30 de setembro de 2010

Cólica menstrual

Ela começa sorrateira, quase imperceptível. Uma dorzinha aguda que incomoda em doses homeopáticas. Nessa fase, costuma durar o dia inteiro. Como a dor é leve, acaba caindo no esquecimento mas, pelo fato de ser constante, ela tem o poder de lhe irritar silenciosamente.

Você deita à noite e só nesse momento sente o baque da dorzinha inofensiva que lhe acompanhou durante o dia. O corpo inteiro está dolorido e você, derrotada. Se enrola nos cobertores e dorme instantaneamente.

No dia seguinte, você acorda se sentindo ótima. Nem lembra da dorzinha chata e segue o dia bem humorada. Mal sabe que seus minutos de felicidade estão contados. De repente e sem maiores cerimônias, nossa protagonista volta. E dessa vez não há nada que possa ser ignorado ou esquecido sobre ela. 

A dor toma conta de toda a área abdominal, mas o foco é naquele canto que permaneceu esquecido durante as três semanas anteriores - seu útero. É como se as duas trompas se desligassem dos ovários e tomassem vida, envolvendo o resto do útero como se fossem braços gigantes e malígnos que espremem suas entranhas lenta e dolorosamente sem quaisquer perspectivas de desistência. A sensação é de que realmente há algo apertando e torcendo tudo o que existe dentro da sua barriga. 

Aí pára. Do nada, é como se uma dose de compaixão sagrada tivesse sido aplicada diretamente em seu abdômen. Alívio. É realmente incrível o fato de que não nos damos conta de todos os itens que temos no nosso corpo até que eles comecem a doer. Você agredece aos céus pela habilidade recém-re-concedida de respirar normalmente e quando começa a se acostumar com a idéia de liberdade respiratória, começa tudo de novo.

A dor volta pior, é como se apenas retomasse o assunto de onde havia parado. Aos poucos vai ficando difícil ficar em pé, e cada vez pior manter uma boa postura sentada. Você sente frio, náusea, ódio mortal de todos os seres terrestres, toma o remédio, o remédio não funciona pelos próximos trinta minutos e a dor persiste. Indo e voltando de uma maneira estrategicamente calculada para lhe enlouquecer aos poucos.

No meu caso, esse inferno dura em torno de dois dias, no começo do festival sanguinário mensal, e volta no último - três vezes mais forte, despedindo-se e deixando bem claro que dali a três semanas nos encontraremos novamente.

Pelos próximos vinte e cinco anos.

24 de setembro de 2010

Enchida

Estava eu na padaria, esperando há uns vinte minutos (também conhecidos como "cinco minutinhos") pelos mini kibes que tanto me apetecem, viajando pelo incrível mundo das tortinhas de morango quando de repente fui trazida de volta à realidade por duas meninas.

Ambas estavam perto de suas mães, porém longe o suficiente para se sentirem confortáveis em terem uma conversa criancística normal. Uma delas, a mais gordinha, devorava um picolé furiosamente, impossibilitada de pronunciar qualquer coisa que fizesse sentido. A outra não parava de falar. 

Não teria nem prestado atenção nelas se não tivesse ouvido a seguinte frase:

- É por isso que você é...

De longe senti o cérebro infantil trabalhando e foi nesse momento que olhei para elas. O barulho da conversa era constante até aquele momento, mas o silêncio que se estabeleceu depois das reticências foi denso o bastante para despertar minha atenção. A que se acabava com o sorvete olhava fixamente para a outra, que com as mãos no ar representava a avantajada forma física da amiga, claramente tentando completar a frase que havia começado. 

- É por isso que você é meio... enchida. Enchida. É, acho que essa é a palavra certa. Você é meio enchida.

A outra a encarava tipo "e o que você está querendo dizer?". O constrangimento da que tinha começado a conversa sobre pesos e medidas era inegável. 

Concluíndo que sua mensagem ainda não tinha sido passada de maneira satisfatória, ela levou as mãos ao ar de novo, recriando o formato da barriga da outra. Dava para perceber que ela estava se esforçando para ser policamente correta. 

- Posso falar que você é gorda? - disse, falhando miseravelmente.

Moral da história: se não estiver conseguindo se explicar direito, pare de tentar.

19 de setembro de 2010

Dica aleatória (sobre tempero)

Se não souber com o que temperar sua comida, use sal, azeite extra-virgem e limão.

13 de setembro de 2010

Casamentos, namoros e merda

Há um tempo atrás, anunciei que uma amiga minha se casaria, lembram? Pois é. Segunda-feira passada foi o grande dia. Como já era de se esperar, ela estava linda. O noivo também. Eles são ótimos um para o outro e eu desejo tudo de bom para os dois. Estar lá foi muito legal e me fez pensar.

Foi o primeiro casamento da minha vida como convidada oficial em vez de filha dos convidados e, embora eu já estivesse psicologicamente preparada para o evento, foi um sentimento esquisito. Não sei vocês, mas desde quando eu era um cotoco humano eu já falava sobre o meu marido. Pensava no vestido, na festa, nas flores, na viagem, tomara que o meu noivo não queira usar roupa branca. Nos casamentos que eu ia, passava o tempo inteiro admirando a noiva, achando lindo aquele vestidão e torcendo para conseguir ver o sapato. Também achava divertido observar o noivo. Todo bonitão mas transpirando nervosismo por todos os poros, preocupado com tudo, andando para todos os lados, olhando no relógio, arrumando a gravata a cada dois minutos.

Aí, passei por uma fase em que afirmava categoricamente que não me casaria. Queria ser médica e não ia ter tempo para nada. Além disso, sempre brigava com os meninos nojentos da minha sala e achava absurdo alguém querer passar o resto da vida com algo que pertencesse àquele gênero. No fundo, porém, sempre que pintava as unhas de esmalte branco clarinho pensava que aquela seria a cor do meu esmalte de noiva. 

O tempo passou, e, alguns relacionamentos com os "algos pertecentes ao gênero" depois, continuo achando que eles são meio nojentos. Penso em viajar o mundo inteiro e não ter tempo para ser casada. Acho que festa é desperdício de dinheiro e que se eu tivesse que fazer uma, enlouqueceria. Não aceitaria nada que não fosse impecavelmente perfeito e brigaria com o mundo inteiro se as flores da decoração estivessem velhas. Acima de tudo, hoje em dia entendo o que significa de fato, casar-se. Viver o resto da vida com o mesmo homem. Não é fácil achar a pessoa certa e na minha opinião, tem muita gente fazendo tudo errado. Soa meio clichê dizer que casar é um sonho, mas é. 

No planeta Terra versão 2010, encontrar alguém que já não mande logo o clássico "não estou preparado para um compromisso sério" é raro e surpreendente. Uma pessoa dessas que também seja sincera, que saiba se comunicar, que tenha um bom humor, que seja sua amiga, que te entenda e que além de todas essas qualidades (e quaisquer outras que estejam na sua lista de requerimentos para um marido/esposa - a minha inclui matar insetos e lavar louça, por exemplo), ainda goste de você pelo que você é, não é exatamente algo que podemos chamar de comum.

Não tenho vergonha nenhuma em dizer que quero me casar um dia. A questão é que também não baseio minha vida nisso. Relacionamento assim é coisa séria e pressa para lidar com essas coisas estraga tudo. O que me irrita é que esse assunto virou tabu entre casais - é sempre evitado em namoros por medo de que "afaste" a outra pessoa - whataRÉU - se falar sobre casamento com a pessoa com quem você namora a afasta, que tipo de namoro é esse? 

É óbvio que você, pessoa sem noção, não precisa chutar o pau da barraca e virar um daqueles neuróticos que necessita de definições concretas e de acordos de fidelidade eterna - o que eu quero dizer é que, pelo menos do jeito que eu vejo as coisas, namoro é um relacionamento que serve para conhecer a outra pessoa suficientemente bem para poder decidir se casaria com ela ou não. Se esse não é o seu objetivo, não namore e tenha isso bem definido na sua cabeça, assim você não atrasa a vida alheia com a famosa história de "indecisão sobre seus sentimentos". Homens e mulheres, viu.

Em compensação, se decidir que ter um relacionamento sério de verdade é o que você quer, quando conseguir, seja sensato. Fidelidade, respeito e sinceridade são sinônimos de relacionamento sério e não privilégios, que é como são considerados ultimamente. Tem que ter tudo isso e ponto final. E se não tiver está errado, nem adianta tentar justificar. 

Enfim, as minhas histórias são longas e servem de exemplo para muitos casos que ouço por aí. As inevitáveis frustrações que vieram com os meus relacionamentos (não só amorosos mas de amizade também), me fizeram aprender muito sobre o cerumano de modo geral. São coisas que me fizeram crescer e que eu vou levar para sempre. Acontece muita merda e isso é um fato indiscutível, vai de você saber usar a merda como adubo ou não.

No meio do caminho, não vou negar que questionei várias vezes os meus planos para o futuro e isso com certeza acontecerá mais muitas vezes. Enquanto isso, a listinha de músicas que eu quero que sejam tocadas no meu casamento está guardada em algum lugar não muito distante, por aí. Nunca se sabe, né.

E vocês, hein? Querem casar? 

5 de setembro de 2010

Breisil

Então, gente. Eu estou de volta ao Brasil.

Estou esperando a renovação do meu visto (que pode chegar tanto daqui a uma semana quanto daqui a dez meses). Sem o visto apropriado eu até poderia trabalhar e estudar no Canadá, mas não legalmente. Então por enquanto ficarei por aqui e, assim que a resposta que eu estou esperando chegar, o próximo passo será dado.

Chatices explicatórias a parte, voltei para os meus amigos, família e é claro, para as comidinhas brasileiras que estavam fazendo falta lá no Pólo Norte da vida. O vôo de volta para cá foi ótimo, dormi um milhão de horas e, na parada em Toronto, gastei consideráveis dólares nas melhores maquiagens do universo.

Pisando em território brasileiro, a primeira coisa que me aconteceu foi derreter totalmente. Logo em seguida, tive certeza de que estava no país certo quando ouvi um fulano empregado da empresa aérea perguntando aos berros para o outro, do outro lado do corredor que conecta o avião ao aeroporto, se ele tinha visto o João. Ou seja, né.

Fui recebida por uma cheirosíssima feijoada e logo em seguida minha vó já me arrastou para o quarto porque precisava, naquele exato momento, colocar todas as coisas que eu carregava dentro das duas malas, que totalizavam aproximadamente 60kg cada, em seus devidos lugares. Imediatamente.

No mesmo dia, amigos vieram me visitar, recebi ligações no celular (que estava desligado desde o momento em que entrei no avião há oito meses atrás) e mensagens de boas-vindas. Ainda não encontrei nem metade das pessoas que quero ver, mas terei tempo de fazer isso.

Sobre o Canadations, minha jornada por aqueles lados ainda não está concluída. Tenho sérios planos de voltar para lá, valeu muito a pena todo esse tempo que passei na terra do maple (que eu particularmente não gosto - condenem-me o quanto quiserem, eu também não como queijo).

Tenho idéias legais para posts e o blog continuará firme e forte.

Para quem também conhece a minha irmã, personagem clássica por aqui, assistam ao vídeo novo, estrelado pela própria, no meu vlog. Ela ficou no Canadá para terminar o Ensino Médio e deixou um recadinho para quem quiser ver.

Por enquanto é isso - esperem pelo texto sobre o casamento da minha amiga. Esse promete.

4 de setembro de 2010

Enquanto isso, no meu cérebro:

Quanto tempo mais será que eu vou ficar enrolando para escrever no blog?