20 de setembro de 2007

Desvendei a culinária

- Você vai saber quando o bolo estiver pronto. Aí você passa a faca nas laterais e vira ele, para tirar da forma. Aí, assim, a parte de cima é maior que a de baixo, então quando você virar o bolo, a parte menor vai ficar para cima. Se você quiser que a parte menor fique para baixo, você vira ele de novo, entendeu?

- Mãe, pra quê eu vou querer que a parte menor fique para baixo?! Não faz sentido!

- É, tem razão.

Depois de mais algumas detalhadas explicações sobre a cobertura do bolo, que eu deveria terminar de preparar, achei a saga 'bolo sendo preparado sem mãe em casa' estaria acabada. Concluí para ela, meio que confirmando se havia entendido tudo:

- É só tirar a parada e jogar o negócio em cima, então. - disse, enquanto puxava a orelha do cão.

Silêncio.

Olhei para ela, que me analisava. Seu olhar era uma mistura de espanto com desespero. Em sua cabeça, o pensamento era, com certeza, alguma coisa parecida com: 'Eu estou prestes a sair de casa deixando um bolo a ser terminado por ESTA criatura a minha frente - isso não vai prestar'.

Minha conclusão foi simples, admito. Mas correta, afinal era só fazer isso mesmo.

E ficou bom, hein.

13 de setembro de 2007

Ah, a família

Quem freqüentava o meu antigo blog sabe que minha família não é das mais normais - afinal, influência genética é a única justificativa plausível para minha personalidade, digamos, distinta.

Pois então. Família que é família tem esquisitices. Excessos a parte, os meus prezados parentes se utilizam de algumas expressões ligeiramente incomuns. Algumas são gírias velhas, outras são ditados modificados, outras nem uma coisa nem outra - inventadas por eles mesmos. Nunca teria reparado nisso, se não fosse por ter falado uma delas outro dia, e as pessoas com quem eu estava conversando ficarem com aquela cara de interrogação infundada. Continuei meu monólogo, sem hesitar.

Depois, já em casa, pensei: "- Eu não deveria esperar que as pessoas entendessem as frases feitas do meu vô. Porque diabos eu usei uma frase feita do meu vô?" - e aí quem ficou com cara de interrogação fui eu.

Após esse episódio, comecei a prestar atenção nas falas da família, principalmente do meu vô e do meu pai, é incrível.

Eis alguns exemplos:

Sambascuá - geralmente essa expressão é usada como adjetivo para qualificar um menino bobo, desajeitado. Às vezes, pode variar com o apelido carinhoso 'sambas'.

Não bato palma - pronúncia correta: não bato parma. Expressão equivalente à 'não gosto muito'; 'não sou fã'. Exemplo de utilização: "- Vô, você gosta dessa bala?" "- Ah, não bato parma."

Fiofó do mundo - essa é sempre usada com uma entonação forte, para dar o devido peso à distância de um lugar ao outro. Equivale à também nada nova 'lá aonde o Judas perdeu as botas'. Geralmente a ouço quando eu peço para o meu vô me levar em algum lugar.

Nem a pau, Juvenal - essa saiu inesperadamente da boca da minha mãe. Ela falou de um jeito tão convicto e determinado que eu nem insisti no que estava pedindo.

Elas são estranhas mesmo, ou sou eu?