Reprovada. Vocês desacreditam se eu disser o que foi que eu fiz de errado.
Nas quatro primeiras aulas não errei absolutamente nada. Era como se soubesse fazer tudo aquilo desde sempre. Por motivos adversos, no decorrer das aulas errei discretamente, nada grave - erro de cálculos. Até que na última aula eu encostei na simpática vareta hepática da baliza. '- Pô bebê, deixou pra errar justo na última aula?', foi o que o instrutor disse.
As aulas terminaram numa quarta-feira. Marquei uma extra na segunda, dia anterior ao do teste. Fui com o meu progenitor, pacote completo. Não errei nada. Ufa. '- Que beleza hein, bebê!'.
Dia do teste. Preguiça estratosférica para acordar, obviamente. Fila gigante, pessoas desesperadas, sol. Chegou a minha vez. Entrei no carro, colei o banco no volante como só eu sei fazer, arrumei os retrovisores, coloquei o cinto de segurança. Que fácil. Entrou uma mulher, acomodou-se. Dei a partida, seta, seta de novo e parei na subida. Ponto morto, freio de mão. Seta, 'ponto-que-treme', acelerada leve, freio de mão - parte mais difícil já foi. Direita, direita de novo. Que coisa mais ridícula.
Foi aí. Farol amarelo. Lembrei do instrutor: '- Bebê, mesmo que o farol esteja amarelo, pára'. Já estava me preparando para o 'embreagem-freio' quando a perversa do meu lado me mandou, decidida ao concretizar seu premeditado plano maléfico, parar atrás do carro cinza. '- Se ela mandou parar lá, depois do farol, é porque dá para passar', pensou a anta que vos escreve. No momento em que os pneus dianteiros passaram pela faixa de pedestres, o farol ficou vermelho (envergonhado pela minha burrice, sem dúvidas). A mulher freou o carro bruscamente de um jeito que eu, na minha condição de 'aspirante', com certeza não poderia fazer e pronunciou cada sílaba: 'Você está reprovada'.
Passei no farol vermelho, dá para acreditar? Tanta coisa para errar. Tanta gente falando desde que eu me conheço por gente que a luz amarela significa 'atenção' e a vermelha 'pare'. Cento e vinte e quatro reais, agora. Isso porque eu não vou comprar a carta. Me recuso. Detalhe: só daqui a vinte e um dias posso fazer o teste de novo. Inacreditável.