22 de janeiro de 2011

Acetona

Estávamos entre alguns amigos ontem, quando eu avistei a caixinha de esmaltes da anfitriã. Recém-re-viciada no assunto que sou, logo abri a caixinha e comecei a examinar as cores que ela tinha lá. Achei um roxo escuro fosco e queria muito testar a cor, mas não podia usar as minhas próprias unhas para fazer isso porque elas estavam pintadas de vermelho. 

Peguei a mão do meu amigo e já com o esmalte aberto, o comuniquei de que ia testar a cor na unha do dedinho dele.

Meu amigo: Ah, mano, mas vai sair fácil esse negócio, né?! - olhando pra própria unha, hesitante.
Eu: Claro.
Minha amiga, observando o processo de longe: Aliás essa é uma coisa ruim desse esmalte, apesar de bonito ele sai muito fácil.
Meu amigo: Tem certeza que vai sair, né Cíntia? 
Eu: Relaxa, vai. É só esmalte. 
Meu amigo: Mano, se esse negócio não sair...

Olhei o resultado, comentei um pouco sobre o efeito fosco com as amigas e logo mudamos de assunto.

Hoje toca o telefone. Era ele.

- Ô Cíntia, esse negócio NÃO TÁ SAINDO da minha unha. 
- Ai, não vai me dizer que você tá tentando tirar o esmalte com água.
- Porra! Tô lavando minha unha com água e sabão há não sei quanto tempo e esse troço não SAI!!

(risos descontrolados de quem imagina a cena)

- Sério mano. Como eu tiro isso?! Você disse que era fácil.
- Pede acetona pra sua mãe.
- Acetona?!
- Pega um algodãozinho, coloca um pouco de acetona nele e passa na unha que sai facinho.
- Tá...
- Qualquer coisa me liga de volta.

Homens.

19 de janeiro de 2011

Palavras feias

A Língua Portuguesa é uma das mais vastas no quesito vocabulário e portanto nos disponibiliza muitas palavras de modos que para se expressar você sempre pode encontrar um sinônimo decente para palavras desmerecedoras do rótulo "palavra digna".

Digo isso porque algumas palavras me constrangem e não há nada que eu possa fazer para evitá-las. Exemplifico:

PATÉTICO - me lembra pato e ninguém fala de pato no dia a dia. A não ser que estude patos, sendo, portanto, um patologista. Perdoem por ter me desviado do assunto. Nada contra patos.

TESÃO - tenho nojo. Se for pra falar tesão, não fale. Fora que né, "estou com tesão"?! Tesão não me parece o que tipo de coisa que se está e se ninguém se deu ao trabalho de corrigir o verbo que vai com esse substantivo é porque tem alguma coisa errada. Por via das dúvidas não fale.

GRANA - "Não tenho grana" te faz parecer ainda mais pobre embora eu não saiba explicar por quê. Fale "dinheiro".

PEGAR UMA PRAIA - praia não se pega. O mesmo aplica-se à piscina. Ninguém te acha legal.

ROLAR - "rolou um clima"/"não vai rolar". Use essas expressões e morra solteiro e mal amado. Se você tá falando que "rolou um clima" provavelmente está sendo inconveniente e se tá dizendo que "não vai rolar" provavelmente tá sendo chato. Ou seja.

NU - não gosto da fonética da palavra e as pessoas que falam isso normalmente não deveriam estar falando sobre peladice alheia (alô vó), causando ainda mais repugnância ao termo devido ao contexto. Evitemos.

CAMARADA - Só quem fala isso é a minha outra vó e os mano que antes falavam "truta". Me pergunto se minha outra vó tem alguma conexão com o tráfico. Isso explicaria muitas coisas. Brinqs.


Que palavra te incomoda?

11 de janeiro de 2011

A incrível história sobre como parei de roer minhas unhas

Comecei a vida de roedora unhal sem motivo aparente, quando era bem pequena. Minhas unhas, apesar de roídas, não ficavam exatamente com aquele aspecto de "no toco" que unhas roídas geralmente têm (e que eu acho horrível, por sinal) porque elas sempre tiveram um formato longo e eu meio que tirava camadas da unha em vez de simplesmente encurtá-las furiosamente com a boca. Era feio de ver e a dor era infernal. Aguda e contante, terrível. 

Meus pais se incomodavam muito com esse meu hábito e além de obviamente me baterem na mão toda vez que me viam roendo unha, tentaram muitos outros jeitos de me fazer parar. O formato das minhas unhas já estava ficando meio deformado quando eles compraram aquele "esmalte" de gosto amargo, por exemplo. Realmente, aquele troço era ruim - mas não há nada de ruim na vida que a gente não consiga se acostumar, né. Depois de um tempo eu nem sentia mais o gosto do remédio.  Me deixaram de castigo, me ofereçeram dinheiro, me deixaram mais de castigo. Não adiantava. Nessa época eu tinha por volta de uns dez anos. 

Até que meu pai teve a idéia infalível: lembrou que eu já saí da barriga da minha mãe comendo dois hambugers pão-e-carne do McDonald's e disse que se eu parasse de roer unha ele não só me levaria para comer no Mc, como também iríamos no cinema e me compraríamos um bichinho de pelúcia (bons tempos em que oferecer bichinho de pelúcia e comida era de fato algo que funcionava com crianças de dez anos). Fiquei interessada na proposta e comecei, finalmente, a cogitar a idéia de parar de roer as unhas. 

Bom, agora chegamos ao momento dramático desse texto. Vocês, queridos leitores, estão prestes a descobrir que tiveram seus pensamentos conduzidos à um poço de erroneidade, uma vez que foram propositalmente levados a acreditar que essa proposta feita por meu progenitor foi a que me fez desistir da vida do submundo da roeção unhística. Não foi. 

Foi um sonho. Eu tenho vergonha dele e nem sei se já o contei para alguém, tipo, na vida, mas sinto que chegou a hora. (respira fundo) 

Era o dia do meu casamento. Tudo lindo, vestido branquinho, flores perfeitas. Abriram-se as portas da igreja e eu andei até o altar. Chegou a hora da troca das alianças. Eu e o noivo nos viramos de frente um para o outro e ele pegou minha mão direita. Olhou pra ela e saiu correndo. Fui abandonada no altar por causa das minhas unhas horripilantes. Fim.



Olha, independente das mensagens subliminares que meu subconsciente tentou passar com esse sonho, a única coisa que é fato é que acordei no dia seguinte e nunca mais roí unha. 

Obs.: Aqui dá pra ver como são minhas unhas hoje em dia. Eu sei que vocês são curiosos. 

9 de janeiro de 2011

Querido Diário - pt.2 (Maria Gabriela e o trabalho)

Olha, eu já tinha consciência de que sofria com essa coisa de trabalho em grupo há muito tempo, mas tenho que admitir que fiquei surpresa ao descobrir que faz tanto tempo. 

14/05/1999

"Querido Diário:
(...) A minha ex-amiga me enganou! Mas agora não posso te contar. Tchau! (se der eu te escrevo amanhã)."

19/05/1999

"Querido Diário:

Hoje estou com mais tempo, a minha ex-amiga chamada Maria Gabriela (era minha amiga) e da Giuliana (que é minha amiga) estávamos de fazer um trabalho, ou melhor, dois, e eu ia chegar um pouco atrasada, tudo bem até aí! Mas a Maria Gabriela estava no shopping trocando uma roupa! (ela não podia trocar outro dia?!)

Eu cheguei às 3:15 (por aí). A Maria Gabriela chegou 4:20 na casa da Giu, enquanto ela não chegava nós, eu e a Giu, conseguimos fazer os dois trabalhos e nós não queríamos colocar o nome dela em nenhum trabalho, mas como o pai da Giuliana tava lá nós tivemos que colocar.

Como ela não tinha feito nada, falamos para ela ler o trabalho na apresentação, então ela falou que tudo bem, só que na hora ela não leu porcaria nenhuma, deu para Tia Cátia ler. Daí nós falamos para a Cátia que ela não tinha feito nada e ela não ganhou ponto. (...)"

Mal sabia eu quantas Maria Gabrielas ainda me esperavam pela vida.