23 de abril de 2011

Enquanto isso, aqui no hemisfério norte,

às poucas horas da manhã, toca o celular.

- Alô?
- Alô, gostaria de falar com o Ahriemdprvns.
- Com quem?
- Shriubsfmeni.
- Desculpa, acho que você ligou pro número errado.
- Ah, não é o número do Jurhdnsden?
- Não.
- Ah, tá. Desculpe-me por ter te acordado. Você tem uma ótima voz matinal, inclusive.
- ... Obrigada.
- Quer conversar um pouco? Qual é o seu nome?
- Cíntia e eu não que...
- Como?
- C-í-n-t-i-a e eu não quero conversar. Até.

Desliguei pensando:

1- Mas será possível que o cara tava dando em cima de mim por TELEFONE depois de ter me ligado por ENGANO à essa hora?
2 - Desde quando será que a minha voz matinal é ótima?
3 - Será que eu acabei de dar o meu nome pra um serial-killer?

Ficam as dúvidas aí pra gente refletir.

21 de abril de 2011

Cintia responde (3ª edição)

Não pisca! Drama ou suspense? (por Rodrigo Perek)

Suspense, com certeza. Pisquei algumas vezes enquanto editava a pergunta, espero que esteja tudo bem entre nós.

Cintia, se houver a queda dos governos absolutistas no norte da africa e no oriente médio, quais setores iria melhorar? seria mesmo uma boa opção se implantasse a democracia naquela região?São grandes as probabilidades de os EUA e a UE se intrometer naquela região?se sim, como ela iria afetar? TRADUZINDO NUMA SÓ QUESTÃO: Sua opnião sobre as revoltas no norte da africa e oriente médio (por Eduardo Godoy)

Amigo, você é chato e suas perguntas não fizeram sentido. Te desculpo pelo transtorno.

O que te faz rir escandalosamente toda vez que acontece? (por @gushika)

Assustar a minha irmã. 

Cintia, você acha que aproveitou sua vida corretamente até hoje, se arrependeu de ter feito algo, ou se arrependeu de algo que não fez? (por Allan Silva)

Minha vida sempre foi muito satisfatória pra mim. Mesmo quando acho que poderia me arrepender de uma coisa ou outra que tenha feito no passado, lembro que realmente aprendi com os meus erros e então concluo que não há motivo pra me arrepender de nada. Pelo menos até hoje. Tá bom vai, eu me arrependo de alguns tweets, mas aí eu vou lá e apago eles. 

Cintia, você acorda de mau humor com que frequência? (por Rafaela Venturim)

Assumidamente de mau humor, pouca frequência. Agora, se nêgo vem me acordar gritando e/ou antes da hora (e caso eu não tenha hora pra acordar, a hora pra acordar é quando eu cansar de dormir e portanto qualquer hora antes disso é considerada "antes da hora"), por exemplo, aí já levanto querendo comer cérebros e picar os restos dos corpos de quem eu achar que se encaixa no perfil. 

A falta de rotina pode se tornar entediante? (por Alef Barros - menção honrosa de fiel leitor e comentador do blog)

Se a pessoa for chata ela vai se entediar com ou sem rotina, né?

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Mandem mais perguntas! [FACEBOOK] [TWITTER] [FORMSPRING] Não esqueçam de escrever #cintiadisse no final das perguntas pra eu saber que vocês querem vê-las publicadas aqui.

Mas e aí, o que é que sempre te faz rir?

19 de abril de 2011

Pequenas torturas

Tem um Kinder Ovão de páscoa aqui na mesa há dois dias. Olho para o ovo e ele tá lá, todo reluzente e embrulhado. Todo laranjinha e branco, olhando de volta pra mim fixamente tipo "oi, abra-me". 

Nem encostei nele direito. Admito que a curiosidade de ver qual é a supresa gigante que me espera dentro do ovo (tenho vinte e um anos e gosto das surpresas do Kinder Ovo e você que é feio? Me deixa) cresce em progressão geométrica toda vez que ameaço olhar pra ele. Aí vocês ficam todos tipo "nossa, que disciplinada, vai esperar até o dia da páscoa para abrir o chocolate", né? ("-É"). Então, só que essa coisa da data nem tinha passado pela minha cabeça até eu começar a escrever o texto. Não abri o ovo porque não, simplesmente. 

Olho pra ele e fico imaginando o que tem lá dentro, pensando na hora em que eu for abrir o pacote e partir o chocolate ao meio, torcendo pro ovo ter vindo com o defeito mais delicioso que um Kinder Ovo pode ter: camada dupla de chocolate.

Mesma coisa com o celular novo. Comprei semana passada. Branquinho, brilhante, mais limpo que a vida. Sabe quando você até segura com as duas mãos de tanto cuidado? Tipo isso. Esse celular novo não só é novo como também é o primeiro celular recém-saído de uma loja que veio diretamente para a minha posse (Salva de palmas) (Obrigada). Bom, celular novo é sinônimo de plastiquinhos protetores e plastiquinhos protetores são controversos. 

Sempre perdi noites de sono indignada com a (até então vista como) frescura que meu pai tem de não tirar os plastiquinhos protetores dos celulares novos que ele compra. Aquela coisa de pegar o celular para ligar pra alguém e ter que lidar com aquele monte de bolhas de ar que se formam em baixo do plastiquinho. Isso sem contar os cantos do plástico que vão se contercendo dramaticamente numa espécie de grito de socorro tipo "me tira daqui porque não me pagam a hora extra". 

Não tirei o plastiquinho protetor do meu. Tá aqui, nesse mesmo estado deplorável que eu descrevi acima - digno de pedido de alforria, judiação. Mas não tem jeito: o momento de tirar o plastiquinho é único. Agora eu sei o que é isso. É o tipo de experiência que não tem volta (mesmo que você tente colar o plastiquinho de volta e ele fique no lugar certo: não é a mesma coisa - todo mundo sabe disso). É preciso esperar pelo momento certo.

Sou assim até com pensamentos, às vezes. 

- pausa para o momento crítico em que eu me pergunto se devo terminar o post por aqui e assim tentar preservar um pouco da imagem de pessoa normal que eu acho que passo para vocês, queridos leitores desse blog. Tarde demais, vamo que vamo - 

Quando tenho alguma coisa legal para pensar (seja uma festa que vai acontecer, uma viagem ou até uma idéia para um texto), deixo o pensamento guardado pra mais tarde. Gosto de tirar um tempo para pensar em coisas legais porque, assim como se eu estivesse abrindo o Kinder Ovão, gosto dos detalhes do processo. Penso com cuidado na roupa, na maquiagem, na cor do esmalte. Se for um texto, penso no que quero dizer, nos parágrafos, nas palavras. 

Faço esse tipo de coisa desde criança, na verdade. Agora que tô refletindo sobre esse assunto, tô lembrando que semanas antes de todos os primeiros dias de aula, eu ficava pensando no meu material (sempre adorei material escolar novo) - os lápis de cor fechadinhos na caixa, os cadernos novos, as réguas. Sabia que estava tudo no armário, mas não mexia. Pra material de escola eu costumava esperar até o último dia antes de ir lá arrumar tudo para começar a usar.

Meu caso é grave, doutor?

É.

13 de abril de 2011

Tristeza não tem fim, paciência sim

A questão é que resolveram que é legal ser triste e isso me incomoda porque, por falta de palavra melhor, acho idiota.

Vou começar afirmando o óbvio só pra constar: Já tive dias bem mais miseráveis do que consta como justo na constituição mundial de miserabilidade terrestre e portanto sei como é estar triste, passar por uma fase ruim, achar que tá tudo errado e nada vai dar certo nunca.

Porém, apesar de toda tristeza e frustação que já passou direta e indiretamente pela minha vida, pouquíssimas foram as vezes em que importunei o MUNDO com os meus problemas. O que acontece é que minha eventual tristeza não bloqueia o meu cérebro e portanto, mesmo estando triste, eu continuo sendo capaz de pensar: sei que os problemas são meus e que é minha a responsabilidade de resolvê-los. Ponto.

Aí eu ligo o computador. Uma avalanche de "deprimidos" e "infelizes" invade a tela - uns escrevem misteriosamente sobre as causas de sua infelicidade suprema enquanto outros caçam fotos melancólicas para republicar com alguma frase de efeito qualquer e, assim, expressar toda sua tristeza incompreendida. Em ambos os casos, o diagnóstico que dou costuma sempre ser igual: só mais um querendo chamar atenção.

Nada contra desabafos, aliás, quanto mais o tempo passa, mais eu acho que a gente deve mesmo falar sobre as coisas. Mas as pessoas passam do limite - e passam do limite num nível que a coisa vira competição para saber quem tem a vida pior. É absurdo.

Piora quando você observa as reações dos outros. No geral, as classifico em três tipos: empatia, ridicularização e ok, minha vez.

Empatia - o pessoal sente pena da coitadinha da pessoa, se identifica com os motivos expostos para tamanho sofrimento, diz que a pessoa é ótima, linda e magra e que tudo vai dar certo porque é isso que ela merece por ser tão maravilhosa e inteligente. (Vômitos).

Ridicularização - a pessoa-foco da tristeza dá a largada encontrando alguma maneira de se expor (sendo idiota) e outros idiotas se aproveitam da situação para fazer piada e descarregar um monte de desaforos - pertinentes ou não. Total perda de tempo para todos os envolvidos.

Ok, minha vez - Motivada pelo conhecimento absoluto sobre o quanto a sua vida é pior do que qualquer outra, a pessoa se vê na necessidade de PROVAR isso ao público de alguma forma, dando sequência ao infindável ciclo e, consequentemente, entrando na disputa mundial pelo prêmio da existência mais infeliz da História.

Todas as alternativas anteriores são ridículas e se encaixam perfeitamente no que eu categorizo como "idiota". A primeira é possivelmente a que mais me irrita uma vez que se passa por amizade quando na verdade nada mais é do que uma pessoa fortalecendo o ego da outra - irrita mais quando a gente lembra que eu estou me referindo à internet porque daí a gente também lembra que grande parte das pessoas que se relacionam apenas pela internet não se conhecem de fato.

Aí vocês me perguntam - o que tem errado nisso? Tudo, meus queridos. Sério. Essa mentalidade de que pedir um afago no ego de vez em quando é normal e que falar o que as pessoas querem ouvir significa ser legal é errada. É tipo dar dinheiro pra mendigo. Elogiar gente que fica pela internet se fazendo de coitada pra ganhar comentário em blog, visualização em vídeo e seguidor ativo no twitter é incentivo para que continuem fazendo isso - porque vão continuar.

Cada um dos tipos de reações que eu citei acima trás uma consequência diferente e eu nem vou me estender muito sobre elas porque não precisa. A única coisa que eu acho que ainda vale citar é que, mais cedo ou mais tarde, todas saem do controle.

Não vou generalizar porque não tenho embasamento suficiente pra isso, mas eu realmente acho que uma generosa porcentagem desses suicídios que tem acontecido com tanta frequência entre adolescentes ultimamente tem a ver com essa modinha babaca de odiar tudo, reclamar de tudo, achar que tudo está contra você porque coisas ruins só acontecem com você. Absurdo afirmar isso? Exemplifico: Ninguém valoriza o menino que sofre "bullying" na escola por ser gordo então ele resolve por bem que pegar uma faca na cozinha e se cortar ao vivo na câmera para os amigos é uma boa - mais de vinte mil pessoas assistindo (eu era uma delas). Chorou, disse que a vida dele não valia nada e parou a exibição online. Virou assunto durante alguns minutos no twitter, ganhou uma série de seguidores novos e pronto, conseguiu a atenção que tava querendo. Ninguém garante, porém, que um moleque assim não acabe se matando de verdade eventualmente. Queria atenção né, coitado. Argh.

Mas olha - independentemente de causar mortes ou não, o negócio é pessoal. Essa coisa de ser "infeliz na internet" tá tomando uma proporção muito maior do que minha paciência foi programada para suportar. É CHATO e me irrita.

Então, para finalizar, vou pedir duas coisas:

Primeira - Se você é um desses que nunca está satisfeito com nada, pare de reclamar por um minuto e reflita: será que é sequer possível que você esteja certo e que realmente sempre dá tudo errado pra você ou será que é a sua percepção egocêntrica sobre as coisas que te faz enxergar o universo inteiro como uma grande conspiração contra a sua pessoa (porque afinal você é tão importante que o universo inteiro revolve ao seu redor)?

E segunda - Se você é um desses que falam o que os outros querem ouvir só para agradá-los e se livrar da responsabilidade de uma conversa mais profunda, não se dê ao trabalho nem de fazer isso porque além de não ajudar de verdade, você atrapalha. Se uma pessoa tem problemas de auto-estima a última coisa que ela precisa é de elogio superficial, mesmo que seja isso que ela esteja pedindo. 

Aprendam com os erros, amigos. Funciona.