27 de novembro de 2011
Vida de dona de casa
Estou morrendo de fome e então saio do quarto pra comer alguma coisa. No meio do caminho, tiro o pó, levo o lixo pra fora, tiro a louça da máquina de lavar, guardo tudo no lugar, recolho dois pratos que estavam em cima da mesa, volto para o quarto e... esqueci de comer.
25 de novembro de 2011
Sobre o meu último ano de Ensino Médio
Então me pediram para escrever sobre meu último ano de escola e é sobre isso que eu vou escrever!
Bom, eu ainda não decidi se tenho um problema de memória ou se sou apenas meio defasada no sentido mental da minha existência, mas eu não lembro de muita coisa. Por isso vou contar as partes principais e provavelmente mais importantes (uma vez que não lembro das outras partes e se não lembro é porque não traumatizei e se não traumatizei é porque não foi importante). Vamos lá.
Não estudei para o vestibular
Calma. Lê a história primeiro.
Logo que o terceiro ano começou, vieram fazer a lavagem cerebral sobre cursinho. Cursinho é importante, cursinho complementa, nosso cursinho é o melhor, faça o nosso cursinho. A princípio até me deu vontade de fazer (aparentemente todos os professores são muito mais legais e divertidos no cursinho) mas meus pais não tinham dinheiro pra bancar e eu também não tava muito aí pro terror todo que eles queriam me fazer sentir sobre o vestibular. Até perto do final do ano, eu tava certa de que faria jornalismo e sabia que se não tinha aprendido física até aquele ponto, não seria passando noites em claro olhando pra números e letras totalmente aleatórios (física nunca foi pra mim) que eu aprenderia alguma coisa.
O que eu fiz bastante foi simulado. Sempre tirava em torno de 60% porque nunca conseguia chegar até os 70% da prova sem querer mandar tudo pro inferno e sair logo da sala. Com base nisso, concluí que se eu realmente me desse ao trabalho de prestar completa atenção em 100% da prova, possivelmente conseguiria uma porcentagem passável na prova de verdade.
Antes que você pivete chame sua mãe pra mostrar esse texto, justificar sua vagabundice e dizer que se eu consegui você também consegue, saiba que sempre fui nerd (no sentido 1997 da palavra). Nunca fiquei de recuperação, não costumava tirar notas baixas, sempre me garanti. Com base nos meus erros nos simulados, às vezes ia tirar umas dúvidas com os professores, procurava pela resposta certa e esse tipo de coisa. Mas essa foi toda minha preparação para o vestibular.
No fim, mudei de ideia sobre o curso que queria fazer, mas já era tarde demais porque minha inscrição pra Fuvest tinha ido com jornalismo como primeira opção e alguma outra coisa muito absurda como segunda. Sinceramente não lembro o que foi a segunda, mas com certeza não foi Letras (até porque Letras não era uma opção sequer remota na minha cabeça até aquele ponto). Não passei na USP pra Jornalismo - evidentemente não lembro quanto eu tirei, mas lembro que se tivesse escolhido Letras eu tinha passado - e também pudera, quando prestei a Fuvest, eu já sabia que tinha passado no curso que eu queria fazer (e fiz) em outra faculdade e portanto aquele meu plano de prestar 100% de atenção na prova simplesmente não ocorreu.
Finalmente passei a ser mais confiante
Além de ter feito certas coisas inescrevíveis e que não vêm ao caso porque esse é um blog de família, finalmente passei a ter mais confiança na minha própria pessoa. Cantava com uma amiga nos intervalos (minha escola tinha a maior produção musical nos intervalos), tinha mais amigos na sala, praticava meus esportes e bom, era feliz. Na verdade foi a partir do segundo ano do ensino médio que as coisas começaram a ficar mais legais - não que antes fossem ruins (sétima série foi uma das piores), mas alguma coisa aconteceu que melhorou. Talvez tenha sido o fato de que duas meninas apareceram grávidas do nada - ou então apenas o fato de eu ter descoberto as maravilhas que secadores de cabelo podem fazer com um ser humano.
Outras coisas
Acabei de perguntar no Twitter e no Facebook o que mais vocês (leitores e seguidores queridos do meu coração) acham difícil sobre o ensino médio. Nem tudo que vocês disseram foram coisas pelas quais eu passei, então vou dar pitacos:
- o ato de ir para escola
Realmente é uma chatice. Sempre estudei de manhã e sempre odiei acordar cedo. O esquema é deixar as coisas arrumadas pra levar na noite anterior, deixar o uniforme perto da cama (se não já dormir pelo menos com a calça, pra ser mais rápido de manhã - todos fazem isso), lavar a cara com água fria quando acordar (mesmo quando estiver frio, não seja fresco), comer alguma coisa boa antes de sair e sair.
- pais e professores enchendo o saco ao longo do ano inteiro
Seja sincero com você mesmo e com as pessoas ao redor. Sério. Se você não sabe o que quer fazer porque realmente tá na dúvida sobre o escolher, converse com alguém legal de conversar e peça ajuda. Se você realmente é preguiçoso e não tá nem aí com a vida, você que tá errado né filhão, ou aguenta a encheção ou resolve o problema. O ano passa rápido e deve ser muito ruim perceber só depois que você ficou pra trás.
- o que acontece com o namoro
Cada caso é um caso. Dos meus amigos e conhecidos, uns terminaram e outros continuaram firmes e fortes. Eu sou meio cética sobre namoro a distância (caso um dos dois vá estudar em outra cidade), mas não digo que é impossível. O osso é que tem pessoas que a partir do momento em que entram na faculdade, entram também num clima que supostamente é o ~clima de faculdade~ (beber, sair, ficar com um milhão de pessoas diferentes nas festas etc). Eu sempre achei isso idiota e feliz ou infelizmente, vai de cada um. Conversar bastante com o(a) namorado(a) é a minha sugestão.
- medo de repetir de ano
Eu nunca passei por isso (ainda bem), mas até como professora, meu conselho é que você seja claro e objetivo tanto sobre as suas dificuldades quanto sobre o que você pode fazer pra superá-las. Professores não vão recusar uma ajudinha extra, e se recusarem, você pode ir conversar com algum coordenador ou até o diretor da escola. Assim, as pessoas saberão que você está tentando fazer o melhor que pode e, se mesmo assim der merda, os professores vão ser bem mais suaves na hora de decidir o seu futuro escolar. Professores sabem a diferença entre quem tem dificuldade (mas se esforça) e quem é relaxado.
- distância dos amigos depois que a escola termina
Isso vai totalmente de você e dos seus amigos. Eu mantenho contato com grande parte dos meus amigos da escola, e quando ainda estava no Brasil a gente sempre se encontrava e fazia coisas juntos. É claro que a dinâmica das amizades muda, porque vocês dificilmente se verão todo dia como costumavam fazer na escola - especialmente quando começam a trabalhar. Mas dá pra fazer funcionar e é muito bom quando funciona: histórias de ensino médio nunca morrem.
Boa sorte!
4 de novembro de 2011
Virei modelo (parte 2: O desfile)
Primeira parte da história aqui!
Cheguei no lugar do evento surtando porque achei que tava atrasadíssima, que não ia dar tempo de fazer minha maquiagem, que meu cabelo ia ficar horrível, as roupas não iam servir e... só o professor tinha chegado. Pouco tempo depois, as outras meninas apareceram e então todas fomos sentar para começar a fazer o que faríamos pelas próximas horas: esperar.
Cheguei no lugar do evento surtando porque achei que tava atrasadíssima, que não ia dar tempo de fazer minha maquiagem, que meu cabelo ia ficar horrível, as roupas não iam servir e... só o professor tinha chegado. Pouco tempo depois, as outras meninas apareceram e então todas fomos sentar para começar a fazer o que faríamos pelas próximas horas: esperar.
Nos levaram para uma sala gigantesca e só naquele momento eu percebi o quanto eu estava faminta. Eram cinco da tarde e eu não tinha almoçado ainda. Para a minha sorte, a primeira coisa que eu avistei quando cheguei na sala foi uma mesa com três bandejas de sanduíches (do Subway! Com potinhos separados de azeitona, pimentas e molhos!) empilhados em forma de pirâmide. Meu instinto foi mergulhar na bandeja e morder todos os sanduíches simultaneamente, jogando condimentos pro alto e passando os pães na cara de tanta felicidade por existir gente nesse mundo que se preocupa com a minha fome. Mas aí lembrei que estava entre modelos. Ninguém nem tocava na comida e eu naquela agonia de querer comer pelo menos uns doze sanduíches de uma vez só. Discretamente, comi um (tava com tanta fome que nem me dei ao trabalho de tirar uma micro fatia de queijo que muito teria me perturbado caso o contexto fosse outro).
Logo que os cabeleireiros e maquiadoras chegaram, me chamaram para fazer o cabelo. Obviamente, eu tinha imaginado um penteado volumoso e esvoaçante, ondulado na medida certa para valorizar o formato do meu rosto e me agraciar com uma confiança digna da top model que vive dentro de mim. O penteado que me fizeram foi mais ou menos assim:
Bom. Foi chegando a hora do desfile e quando minha maquiagem ficou pronta (com o detalhe pertinente de que a maquiadora disse que minha pele é ótima e ficou convincentemente surpresa quando soube que eu não era modelo de verdade) fomos todas para o salão do desfile para nos trocarmos.
Coloquei a primeira roupa e os sapatos. Menos de cinco minutos (ou pelo menos foi o que pareceu) depois, a música já estava tocando e uma mulher estava falando no microfone, explicando um pouco sobre o evento e introduzindo a parada toda. Me disseram que eu era a número dez e eu fiquei lá tranquilona achando que ainda fosse demorar um tempão antes que chegasse a minha vez. Antes de eu conseguir concluir esse calmo e confortável pensamento, me puxaram pra ir pra fila com urgência.
Gente. Até aquele mesmíssimo momento eu não estava nem um pouco nervosa. Na hora que eu subi o primeiro degrau da escadinha pra passarela, meu pobre coraçãozinho começou a hiperventilar instantaneamente. Quando vi já tava lá.
As luzes eram fortes. Mesmo tendo estado na passarela no dia do ensaio e sabendo qual era o formato, a comprimento e a altura, na hora eu não estava vendo nada. Andei no ritmo da música e olhei para frente. De algum modo, quando pisquei de novo, eu já estava de volta atrás do palco e minha primeira roupa estava sendo arrancada por desconhecidos enquanto outros me colocavam no segundo e último vestido. O vestido.
Quando experimentei o vestido antes, ele me serviu direitinho - a não ser pelo comprimento que precisava ser um pouco diminuído. O professor disse que faria isso naquela noite mesmo e tudo ficaria ótimo. Não fez. Coloquei o vestido na hora do desfile e gelei num terror repentino. "- Vou cair nessa merda, tenho certeza", eu pensava enquanto me espetavam com alfinetes e colocavam fitas dupla-face nos meus peitos para a parte de cima colar. Sentei num canto (a coleção dos vestidos era a penúltima) em ligeiro estado de calamidade interna. "- Pior vai ser se eu sair catando cavaco", pensava. Logo vieram me chamar, já estava na hora.
Mais uma vez, andei no ritmo da música e olhei pra frente. Não só NÃO caí, como andei até meio rápido demais. Lembro de que o tempo que eu fiquei parada para as fotos pareceu uma eternidade e, como num piscar de olhos de novo, eu estava de volta nos bastidores, dessa vez respirando aliviada que tinha dado tudo certo.
Que me dizem?!
"
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