A questão é que resolveram que é legal ser triste e isso me incomoda porque, por falta de palavra melhor, acho idiota.
Vou começar afirmando o óbvio só pra constar: Já tive dias bem mais miseráveis do que consta como justo na constituição mundial de miserabilidade terrestre e portanto sei como é estar triste, passar por uma fase ruim, achar que tá tudo errado e nada vai dar certo nunca.
Porém, apesar de toda tristeza e frustação que já passou direta e indiretamente pela minha vida, pouquíssimas foram as vezes em que importunei o MUNDO com os meus problemas. O que acontece é que minha eventual tristeza não bloqueia o meu cérebro e portanto, mesmo estando triste, eu continuo sendo capaz de pensar: sei que os problemas são meus e que é minha a responsabilidade de resolvê-los. Ponto.
Aí eu ligo o computador. Uma avalanche de "deprimidos" e "infelizes" invade a tela - uns escrevem misteriosamente sobre as causas de sua infelicidade suprema enquanto outros caçam fotos melancólicas para republicar com alguma frase de efeito qualquer e, assim, expressar toda sua tristeza incompreendida. Em ambos os casos, o diagnóstico que dou costuma sempre ser igual: só mais um querendo chamar atenção.
Nada contra desabafos, aliás, quanto mais o tempo passa, mais eu acho que a gente deve mesmo falar sobre as coisas. Mas as pessoas passam do limite - e passam do limite num nível que a coisa vira competição para saber quem tem a vida pior. É absurdo.
Piora quando você observa as reações dos outros. No geral, as classifico em três tipos: empatia, ridicularização e ok, minha vez.
Empatia - o pessoal sente pena da coitadinha da pessoa, se identifica com os motivos expostos para tamanho sofrimento, diz que a pessoa é ótima, linda e magra e que tudo vai dar certo porque é isso que ela merece por ser tão maravilhosa e inteligente. (Vômitos).
Ridicularização - a pessoa-foco da tristeza dá a largada encontrando alguma maneira de se expor (sendo idiota) e outros idiotas se aproveitam da situação para fazer piada e descarregar um monte de desaforos - pertinentes ou não. Total perda de tempo para todos os envolvidos.
Ok, minha vez - Motivada pelo conhecimento absoluto sobre o quanto a sua vida é pior do que qualquer outra, a pessoa se vê na necessidade de PROVAR isso ao público de alguma forma, dando sequência ao infindável ciclo e, consequentemente, entrando na disputa mundial pelo prêmio da existência mais infeliz da História.
Todas as alternativas anteriores são ridículas e se encaixam perfeitamente no que eu categorizo como "idiota". A primeira é possivelmente a que mais me irrita uma vez que se passa por amizade quando na verdade nada mais é do que uma pessoa fortalecendo o ego da outra - irrita mais quando a gente lembra que eu estou me referindo à internet porque daí a gente também lembra que grande parte das pessoas que se relacionam apenas pela internet não se conhecem de fato.
Aí vocês me perguntam - o que tem errado nisso? Tudo, meus queridos. Sério. Essa mentalidade de que pedir um afago no ego de vez em quando é normal e que falar o que as pessoas querem ouvir significa ser legal é errada. É tipo dar dinheiro pra mendigo. Elogiar gente que fica pela internet se fazendo de coitada pra ganhar comentário em blog, visualização em vídeo e seguidor ativo no twitter é incentivo para que continuem fazendo isso - porque vão continuar.
Cada um dos tipos de reações que eu citei acima trás uma consequência diferente e eu nem vou me estender muito sobre elas porque não precisa. A única coisa que eu acho que ainda vale citar é que, mais cedo ou mais tarde, todas saem do controle.
Não vou generalizar porque não tenho embasamento suficiente pra isso, mas eu realmente acho que uma generosa porcentagem desses suicídios que tem acontecido com tanta frequência entre adolescentes ultimamente tem a ver com essa modinha babaca de odiar tudo, reclamar de tudo, achar que tudo está contra você porque coisas ruins só acontecem com você. Absurdo afirmar isso? Exemplifico: Ninguém valoriza o menino que sofre "bullying" na escola por ser gordo então ele resolve por bem que pegar uma faca na cozinha e se cortar ao vivo na câmera para os amigos é uma boa - mais de vinte mil pessoas assistindo (eu era uma delas). Chorou, disse que a vida dele não valia nada e parou a exibição online. Virou assunto durante alguns minutos no twitter, ganhou uma série de seguidores novos e pronto, conseguiu a atenção que tava querendo. Ninguém garante, porém, que um moleque assim não acabe se matando de verdade eventualmente. Queria atenção né, coitado. Argh.
Mas olha - independentemente de causar mortes ou não, o negócio é pessoal. Essa coisa de ser "infeliz na internet" tá tomando uma proporção muito maior do que minha paciência foi programada para suportar. É CHATO e me irrita.
Então, para finalizar, vou pedir duas coisas:
Primeira - Se você é um desses que nunca está satisfeito com nada, pare de reclamar por um minuto e reflita: será que é sequer possível que você esteja certo e que realmente sempre dá tudo errado pra você ou será que é a sua percepção egocêntrica sobre as coisas que te faz enxergar o universo inteiro como uma grande conspiração contra a sua pessoa (porque afinal você é tão importante que o universo inteiro revolve ao seu redor)?
E segunda - Se você é um desses que falam o que os outros querem ouvir só para agradá-los e se livrar da responsabilidade de uma conversa mais profunda, não se dê ao trabalho nem de fazer isso porque além de não ajudar de verdade, você atrapalha. Se uma pessoa tem problemas de auto-estima a última coisa que ela precisa é de elogio superficial, mesmo que seja isso que ela esteja pedindo.
Aprendam com os erros, amigos. Funciona.