejam felizes. Argh" - disse a louca, contrariada.
"- Bem feito. Cuida da sua vida" - respondeu o cara, perdendo uma ótima oportunidade de ficar calado.

Nessa hora a louca simplesmente levantou, e indo em direção a ele, gritava:

"- O quê?! Não, vem aqui. Eu vou quebrar a sua cara. Quem você pensa que é?! Eu vou QUEBRAR A SUA CARA!"

Empurrou, chutou e estapeou o infeliz - que justamente quando estava começando a reagir para dar uns tapas na mulher, foi parado por uns cinco outro homens que surgiram do além.

Mas homi que é homi não deixa barato. Um dos cinco, depois de ter separado a louca do primeiro idiota, virou para ela e, obviamente depois de muita reflexão disse:

"- Vai sentar, sua vadia doida. Você é louca!"

E foi aí, caros leitores, que choveu canivete. Fogo por todos os lados, infestação de insetos, tsunamis e furacões:

"- O QUÊ? EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FALOU ISSO! EU SOU UMA VADIA LOUCA?! EU VOU MOSTRAR PRA VOCÊ QUEM É A LOUCA!"

A mulher foi para cima do cara furiosamente, estapeando e socando a cabeça dele, enquanto os outros amigos assistiam, hesitantes - meio que entre se proteger de eventuais golpes e tentar ajudar o amigo. 

Contei que ela era meio gorda e tava com a metade da bunda aparecendo? Lindas imagens, viu pessoal. Definição de classe e elegância, sem dúvida.

A história termina com os caras descendo do trem, ainda xingando e sendo xingados. Depois que todas as portas estavam fechadas, o que tinha apanhado mais não conseguiu evitar de fazer uma última memorável aparição, batendo no vidro da janela e falando o que eu imagino terem sido lindas palavras.

O silêncio estabelecido assim que o trem entrou em movimento foi provavelmente a parte mais constrangedora da coisa toda. A louca sentou, respirou fundo e virou-se para as meninas, que mal se mexeram durante o barraco:

"- Eu tenho dois filhos, sabe. Não costumo ser assim violenta".

Assim violenta, não. Só uns chutes esporádicos na cara de pessoas aleatórias.



Moral da história: Evite dizer que pessoas loucas são loucas.

8 de julho de 2010

Mullets

Uma coisa que eu perdi esse ano por não estar no Brasil foi a Copa do Mundo. Tudo bem que nem acabou ainda e que eu assisti a alguns jogos (afinal, televisão é uma coisa que existe, né?), mas não é mesma coisa. Aqui ninguém grita "goooool" até a última veia do pescoço estourar, sabe?

Na verdade, eu nem gosto de futebol. Os possuidores do gene assistidor futebolístico na família são o meu vô, que assiste todos os jogos internacionais, nacionais e de bairro, e o meu primo que desde quando aprendeu a falar sabe todos os nomes de todos os jogadores de futebol que já cuspiram nojentamente nos campos de futebol do mundo. E só. 

Eu demorei um bom tempo para processar que os Ronaldos não estavam jogando e que o Dunga era o técnico do time. Ainda não sei o motivo de nenhum dos dois fatos, mas não vem ao caso. Sou torcedora de quatro em quatro anos e admito isso sem maiores constrangimentos.

Reclamo, porém. Assisto pouco futebol, mas quando dou o ar da minha graça, gostaria que tudo fosse como deve que ser. Isso inclui Galvão Bueno falando asneira, por exemplo. Futebol narrado em inglês é outro esporte. O nome dos jogadores vira "Louciow", "Robiña" e "Louis Fabienow". Inclui meu pai dormindo/descascando laranja. Rojões intermináveis. E vuvuzela, então? Eles nem sabem pronunciar a palavra decentemente. Foi frustrante.

"Foi" porque para mim, se o Brasil perde não há motivo para continuar perdendo tempo assistindo jogos. Diga-se de passagem, não deu nem tempo de eu me dar ao trabalho de fuçar nas roupas para ver se encontrava algo verde e amarelo para vestir. Três míseros jogos dos quais eu só não me arrependi de ter assistido um. Enfim.

A última coisa que vou deixar aqui para reflexão é na verdade uma pergunta: Por quê o Maradona ainda não cortou aquele cabelo?

19 de junho de 2010

Fome

Essa parte da minha vida sempre foi meio irregular. Às vezes simplesmente não tenho fome e às vezes eu acordo faminta e como muito (e quando eu digo muito eu quero dizer muito). Nos dias de não-fome eu poderia passar o dia todo sem comer e não me sentiria mal.

Agora, o assunto que eu realmente vim aqui para tratar é o dos dias de famintice. Normalmente, o que acontece é que nesses dias eu viro grávida. Tenho vontades específicas de coisas que eu quero comer e não sossego até conseguir. 

As vontades costumam envolver McDonald's, saladas (hmm, palmito) e ultimamente os gostosinhos sushis. Vale dizer que os desejos alimentísticos são em geral coisas não muito difíceis de conseguir. O problema hoje em dia é o Canadá. Minhas vontades têm limite aqui. 

Tipo, que fazer com as vontades de feijoada, coxinha, pãozinho francês, esfiha de carne, frango assado da padaria, pizza de calabresa, feijão da minha mãe, almôndega da minha vó?! Nada disso existe direito nesse país. Pizza de calabresa que seria coisa simples, por exemplo, blargh. A calabresa simplesmente não tem o mesmo gosto, é frustrante. 

Ontem, a opção era ou uma receita online de coxinha ou uma passagem de volta para o Brasil. Considerando os preços, concluí que a receita seria mais acessível. Depois de todo o longo e interminável processo de desfiar até o bico do frango, fritei as coxinhas. Ficaram boas, até. Estou de parabéns.

A moral da história é que agora eu cozinho as coisas que quero comer. E, preciso dizer, o mais surpreendente de tudo é me pegar realmente interessada em discutir receitas com a minha mãe.

27 de maio de 2010

Coisas que as pessoas não falam sobre o Canadá 2

Continuação da série, porque afinal, eu sou sua fonte das verdades canadenses.

O tempo é seco
Eu sinceramente achava esse negócio de reclamar do clima, especialmente dizendo que o tempo não-sei-onde é muito seco ou muito úmido, era frescura de gente que viaja para fora ("frescuras de quem viaja para fora" vai ser tópico de post em breve). Mas não é. Eu não senti todos os lugares que fui, mas quando eu vim para cá a primeira vez, minha pele secou mais que o nordeste em tempos de verão nesse planeta efeito-estufado. O cabelo então, benzadeus - selvagem. E não tem creminho brasileiro que resolva, tem que comprar as bugigangas aqui. A maior prova de tudo foi quando eu voltei para o Brasil - parecia que eu estava respirando água.

Todo mundo fala inglês
Parece óbvio, mas quando você vê mendigo pedindo dinheiro em inglês, a realidade te atinge. Bebêzinhos também. Não dá para evitar aquele pensamento de fração de segundo "- nossa, que inteligente essa criança é falando inglês tão novinha".

Você passa a ter certas dificuldades com o seu idioma original
Também achava que era frescura. Mas depois de um certo tempo de lavagem cerebral (você, um pedaço de pessoa cercado de inglês por todos os lados), quando você conversa em português com alguém, esquece umas palavritas aqui e ali, muda a ordem dos adjetivos e essas coisas. É meio constrangedor, porque fico achando que a pessoa com quem eu estou conversando está pensando que eu estou de frescura-de-quem-viaja-para-fora, sabe? Aí, em vez de procurar a palavra que eu não estou encontrando, eu fico tentando adivinhar o que a pessoa está pensando, demorando, assim, pelo menos o dobro do tempo para voltar a falar.

Canadense acha que tangerina é laranja
Todas as frutas com potencial para serem laranja, eles descascam como se fosse tangerina. Eu não sei se com um certo esforço, dá para descascar laranja como se fosse tangerina. Para mim, laranja tem aquela casca grossa, que a gente tem que usar faca para descascar (coisa essa que eu nunca fui capaz de fazer, diga-se de passagem). Então me resta a dúvida se somos nós, brasileiros, que separamos laranja de tangerina inutilmente, ou se os canadenses são mais espertos que a gente, descascando igual tangerina tudo que dá. Questionamentos, questionamentos.

25 de maio de 2010

Peculiaridades gastronomicas

[de volta à programação normal - com acentuação decente]

Estar em território estrangeiro me fez perder certas* frescuras comidísticas.

Quando inauguraram o Subway no Brasil, todo mundo enlouqueceu no melhor estilo nossa-como-vivi-sem-isso-até-ontem. Filas dignas de McDonald's, povo com cartãozinho "depois de dez ganhe um de graça" etc. Eu não gostava nem de passar perto, odiava o cheiro.

Minha tia me fez experimentar sushi uns anos atrás. Quase vomitei na mesa. Educadíssima, eu. Saí correndo direto para o banheiro, cuspir o nojo na privada. Alguma coisa naquele negócio preto grudento (que depois vim a descobrir ser chamado de nori - algas marinhas em forma de papel preto gosmento comestível) com aquele arroz sem gosto em volta de tudo cru que vinha no meio - simplesmente não dava. 

Daí né, gentem - agora eu gosto. Tudo bem que ainda não tive muita coragem para tentar os peixes crus mais hardcore e que sempre peço a mesma coisa no Subway, mas já é um avanço.

*Mãe, antes que você se empolgue, veja bem - perdi certas frescuras. Ainda não como queijo.

23 de maio de 2010

Que saco

Eu tenho pelo menos uns cinco assuntos diferentes para postar, mas nao vou porque o carregador do meu computador resolveu que aquela vida nao era para ele e morreu. Ai eu liguei para quem eu tinha que ligar e eles vao mandar outro "de tres a cinco dias uteis". Desde o comeco da semana passada, inclusive. E segunda-feira eh feriado aqui. Argh.

Eu ate poderia continuar postando mas o problema eh que teclado de computador estrangeiro nao tem acentuacao apropriada e isso me enlouquece. Eu SEI que da para mudar a configuracao, mas nao quero porque esse Mac dusinferno nao eh meu e porque eu quero escrever no blog quando estiver do meu proprio computador.

Eh frescura mesmo, mas como diria a minha tia, o blog eh meu e eu faco (fasso) o que eu quiser.

Nao sei se fico com mais raiva do computador ou da Lingua Portuguesa.

Hei de voltar em breve.

14 de abril de 2010

Coisas que as pessoas não falam sobre o Canadá

Já estou aqui há algum tempo - preciso compartilhar.

Todas as frutas de sementes chatas são sem semente

Uva, melancia, laranja. Peixe também não tem espinha. E espinha em inglês é bone. "- Esse peixe tem osso?". Para mim a resposta disso é óbvia, mas osso aqui é espinha. O que não significa que pessoas têm espinhas em vez de ossos.

Neve escorrega

Neve é gelo e gelo é água (não só no Canadá, mas enfim). Quando neva muito, uma camada de gelo cobre tudo (chão, telhados de casas, carros, bois etc). Se você pisa nesse gelo, seus pés afundam imparavelmente, molhando suas pernas e meias. Durante o dia, se a temperatura sobe, parte da neve do chão derrete, transformando o que antes era fundo e macio em uma fina camada de textura realmente parecida com a do gelo de geladeira. Se você pisa nesse gelo, seu traseiro é o próximo a conhecer a neve.

Todo mundo sabe patinar no gelo

Irrita porque é difícil e os pequenos vão a 150 km/h na pista de patinação sem dó enquanto você não consegue nem se manter em pé. Patinar no gelo é tipo andar na neve que eu estava descrevendo acima, com a única diferença que você calça um fino pedaço de ferro para se equilibrar.

Eles tomam banho de manhã

Quando a gente ia dormir sem tomar banho minha mãe dizia que a gente estava indo dormir de "porquinhas". Tudo bem que tecnicamente eles já tomaram um banho no dia, mas foi antes de tudo acontecer. E se a pessoa caiu em um rio de bosta? Essas coisas acontecem na vida.

Coelhos correm no meio da rua

Civilização, carros, bicicletas e coelhos. Não sei se sou eu, mas um dos elementos do grupo simplesmente não pertence.

Apesar de derretível, neve não simplesmente desaparece

Todos os dias que neva, cada um é responsável pela limpeza da própria calçada (na ruas um caminhão passa para limpar). Caso haja neve na calçada de determinada casa, o correio pode se recusar a entregar cartas lá ou o governo municipal simplesmente multa os moradores. Não pelo correio, obviamente.

Canadá tem várias celebridades

Quando cheguei aqui, achei que eles não tinham ninguém famoso. Falta de cultura minha. Descobri que todo mundo é canadense. Avril Lavigne, Jim Carrey, Nelly Furtado, Michael Buble. Até time de basquete decente eles têm - Toronto Raptors. Link da lista aqui. É todo mundo canadense, gente.

Cinema é caro

No Brasil eu já achava absurdo. Aqui é o dobro. Pipoca então, nem se fala. Feita de ouro. Cinema para duas pessoas, com pipoca e refrigerante dá quarenta e cinco dólares. Sério.

Conforme o tempo for passando, eu vou achar mais coisas. Faço questão de ser sua fonte de verdades canadenses.