26 de agosto de 2012

Minha semana em fotos #9

Quase um mês depois do último post dessa série, estou de volta com minhas fotos da semana. Misturou falta de tempo, preguiça e a descoberta que meu blog tem um público internacional gigantíssissimo. Acabou que fiquei sem postar. Mas voltei, e aí pra não deixar o tempo que passou completamente esquecido, selecionei as fotos com mais história pra colocar o blog de volta na rotina. O único problema é que não lembro os dias exatos, então vou usar o contador de tempo esquisito do Twitpic, mesmo.

"37 dias atrás"
Acabou meu Sabor Ami! Quando vim pro Canadá, meus avós me deram vários tipos de temperinhos pra arroz e feijão (inclusive dois pacotes de 2kg cada um de arroz e feijão). Existem outros aqui, óbvio, mas Sabor Ami, especificamente, não achei ainda. É o melhor e eu preciso de mais! 

"36 dias atrás"
Fui no supermercado e fiz uma sessão interativa de compras pelo Twitter (risos). Perguntei o que meus seguidores tinham curiosidade de ver num supermercado estrangeiro e uma das coisas que me pediram pra tirar foto foi do folheto de promoções. Acho que não é muito diferente dos daí, né?

"36 dias atrás"
Essa foi outra coisa que pediram pra ver. Aqui no Canadá quase todos os supermercados têm uma opção chamada "self-check". São várias máquinas que permitem que você passe suas próprias compras, empacote, pague e pegue o recibo - tudo sem precisar socializar com a mocinha mal-humorada do caixa. Coisa linda! Já tem isso aí? 

"25 dias atrás"
Água de côco é outra coisa difícil de achar aqui. Na verdade, não é difícil achar, é difícil achar uma que seja boa. Elas costumam vir com açúcar e "pedaços de côco", horrível. Essa marca que eu mostro na foto, a mais cara dentre todas (claro né, tem que ser), foi a primeira que me agradou - o gosto ainda não é 100%, mas tá quase. 

"14 dias atrás"
O Greg resolveu aprender a falar português. Ele achou esse programa (bem legal, diga-se de passagem) e toda hora que algum tipo de intervalo acontece na vida dele, ele continua o estudo de onde parou. Agora ele finalmente passou da fase "eu sou uma menina / eu sou um menino" pra "onde você mora / onde você trabalha". Duro é ter que explicar conjugação de verbo no meio do dia, via mensagem de texto, porque ele resolveu estudar um pouco no escritório. 

"12 dias atrás"
Só pra reclamar da chuva, mesmo. Não chove muito aqui mas quando chove dá uma preguiça de viver que dói.

Terça-feira (só sei porque tá escrito na foto)
Acho que esse foi o mesmo dia da foto da chuva. Eu saí da faculdade mais cedo e quando cheguei em casa, me deparei com esse aviso do inferno. Lembram desse post em que eu praticamente anuncio meu suicídio incendiário? Então. 

Sábado passado
Sempre tem que ter uma foto de comida. Fazia muito tempo que não preparava uma janta completa com direito a feijão com bacon e tudo. Fiz tilápia (cuja receita eu já fiz até em vídeo, de tão boa) arroz e saladinha de alface. 

Segunda-feira
Já reclamei aqui no blog sobre iogurte congelado fazer parte de modinhas alimentísticas e não ser nada demais além de... bom, iogurte "congelado" que se não tivesse em evidência por causa dosmodinha, ninguém ia querer saber. Eu passava por filas grotescas nos shoppings aí no Brasil, logo antes de voltar pra cá, e não acreditava que a galera esperava e pagava tanto por iogurte de gosto neutro com coberturas frescas. Tudo mudou recentemente. Eu tava meio louca pra achar sorvete de côco (gosto de côco, já deu pra perceber?) e não conseguia achar sorveteria nenhuma que vendesse. O Greg sugeriu que entrássemos nessa "iogurteria" nova e eu, toda cheia de preconceito e "até parece que vai ter o que eu quero " entrei no paraíso. Eles vendem vários sabores diferentes (côco sendo um deles), um milhão de opções de cobertura e, veja bem, por um preço barato! E é iogurte low-fat blá blá saudável melhor pra saúde que sorvete! Virei sócia, gente (mentira, mas tenho cartão de cliente).

algum dia do meio da semana
Só uma foto bonita do final de tarde bonito (às oito e meia da noite).

Ontem
Não lembro exatamente como, mas entrei numa lista de platéia de programas de TV e essa semana me chamaram pra ir ver a gravação de um programa de culinária, daqueles que times de chefs competem entre si (são meus programas favoritos de TV, inclusive). Resolvi ir pra ver como era, e foi como se estivéssemos num restaurante chique, só que com um monte de câmeras e luzes cegadoras em volta. Essa sou eu lá, fingindo que gosto de beber vinho enquanto esperava minha comida chegar.

E essas foram as principais fotos desse tempão que fiquei sem postar! As outras estão aqui! Gostaram? Volto essa semana com o post atrasado dos filmes do mês passado e desse, que tá terminando tão logo! 

24 de agosto de 2012

O mundo contemporâneo da paquera

Entrei no Tim Hortons sabendo que ficaria no restaurante durante bastante tempo uma vez que meu intervalo era de quase três horas. O que eu não sabia era que sairia de lá acompanhada. 

Pedi meu sanduíche favorito e o clássico chocolate quente que tanto me apetece. Sentei. Como o chocolate vem quente mesmo, sempre abro a tampa do copo pro negócio esfriar logo e eu não queimar meu bico (o que sempre acontece independentemente dos meus esforços). Eu tava na metade do sanduíche quando um cara apareceu na frente da minha mesa e pediu pra sentar-se comigo. Olhei  ao redor achando que o pedido era só desculpa pra começar conversa fiada, mas o restaurante tava realmente cheio. Disse que tudo bem e ele sentou. 

Olhei direito pra cara do cidadão e, apesar dele estar sorrindo e ter um cabelo extremamente limpo, me veio aquele sentimento meio desesperador de "esse cara tem jeitinho de louco, socorro". Ao lembrar de que estávamos num lugar público e que a coisa mais homicida que ele poderia fazer naquela situação seria me tacar um café na cara, concluí que não seria assassinada imediatamente e mantive a calma.

Ele olhou pro meu chocolate quente e perguntou: "- Não gosta de café?" 
"- Não, café não tem efeito nenhum em mim", respondi honestamente.

Ele fez cara de choque e eu de "pois é, e daí?". Foi então que ele disse com olhar de sedução "- Até o fim dessa conversa, você vai ter mudado sua opinião sobre café". Pior é que não posso nem dizer que ele tava errado, vai lendo. 

- Café me dá energia, teve um dia que eu tomei um tanto e saí correndo na rua de madrugada. Aquele dia corri mais de doze quilômetros - ele disse, orgulhoso. E quem não quer sentir vontade de correr 12km no meio da noite? 
- É, pra mim não faz efeito - e continuei comendo. 

"Que papo", pensei. "Mulheres solteiras em tudo quanto é canto devorando revistas e sites com 'dicas pra primeiros encontros' sendo que primeiros encontros são isso". Cheguei à conclusão de que não só seria completamente honesta sobre tudo que ele me perguntasse, como também perguntaria tudo que me viesse na cabeça. Sem filtro e sem seguir as top setecentas mil dicas de primeiro encontro. 

- De onde você é? - ele perguntou.
- Originalmente, do Brasil - respondi interessada na reação.
- Sério? Pensando bem faz sentido. Todas as mulheres brasileiras que eu já conheci me passam essa sensação de calma, de paz. Conversam normalmente, sem querer me ofender. Outro dia, a mulher mais bonita que eu já vi na minha vida passou perto de mim na rua. Ela tava com uma amiga mas mesmo assim eu fui atrás pra falar oi, sabe? Nossa, não sei o que aconteceu mas a amiga começou a me xingar e dizer que eu era ridículo. Eu xinguei também e virou aquela coisa. Horrível.

Sem querer necessariamente confirmar meu preconceito contra a população jovem do universo, perguntei a idade dele (25) e o que fazia da vida (nada). "- Seus pais te bancam, então?", perguntei. Ele disse que não, que tinha juntado dinheiro do trabalho anterior. A conversa foi indo desse jeito meio travado (não cooperei nem um pouco) e de repente meu celular tocou. Eu atendi e ele colocou um par de óculos de natação na cara. 

tipo isso
Quando eu desliguei, não precisei perguntar. "- É moda nos Estados Unidos. Os caras saem com os óculos assim meio de lado (colocou os óculos de lado) e uma touca de mano. Estilo, né?" (não) "- Bom, vou te comprar um café", ele disse já se levantando. Mesmo depois de, no começo da conversa, eu ter explicado que Brasil é o país do café, que cresci vendo meu vô tomar COPOS de café preto diariamente, que eu já até tentei me fazer gostar do troço. Acho que eu poderia ter dito pra ele que eu trabalhei na senzala colhendo e mastigando sementes de café e ele ainda estaria me oferecendo o do Tim Hortons, porque "o café do Tim Hortons é melhor".

Voltou com um copo de café com leite (sim, todo esse tempo ele tava falando de café com leite). Esqueci de agradecer e quando percebi ele tava com o olho cheio de lágrima me contando sobre a ex-namorada. Era peituda e sempre parecia querer liberdade. "- Quando eu estou num relacionamento, costumo ser meio... intenso", ele disse.

Pausa pra dica de semântica do dia: se um cara fala que é "intenso" referindo-se à um relacionamento, ele tá usando código pra dizer que é louco mas acha que tudo bem ser louco porque te ama tanto que melhor você ficar acorrentada no pé da cama enquanto ele sai pra comprar leite. Corre.

Eu perguntei como o namoro tinha terminado e ele contou que não lembrava direito (sei) mas achava que tinha dito umas coisas ofensivas pra menina por telefone "- ou talvez tenha sido num shopping", porque ela queria sair com as amigas e ele queria que ela ficasse com ele naquele dia. Normalzíssimo.

- Sabe, eu tenho poderes psíquicos. Sei exatamente como será o seu futuro - ele disse - Posso te dizer o que eu acho?
- Diz.

Ele disse que eu tenho potencial para uma vida com muito dinheiro se eu tiver coragem de "ousar", mas que se não, viverei confortavelmente. Começou a falar sobre minha criatividade e mais um monte de coisa que me deixou meio assim porque como ele sabe que eu gosto da área criativa da vida? Tive que perguntar.

- O jeito que você mexe as mãos é jeito de gente criativa, o que é interessante porque eu sou assim também.

Uma das maiores observações sobre essa conversa inteira foi que eu realmente não falei quase nada pra ele sobre mim. Sabe aquele mito de que mulher fala demais e homem só ouve "bla bla bla comida bla bla peitos"? A única vez que eu ameacei começar a falar alguma coisa sobre a minha vida/opinião foi nessa hora - e ele me interrompeu dizendo que precisava ir ao banheiro.

Fiquei sentada lá, observando a chuva forte que tinha começado a cair e pensando que ainda faltava um tempão pro meu intervalo acabar. "Como eu vou me livrar desse cara, agora?!".

Ele voltou meio (mais) esquisito e proclamou o seguinte enigma: "- Quase tive que fazer xixi com as mãos nas costas".

Não entendi o que ele quis dizer com aquilo e, inocente demais pra minha própria saúde mental, perguntei: "- Como assim?!"

- Sabe como é, faz muito tempo que eu não tenho uma mulher. Estou meio... sensível.

O meu estado de incredulidade ao finalmente entender que ele se referia ao próprio pênis é indescritível.  Tipo, OI? Estamos conversando há meia hora, você previu o meu futuro e agora está me falando sobre a sua dinâmica urinal prejudicada por motivos homo eretus? Por favor né.

BOM. O ocorrido tirou minha concentração no processo de inventar um motivo pra sair de lá e, quando  o momento de choque passou, eu ainda não tinha conseguido pensar em nenhuma desculpa pra ir embora. Aí lembrei que o meu salão de cabelereiro favorito era perto de onde eu estava, e se tem uma coisa que homem não tem interesse nenhum é passar horas em salão de beleza, certo? Errado. Na hora em que eu mencionei as palavras salão, ir, cabelo e fazer, a resposta dele foi nada mais, nada menos que "- Adoro salão de beleza". Pediu pelo meu celular, ligou pra um salão do amigo dele e pediu pra marcar um horário pra mim. Quase gritei que não, obrigada e disse que iria no meu mesmo.

- Posso te acompanhar?
- ... pode, respondi. Ia falar o quê?

Andamos um pouco (ainda estava chovendo e ele não só insistiu em segurar o guarda-chuva pra nós dois como também começou a cantar N'sync no meio caminho). No fim eu, sempre perdida, acabei levando a gente de volta pro lugar onde eu estava trabalhando e, como ele não poderia entrar lá, acabou que constrangedora hora de dar tchau chegou prematuramente.

Gente, sério: melhor parte da história. Tão preparados?

Ok. Todo mundo sabe que nesse mundo de tecnologia avançando, a comunicação entre seres humanos muda um pouco mais a cada dia. Mas quem diria que o milenar truque do número de telefone errado um dia seria derrotado?! Pois é, descobri que foi.

Ele pediu meu número. Cogitei dar o número errado, mas como eu tava encarando o evento inteiro mais como um experimento como qualquer outra coisa, pensei que não faria diferença e que na verdade seria interessante esperar pra ver se ele realmente me ligaria ou não. Dei o número certo. EIS a nova técnica distraída de verificação telefônica: ele colocou o número no celular dele, olhou pra mim e falou "- Te mandei uma mensagem, você recebeu?". Eu disse que sim e ele rebateu no mesmo segundo: "- O que diz a mensagem?"

NÃO É INACREDITÁVEL?!

E se eu tivesse dado o número errado mesmo? Quão constrangedor teria sido não saber responder uma pergunta tão simples?! Além de ser pega no flagra, ainda teria que me explicar na mentira!

err...
Boquiaberta com a inesperada esperteza do indivíduo, li a mensagem que ele tinha me mandado em voz alta. Ele sorriu, disse que me enviaria outra logo e eu entrei no prédio, ainda sem acreditar na nova técnica do mundo contemporâneo da paquera.