24 de outubro de 2011

É Halloween!

Não sei explicar o motivo pelo qual eu gosto tanto de Halloween sendo que essa data nem tem muito significado no Brasil. Acho que é a mistura da overdose de doces com todas as coisas macabras relacionadas ao dia que me faz gostar tanto da data. Embora eu ainda não tenha decidido o que vou fazer no dia 31, acho que qualquer lugar que eu resolver ir será uma aventura - ontem já vi gente andando vestida de zumbi na rua. Qualquer história ~peculiar~ que aconteça terá como destino final o blog, sem dúvida.

Enquanto o dia não chega, aproveitem a decoração temática do blog! Espero que gostem, fiz com carinho! (E voltem durante a semana para verem as outras fantasias que eu tenho preparadas).

Agradecimentos especiais ao Léo Shin, como sempre.

22 de outubro de 2011

Virei modelo

A principio eu me voluntariei para trabalhar nos bastidores. Não sabia se tinha ouvido direito quando o professor disse que precisavam de voluntários tanto para os bastidores do desfile e como para desfilar de fato, mas como sou provida de uma ou outra célula de modéstia, pensei que mesmo que fosse o caso de precisarem de modelos, EU não serviria pra ser uma delas, afinal, né? É. Então. Como achei que seria legal estar no evento de qualquer maneira, mandei um email para o professor confirmando a minha presença.

Alguns poucos dias se passaram e eu comecei a surtar levemente com a falta de informação sobre o que eu teria que fazer, quais seriam as responsabilidades e do que realmente se tratava esse tal evento. O professor respondeu com a lista dois dias depois. O evento é gigantesco. É tipo uma convenção com tudo que se pode imaginar sobre fazeção de roupas. Um milhão de stands divulgando desde tecidos para sofá até cristais Swarovski. Ao longo dos três dias de evento, ocorre uma espécie de campeonato entre os grupos de melhores alunos das principais faculdade de Design (não sei se do país inteiro ou só da província). Eles têm que construir uma roupa específica baseada no tema que é dado pra eles logo no início. Sei lá, basicamente é isso. O que importa é que junto com a resposta sobre o que era o evento, o professor mandou também uma humilde lista de VINTE E QUATRO coisas que seriam responsabilidades totais e completas dos dressers, entre elas:

- ajudar a vestir as modelos,
- colocar roupas na ordem certa,
- conferir e arrumar todos os acessórios,
- conferir e arrumar todos os sapatos,
- manter as modelos calmas e relaxadas,
- levar linhas e agulhas (evidentemente partindo do pressuposto que os voluntários sabem o que fazer com elas)
- passar e vaporizar as roupas (evidentemente achando que os voluntários já fizeram isso alguma vez na vida) e resumindo: ser um dos peões do desfile.

Minha reação foi tipo:



Tentei me convencer de que seria legal, de que eu não estragaria roupa nenhuma, de que não haveria motivo pra eu ter que tranquilizar uma modelo e, bom, finalmente admiti que eu não tenho grandes poderes de persuasão quando a pessoa a ser persuadida sou eu mesminha. "Merda", pensei. "Agora já era... se pelo menos ainda precisassem de modelos...".

No dia seguinte, uma outra professora comentou que ainda estavam precisando modelos. Fiquei meio assim porque eu já tinha confirmado que trabalharia nos bastidores, mas a minha decisão era simples. Se me aceitassem como modelo para o desfile, eu desfilaria. Convenhamos, a escolha era uma lista de vinte e quatro responsabilidades, preocupações, agulhas e ferros de passar roupa versus sentar confortavelmente numa cadeira para que profissionais façam seu cabelo e maquiagem, vestir roupas diferentes e andar numa passarela ao som de música legal.

Eu e mais uma menina da minha sala fomos experimentar as roupas logo após a aula - na sala dos professores. Experiência peculiar essa de colocar roupas esquisitas na frente de gente que lidou com modelos de verdade a vida inteira, viu. Ainda mais sem espelho nenhum em volta. Bom, entrei lá Cintia, saí de lá oi-sou-modelo-e-quero-cinquenta-toalhas-brancas-música-instrumental-contemporânea-e-frutas-silvestres-no-meu-camarim-vocês-que-se-virem-seus-meros-mortais.

Ontem foi o ensaio. Todas as modelos (oi, sou modelo) se encontraram no lugar onde vai ser o desfile. Queriam que víssemos a passarela, testássemos a iluminação, posicionamentos e todas essas coisas de praxe que eu passei a minha vida inteira não imaginando. Mas foi interessante; é um ambiente bem distinto de qualquer coisa que eu já presenciei. A verdade é que fazer parte de um evento desses (com mordomias e tudo) é uma daquelas oportunidades que simplesmente não dá pra negar, né?

A parte dois dessa história eu conto aqui no blog depois do desfile. Por enquanto, deixo vocês com uma imagem meramente ilustrativa da fila de modelos no ensaio de ontem.


(sou a segunda da direita pra esquerda, caso não tenha ficado claro)

- Virei modelo (parte 2: O desfile)- 

16 de outubro de 2011

A história do piquenique que não deu certo

Ficamos a semana inteira planejando o piquenique, pensando no melhor lugar para ir, torcendo pro tempo estar bom. 

Chegou o dia e eu acordei relativamente cedo (meus parâmetros). Abri a janela e o tempo estava maravilhoso. Tínhamos decidido ir à um lugar perto, então eu tive bastante tempo para me arrumar e preparar os sanduíches perfeitos que eu fiquei imaginando durante aquela semana. 

Primeiro fiz o patê de atum: piquei a cebola em pedaços bem fininhos, coloquei azeitona e cenoura também. Depois lavei alface e tomates. Fatiei os tomates cuidadosamente. Abri a geladeira e peguei o salame que finalmente havíamos encontrado depois de incontáveis idas à supermercados diferentes - todos que eu experimentava não eram bons o suficiente. Queria dois tipos de sanduíche: de patê e de salame. Delícia.

Enquanto isso, ~ele~ estava colocando umas coisas em ordem no apartamento. Juntou uns papéis para levar pro lixo e tava arrumando coisas aleatórias. 

Preparei os sanduíches com aquela fomezinha safada de quem antecipa uma refeição específica por dias. Cada camada que eu colocava nos sanduíches eu soltava um suspiro de "ai que cheirinho bom". Embrulhei cada um separadamente em papel alumínio e coloquei todos dentro de uma sacola, prontos para levar.  

Como ele ainda estava terminando de se arrumar pra sair e eu já estava pronta, resolvi levar o lixo todo para fora. Peguei minha bolsa, os sanduíches e os sacos de lixo para jogar fora e já chamar o elevador. Ele, como sempre todo solícito, quando me viu saindo se ofereceu pra levar o lixo e me pediu apenas para pegar os sucos e o encontrar no elevador. "Fofo", pensei. Entreguei os sacos de lixo e a sacola com os tão desejados sanduíches, sem saber que essa seria a última vez que os veria. 

Dois minutos depois, no exato momento em que me ocorreu a ideia que ele talvez não tivesse percebido que a sacola com os sanduíches estava junto com as de lixo (visivelmente diferentes, vale acrescentar) ele abre a porta. O olhar era de terror, desespero. Dava pra ver que soava frio. 

"- Você não me deu os sanduíches né?"

Gente. 

Eu dei os sanduíches pra ele. Ele jogou os sanduíches fora. Todos. No lixo. Lixo de todos os apartamentos. Irrecuperável. Todos os sanduíches.




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Deixo vocês com uma imagem minha ao lado do meu piquenique daquele dia.


Fim.

8 de outubro de 2011

Steve Jobs e a superficialidade humana

Aviso: Esse post é pra ser lido cuidadosamente. Se não existe tamanha disposição dentro de você agora, nem leia o que escrevi e evite a minha fadiga de ter que ficar explicando cada vírgula porque eu simplesmente não estou com paciência pra burrice e interpretação de texto porca. 

Não é novidade nenhuma que noticia hoje em dia viaja mais rápido do jamais viajou. Tento acompanhar a velocidade das mudanças da melhor forma possível. Junto com a evolução da internet também veio um espaço cada vez maior para a dita "liberdade de expressão". Todo mundo tem acesso à informação instantânea e todo mundo expressa opiniões tão rápido quanto a informação chega. Até aqui tudo bem.

O que tem gritado na minha cara e me enlouquecido ultimamente sobre essa história toda é que a superficialidade das pessoas parece ter sido elevada a milésima potência. Graças à todas as fontes de informação disponíveis hoje em dia, temos oportunidade de saber de muito mais coisas e isso é ótimo na teoria. Na prática, muita gente vive de manchete e simplesmente não se dá ao trabalho de saber mais do que está acontecendo - o que não seria tão ruim se essas mesmas pessoas se resumissem ao que sabem na hora de dar opinião.

Steve Jobs morreu essa semana e de repente todo mundo, de celebridades internacionais aos inúmeros zé ninguéns do Twitter, resolveram expressar os profundíssimos sentimentos sobre o cara. De todas as incontáveis declarações que vi por aí, acho que só umas três vinham de pessoas que já tinham expressado qualquer pensamento sobre as contribuições de Steve Jobs para a tecnologia antes. Enquanto só se falava disso na internet, passou uma reportagem na televisão sobre o julgamento de Conrad Murray, médico pessoal de Michael Jackson. No jornal, divulgaram a gravação do Michael Jackson sob efeito de um monte de remédios, conversando com o médico por telefone sobre os planos pra turnê que estava prestes a começar, sobre o quanto ele sentia pelas crianças que assim como ele não tiveram infância e sobre querer abrir um hospital para crianças. Foi triste de ouvir.

Eu sempre gostei muito do Michael Jackson pelo talento absolutamente inegável que ele tinha. Quando soube da morte dele, fiquei mal. Foi a primeira vez que me senti triste de verdade com a morte de alguém famoso. Hoje, pouco mais de dois anos depois, o sentimento não mudou. Quando penso nisso sinto a mesma coisa que senti quando soube da morte.

Foi pensando nesse sentimento que caiu minha ficha sobre a superficialidade das pessoas. Eu lembro que na época da morte do Michael Jackson todo mundo fez questão de mostrar o quanto gostava do dele, o quanto valorizava suas contribuições ao mundo da música, o quanto respeitava a vida dele, o quanto nunca tinha acreditado nas acusações de pedofilia e assim por diante. Hoje em dia, mesmo tão pouco tempo após sua morte, o povo trata da notícia como se fosse velha. Agora quem morreu foi Steve Jobs, então dá-lhe a internet inteira prestando homenagens e falando do cara como se ele fosse a única pessoa responsável pela tecnologia que temos hoje.

Independentemente de quão importante o Steve Jobs realmente foi para a tecnologia e para o mundo de modo geral, a impressão que dá é que as pessoas só estão falando tanto sobre ele agora porque ele morreu há três dias e portanto esse é o assunto da vez. É óbvio que tem gente se sentindo assim como eu me senti quando soube da morte do Michael Jackson, mas não toda essa gente. E outra: por que todas essas pessoas não prestaram homenagens e expressaram o quanto acham que o Steve Jobs foi um gênio enquanto ele estava vivo? Porra. A gente vive no século vinte e um, estuda artistas, cientistas e filósofos que só ganharam reconhecimento depois que morreram e acha absurdo. Por que não simplesmente mudar isso e passar a valorizar os gênios enquanto eles vivem?

Mas esse não é o assunto que eu vim aqui pra tratar. A verdade é que muitas dessas pessoas que estão por aí dizendo que choraram quando souberam que o Steve Jobs morreu só querem mesmo é fazer parte do ~grupo~ e, pra isso, sabem têm que comentar sobre o assunto certo, o mais rápido possível e de preferência com as opiniões certas (porque afinal, discordar das coisas ultimamente é pedir pra ser crucificado).

Essa que é a merda. Até onde vai essa coisa das pessoas quererem provar ser algo que não são? Saber de coisas que não sabem, ter interesse por coisas que não têm? Que saco. Vejo esse tipo de coisa tão frequentemente e em tantas ocasiões diferentes que às vezes me pergunto se é mesmo possível que só eu perceba a babaquice que é ficar tentando o tempo inteiro ser algo que você não é. Qual é a dificuldade em gostar do que você gosta e não do que os outros acham que você tem gostar? Qual é o problema em simplesmente não se interessar por determinado assunto e não ter uma opinião formada sobre ele? Qual é o problema em falar do que você quer falar e não do que "é o que todo mundo tá falando então melhor eu falar também"? 

Pensem um pouco.