31 de outubro de 2007

As crianças me adoram

Numa dessas visitas à familias amigas da minha família, havia uma menininha.

Durou cinco minutos o tempo entre eu chegar na casa da anfitriã e estar no quarto pink dela, com uns cinco brinquedos diferentes no colo e o filme do "High School Musical 2-que-ela-tinha-gravado-na-noite-anterior-porque-ia-terminar-muito-tarde-e-ela-não-podia-ficar-acordada-até-tão-tarde-e-aí-o-Troy-e-Gabriela-cantavam-aquela-música-olha-a-roupa-dela-que-bonita" passando.

Aí ela descobriu que eu tinha feito escova no cabelo, coisa que a mãe dela só vai deixá-la fazer quando tiver quinze anos. Pronto, cinco brinquedos no colo, o filme-etc-etc e uma coisinha rosa pendurada em mim.

Mais a noite, fomos jantar. Ela naquela velocidade de lesma que toda criança come. Eu observando sem que ela percebesse. Caridosamente, depois de terminar, me ofereci para fazer o famoso e prático 'aviãozinho', quem sabe assim aquela agonia acabava de uma vez.

- Ó o aviãozinho uóóóó!!


- Mas eu já estou com comida.

Abaixei o garfo num momento de frustação, mas não me deixei abalar, psicologia infantil, vamos lá.

- Ó que eu vou enfiar isso daqui pelo seu nariz, menina. - disse, eu, dócil.

- Mas eu já estou comendo!


- Mentira.

Desisti da missão, pensando que talvez meu espírito maternal não fosse exatamente como imaginava. Nâo mais do que de repente:

- Cintiá, pode fazer o aviãozinho agora, ó - aaaahhh!!

As crianças me adoram, não tem jeito.

Conversa vai, conversa vem, lá estava ela falando um filme qualquer.

- Aí, naquele filme, ele faz assim e nossa, muito legal, aí...


- Eu nunca vi esse filme, mals.

Precisa ver a cara que ela ficou.

Antes de irmos embora, eu continuava com diversos brinquedos em volta, já tinha sido a-Gabriela-e-ela-o-Troy-,-depois-eu-fazia-o-Troy-e-ela-a-Gabriela-,-mas-na-verdade-ela-gostava-da-Sharpay-(?)-,- mas-tudo-bem. Foi aí que ela me definiu:

'Você só faz coisa boa, vai ser arteira quando crescer'.

Sim, eu anotei todas essas coisas. Ah, e atrás da folha do desenho de flor marrom que ela fez pra mim. Crianças me adoram :)

26 de outubro de 2007

Na rua

Vira e mexe eu volto a pé da faculdade, né?! Um saco, chego em casa morrendo. Agora não mais, afinal, não há nada nessa vida com que a gente não se acostume.

Pois então. Quando a bateria do aparelho super tecnológico de música acaba, não resta muito a não ser ouvir os doces sons da metrópole.

As figuras que se vê na rua são incríveis, já falei sobre isso antes. Mas a situação fica ainda mais bizarra quando você ouve o que elas estão falando. Eis que surgem, andando rapidamente no sentido contrário, dois senhores, tipo cinqüenta e tantos anos. De longe já dava para perceber que a conversa estava interessante. No momento em que passaram por mim, o mais velho estava concluindo o raciocínio:

"- Só que agora, né, me fodi na bosta..."

Pois eu parei no meio da rua, saquei o caderno e a caneta e anotei. Rindo. Muito. Que será que aconteceu de tão grave para que ele esteja nessa situação agora? Como é que se resolve esse problema, hein?

Pensando em quantas coisas eu já não deixei de ouvir devido à música sempre no talo, segui meu caminho. Foi então que, já perto de casa, me deparei com dois pedreiros, um com cara de mais importante que o outro. Um fechando o portão, o outro abrindo o carro.

"- Então, eu pego um marmitex, lá, pode ser?

- Não."

Andei mais um pouco. Saquei o caderno e a caneta novamente. O pedreiro menos importante certamente estava até aquele momento procurando as pernas que foram tão rapidamente quebradas pelo outro.