31 de julho de 2011

Enquanto isso, no Facebook,

alguém escreve:

"A missa de sétimo dia da Fulana será no dia tal, em tal endereço. Entre em contato com tal pessoa para mais informações. Obrigada e bom domingo".

E aí, alguém comenta:

"Nossa, que chato. O que aconteceu com ela?".

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30 de julho de 2011

Dicas sobre os primeiros dias de aula na faculdade

Depois de ter mudado de escola quatro vezes na vida, me formado em uma faculdade e recentemente ter começado outra, percebi que existem algumas coisas que a gente pode fazer (ou evitar fazer) para que a sua experiência de aprendizado seja melhor.

Nos primeiros dias de aula:

Leve dinheiro
Primeiros dias de aula dão mais fome que quaisquer outros dias. Todas as outras pessoas vão aparecer com comidas deliciosas no intervalo e a sua lombriga vai te comer vivo se você não puder comprar nada porque esqueceu de levar dinheiro.

Tente não se juntar aos grupinhos que se formam prematuramente
Dê um tempo antes de se aproximar das pessoas. Não precisa ser "o" antipático, mas seja esperto. Se no primeiro dia você começar a conversar com uma pessoa, no segundo não vai poder simplesmente ignorá-la e no terceiro é capaz que ela já sente do seu lado e te conte sobre os problemas de família. Piora quando depois de duas semanas de aula você descobre que vai ter que fazer um trabalho em grupo e que aquela pessoa com quem você esteve conversando durante todos aqueles dias é do tipo não-faz-nada-em-trabalhos-em-grupo. 

Esperando um pouco antes de se aproximar de alguém, dá pra ter uma noção melhor do tipo de gente com quem você vai ter que dividir seus próximos anos de vida e escolher o grupo que tem mais a ver com você. 

Tem dois jeitos de fazer isso: conversar um pouco com cada um na sala ou não conversar com ninguém. No primeiro caso, a conversa é a mais básica possível - não entre em detalhes pessoais nem nada. No segundo,  dê sorrisinhos simpáticos, demonstre um pouco de interesse quando a pessoa estiver falando pra sala toda e só. Em ambos os casos, você não se compromete com ninguém mas também não fica com imagem de anti-social. 

Leve um agasalho mesmo que esteja calor
Pode ser que sua sala tenha ar-condicionado e não sei vocês, mas eu odeio sentir frio porque esqueci de levar uma blusa extra. Se tá frio porque tá frio, tudo bem, mas se tá frio porque eu esqueci a blusa, além de frio eu também sinto constrangimento. Fora que quando tá frio no lugar parece que TODO MUNDO tem um casaco e está confortavelmente quentinho e só você é o trouxão despreparado. 

Preste atenção nas datas que os professores vão explicar
Às vezes eles dão cópias do cronograma do curso, mas às vezes não. De qualquer modo, esse é um assunto  de primeiros dias. Conforme as aulas vão acontecendo e os trabalhos vão sendo passados, fica fácil esquecer pra quando é cada coisa. Se você tiver tudo anotado num lugar só, sua vida fica mais simples. Bônus: nesses dias eles também explicam quantas faltas você pode ter. Preste atenção e use suas faltas sabiamente.

Ah, e sobre o trote:

Não vá
Você não vai fazer falta uma vez que ninguém te conhece ainda. Além disso, não indo você também economizará roupas e dignidade. Sério. Apesar de nunca ter sido "bicho" de ninguém (os veteranos da minha faculdade simplesmente não se deram ao trabalho), ajudei a organizar o trote que os calouros do ano seguinte levaram e olha, eles tavam literalmente tentando matar formiga a grito no meio da rua. 

Caso você queira participar mesmo assim (não participe), vá de bom-humor e com roupas que possam ser manchadas.

Qualquer pergunta, os comentários tão aí pra isso! Espero ter ajudado!

15 de julho de 2011

Cintia responde (4ª edição)

Quando você se deu conta de que seu blog estava começando a ser lido por várias pessoas, como hoje em dia? (@tresItalo)

Eu nunca tive muito controle de número de visitas, mas com o tempo eu comecei a notar que pessoas diferentes estavam começando a deixar comentários nos posts. Antes eu só recebia comentários de amigos mais próximos e de gente da minha família. 

Qual foi a maior dificuldade que você já passou aí no Canadá? (@lilikkk)

Não chega a ser uma dificuldade dificuldade mas a única coisa que consegui pensar foi na falta que eu sinto das comidinhas básicas brasileiras tipo pão francês, pinhão e a verdadeira picanha.

Qual você acha que é a importância da Arte na sociedade? Como seria se não houvesse? (Isabelle Louise)

A gente sabe que desde o começo dos tempos, as pessoas sentiam necessidade de se expressar de alguma forma e arranjavam um jeito de fazer isso. Graças a essas pessoas, hoje em dia temos noção de como era o tempo em que viviam e assim entendemos História muito mais detalhadamente. Acho que a Arte é muito importante e nem consigo imaginar como seria se ela não existisse - na verdade acho que isso não é sequer possível.

Receber bombons de alunos caracteriza assédio gastronômico? (@johanpablo)

Caracteriza um delicioso e irrecusável ato de puxasaquismo.

Que cor é minha roupa agora? (minha mãe)

Acho que é aquele pijaminha de frio meio cor de creme.

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Que cor é a sua roupa, agora?

3 de julho de 2011

O velho que não podia com açúcar, o filho babaca e o Josh

No momento em que entrei no McDonald's já percebi que tinha alguma coisa estranha acontecendo. 

Caminhei meio hesitante em direção ao balcão, tentando entender o que se passava sem demonstrar sinais muito óbvios daquele desespero que sempre dá quando a gente percebe que chegou no meio do barraco. 

Tinha um velho bem velho falando mais alto do que precisava e um cara com todas as características que alguém precisa ter pra parecer instantaneamente babaca, olhando para o chão e, obviamente, não tomando providência alguma em relação ao velho descontrolado.  

Como os dois ainda estavam em frente ao caixa, não dava pra eu fazer o meu pedido. Me posicionei como "próxima" e esperei. O velho calou-se enquanto examinava meticulosamente o conteúdo da bandeja à sua frente. Pegou a garrafinha de leite (líquido este que eu nem sabia que era comercializado no supracitado restaurante) e abriu. Tomou um gole e fez cara de quem avalia. Tossiu e disse: 

- Esse negócio tem açúcar, não acredito que tem açúcar sendo que eu pedi sem açúcar. Não posso com açúcar.
- Pai, vai ficar tudo bem, não é muito açúcar - respondeu o homem com cara de babaca.
- A diabetes é em mim não em você e você não sabe se vai ficar tudo bem, na verdade já te digo agora que não vai ficar tudo bem. Não posso com açúcar.

Chegou o atendende e o velho virou-se pra ele, chacoalhando a garrafinha de leite.

- Esse leite tem açúcar e eu pedi sem açúcar! Por que vocês colocam açúcar no leite de vocês?!
- Senhor, eles entregam o leite assim. Próximo. - disse o atendente, seco. Sabe-se lá quanto tempo já fazia que ele tava aguentando aquilo.

Antes de eu conseguir pegar fôlego para pedir minha comida, o velho pediu pra falar com o gerente. O atendente sumiu por uns momentos, voltou e disse:

- O gerente está muito ocupado, desculpe.
- Tudo bem, eu tenho tempo e posso esperar por ele - informou o velho, com aquele ar de velho que tem tempo. 

Silêncio.

- Pai - disse o homem que tinha deixado de apenas ter cara de babaca mas agora passava também a ser efetivamente considerado babaca - vamos comer, vamos?
- Não, quero falar com o gerente. 

Mais silêncio até que o nosso amigo babaca resolveu que a fome era muita, pegou a bandeja e foi sentar. Sem falar nada, o velho simplesmente foi sentar também. 

Pedi meu lanche e, claro, sentei perto dos dois para acompanhar na íntegra os acontecimentos que viriam.

A conversa que se seguiu não foi tão proveitosa quanto eu imaginava que seria, e eu já tava perdendo as esperanças de um bom post pro blog quando, de repente, surgiu um menino de camiseta vermelha. 

O velho e o filho estavam sentados bem na frente da máquina de refrigerante de modos que o menino teve que entrar no campo de visão deles para pegar sua bebida. Tenho certeza de que se ele soubesse o que o esperava, teria levado um suquinho de casa. 

O menino tava no meio do caminho quando foi chamado pelo velho. Acredito eu que pela camiseta vermelha que o menino tava usando, o velho achou que ele era o gerente e começou a reclamar do leite. Entregou o leite pro menino e disparou a falar que não podia com açúcar.

O coitado, compreensivelmente, ficou sem ação. Pegou o leite, olhou e devolveu pro velho, que começou a falar das porcentagens e dos absurdos que aquelas porcentagens eram. 

- Aliás, qual é o seu nome? - perguntou o velho pro menino.
- Josh. 
- Ah, certo, Josh. Eu sou o Ron e esse é o meu filho Kevin. 
- Legal, vou lá pegar o meu lanche. 

O menino saiu andando devarinho, receoso. Quando entrou no campo de visão do velho de novo, já com sua bandeja, meio que olhou pro velho, meio que não olhou, meio que dando um tchau, meio que não. 

- Ei, venha sentar com a gente! - disse o velho, que a essa altura já tinha esquecido que tinha achado que o menino era o gerente da loja. 

Ele sentou. 

Pra resumir um pouco essa história, digo pra vocês que os assuntos discutidos foram da carreira de rock'n'roll do velho até o verídico caso (verídico porque o amigo do velho disse pra ele que foi verdade) de um homem que bebeu tanto que a barriga dele explodiu. 

Nesse contexto, o velho puxou uns panfletos do bolso e começou a falar sobre abortos. Mostrou fotos, números e disse pro Josh que ele podia ficar não só com aqueles panfletos mas também com mais "esses outros dois que também são muito informativos". Só pra lembrar que gente, o Josh era um menino de dezesseis anos que tinha entrado no McDonald's para comer.

Acabou que o Josh disse que precisava ir embora porque tinha ainda muita estrada pela frente. Eles se despediram ao som do velho dizendo que eram oitenta milhões de abortos e que Deus ama o Josh mesmo assim. 

Quando o Josh saiu do restaurante, o velho virou pro filho babaca (que ao longo da conversa inteira só tinha levantado a cabeça pra perguntar pro Josh se ele tinha visto o clipe da Lady Gaga em que ela fala sobre o futuro) e disse:

- Quem diria que nós teríamos uma oportunidade dessas, hein!

Concordei, né.